Macumba

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Macumba
Casa branca engenho velho.jpg

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O termo macumba é utilizado primeiramente como designação genérica dada a vários cultos sincréticos praticados comumente no Novo Mundo e em geral fortemente influenciados por religiões a exemplo de Candomblé, Catolicismo, Espiritismo, cultos ameríndios bem como outras crenças[1] . O termo é utilizado de forma distinta em diferentes regiões do Brasil, enquanto no Rio de Janeiro se utiliza mais comumente a palavra "macumba", na Bahia é mais comum se empregar o termo "candomblé"[carece de fontes?].

Outra acepção menos conhecida do termo "macumba" é a de um antigo instrumento musical de percussão, uma espécie de reco-reco, de origem africana.

História[editar | editar código-fonte]

O conceito de macumba está tão arraigado na cultura popular nacional, que são comuns expressões preconceituosas como "xô macumba!" (Umbanda) e "chuta que é macumba!" para demonstrar desagrado com a má sorte. As superstições nesse sentido são tão grandes, que até mesmo para a Copa do Mundo foram criados sites para espantar o azar. São também muito comuns amuletos que vão desde adereços até objetos que remetem aos utilizados nos cultos religiosos. O real significado de "macumba" é a de um antigo instrumento musical de percussão africano, uma espécie de reco-reco.

Popularmente, o termo macumba é utilizado para designar de maneira pejorativa os cultos sincréticos derivados de práticas religiosas a exemplo do Candomblé e divindades dos africanos que eram escravizados entre os séculos XV e XIX, a exemplo dos bantos. Entretanto, ainda que macumba habitualmente seja confundida com tais práticas religiosas, os praticantes e seguidores dessas religiões rejeitam o uso do termo para designá-las.

Outras acepções para "macumba", na acepção mais popular do vocábulo, são "ebó", "feitiço", "despacho", "coisa-feita", "mironga", "mandinga" e "muamba".

Atualmente, no centro de Porto Alegre é feito diariamente um ritual de macumba com o pai-de-santo David – mais conhecido como "Pai Luz".

Detalhes históricos[editar | editar código-fonte]

Escritores brasileiros e livros também costumam relatar informações a respeito das práticas da macumba no Brasil ao longo do tempo. Eis alguns relatos:

  • Câmara Cascudo: "Ainda ao tempo das reportagens de João do Rio os cultos de origens africanas no Rio de Janeiro chamavam-se, coletivamente, candomblés, como na Bahia, reconhecendo-se contudo, duas seções principais: os orixás dos cultos nagôs e os alufás dos cultos muçulmanos (malês) trazidos pelos escravos. Mais tarde, o termo genérico "macumba" foi substituído pelo termo "Kiumbanda". Meio século após a publicação de 'As Religiões do Rio', estão inteiramente perdidas as tradições malês e em geral os cultos, abertos a todas as influências, dividem-se em terreiros (cultos nagôs) e tendas;
  • no livro de 1904 "As Religiões no Rio" Paulo Barreto, sob o pseudônimo de João do Rio escreveu: “Vivemos na dependência do feitiço, dessa caterva de negros e negras de babaloxás e yauô, somos nós que lhes asseguramos a existência, com o carinho de um negociante por uma amante atriz. O feitiço é o nosso vício, mas o nosso gozo, a degeneração. Exige, damos-lhe; explora, deixamo-nos explorar e, seja ele maitre-chanteur, assassino, larápio, fica sempre impune e forte pela vida que lhe empresta o nosso dinheiro.” Macumba era definida por toda e qualquer dita manifestação mediúnica de curandeiros, pais-de-santo, feiticeiros, charlatões e todos aqueles que se dispunham a intervir junto às "forças invisíveis do além" apenas em troca de dinheiro e poder (ver "marmoteiro");
  • Prandi, 1991: "E a macumba carioca, portanto, pode bem ter se organizado como culto religioso na virada do século, como aconteceu também na Bahia. Não vejo, pois, razão para pensá-la como simples resultante de um processo de degradação desse candomblé visto no Rio no fim do século por João do Rio, essa macumba sempre descrita como feitiçaria, isto é, prática de manipulação religiosa por indivíduos isoladamente, numa total ausência de comunidades de culto organizadas. Arthur Ramos fala de um culto de origem banto no Rio de Janeiro na primeira metade do século, cultuando orixás assimilados dos nagôs, com organização própria, com a possessão de espíritos desencarnados que, no Brasil, reproduziram ou substituíram, por razões óbvias, a antiga tradição banto de culto aos antepassados (Ramos, 1943, v.1, cap. XVIII). São cultos muito assemelhados aos candomblés angola e de caboclos da Bahia, registrados por Edison Carneiro, que já os tratava como formas degeneradas" (Carneiro, 1937. Para uma análise atual da questão da pureza nagô, ver Beatriz Góis Dantas, 1982 e 1988).

Codó, a capital da macumba[editar | editar código-fonte]

A cidade maranhense de Codó é conhecida como "capital da macumba", pois contam os mais velhos que a cidade teria sido fundada por praticantes de cultos afro-brasileiros. A cidade conta com a maior porcentagem de terreiros pela área da cidade no Brasil. É em Codó que mora o pai-de-santo mais famoso do País, o Bita do Barão, de grande influência em Codó e em Teresina.

A macumba feita na região de Codó e de Teresina é mais conhecida como Terecô.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0 [CD-ROM]. [S.I]: Positivo Informática Ltda, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]