Oração subordinada

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A Oração subordinada, na gramática, é aquela que exerce uma função sintática em relação a uma outra oração, chamada oração principal e que pede complemento ou é uma oração que tem uma certa dependência de sentido em relação a oração principal entre eles um arquivo que pode ter uma certa transferência[1]

Exemplo:

Aguardo que você chegue.

Nessa frase há duas orações: "Aguardo" e "que você chegue". Como a oração "que você chegue" está completando o sentido do verbo transitivo direto "aguardo", portanto, esta oração exerce função sintática do objeto direto, sendo assim uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Dependendo da função sintática que exercem, as orações subordinadas podem ser classificadas em: substantivas, adjetivas ou adverbiais.

Orações subordinadas substantivas[editar | editar código-fonte]

São aquelas que agem dentro dos substantivos (subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, apositiva, completiva nominal e predicativa), iniciam sempre por conjunções integrantes (que e se). Uma oração subordinada substantiva pode ser:

Subjetiva[editar | editar código-fonte]

Constitui a função de sujeito do verbo da oração principal.

É provável que ele chegue ainda hoje . (o que é provável?) (que ele chegue ainda hoje.)
Perguntou-se que tipo de pessoa faria uma coisa dessas. (o que se perguntou?) (que tipo de pessoa faria uma coisa dessas.)
É necessário que você vá à escola.

Uma vez que apresentam-se desenvolvidas, também podem iniciar-se pelos indefinidos quem qual e quando ou advérbios, em interrogações indiretas. Podemos substituir a oração subordinada substantiva pelo pronome "isso", como apresentado abaixo:

É necessário isso.

Isso é necessário.

Pode ser também quando a oração principal inicia-se com verbo de ligação.

Objetiva Direta[editar | editar código-fonte]

Exercem função de objeto direto (complemento sem preposição).

Desejo que todos venham. (quem deseja, deseja algo ou alguma coisa)

Predicativa[editar | editar código-fonte]

Exerce função de predicativo, sempre à partir de um verbo de ligação, qualificando o sujeito.

O problema é que não temos tempo.

Objetiva Indireta[editar | editar código-fonte]

É aquela que exerce a função de objeto indireto em relação ao verbo da oração principal. Nesse caso, o verbo da oração principal é transitivo indireto e a conjunção subordinativa vem precedida de preposição, expressa ou não. Vem introduzida pelas conjunções subordinativas integrantes que — se. É objetiva indireta porque no período simples possui função de objeto indireto. Exercem função de objeto indireto (possui uma preposição obrigatória, que vem depois de um verbo, sendo frequente a elipse da preposição).

Necessitamos de que todos nos ajudem. (quem necessita, necessita de algo, de alguma coisa ou de alguém)

Completiva Nominal[editar | editar código-fonte]

Exercem função de complemento nominal de um nome da oração principal, são regidas de preposição.

Tenho esperança de que ele ganhe a vaga.
Logo tenho que sair pois está tarde.

Apositiva[editar | editar código-fonte]

Exercem função de aposto.

Desejo-te uma coisa: muita sorte.

Não precisa ter necessariamente dois pontos (:) ou ponto e vírgula (;) ou uma vírgula (,).

Desta maneira, todas as orações subordinadas substantivas podem ser trocadas por isso, disso ou nisso'.

Precisamos de que você faça a cena com a atriz. Igual a precisamos disso. (disso: completiva nominal ou objetiva indireta)
Quero que venha para a guerra. Igual a quero isso. (isso: subjetiva, objetiva direta, predicativa)
Fiquei pensando que valia a pena. Igual a fiquei pensando nisso. (nisso: completiva nominal ou objetiva indireta).

Orações subordinadas adjetivas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Oração subordinada adjetiva

Oração subordinada adjetiva é aquela que se encaixa na oração principal, funcionando como adjunto adnominal.

As orações subordinadas adjetivas classificam-se em explicativas, restritivas e reduzidas.

Na maioria das vezes, para poder diferenciar as orações subordinadas adjetivas, substitua o pronome que por o(a) qual ou os(as) quais, ademais as orações subordinadas adjetivas vem sempre introduzidas através de pronomes relativos.

Há coisas que nos comovem. (coisas é antecedente)

Explicativas[editar | editar código-fonte]

Acrescentam uma informação acessória ao antecedente, sem modificar seu significado. Separam-se da oração principal por vírgulas, travessões ou parênteses.

Os livros de Machado de Assis, que eu li, são muito bons.

Fala-se dos livros de Machado de Assis em sua totalidade. Implica-se que o falante leu todos eles.

Restritivas[editar | editar código-fonte]

Restringem o significado do antecedente. Não se separam da oração principal por vírgulas nem por travessões ou parênteses.

Os livros de Machado de Assis que eu li são muito bons.

Fala-se apenas dos livros de Machado de Assis lidos pelo falante. Implica-se que existem outros livros de Machado de Assis além desses.

Reduzidas[editar | editar código-fonte]

As orações subordinadas adjetivas reduzidas podem ter o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio.

Vi a menina a chorar. (Vi a menina que chorava.)
O artista, filmando nervosamente, ficou calado. (O artista, que filmava nervosamente, ficou calado.)
Li trinta e quatro livros censurados pelo governo brasileiro. (Li trinta e quatro livros que foram censurados pelo governo brasileiro.)

Orações subordinadas adverbiais[editar | editar código-fonte]

São introduzidas por conjunção subordinativa (exceto a conjunção integrante) e funcionam como adjunto adverbial da oração principal.

Causais[editar | editar código-fonte]

Exprimem a causa do fato que ocorreu na oração principal. Iniciadas, principalmente.

Foram dormir porque estava chovendo.
A menina chorou porque apanhou da mãe.

Principais conjunções: porque, visto que, já que, uma vez que, como, porquanto, na medida em que.

Comparativas[editar | editar código-fonte]

Estabelece uma comparação entre os fatos presentes nas duas orações.

Essa mulher fala como um papagaio.

Principais conjunções: que, do que, como, assim como, (tanto) quanto.

Concessivas[editar | editar código-fonte]

Indica uma concessão ou permissão entre as orações.

Embora chova, vou à praia.

Principais conjunções: embora, ainda que, posto que, conquanto, mesmo que, se bem que, por mais que, apesar de que.

Condicionais[editar | editar código-fonte]

Expressa uma condição.

Se chover, não irei à praia.

Principais conjunções: se, salvo se, desde que, exceto se, caso, desde que, contanto que, sem que, a menos que, não obstante.

Conformativas[editar | editar código-fonte]

As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam ideia de conformidade,

ou seja, exprimem uma regra, um modelo adotado para a execução do que se declara na oração principal.

Outras conjunções conformativas: como, consoante e segundo (todas com o mesmo valor de conforme).

EX:

Fiz o bolo conforme ensina a receita.

Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.

Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.

Consecutivas[editar | editar código-fonte]

Traduzem a consequência ou o efeito do que se declara na oração principal.

Falei tanto, que fiquei rouco.

Principais conjunções: que (precedida de tal, tão, tanto, tamanho), de sorte que, de modo que.

Finais[editar | editar código-fonte]

Exprimem finalidade ou objetivo.

Todos estudam para que possam passar no vestibular.

Principais conjunções: para que, a fim de que, que.

Temporais[editar | editar código-fonte]

Indicam circunstância de tempo.

Logo que chegou, sentou-se no sofá.

Principais conjunções: quando, enquanto, antes que, assim que, logo que, até que, depois que, cada vez que, desde que

Proporcionais[editar | editar código-fonte]

Expressa proporção entre as orações.

O trânsito piorava à medida que a chuva aumentava.

Principais conjunções: à medida que, quanto mais/menos ... mais/menos, à proporção que, ao passo que, tanto mais/menos... mais/menos

Orações subordinadas reduzidas[editar | editar código-fonte]

As orações subordinadas podem aparecer sob a forma de orações reduzidas, que apresentam as seguintes características:

Reduzida de Infinitivo[editar | editar código-fonte]

Meu desejo era viajar para a Grécia.

Nota: É incorreto, segundo a gramática normativa, a construção de Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: "'Deixe eu passar", porque neste caso (ou em casos similares) não deve ser utilizado o pronome pessoal do caso reto "eu", porque ele não pode ser usado como objeto direto de uma oração, assim sendo, a correta construção oracional é "Deixe-me passar".

Reduzida de Gerúndio[editar | editar código-fonte]

Encontrei as crianças brincando de bombeiro no jardim

Reduzida de Particípio[editar | editar código-fonte]

Apresentado o resultado, todos discordarão.

Observações[editar | editar código-fonte]

O sujeito das orações reduzidas de Infinitivo. Isto ocorre no Infinitivo Flexionado ou Pessoal, porque as orações reduzidas de Infinitivo Impessoal com os pronomes oblíquos átonos exercendo a função de sujeito.

Mandei-o sair.

Sujeito do verbo no Infinitivo o convém reescrevê-la na oração desenvolvida Mandei que ele saísse, não deve ser contraído com a Preposição de.

A maneira de ele trabalhar não é satisfatória. ( certo)
A maneira dele trabalhar não é satisfatória. ( errado)

Os pronomes pessoais oblíquos mim e ti não devem ser usados como sujeito das orações reduzidas de infinitivo flexionado ou pessoal. No lugar deles, devem ser usados os pronomes pessoais retos eu e tu.

Pediram para eu fazer isto. ( certo)
Pediram para mim fazer isto. ( errado)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Wikilivros
O wikilivro Português tem uma página sobre Orações subordinadas
  • Bechara, Evanildo. Moderna gramática portuguesa; São Paulo. Editora Lucerna; 2001. 37ª edição.
  • Cunha, Celso, Cintra, Lindley e Eduardo Dourado Nova Gramática do Português Contemporâneo; São Paulo. Editora Nova Fronteira; 2011. 2ª edição, 31ª reimpressão.
  • Rosenthal, Marcelo. Gramática para concursos; São Paulo. Editora Campus; 3ª edição ISBN:9788535234251
  • Gramática de Reflexão; Pag 98, cap 13
  • Willian Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. Português Linguagens; São Paulo. Editora Atual: 2013. 6ª edição.
  1. Bechara, Evanildo. Moderna gramática portuguesa; São Paulo. Editora Lucerna; 2001. 37ª edição.