Cobra-real

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Cobra-real
Cobra-real
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Elapidae
Género: Ophiophagus
Espécie: O. hannah
Nome binomial
Ophiophagus hannah
Cantor, 1836
Distribuição geográfica
Distribuição da cobra-real, a vermelho
Distribuição da cobra-real, a vermelho

A cobra-real[1][2] , ou ainda cobra-rei,(Ophiophagus hannah), também conhecida como hamadríade, é uma espécie de serpente venenosa da família dos Elapídeos, endêmica da Ásia meridional e do sudeste asiático. Está ameaçada pela destruição do seu habitat e está listada como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN desde 2010. É a maior cobra peçonhenta conhecida. Cobras-reais adultas normalmente vão de 3 a 4 metros de comprimento, sendo que a maior já registrada chegou a medir 5,85 m. Apesar da palavra "cobra" em seu nome comum, esta espécie não pertence ao gênero Naja, mas é o único membro do gênero Ophiophagus. É carnívora e a sua dieta consiste basicamente em outros ofídios, venenosos ou não, mas não despreza lagartos, ovos e pequenos mamíferos.[1][2][3] O nome científico Ophiophagus significa literalmente "comedora de serpentes".

Descrição[editar | editar código-fonte]

A coloração da cobra-real varia do marrom ao preto com listras brancas ou amarelas, ou ainda verde-azeitona sem listras. O pescoço possui uma capa que se expande ao se sentir ameaçada. [3]

As cobras jovens são pretas brilhantes com faixas amarelas estreitas (podem ser confundidos com um krait com faixas, mas facilmente identificados com seu capuz expansível). A cabeça de uma cobra adulta pode ser bastante compacta e volumosa na aparência, embora, como todas as cobras, possa expandir suas mandíbulas para engolir grandes presas. Sua dentição é proteroglífica, o que significa que tem duas presas curtas e não retráteis na frente da boca por onde canalizam o veneno para dentro da presa. A expectativa de vida de uma cobra-real é de cerca de 20 anos.

Trata-se de uma das espécies de serpente de que mais facilmente se diferenciam os sexos. As cobras-rei são sexualmente dimórficas em tamanho e em cor. Os machos atingem tamanhos maiores que as fêmeas, o que é uma característica incomum entre as cobras cujas fêmeas geralmente são maiores que os machos. Os machos têm cores mais claras à exceção da cauda, que em geral é preta em ambos os sexos.

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

Vivem principalmente nas florestas tropicais, bosques de bambus, mangues e regiões de vegetação rasteira da Índia, sul da China e sudoeste asiático. Desloca-se à vontade no solo, em meio às das árvores e na água. [3]

Ataque e defesa[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter um veneno de toxidade moderada (com uma toxicidade inferior a da maioria da família dos Elapídeos), a cobra-real possui a capacidade de inocular grandes quantidades por mordida, o que a torna uma das serpentes mais letais. Numa só mordida ela pode libertar até sete mililitros de neurotoxina, suficiente para matar um tigre ou até mesmo um elefante.[1][2][3]

Ao ser provocada, ergue um terço de seu corpo, expande a capa de seu pescoço e começa a emitir silvos semelhantes ao rosno de um cão. Mantém-se nesta posição, começa a se aproximar do agressor a fim de atacá-lo.[3][4]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Antes do acasalamento, casais de coba-real executam uma espécie de dança nupcial, em que se enfrentam com as cabeças erguidas. Elas vivem aos pares, o que é incomum entre as cobras. No período reprodutivo, pode haver competição entre machos pelas fêmeas. No ato do acasalamento, o casal se entrelaça e assim permanece por um bom tempo.[3]

Outra das suas características é que se trata da única serpente que realiza a postura de ovos dentro de uma espécie de ninho, que a mãe elabora arrastando ervas e pequenos ramos com a sua cauda. O ninho é dividido em dois compartimentos: o inferior abriga os ovos e o superior é ocupado pela mãe que os protegem de predadores. As duas partes são separados por folhas. São postos de 20 a 50 ovos. O calor produzido pela vegetação que compõem o ninho incuba os ovo. Pouco antes da eclosão dos ovos, a qual ocorre de 60 a 90 dias após sua postura, a mãe abandona a zona, supostamente para se subtrair à tentação de devorar as próprias crias.[1][3]

Relação com humanos[editar | editar código-fonte]

A cobra-rei integra a mitologia do Extremo Oriente. É usada como modelo em pequenas estátuas, joalheria e decoração. Ainda prevalece na Birmânia um costume que envolve a serpente. Uma jovem para em frente à serpente e oferece-lhe leite em uma tigela. Se a cobra avançar, ela deve beijá-la na cabeça.[3][5]

Assim como a maioria das cobras, é tímida e evita o contato com o homem. No entanto, se for encurralada, pode tornar-se bem agressiva.[3]

São mais conhecidas por serem a espécie preferida pelos encantadores de serpentes do sul da Ásia.[3]

Quanto ao seu estado de conservação, a espécie é classificada como vulnerável, devido à destruição de seu habitat, a fim de torná-lo áreas agrícolas e madeireiras. Há também a perseguição da cobra-real pelo medo, pela obtenção de carne, pele e fígado, o qual é utilizado na medicina tradicional.[3]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «QUAIS SÃO AS COBRAS MAIS VENENOSAS DO MUNDO?». greenMe. 17 de novembro de 2014. Consultado em 1 de maio de 2018. 
  2. a b c «Os Engolidores da Natureza». Curiosidades Animal. 20 de outubro de 2018. Consultado em 30 de abril de 2018. 
  3. a b c d e f g h i j k «Cobra Rei». Consultado em 1 de maio de 2018. 
  4. Página king cobra da National Geographic - Acesso em 03.Mai.07
  5. «Biggest snake King cobra Myanmar woman». DocMatt64. 10 de maio de 2009. Consultado em 1 de maio de 2018.