Walter Wanger

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Walter Wanger
Nome completo Walter Feuchtwanger
Nascimento 11 de julho de 1894
São Francisco, Califórnia
Nacionalidade Estados Unidos Norte-americana
Morte 18 de novembro de 1968 (74 anos)
Nova Iorque
Ocupação Produtor
Atividade 1929 - 1963
Cônjuge Justine Johnstone (1919-1938)
Joan Bennett (1940-1965)
Oscares da Academia
1949
Oscar Honorário por Joan of Arc
IMDb: (inglês)

Walter Wanger, nascido Walter Feuchtwanger, (São Francisco, Califórnia, 11 de julho de 1894Nova Iorque, 18 de novembro de 1968) foi um produtor cinematográfico norte-americano.

Início da vida profissional[editar | editar código-fonte]

Descendente de judeus alemães e formado pela Faculdade de Dartmouth, Walter Wanger foi um dos produtores de seu tempo mais letrados e de maior consciência social.[1]

Depois de produzir uma peça na Broadway, em 1917, Wanger alistou-se no Exército dos Estados Unidos e serviu na Primeira Guerra Mundial. Terminado o conflito, fez parte do estado maior do Presidente Woodrow Wilson na Conferência de Paz de Paris (1919).[2] Em seguida, deu baixa, retornou brevemente ao teatro e, por fim, juntou-se à Paramount Pictures, em 1921, como assistente de Jesse L. Lasky.

Carreira no cinema[editar | editar código-fonte]

Nos grandes estúdios[editar | editar código-fonte]

Executivo na Paramount com poderes para contratar e despedir roteiristas,[1] Wanger tornou-se o chefe de produção do estúdio na Costa Leste em 1923, posição que manteve até 1931. Desentendimentos com Lasky levaram-no a deixar o estúdio e transferir-se brevemente para a Columbia Pictures, onde produziu, entre outros, o sucesso The Bitter Tea of General Yen (1933). Após entrar em conflito com o manda-chuva Harry Cohn, assinou com a MGM, também em 1933, como produtor de uma unidade.

Entretanto, Wanger começou a desagradar Louis B. Mayer logo em sua primeira produção para o estúdio,[3] Gabriel over the White House (1933). Filme político com viés esquerdista, sobre um presidente corrupto, Mayer o viu como um insulto a americanos como seu amigo Herbert Hoover.[3] Além disso, de suas cinco primeiras produções, apenas uma foi sucesso de bilheteria -- Queen Christina, com Greta Garbo. O pior, porém, aconteceu quando Mayer o acusou de facilitar o namoro entre sua amante, a atriz Jean Howard, e um agente, amigo de Wanger.[3] Wanger, então, deixou a MGM e criou a Walter Wanger Productions, uma companhia independente.

Produtor independente[editar | editar código-fonte]

Com produções que iam desde empreendimentos ambiciosos até rotineiros filmes B,[2] Wanger assinou contratos com vários grandes estúdios de Hollywood. O primeiro sucesso como produtor independente veio com The Trail of the Lonesome Pine, o primeiro filme em Technicolor da Paramount,[1] para quem produziu catorze películas em dois anos.[3]

Charles Boyer, Stanley Fields e Alan Hale em cena de Algiers, um dos sucessos produzidos por Walter Wanger em 1938.

Em 1938, obteve três êxitos sucessivos em seu contrato de longa duração com a United Artists: Algiers, Trade Winds e Stagecoach. Contudo, diversos fracassos entre 1939 e 1940, inclusive Foreign Correspondent, dirigido por Alfred Hitchcock, acabaram por afastá-lo do estúdio, depois de uma batalha judicial pela liberação de seu contrato.

Para a Universal Pictures, emplacou Eagle Squadron (1942) e, com Arabian Nights (1942, o primeiro do estúdio em Technicolor[3]), deu início a uma vitoriosa série de aventuras exóticas, românticas, coloridas, com Jon Hall e Maria Montez.

Marsha Hunt e Hedy Lamarr em cena de Smash-Up: The Story of a Woman, que Walter Wanger produziu em 1947 para a Universal Pictures. O filme deu o estrelato e uma indicação ao Oscar para Susan Hayward, em seu primeiro papel principal no cinema.

Em 1945, criou a Diana Productions, com sua esposa Joan Bennett e o diretor Fritz Lang. O primeiro rebento desta nova produtora, feito em coprodução com a Universal, foi o bem sucedido Scarlet Street (1945), "o mais notável thriller dos tempos de guerra", segundo Thomas Schatz.[3] Entretanto, três anos depois, Wanger conheceu um grande fracasso, com Joan of Arc, distribuído pela RKO Pictures, considerado longo e tedioso pelo público.[1] Apesar disso, o filme lhe deu um Oscar Honorário, que ele recusou por entender que a produção merecia ao menos ter sido indicada na categoria de Melhor Filme.[4]

Dana Wynter e Kevin McCarthy em cena do trailer de Invasion of the Body Snatchers. Produção barata de Walter Wanger, em preto e branco, o filme foi um surpreendente sucesso, tendo tido duas refilmagens: uma com o mesmo título em 1978, estrelada por Donald Sutherland e Brooke Adams e outra, The Invasion, em 2007, estrelada por Nicole Kidman e Daniel Craig

Wanger adentrou a década de 1950 tomado por dificuldades financeiras. Assinou, então, um contrato com a pequena Allied Artists, que resultou na produção de seis modestos filmes B, entre ele o elogiado Riot in Cell Block 11 (1954), um filme "de prisão" com críticas sociais, e Invasion of the Body Snatchers (1956), que se tornou um clássico do cinema de ficção científica. Ambos foram dirigidos por Don Siegel.

Em 1958, ele deu um novo e controverso sucesso à United Artists com I Want to Live!, filme baseado em fatos reais, sobre uma mulher executada na câmara de gás e que, além do mais, trazia uma mensagem contra a pena de morte. Na ocasião, tanto o Departamento de Polícia de Los Angeles quanto pessoas do meio cinematográfico tentaram fazer com que desistisse do projeto[5]. O filme rendeu mais de três milhões de dólares nas bilheterias.[5]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

O épico Cleopatra (1963) foi seu derradeiro projeto. Com um elenco estelar e um custo total de sessenta milhões de dólares -- a produção mais cara do cinema até aquela data[6] --, o filme foi um fracasso colossal, que quase levou à bancarrota a 20th Century-Fox e encerrou sua carreira.

Passou os últimos anos criticando a elite hollywoodiana. Àquela altura, devido a seu caráter rebelde, já ganhara a inimizade de todos os chefes de estúdio. Seu liberalismo também lhe causara problemas durante o Macartismo.[1] Ainda assim, foi eleito duas vezes presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, tendo sido responsável direto pela criação de duas categorias do Oscar: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Documentário.[1]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Walter Wanger casou-se com a atriz Justine Johnstone em 1919 e dela se divorciou em 1938. Quando trabalhava para a Paramount Pictures, na década de 1930, conheceu Joan Bennett, cuja carreira foi em frente quando ele a colocou em Trade Winds.[3] Os dois contraíram matrimônio em 1940 e tiveram dois filhos. Em 1951, durante uma crise de ciúmes, o irritadiço Wanger feriu a tiros o agente de Joan, Jennings Lang. Ele passou quatro meses na cadeia, mas o casal continuou junto até o divórcio em 1965.[1][2]

Wanger faleceu em 18 de novembro de 1968, na cidade de Nova Iorque, vítima de ataque cardíaco. Contava setenta e quatro anos de idade.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Filmografia de Walter Wanger como produtor ou produtor executivo. Em várias ocasiões, seu trabalho não recebeu créditos.

Ano Título Diretor
1929 The Cocoanuts Robert Florey/Joseph Santley
Applause Rouben Mamoulian
The Lady Lies Hobart Henley
1930 Roadhouse Nights Hobart Henley
1931 Tarnished Lady George Cukor
1932 Washington Merry-Go-Round James Cruze
1933 The Bitter Tea of General Yen Frank Capra
Gabriel over the White House Gregory La Cava
Another Language Edward H. Griffith
Going Hollywood Raoul Walsh
Queen Christina Rouben Mamoulian
1934 The President Vanishes William A. Wellman
1935 Private Worlds Gregory La Cava
Shanghai James Flood
Smart Girl Aubrey Scotto
Every Night at Eight Raoul Walsh
Mary Burns, Fugitive William K. Howard
1936 Her Master's Voice Joseph Santley
The Trail of the Lonesome Pine Henry Hathaway
Big Brown Eyes Raoul Walsh
The Moon's Our Home William A. Seiter
The Case Against Mrs. Ames William Seiter
Fatal Lady Edward Ludwig
Palm Springs Aubrey Scotto
Spendthrift Raoul Walsh
1937 You Only Live Once Fritz Lang
History Is Made at Night Frank Borzage
Vogues of 1938 Irving Cummings
Stand-In Tay Garnett
52nd Street Harold Young
1938 I Met My Love Again Joshua Logan/Arthur Ripley
Blockade William Dieterle
Algiers John Cromwell
Trade Winds Tay Garnett
1939 Winter Carnival Charles Reisner
Eternally Yours Tay Garnett
1940 Foreign Correspondent Alfred Hitchcock
The House Across the Bay Archie Mayo
The Long Voyage Home John Ford
1941 Sundown Henry Hathaway
1942 Arabian Nights John Rawlins
Eagle Squadron Arthur Lubin
1943 We've Never Been Licked John Rawlins
Gung Ho! Ray Enright
1944 Ladies Courageous John Rawlins
1945 Scarlet Street Fritz Lang
Salome, Where She Danced Charles Lamont
1946 Canyon Passage Jacques Tourneur
Night in Paradise Arthur Lubin
1947 Smash-Up: The Story of a Woman Stuart Heisler
Secret Beyond the Door Fritz Lang
The Lost Moment Martin Gabel
1948 Joan of Arc Victor Fleming
Tap Roots George Marshall
1949 Tulsa Stuart Heisler
Reign of Terror Anthony Mann
The Reckless Moment Max Ophuls
1952 Aladdin and His Lamp Lew Landers
Battle Zone Lesley Selander
Lady in the Iron Mask Ralph Murphy
1953 Kansas Pacific Ray Nazarro
Fort Vengeance Lesley Selander
1954 The Adventures of Hajji Baba Don Weis
Riot in Cell Block 11 Don Siegel
1956 Navy Wife Edward Bernds
Invasion of the Body Snatchers Don Siegel
1958 I Want to Live! Robert Wise
1963 Cleopatra Joseph L. Mankiewicz

Referências

  1. a b c d e f g MOWIS, I.S. «Walter Wanger». IMDB. Consultado em 4 de outubro de 2015 
  2. a b c KATZ, Ephraim, The Film Encyclopedia, sexta edição, Nova Iorque: HarperCollins, 2008 (em inglês)
  3. a b c d e f g SCHATZ, Thomas, O Gênio do Sistema, tradução de Marcelo Dias Almada, São Paulo: Companhia das Letras, 1991
  4. ALBAGLI, Fernando, Tudo Sobre o Oscar, Rio de Janeiro: EBAL - Editora Brasil-América, 1988
  5. a b BERGAN, Ronald, The United Artists Story, Londres: Octopus Books, 1986 (em inglês)
  6. THOMAS, Tony e SOLOMON, Aubrey, The Films of 20th Century-Fox, Secaucus: The Citadel Press, 1985 (em inglês)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • EAMES, John Douglas, The MGM Story, Londres: Octopus Books, 1982 (em inglês)
  • EAMES, John Douglas, The Paramount Story, Londres: Octopus Books, 1985 (em inglês)
  • HIRSCHHORN, Clive, The Columbia Story, Londres: Pyramid Books, 1989 (em inglês)
  • HIRSCHHORN, Clive, The Universal Story, Londres: Octopus Books, 1986 (em inglês)
  • MARTIN, Len D., The Allied Artists Checklist, 1a. reimpressão, Jefferson: McFarland, 2001 (em inglês)