Burcanismo

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Burcanismo ou Ak Jang (em altai: Ак јаҥ) é um novo movimento religioso que floresceu entre os povos indígenas da região (okrug) da República de Altai, na Rússia, entre os anos de 1904 e 1930. A Rússia czarista tinha questões com o movimento, em relação ao potencial de movimentação de sentimentos de unificação dos povos túrquicos da região.[1]

Em uma análise geral, o movimento Burcanista se apresentou como um fenômeno de sincretismo religioso, combinando elementos de crenças pré-xamanistas, xamanistasLamaístas (budismo tibetano) e cristãs ortodoxa. De acordo com L. Sherstova, professor da Universidade Estadual de Tomsk, o burcanismo surgiu em resposta às necessidades de um novo "povo" - os Altai-kizhi, ou Altaianos, que queriam se distinguir de tribos próximas e relacionadas, e por quem o burcanismo se tornou uma forma religiosa de sua identidade étnica.[2]

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

Uma das deidades Burcanistas é Ak-Burkhan, ou "Burkhan Branco". Burkhan significa "deus" ou "buda" nas línguas mongólicas e, entretanto, o burcanismo não é considerado budista, pois o termo também é usado em nomenclaturas relacionadas ao xamanismo. Por exemplo, nas práticas xamanistas da Mongólia, o nome da montanha mais sagrada, a suposta cidade natal e lugar de descanso de Genghis Khan, é chamada de Burkhan Khaldun.[3] Ak-Burkhan é apenas uma parte de um panteão de divindades adoradas pelos burcanistas, mas fornece o nome da religião em russo e as adaptações para outros idiomas.

O nome altaico para a religião é Ak Jang ("fé branca"). "Branca" refere-se à sua ênfase no mundo superior, dentro da cosmologia dos três mundos do Tengriismo. Em alternativa, o nome também pode aludir à substitução substituídos por oferendas de leite de égua fresco, branco, ou fermentado (de forma a se tornar alcoólico), no lugar do sacrifício dos animais. "Jang" significa  fé, autoridade, costume, lei ou princípio, e regras. Em contextos mais coloquiais, o termo pode ser utilizado para se referir a uma "maneira de fazer as coisas", e é usado em referência à religiões e também sistemas políticos e econômicos.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Em abril de 1904, Chet Chelpan e sua filha adotiva Chugul Sarok Chandyk relataram visões de um cavaleiro vestido de branco montando um cavalo branco. Esta figura, a quem chamavam de Ak-Burkhan, supostamente anunciava a iminente chegada do mítico herói messiânico Oirat Khan, que foi, na verdade, uma figura histórica— o príncipe Amursana, príncipe Oirate.[5] Chet e Chugul reuniram milhares de altaianos para reuniões de oração, no vale Tereng; essas reuniões eram violentamente oprimidas por russos, que receavam a competição com a igreja ortodoxa.[6] Chet e Chugul foram presos; Chugul foi solta brevemente depois, e Chet foi exonerado pelo tribunal e solto em 1906.[7]

os, é fornecido em Sherstova dissertação a partir da década de 1980.[8]

A motivação principal para o fortalecimento de uma religião étnica foi o medo da desapropriação e deslocamento do povo Altaiano por colonizadores russos, Russificação, e o fato de poderem ficar sujeitos à tributação e ao serviço militar obrigatório da mesma forma que os camponeses russos.[9]

Referências

  1. The most detailed account of the events of 1904-1906 is available in Russian. Sherstova (1986, 2010), Burhanizm [Burkhanism]), Tomsk State University Press. Chapter 2.
  2. Sherstova, Burhanism, Chapter 1, 2, 3. Almost three hundred pages of the book leave little doubt about the validity of this conclusion by Sherstova made in 1977-1986.
  3. Reinhold Neumann-Hoditz; Dschingis Khan, published by Rowohlt Verlag GmbH; trans. 2005 by Piet de Moor, ISBN 90-5466-910-1
  4. Agnieszka Helmba, 2003. "Contemporary Religious life in the republic of Altai: The Interaction of Buddhism and Shamanism", Sibirica 3(2):165-182, p.4
  5. Andrei A. Znamenski. «Power for the Powerless : Oirot/Amursana Prophecy in Altai and Western Mongolia, 1890s-1920s». Millénarismes et innovation rituelle en Asie du Nord. revues.org. Consultado em 19 de agosto de 2014. 
  6. Sherstova, Burhanism, Tomsk (1986, 2010), Chapter 2.
  7. Chapter 2 of Sherstova, Burhanism, Tomsk (1986, 2010) provides a reconstruction of the court proceedings on the basis of the court files that the author discovered in 1985 in the State Archive of Tomsk Region. The discovery caused a major sensation during the defence of Sherstova's dissertation in the Leningrad branch of the Institute of Ethnography of the Academy of Sciences of the USSR.
  8. Sherstova, Burhanism, Tomsk State University Press (2010), Chapter 4
  9. See Chapter 2 of Sherstova, Burhanism, Tomsk (1986, 2010)