Oferendas nas religiões afro-brasileiras

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Oferenda sendo feita no Lago Paranoá, em Brasília.

Oferenda, assim como em outras religiões, as religiões afro-brasileiras cultivam, é a prática de se desfazer de um bem material (seja vivo ou não), em homenagem a um deus ou entidade espiritual.

Oferenda no candomblé[editar | editar código-fonte]

No candomblé, uma oferenda é necessariamente um sacrifício de origem animal, mas o abate-ritual dos animais como é feito na maioria das religiões. Também serve para alimentar uma comunidade inteira, pois, nas casas de candomblé não é permitido a compra em supermercados, de frangos empanados para oferecer aos Orixás. Para o Candomblé tudo que a natureza produz é sangue, e um sacrifício, requer a utilização de vários tipos de sangue, vindos das mais variadas fontes da natureza, atribuindo vida. Na Umbanda, uma "oferenda" não pode conter um sacrifício animal.

Despacho[editar | editar código-fonte]

Despacho, nas religiões afro-brasileiras, é a realização de oferendas a Exu como pagamento antecipado pela realização de favores.[1] É depositado em lugares como encruzilhadas (cruzamento de estradas, ruas ou caminhos), cruzeiro das almas, matas, rios, descampados, mares etc. As oferendas podem consistir, por exemplo, em algo que não mais pode ser usado: por exemplo, uma roupa de Abaluaê (na umbanda, feita com palha de mariô, que é um tipo de palmeira; no candomblé, feita com palha da costa). Se, por algum motivo, não se pode mais usar algo nas religiões afro-brasileiras, deve ser despachado

No candomblé[editar | editar código-fonte]

No candomblé, a palavra só é usada no caso de padê, que não é feito em encruzilhada, mas na porta da casa de candomblé. No caso de ebó, usa-se dizer levar o carrego do ebó, cujo local deverá ser designado pelo jogo de búzios no mar, rio, mata etc. É um procedimento que não é exclusivo das classes mais baixas, tendo esse expediente sido usado por políticos de renome.[2]

Ebó[editar | editar código-fonte]

Ebó[3] (do iorubá ẹbọ, oferta ou oferenda[4]) é uma oferenda das religiões afro-brasileiras dedicada a algum orixá, podendo ou não envolver o sacrifício animal.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Ebó" é derivado do termo iorubá egbó, que significa "raiz".[5]

Candomblé[editar | editar código-fonte]

Oferenda votiva

"Ebó" nada mais é do que uma limpeza espiritual contendo vários tipos de comida ritual. Como alguns dizem, é uma limpeza da aura de uma pessoa, de uma casa, de um local de comércio. Transfere-se, para os alimentos, a energia maléfica que está na pessoa ou no local, com a ajuda de Exu e dos orixás.

Não adianta só oferecer as comidas, o segredo está nas cantigas e na receita: algumas podem ser conhecidas mas a maioria faz parte do segredo do candomblé. Pode-se fazer ebó para abrir os caminhos para emprego, ebó de saúde, ebó de prosperidade, o que varia é a receita. Existem vários tipos de ebós, mas sempre será feito de acordo com a determinação do jogo de búzios merindilogun.

No jogo de búzios, define-se a qual orixá será oferecido o ebó, sendo que cada um leva seus ingredientes especiais, tais como: a canjica de Oxalá, a batata-doce de Oxumarê ou o inhame de Ogum. Há, ainda, aqueles ebós para afastar espíritos desencarnados que ainda atrapalham a vida de alguns, chamado de "ebó de egum", e outros para curar traumas e ajudar no esquecimento e superação de experiências ruins. O "ebó de susto" é para prevenir problemas no futuro.

Não são em todos eles que ocorre a sangria de animais, pois há os chamados ebós brancos ou secos, nos quais não é permitido qualquer sacrifício e os animais utilizados, geralmente neste caso os frangos e galos, são soltos na natureza com vida.

Após o ritual do ebó, as folhas sagradas são usadas de forma ordenada nos banhos litúrgicos, podendo ser necessário o uso de água sagrada. Existe uma rígida cartilha a ser seguida para que se tenha resultados e o sacrifício seja aceito. As proibições denominadas ewo são, por exemplo: a não ingestão de qualquer tipo de carne vermelha nem tampouco frutas vermelhas ou ácidas (incluindo seus sucos); a abstinência principalmente de práticas sexuais como também de beijos e abraços; a ida a velórios, hospitais, cemitérios ou mesmo a passagem sob arames farpados ou escadas; e a bebida alcoólica é um verdadeiro tabu.

O ritual é largamente praticado em diversas casas e centros religiosos de candomblé.

Awolalu idetifica seis tipos de sacrifícios entre os Yourubas:[6]

  • Ebo Ope ati Idapo, oferta de agradecimento e comunhão
  • Ebo Eje, oferta votiva
  • Ebo Etutu, sacrifício propiciatório
  • Ebo Ojukoribi, sacrifício preventivo
  • Ebo Ayepinnu, sacrifício substitutivo
  • Ebo Ipile, sacrifício para fundações

O Ebo Eutu, o sacrifício expiatório, é o mais significante de todos para pacificar a ira dos deuses ou compensar por mal feitos.[6]

Comida ritual[editar | editar código-fonte]

Comida ritual, nas religiões consideradas afro-brasileiras, são alimentos específicos ofertados a cada orixá, e cujo preparo requer o uso de ritual.[7]

Comidas rituais[editar | editar código-fonte]


Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

"Oferendas Preferidas dos Orixás", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura, 7ª edição, 1998, brochura, 111 págs. ISBN 8590024660

"Oferendas para Exu e Pombogira", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura. 6ª edição, 2005, brochura, 117 págs. ISBN 8586896233

"Feitiços e Oferendas de Exu", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura. 1ª edição, 2010, brochura, 127 págs. ISBN 9788586896262

"Oferendas nos Encantos de Odus", de Batista D'Obaluayê. Editora Império da Cultura. 3ª edição, 2000, brochura, 140 págs. ISBN 8590024695

"Comidas de Santo e Oferendas", de Jose Ribeiro. Editora ECO, 5a. edição, 1973, brochura, 123 págs. ISBN 8573290269

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 571.
  2. PF descobre despacho de macumba na casa de Collor contra Janot
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 615.
  4. Baba Ifa Karade (1994). The Handbook Yoruba Religious Concepts. Weiser Books. p. 95. ISBN 978-1-60925-627-2.
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 615.
  6. a b Dr Bolaji Bateye; Professor Ezra Chitando; Dr Afe Adogame (2013). African Traditions in the Study of Religion, Diaspora and Gendered Societies. Ashgate Publishing, Ltd. p. 120. ISBN 978-1-4724-0429-9.
  7. Caloca Fernandes, Sylvia Monteiro (2001). Viagem gastronômica através do Brasil. [S.l.]: Senac. 255 páginas. ISBN: 9788573591507 
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