Surucucu

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaSurucucu
Lachesis muta muta
Lachesis muta muta
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Género: Lachesis
Espécie: L. muta
Nome binomial
Lachesis muta
(Linnaeus, 1766)

Lachesis muta, vulgarmente conhecida como surucucu, surucutinga, surucucutinga, surucucu-de-fogo, surucucu-pico-de-jaca e cobra-topete,[1] é a maior serpente peçonhenta da América Latina[2].[3] O Brasil possui duas subespécies do gênero Lachesis: L. muta muta e L. muta rhombeata. [4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Surucucu vem do tupi suruku'ku, ç'uru cu cu ou çuú'u'u significa “que morde muito”.[5][1] Já "surucucutinga" e "surucutinga" vêm do tupi suruku'kutinga, ou seja, "surucucu branca".

Seu gênero, Lachesis, é uma referência a Láquesis, uma das três Moiras mitológicas gregas que decidiam o destino dos seres humanos e deuses. Muta ("muda" em latim) é uma referência ao fato de a surucucu vibrar sua cauda, como a cascavel, sem, no entanto, produzir o ruído que esta produz.[carece de fontes?]

Características[editar | editar código-fonte]

Apresenta grande porte, chegando atingir 3,5 metros de comprimento.[6] Fosseta loreal bem aparente entre o olho e a narina.[6] A dentição é do tipo solenóglifa.[7] Porção dorsal da cabeça apresenta tom amarelo-alaranjado, com várias manchas escuras e de tamanhos irregulares.[6] O corpo também apresenta tons amarelo-alaranjados ou claro com manchas negras em forma de losangos mais claros no centro distribuídos ao longo do corpo.[6] Escamas dorsais pontudas, o que lembra a casca da jaca.[6] Ventre branco. Cauda curta, negrejada e com escamas eriçadas na ponta. [6]

Acidentes[editar | editar código-fonte]

Acidentes com serpentes do gênero Lachesis, são chamados, acidentes laquéticos.[8]

Acidentes ofídicos por Lachesis têm pouca frequência, porém com alto grau de severidade que se caracteriza por acentuado dano tecidual e efeitos sistêmicos como: hipotensão e bradicardia, tonturas, náuseas, além de cólicas abdominais e diarréia.[2] Representam cerca de 1,4 % dos acidentes que ocorrem por ano no Brasil.[9]

Ao contrário do que muitos acreditam, serpentes não vão intencionalmente até uma pessoa para picá-la. Os acidentes ocorrem porque as vítimas não percebem a sua presença e se aproximam demasiadamente.[7] Por isso quando se está em seu habitat natural, deve-se ter atenção redobrada, além de se estar devidamente calçado, com botas de cano alto ou perneiras de couro, botinas, sapato fechado, uma vez que, a maioria dos acidentes (cerca de 80%) ocorrem nos membros inferiores (pés e pernas).[8]

Habitat[editar | editar código-fonte]

Vive em florestas densas, principalmente na Amazônia, mas conhecem-se registros na literatura da presença desse animal até em áreas isoladas de resquícios de Mata Atlântica como na região de Serra Grande, município de Uruçuca, na Bahia.[3]

A espécie Lachesis muta, está ameaçada de extinção, enquadrada na categoria de Espécie vulnerável (VU).[10]

No estado da Bahia ocorre nos municípios de: Amargosa, Belmonte, Camamu, Entre Rios, Ibicaraí, Ilhéus, Itacaré, Maraú, Mutuípe, Pau Brasil, Piraí do Norte, Santa Cruz Cabrália, São Felipe, Teixeira de Freitas, Una, Uruçuca e Valença.[11]

Peçonha e toxicidade[editar | editar código-fonte]

A peçonha laquética apresenta ação proteolítica, ocasionando lesão tecidual, ação hemorrágica e neurotóxica.[12] É diferente da peçonha botrópica por poder ocasionar síndrome vasovagal em algumas vítimas. Esta peçonha consome protrombina e fibrinogênio repercutindo em uma coagulopatia do tipo "Coagulação Intravascular Disseminada". [12] O único tratamento disponível atualmente para o tratamento do acidente laquético é a administração intravenosa do soro antilaquético ou anti botrópico-laquético no acidentado. [12]

Referências

  1. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1634
  2. a b CREMONES, C.M. Estudo da ação antiofídica do extrato das folhas e do suco de graviola (Annona muricata) no envenenamento por Lachesis muta rhombeata. 2011. 76p. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2011.
  3. a b Da redação (21 de agosto de 2015). «'Globo Rural' destaca a maior serpente venenosa das Américas». Consultado em 3 de julho de 2017 
  4. ROSENTHAL, R.; MEIER, J.; KOELZ, A.; MÜLLER, C.; WEGMANN, W.; VOGELBACH, P. (julho 2001). «Intestinal ischemia after bushmaster (Lachesis muta) snakebite - a case report». Elsevier Science Ltd. doi:10.1016/S0041-0101(01)00203-3. Consultado em 12 nov. 2018 
  5. Teodoro Sampaio (1987). O Tupí na geografia nacional. [S.l.]: Cia. Editora Nacional. 359 páginas. ISBN 9788504002126 
  6. a b c d e f Argôlo 2004, p.181
  7. a b BERNARDE, P. S. (2009). «Acidentes Ofídicos» (PDF). Universidade Federal do Acre - UFAC. Laboratório de Herpetologia - Centro Multidisciplinar - campus Floresta: 2. Consultado em 12 nov. 2018 
  8. a b «Acidentes por animais peçonhentos - Serpentes». Ministério da Saúde. Maio 2017. Consultado em 12 nov. 2018 
  9. PINHO, F.M.O.; PEREIRA, I.D. (Janeiro–Março 2001). «Ofidismo». São Paulo. Revista da Associação Medica Brasileira. 47 (1). doi:10.1590/S0104-42302001000100026. Consultado em 12 nov. de 2018 
  10. «Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia.». Secretaria do Meio Ambiente. Agosto 2017. Consultado em 12 nov. 2018 
  11. BRAZIL, T. K. (2010). Catálogo da fauna terrestre de importância médica na Bahia. Salvador: SciELO-EDUFBA. p. 49 
  12. a b c SANTOS, Patty Karina dos. Proteoma da peçonha de Lachesis muta rhombeata. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de São Carlos. 2013. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/5511/5001.pdf?sequence=1. Acesso em: 23 nov. 2018

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=190848&indexSearch=ID «Acidentes ofídicos por surucucu (Lachesis muta rhombeata): relato de dois casos atendidos no HU»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). CCS. 13 (3): 11–4. Consultado em 15 de novembro de 2016  line feed character character in |url= at position 57 (ajuda)


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