Libidibia ferrea

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaPau-ferro
A Caesalpinia ferrea se chama agora Libidibia ferrea
A Caesalpinia ferrea se chama agora Libidibia ferrea
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Subfamília: Caesalpinioideae
Género: Libidibia
Nome binomial
Libidibia ferrea
(Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz
Sinónimos
Caesalpinia ferrea C.Mart.

Libidibia ferrea (classificada anteriormente como Caesalpinia ferrea),[1][2] comumente conhecida como pau-ferro, Jucá, madeira de ferro brasileira, morado ou leopardo, é uma árvore encontrada no Brasil e na Bolívia. Com o avanço da classificação biológica, as versões diferentes da conhecida Caesalpinia ferrea foram reorganizadas em Caesalpinia leiostachya e Libidibia ferrea.

Madeira[editar | editar código-fonte]

A maioria dos indivíduos dessa espécie possuem anéis de crescimento mal definidos, com vasos isolados dispostos em múltiplos radiais. A picada entre os vasos é alternada e coberta, e as fibras geralmente não são divididas por um septo. O parênquima axial (isto é, longitudinal) varia de uma forma alada a confluente, e é irregularmente armazenado (isto é, em camadas), enquanto os raios (perpendiculares aos anéis de crescimento) têm altura variável e geralmente compreendem uma largura de célula única ou dupla. A Libidibia em particular possui parênquima longitudinal em camadas e estreitos raios homocelulares (isto é, de tipo uniforme) sem cristais nas células dos raios.[1]

Uso[editar | editar código-fonte]

Sua madeira é frequentemente usada para integrar braços para baixos elétricos e guitarras. Tem uma sensação semelhante e atributos tonais semelhantes ao pau-rosa, mas é mais duro e tem uma cor um pouco mais clara.[3]  A madeira também pode ser usada para pisos, móveis sofisticados e alças de pistola. Também é conhecido pelos nomes morado, palo santo, caviuna, pau-ferro brasileiro e pau-rosa boliviano, embora não seja realmente pau-rosa.

Na fabricação de violões, o pau-ferro é usado principalmente para pranchas e pontes. Alguns luthiers também o usam nas costas e nas laterais dos violões. A empresa brasileira de guitarras Giannini usa pau-ferro laminado em muitas de suas guitarras clássicas.[4] Embora parecido em muitos aspectos com o pau-rosa, o pau-ferro tem qualidades ligeiramente diferentes: sua coloração varia de marrom café a marrom amarelo e roxo. Diz-se que as características tonais estão entre o pau-rosa e o ébano, com um som levemente "mais rápido", sendo "um pouco mais brilhante que o pau-rosa, mas com a mesma profundidade e calor".

Utilização como produto natural[editar | editar código-fonte]

Na região amazônica a Libidibia ferrea tem extenso uso na medicina popular, conhecida principalmente como “jucá”, sendo indicada para tratar diversas afecções de saúde, na forma de chás e infusões para tratamento de afecções bronco-pulmonares, diabetes, reumatismo, câncer, distúrbios gastrintestinais, diarreia; além do tratamento tópico de feridas e contusões. [5] Apresar das várias indicações as vagens de Jucá são popularmente utilizadas para o tratamento de feridas, usualmente em solução alcoólica, sendo que estudo científicos já comprovaram a atividade cicatrizante de diferentes partes do Jucá em diferentes espécies animais, como caprinos, [6] ratos[7] e jumentos. [8] Estudo recente que comparou diferentes formulações e concentrações do extrato etanólico das vages de Jucá comprovou que os produtos naturais apresentaram uma excelente atividade cicatrizante em feridas dérmicas de cães, possuindo ainda moderada atividade antimicrobiana. [9]

Informações sobre alergia[editar | editar código-fonte]

O pau-ferro, usado como substituto do pau-rosa, é um forte sensibilizador capaz de causar surtos agudos de dermatite alérgica e irritante em trabalhadores que não foram expostos a ele anteriormente. Isso, no entanto, não impediu as fábricas de móveis de usar o produto. Aparentemente, a maioria dos trabalhadores desenvolve tolerância à madeira. O alérgeno é um forte sensibilizador da pele.[10]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Gasson, Peter; Warner, Kate; Lewis, Gwilym (1 de janeiro de 2009). «Wood Anatomy of Caesalpinia S.S., Coulteria, Erythrostemon, Guilandina, Libidibia, Mezoneuron, Poincianella, Pomaria and Tara (Leguminosae, Caesalpinioideae, Caesalpinieae)». IAWA Journal (em inglês). 30 (3): 247–276. ISSN 0928-1541. doi:10.1163/22941932-90000218 
  2. Gagnon, E.; Lewis, G. P.; Solange Sotuyo, J.; Hughes, C. E.; Bruneau, A. (1 de novembro de 2013). «A molecular phylogeny of Caesalpinia sensu lato: Increased sampling reveals new insights and more genera than expected». South African Journal of Botany. Towards a New Classification System for Legumes (em inglês). 89: 111–127. ISSN 0254-6299. doi:10.1016/j.sajb.2013.07.027 
  3. «🌳 Pau Ferro Wood: Indian Rosewood Alternative -». Commercial Forest Products (em inglês). 22 de maio de 2019. Consultado em 2 de junho de 2020 
  4. «Classical Giannini Guitar - Unique Guitars, Brazilian Style». www.classical-guitar-world.com. Consultado em 2 de junho de 2020 
  5. Vásquez, Silvia Patricia Flores; Mendonça, Maria Silvia de; Noda, Sandra do Nascimento (dezembro de 2014). «Etnobotânica de plantas medicinais em comunidades ribeirinhas do Município de Manacapuru, Amazonas, Brasil». Acta Amazonica (4): 457–472. ISSN 0044-5967. doi:10.1590/1809-4392201400423. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  6. Oliveira, A.F.; Batista, J.S.; Paiva, E.S.; Silva, A.E.; Farias, Y.J.M.D.; Damasceno, C.A.R.; Brito, P.D.; Queiroz, S.A.C.; Rodrigues, C.M.F. (setembro de 2010). «Avaliação da atividade cicatrizante do jucá (Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. var. ferrea) em lesões cutâneas de caprinos». Revista Brasileira de Plantas Medicinais (3): 302–310. ISSN 1516-0572. doi:10.1590/S1516-05722010000300007. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  7. Kobayashi, Yuri Teiichi da Silva; Almeida, Vívian Tavares de; Bandeira, Talita; Alcântara, Bianca Nascimento de; Silva, Andressa Santa Brígida da; Barbosa, Wagner Luiz Ramos; Silva, Paula Barbosa da; Monteiro, Maria Vivina Barros; Almeida, Milton Begeres de (13 de abril de 2015). «Avaliação fitoquímica e potencial cicatrizante do extrato etanólico dos frutos de Jucá (Libidibia ferrea) em ratos Wistar». Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science (1). 34 páginas. ISSN 1678-4456. doi:10.11606/issn.1678-4456.v52i1p34-40. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  8. Oliveira, Ilanna Vanessa Pristo de Medeiros; Dias, Regina Valéria da Cunha; Calado, Eraldo; Lucena, Rivaldo; Costa, Antonio Leandro; Sakamoto, sidney Miyoshi; Pimentel, Muriel Magda Lustosa (7 de julho de 2014). «AVALIAÇÃO CICATRICIAL MACROSCÓPICA DA VAGEM E DA CASCA DO JUCÁ (CAESALPINIA FERREA MART. EX TUL. VAR. FERREA) EM LESÕES CUTÂNEAS EM ASININOS (EQUUS ASINUS)». Acta Veterinaria Brasilica (2): 129–135. ISSN 1981-5484. doi:10.21708/avb.2014.8.2.3578. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  9. Américo, Ádria Vanessa Linhares dos Santos; Nunes, Kariane Mendes; Assis, Francisco Flávio Vieira de; Dias, Salatiel Ribeiro; Passos, Carla Tatiane Seixas; Morini, Adriana Caroprezo; Araújo, Junior Avelino de; Castro, Kelly Christina Ferreira; Silva, Silvia Katrine Rabelo da (12 de junho de 2020). «Efficacy of Phytopharmaceuticals From the Amazonian Plant Libidibia ferrea for Wound Healing in Dogs». Frontiers in Veterinary Science. 244 páginas. ISSN 2297-1769. PMC PMC7326013Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 32656247. doi:10.3389/fvets.2020.00244. Consultado em 13 de fevereiro de 2021 
  10. Pereira, C. A. Z.; Pereira, L. C.; Cruzes, M. N.; Komnitski, C. (2005). «Departamento de alergia dermatológica». Anais Brasileiros de Dermatologia. 80: S129–S133. ISSN 0365-0596. doi:10.1590/S0365-05962005000900025