Exu de Umbanda

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João Caveira

Exu de Umbanda, ou Exu de Lei[1], de acordo com a Umbanda, é um tipo de espírito, que pode estar em diversos níveis de luz, e que auxiliam os trabalhos espirituais, incorporando ou não nos médiuns, enquanto trabalham na lei de Umbanda.[2]

Também estão presentes na Jurema, Omolokô, Candomblé de Caboclo, entre outras religiões afro-brasileiras, ou em terreiros "traçados" de Umbanda e Candomblé. Não estão presentes em terreiros de Candomblés puro, de nação, como Jeje Mahi, Keto, Angola, Ijexá e Nagô. Nestes, apenas é cultuado o orixá Exu, com o qual os exus de lei não devem ser confundidos.

Pela influência Católica na colonização e formação político-social do Brasil, o exu foi logo associado ao Diabo mesmo nos primórdios da Umbanda. Mesmo nos dias de hoje, há pontos de Umbanda que remetem a esse sincretismo.[3]

Uma vez, no entanto, que a Umbanda não é uma religião essencialmente maniqueísta, o exu, ainda que atue no polo "negativo", é considerado um ser benigno.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

Exu Tata Caveira.

O Exu de Umbanda é uma entidade espiritual, supostamente o espírito de alguém que nasceu e morreu, portanto pertence ao chamado povo de rua ou catiço.[5]

A denominação exu pode ser aplicada tanto a espíritos masculinos, como femininos. Exus femininos, no entanto, também são mais especificamente designados como Pombajiras, que são entidades que quando encarnadas, pertenceram ao gênero feminino, e que por inúmeras razões foi agregada a uma das muitas linhas de exus mulheres, passando a trabalhar na Umbanda desta forma.

Quando incorporam, os exus masculinos costumam se caracterizar com capas, cartolas e bengalas. Mas não é obrigatório que os médiuns se utilizem dessas vestimentas para a incorporação. Cada terreiro trabalha de forma autônoma. Alguns centros uniformizam a roupa dos médiuns; todos, por exemplo, vestem branco.[6]

Também existe um outro tipo de entidade relacionada aos exus, o exu-mirim.[7]

História[editar | editar código-fonte]

A ideia do exu de Umbanda deriva do orixá de mesmo nome, no Candomblé, que era considerado o mensageiro dos demais orixás.[8]

Sua identificação histórica com o diabo cristão se estabeleceu não por conta de suas características funcionais, mas devido a aspectos de sua aparência. Uma vez que o Exu da religião iorubá é uma divindade do fogo, à qual eram atribuídos chifres, membro viril e sexualidade sem freios, acabou-se por relacionar sua figura a de um demônio.[8]

Uma vez que a Umbanda foi criada a partir do Kardecismo, conforme Zélio Fernandino de Morais, os exus passaram a ser vistos na teologia umbandista como agentes da lei do karma, conceito presente em outras religiões predecessoras. Os exus seriam assim, para esta visão umbandista, seres elementares, isto é, espíritos em evolução espiritual dentro de determinadas funções cármicas.[9]

A partir daí surgiu-se a nomenclatura "exu batizado", para se referir aos exus-de-lei, e "exu pagão", para se referir, na verdade, a quiumbas.[10]

Para algumas tradições umbandistas, um exu estaria em patamar inferior, mas para outras, seriam entidades espirituais com a mesma evolução das demais entidades, como caboclos e pretos-velhos, apenas posicionado em uma linha de trabalho diferente. Atuariam os exus, bem como pombajiras e exus-mirins, em um plano espiritual muito denso, tendo mais liberdade de trânsito que as demais entidades, e podendo assim conhecer e resolver melhor as necessidades humanas mais imediatas.[4]

Exu Meia-Noite
Exu Tranca-Ruas

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Os exus mais evoluídos são chamados de "exus cabeças de legião", que são sete, e comandam uma legião espiritual.[11]

São eles:

Essas legiões se subdividem em planos, subplanos, grupos, subgrupos e colunas.[11][9] Cada uma dessas subdivisões atende por um nome, mais ou menos específico. Assim, por exemplo, os espíritos que se autodenominam da falange de João Caveira, na verdade são uma subdivisão de Exu Caveira.

Saudação[editar | editar código-fonte]

A saudação aos exus e pombajiras é "laroyê". Significa algo como "Salve o mensageiro".[12]

Referências

  1. Wanderley Oliveira. Guardiões do Carma: A missão dos Exus na Terra. [S.l.: s.n.] Consultado em 14 de outubro de 2018. 
  2. Manoel Lopes. «Exu Pagão e Exu de Lei». Consultado em 14 de outubro de 2018. 
  3. Janaina Azevedo. Tudo o que você precisa saber sobre Umbanda - Vol. 1. [S.l.: s.n.] p. 49-52. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  4. a b Fernando Aparecido. Teologia Básica De Umbanda. [S.l.: s.n.] p. 13-19. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  5. «As ressignificações de Exu». ucg.br 
  6. «Exu, o mensageiro» (PDF). institutocaminhosoriente.com 
  7. Lisandro Demetrius. Umbanda Grande Curso Completo. [S.l.: s.n.] p. 161. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  8. a b Adriano Roberto Afonso do Nascimento * Lídio de Souza * Zeidi Araújo Trindade. Exus e pombagiras: o masculino e o feminino nos pontos cantados na Umbanda (PDF). scielo.br. [S.l.: s.n.] 
  9. a b c d e f g h i F. Rivas Neto. Umbanda: a proto-sintese cósmica. [S.l.: s.n.] p. 343-347. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  10. F. Rivas Neto. Umbanda: a proto-sintese cósmica. [S.l.: s.n.] p. 349. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  11. a b Por Adriana de Oxalá. «Livro A Umbanda no seu dia-a-dia». p. 29 a 32. Consultado em 30 de outubro de 2018. 
  12. {{citar web|url=https://eustaquio.com.br/curiosidades/significado-de-laroie/%7Ctitulo= Significado de Laroiê|autor=EmUmbanda|data=13 de junho de 2018|acessodata=09/11/2018}
Bibliografia
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