Cucurbitaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCucurbitaceae
Hodgsonia heteroclita

Hodgsonia heteroclita
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Angiospermae
Classe: Eudicotyledoneae
Ordem: Cucurbitales
Família: Cucurbitaceae
Juss.
Géneros
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Cucurbitaceae é uma família de plantas eudicotiledôneas fabídeas, de haste rastejante, rupícolas ou terrícolas, frequentemente com gavinhas de sustentação, que reúne cerca de mil espécies entre as quais várias domesticadas e de grande importância econômica tais como abóbora, melão, melancia, bucha, cabaça (cuia), abobrinha, pepino, etc.

As plantas dessa família podem ser dióicas ou monóicas e a maioria são anuais, ou seja, morrem depois de se reproduzirem.

Possuem uma ampla distribuição global, mas ocorrem principalmente nos trópicos e subtrópicos.

Os frutos desta família são do tipo pepônio, às vezes referidos como pseudobagas.

Diversidade taxonômica[editar | editar código-fonte]

Existem cerca de mil espécies identificadas dentro das Cucurbitaceae que estão distribuídas em cerca de 140 gêneros.[1]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Trichosanthes tricuspidata

As plantas da família Cucurbitaceae são herbáceas ou lianas sublenhosas e possuem, em geral, gavinhas espiraladas e muitas vezes ramificadas que são dispostas lateralmente nos nós[3]

Geralmente possuem alcalóides e saponinas triterpenóides amargas, tetra ou pentacíclicas.[3]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são simples, alternas ou espiraladas, frequentemente palmado-lobadas e com venação palmada. Podem ter as margens mais ou menos serreadas e dentes cucurbitóides (muitas nervuras convergindo no dente e terminando em um ápice glandular expandido e mais ou menos translúcido). Não possuem estípulas. Nectários extraflorais podem estar presentes. Ocorrem pêlos simples com parede calcificada e um cistólito (concreção de carbonato de cálcio) na base.[3][4][5]

Flores[editar | editar código-fonte]

Fruto de Citrullus lanatus

As flores estão organizadas em inflorescências axilares variáveis em tipo e às vezes reduzidas a apenas uma flor terminal. As flores são geralmente unissexuais, actinomorfas, com perianto bisseriado e diclamídeo e hipanto. As sépalas são geralmente imbricadas e em número de cinco, em geral conatas (intimamente unidas desde a origem) e às vezes reduzidas. As pétalas são geralmente cinco, conatas, campanuladas, com um tubo estreito e lobos expandidos no ápice, ou quase planas. A coloração varia entre branco, passando pelo amarelo e alaranjado, e vermelho. É frequente na família flores que se abrem somente por um dia. Os estames são de três à cinco, adnatos ao hipanto, diversamente conatos e modificados, geralmente parecendo ser três ou apenas um, com anteras uniloculares e grãos de pólen com três ou mais sulcos e/ou poros. Os carpelos são geralmente três, conatos, com ovário ínfero, placentação parietal, e geralmente três estigmas. Os óvulos geralmente são numerosos por placenta. Possuem nectários diversos.[3][4][5]

Frutos e sementes[editar | editar código-fonte]

Nas Cucurbitaceae, ocorre um fruto do tipo baga que é chamado de pepônio. No fruto do tipo pepônio, hipanto e epicarpo formam uma casca coriácea e no interior ocorre crescimento das placentas preenchendo o lóculo. As sementes são achatadas com testa composta por várias camadas, sendo que a mais externa pode ser carnosa. O endosperma é escasso ou ausente.[3]

Polinização e dispersão[editar | editar código-fonte]

Insetos polinizadores em flor de Cucurbita pepo

Por serem vistosas e possuírem néctar, as flores de Cucurbitaceae atraem diversos insetos, aves e morcegos. O androceu possui coloração e aspecto semelhante ao gineceu, assim, os polinizadores visitam tanto flores estaminadas (masculinas) quanto carpeladas (femininas). A polinização cruzada é promovida pela dioicia e presença de flores unissexuais.[3] A dispersão das bagas são feitas na maioria das vezes por animais. Em Momordica ocorre abertura das cápsulas com exposição das sementes que são coloridas e carnosas para dispersão por aves.[3]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

As Cucurbitaceae possuem uma ampla distribuição global, mas ocorrem principalmente nos trópicos e subtrópicos, com poucas espécies de regiões temperadas.[3] No Brasil ocorrem cerca de 30 gêneros distribuídos em todos os estados e em todos os domínios fitogeográficos: amazônia, caatinga, cerrado, mata atlântica, pampa e pantanal.[6]

Gêneros no Brasil[6][editar | editar código-fonte]

Apodanthera Gurania Pteropepon,
Cayaponia Helmontia Rytidostylis
Ceratosanthes Lagenaria Sechium
Citrullus Luffa Selysia
Cucumis Melothria Sicana
Cucurbita Melothrianthus Sicydium
Cyclanthera Momordica Sicyos
Echinocystis Posadaea Siolmatra
Echinopepon Pseudocyclanthera Tricosanthes
Fevillea Psiguria Wilbrandia

Relações filogenéticas[editar | editar código-fonte]

Cucurbitaceae é uma família monofilética de plantas angiospermas eudicotiledôneas. É uma das oito famílias da ordem Cucurbitales, inserida no grupo das fabídeas que, por sua vez, estão inseridas no grande clado das Rosídeas.[7] Dentro das Cucurbitales análises filogenéticas indicam Cucurbitaceae como grupo irmão do clado que contém as famílias Tetramelaceae, Datiscaceae e Begoniaceae.[8] Cucurbitaceae é tradicionalmente dividida em subfamílias, tribos e subtribos. As duas subfamílias são Nhandiroboideae, com uma única tribo (Zanonieae) e cinco subtribos, e Cucurbitoideae com dez tribos e nove subtribos.[9] Estudos filogenéticos baseados em caracteres moleculares dão suporte a classificação das subfamílias e da maioria de tais tribos, mas indicam que a maioria das subtribos não são monofiléticas.[10]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. The Plant List (2013). «Cucurbitaceae». Consultado em 24 Jan. 2017 
  2. JUSSIEU, Antoine Laurent de (1789). «Ordem Cucurbitaceae em "Genera Plantarum, secundum ordines naturales disposita juxta methodum in Horto Regio Parisiensi exaratam» 
  3. a b c d e f g h JUDD, Walter S. (2009). Sistemática Vegetal: Um enfoque filogenético. Porto Alegre: Artmed. pp. 396–398 
  4. a b SIMPSON, M. G. (2010). Plant Systematics. Amsterdam: Elsevier. pp. 341–343 
  5. a b WATSON, L. (2016). «The families of flowering plants: descriptions, llustrations, identification, and information retrieval». Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  6. a b Flora do Brasil 2020 em construção. «Cucurbitaceae». Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Consultado em 24 Jan. 2017 
  7. APG 2016. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society 181, 1–20. DOI: 10.1111/boj.12385.
  8. Zhang, L.-B. [et al. 2006], Simmons, M. P., Kocyan, A., & Renner, S. S. 2006. Phylogeny of the Cucurbitales based on DNA sequences of nine loci from three genomes: Implications for morphological and sexual system evolution. Mol. Phyl. Evol. 39: 305-322.
  9. Jeffrey, C., 2005. A new system of Cucurbitaceae. Bot. Zhurn. 90, 332–335.
  10. KOCYAN, Alexander et al. A multi-locus chloroplast phylogeny for the Cucurbitaceae and its implications for character evolution and classification. Molecular Phylogenetics And Evolution, v. 44, n. 2, p.553-577, ago. 2007. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.ympev.2006.12.022.