Joan Crawford

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Joan Crawford
Joan Crawford em 1936.
Nome completo Lucille Fay LeSueur
Nascimento 23 de março de 1904
San Antonio, Estados Unidos
Morte 10 de maio de 1977 (73 anos)
Nova York, Estados Unidos
Nacionalidade Estados Unidos norte-americana
Cônjuge Douglas Fairbanks Jr. (1929–1933)

Franchot Tone (1935–1939) Phillip Terry (1942–1946) Alfred Steele (1955–1959)

Principais trabalhos Grande Hotel
Dancing Lady
The Women
Alma em Suplício
Fogueira de Paixões
Precipícios D'Alma
Johnny Guitar
O Que Terá Acontecido à Baby Jane?
Prêmios Oscar
Melhor Atriz por Alma em Suplício (1945)
Assinatura
Joan Crawford Signature.svg

Joan Crawford (San Antonio, 23 de março de 1904 – Nova York, 10 de maio de 1977), nome artístico de Lucille Fay LeSueur, foi uma atriz estadunidense de cinema e televisão, que começou sua carreira como dançarina. Em 1999, foi eleita pelo American Film Institute como a décima maior atriz da Era de Ouro de Hollywood.

Crawford começou sua carreira como dançarina, viajando com companhias teatrais antes de estrear como corista na Broadway. Em 1925, assinou um contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer e começou sua carreira em filmes mudos. Na década de 1930, a fama de Crawford rivalizava com a de Norma Shearer e Greta Garbo, suas colegas na MGM. Ela interpretava jovens trabalhadoras que buscavam o romance e o sucesso em filmes que eram bem recebidos pelo público durante a Grande Depressão, em especial pelas mulheres. Crawford tornou-se uma das estrelas mais proeminentes de Hollywood e uma das mulheres mais bem pagas dos Estados Unidos, mas no final da década de 1930 seus filmes começaram a perder dinheiro e ela foi rotulada como "veneno de bilheteria" em 1938. No entanto, sua carreira melhorou gradualmente no início da década de 1940 e ela conseguiu um grande retorno à fama em 1945 ao estrelar em Alma em Suplício, filme pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz. Ela seria indicada ao prêmio mais duas vezes, por Fogueira de Paixões (1947) e Precipícios d'Alma (1952).

Em 1955, ela se envolveu com a Pepsi-Cola Company através de seu casamento com o presidente da companhia, Alfred Steele. Após a morte dele em 1959, Crawford foi eleita para preencher sua vaga no conselho de administração, mas foi forçada a se aposentar em 1973. Ela continuou atuando no cinema e na televisão regularmente durante os anos 1960, quando sua atuação tornou-se menos apreciada; após o lançamento do filme de terror britânico Trog em 1970, Crawford se aposentou das telas. Após uma aparição pública em 1974, na qual fotos que desagradaram à atriz foram publicadas, Crawford retirou-se da vida pública e tornou-se cada vez mais reclusa até sua morte em 1977.

Crawford se casou quatro vezes. Seus três primeiros casamentos terminaram em divórcio; o último terminou com a morte do marido Alfred Steele. Ela adotou cinco filhos, um dos quais foi recuperado por sua mãe biológica. As relações de Crawford com seus dois filhos mais velhos, Christina e Christopher, era amarga. Crawford deserdou-os, e, após a sua morte, Christina escreveu um famoso livro de memórias, Mamãezinha Querida, onde relata supostos abusos dos quais ela e o irmão teriam sido vítimas. Os restos mortais de Crawford estão enterrados no cemitério de Ferncliff.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Crawford nasceu como Lucille Fay LeSueur em San Antonio, Texas, em 23 de março; o ano de seu nascimento é alvo de divergências. 1904, 1905 e 1906 são as estimativas mais prováveis. Era a terceira filha de Thomas E. LeSueur (morto em 1° de janeiro de 1938), um lavador de roupas, e Anna Bell Johnson (falecida em 15 de agosto, 1958), nenhum dos quais cujas datas de nascimento possam ser estabelecidas conclusivamente. Johnson possuía ascendência inglesa, francesahuguenote, sueca e irlandesa.[1] Seus irmãos mais velhos eram Daisy LeSueur, nascida em 1902 e morta antes do nascimento de Lucille, e o também ator Hal LeSueur (falecido em 3 de maio de 1963).

O pai de Crawford abandonou a família alguns meses antes do nascimento dela, ressurgindo mais tarde em Abilene em 1930, época em que trabalhava na construção de prédios. Após LeSueur abandonar a família, a mãe de Crawford casou-se com Henry J. Cassin (morto em 25 de outubro de 1922). Este casamento está listado nos registros censitários como o primeiro da mãe de Crawford, o que coloca em dúvida se Thomas LeSueur e Anna Bell Johnson eram legalmente casados.[2] Crawford morou com seu padrasto, sua mãe e irmãos em Lawton, Oklahoma. Cassin era um pequeno empresário da indústria de entretenimento e gerenciava a Casa de Ópera Ramsey, que conseguiu trazer para a cidade artistas diversos e notáveis como a bailarina Anna Pavlova e a cantora de vaudeville Eva Tanguay. A jovem Lucille não sabia que Cassin, a quem ela chamava de "papai", não era seu pai biológico até que seu irmão Hal contou a verdade a ela. Lucille preferia o apelido de "Billie" como criança e adorava assistir às apresentações de vaudeville e se apresentar no palco do teatro de seu padrasto. A instabilidade de sua vida familiar afetou sua educação e sua escolaridade, sendo que ela nunca progrediu formalmente para além do ensino fundamental.[3]

Dança e primeiros anos no cinema[editar | editar código-fonte]

Joan Crawford em 1925.

Desde a infância, a ambição de Crawford era tornar-se uma dançarina. Certo dia, no entanto, enquanto tentava escapar da aula de piano para brincar com amigos, ela saltou da varanda de frente da casa e cortou o pé profundamente num frasco de leite quebrado.[4] Como resultado, ela passou por três cirurgias reparatórias e não pôde dançar ou comparecer à escola durante 18 meses.[4] Ela finalmente recuperou-se totalmente e voltou para dançar.

Enquanto a família ainda morava em Lawson, Cassin foi acusado de peculato e, embora ele tenha sido absolvido no tribunal, se tornou persona non grata em Lawton, e a família se mudou para Kansas City, Missouri, por volta do ano de 1916.[2] Católico, Cassin matriculou Crawford na Academia Santa Agnes em Kansas City. Após a separação de sua mãe e de seu padrasto, ela permaneceu no internato como estudante–trabalhadora; no entanto, ela passava muito mais tempo trabalhando, em especial cozinhando para os demais alunos e limpando os aposentos do colégio, do que de fato estudando.[5]

Mais tarde, ela frequentou a Academia Rockingham, também como estudante–trabalhadora.[5] Enquanto frequentava este internato, começou a namorar e teve seu primeiro relacionamento sério, com um trompetista chamado Ray Sterling, que supostamente teria inspirado-a a desafiar a si mesma academicamente.[6]

Em 1922, Lucille matriculou-se na Faculdade Stephens, em Columbia, Missouri, informando seu ano de nascimento como sendo 1906.[7] Ela frequentou aquela instituição de ensino por apenas alguns meses, antes de desistir da vida acadêmica após perceber que não estava preparada para a faculdade.[8]

Sob o nome de Lucille LeSueur, Crawford começou a dançar nos coros de vários espetáculos viajantes e foi descoberta em Detroit, Michigan pelo famoso produtor Jacob J. Shubert.[3][9] Shubert colocou-a no coro de seu epetáculo de 1924 Innocent Eyes, apresentado no Teatro Winter Garden na Broadway em Nova York. Numa de suas apresentações em Innocent Eyes, Crawford conheceu um saxofonista chamado James Welton. Os dois supostamente se casaram em 1924 e viveram juntos por vários meses, embora essa suposta união nunca tenha sido mencionada por Crawford após a fama.[10]

Crawford queria trabalho adicional e se aproximou do publicitário do Teatro Loews, Nils Granlund. Granlund assegurou-lhe um papel nas apresentações do cantor Harry Richmond e arranjou um teste de cinema para ela com o produtor Harry Rapf em Hollywood.[11] Ainda hoje persistem os rumores de que Crawford teria complementado sua renda durante esse período aparecendo em um ou mais pornôs,[10] embora a veracidade disto seja contestada.[12]

Rapf informou Granlund em 24 de dezembro de 1924 que a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) ofereceu a Crawford um contrato de US$ 75 por semana. Granlund imediatamente mandou um telegrama para ela – que havia retornado para a casa de sua mãe em Kansas City – com a notícia; ela tomou emprestado US$ 400 para fazer a viagem.[13] Ela partiu de Kansas City em 26 de dezembro e chegou em Culver City, Califórnia em 1° de janeiro de 1925.

Creditada como Lucille LeSueur, seu primeiro filme foi Lady of the Night de 1925, onde atuou como dublê de corpo da estrela feminina mais popular da MGM, Norma Shearer. Ela também apareceu em The Circle e Pretty Ladies, ambos de 1925. Isto foi seguido por papéis igualmente pequenos e não-creditados em dois outros sucessos de 1925: The Only Thing e The Merry Widow.[14]

O chefe de publicidade da MGM, Pete Smith, reconheceu sua habilidade para se tornar uma grande estrela, mas sentiu que seu nome soava falso; ele disse ao chefe do estúdio, Louis B. Mayer que o sobrenome LeSueur soava como "sewer" (esgoto em inglês). Smith organizou um concurso chamado "Nomeie uma Estrela" na revista Movie Weekly para permitir que o público selecionasse o novo nome artístico de Lucille. O nome mais votado foi "Joan Arden", mas após a descoberta de que já havia uma atriz com esse nome, o sobrenome alternativo "Crawford" foi escolhido. Crawford declarou mais tarde que queria que seu primeiro nome fosse pronunciando como "Jo-Anne" e que odiava o sobrenome Crawford, porque ele soava como "crawfish" (lagostim), mas também admitiu que "gostava da segurança" que o nome passava.[15]

Ascensão ao estrelato[editar | editar código-fonte]

Cada vez mais frustrada com o tamanho e a qualidade dos papéis que lhe eram oferecidos, Crawford embarcou numa campanha de auto-promoção. Conforme a roteirista da MGM Frederica Sagor Maas lembrou: "ninguém decidiu transformar Joan Crawford numa estrela. Joan Crawford se tornou uma estrela porque Joan Crawford decidiu se transformar numa estrela".[16] Ela começou a frequentar bailes nas tardes e noites nos hotéis de Hollywood, onde ela muitas vezes venceu concursos de dança com seus passos de charleston e black bottom.[17]

Com John Gilbert no filme mudo Four Walls (1928).

Sua estratégia funcionou e a MGM elencou-a no filme onde primeiro chamou a atenção do público: Sally, Irene and Mary (1925), escrito e dirigido por Edmund Goulding. Desde o início de sua carreira, Crawford considerava Norma Shearer – a atriz mais popular do estúdio – sua nêmesis profissional. Shearer era casada com o chefe de produção da MGM, Irving Thalberg, e, assim sendo, podia escolher roteiros e tinha mais controle sobre os filmes que faria ou não. Crawford teria dito certa vez: "Como posso competir com Norma? Ela dorme com o chefe!".[18]

Em 1926, Crawford foi nomeada uma das treze estrelas de cinema em ascensão pela Associação de Anunciantes de Cinema do Oeste, ao lado de Mary Astor, Dolores del Río, Janet Gaynor e Fay Wray, dentre outras. No mesmo ano, ela estrelou ao lado de Charles Ray em Paris. Em poucos anos, Crawford se tornou o par romântico dos maiores astros masculinos da MGM, tais como Ramón Novarro, John Gilbert, William Haines e Tim McCoy.

Crawford apareceu em The Unknown (1927) com Lon Chaney, que interpretava um atirador de facas sem braços; Crawford, trajando um figurino modesto, interpretava sua jovem assistente, com quem ele esperava se casar. Ela afirmou que aprendeu mais sobre atuação observando o trabalho de Chaney do que com qualquer outra pessoa em sua carreira. "Foi então," ela afirmou, "que eu me tornei consciente pela primeira vez da diferença entre estar na frente de uma câmera e atuar". Ainda em 1927, ela apareceu ao lado de seu amigo William Haines em Spring Fever, o primeiro de três filmes que eles fizeram juntos.[19][20]

Em 1928, Crawford estrelou ao lado de Ramón Novarro no filme Across to Singapore, mas foi seu papel como Diana Medford em Our Dancing Daugthers (1928), que a catapultou para o estrelato. O papel estabeleceu-a como um símbolo da feminilidade moderna dos anos 1920, rivalizando-a com Clara Bow, a "It Girl" original e a flapper mais famosa de Hollywood na época. Crawford estrelou em vários sucessos após Our Dancing Daugthers, incluindo mais dois filmes de temática flapper, nos quais ela incorporou para sua legião de fãs (muitos dos quais eram mulheres) uma visão idealizada da mulher estadunidense, de espírito livre e independente.[21]

À época, o romancista F. Scott Fitzgerald escreveu o seguinte sobre Crawford:[22]

Joan Crawford é, sem sombra de dúvida, o melhor exemplo da "flapper", a garota que você vê em boates espertas, vestida no ápice da sofisticação, brincando com taças geladas com uma expressão remota, ligeiramente amarga, dançando deliciosamente, rindo muito com olhos amplos e sofridos. Coisas jovens com um talento para viver.

Em 3 de junho de 1929, Crawford se casou com Douglas Fairbanks, Jr. na Igreja de São Malaquias (conhecida como a "Capela dos Atores" devido à sua proximidade aos teatros da Broadway), em Manhattan, embora nem um dos dois fossem católicos.[23] Fairbanks era filho de Douglas Fairbanks e enteado de Mary Pickford, que eram considerados a família real de Hollywood. Fairbanks e Pickford se opuseram ao casamento e não convidaram o casal para sua casa, a famosa mansão Pickfair, nos oito meses seguintes ao casamento.[1]

A relação entre Crawford e Fairbanks pai melhorou gradualmente; ela o chamava de "Tio Doug" e ele a chamava de "Billie", seu apelido de infância. Ela e Pickford, no entanto, continuavam a se desprezar mutualmente. Após um primeiro convite para frequentar a mansão, Crawford e Fairbanks Jr. tornaram-se hóspedes habituais de Pickfair.[24] Enquanto os homens jogavam golfe juntos, Crawford era deixada de lado por Pickford e se recolhia para seus aposentos.[25] 

Para livrar-se de seu sotaque texano, Crawford praticou incansavelmente dicção e elocução. Ela disse certa vez:[26] 

Se eu fosse fazer um discurso, seria uma grande ideia, eu achava, lê-lo em voz alta para mim mesma, ouvindo atenciosamente a qualidade e a enunciação da minha voz e tentar falar de determinada maneira. Gostava de me trancar no meu quarto e ler jornais, revistas e livros em voz alta. Mantinha um dicionário debaixo do braço. Quando me deparava com uma palavra que eu não sabia pronunciar, pesquisava-a e pronunciava-a corretamente quinze vezes.

Transição para o cinema falado[editar | editar código-fonte]

Crawford em 1932.

Após o lançamento de O Cantor de Jazz – o primeiro longa-metragem com som sincronizado – em 1927, os filmes falados causaram um rebuliço em Hollywood. A transição do cinema mudo para o cinema falado causou pânico em muitos, se não todos, os atores da indústria cinematográfica; muitas estrelas do cinema mudo tornaram-se incapazes de encontrar emprego devido às suas vozes pouco atraentes e seus sotaques de difícil compreensão ou simplesmente porque se recusaram a fazer a transição para os filmes falados. Alguns estúdios e estrelas evitaram fazer a transição por tanto tempo quanto possível, em especial a MGM, que foi o último estúdio a fazer essa transição. The Hollywood Revue of 1929 foi um dos primeiros filmes falados do estúdio e sua primeira tentativa de mostrar para o público a capacidade de suas estrelas de fazer a transição. Crawford fez parte da dúzia de estrelas incluídas no filme; ela cantou a música "Got a Feeling for You" durante o primeiro ato do filme.

Crawford fez uma transição bem sucedida para o cinema falado. Seu primeiro papel principal num longa-metragem sonorizado foi em Untamed (1929), co-estrelado por Robert Montgomery. Apesar do sucesso do filme nas bilheterias, ele recebeu críticas não muito favoráveis dos críticos, que notaram que Crawford parecia nervosa ao fazer a transição para o cinema mudo no momento em que havia se tornado uma das atrizes mais populares do mundo.[27]

Montana Moon (1930), uma mistura desconfortável de Western com musical, uniu a atriz a John Mack Brown e Ricardo Cortez. Embora o filme tivesse tido problema com os censores, foi um grande sucesso à época de seu lançamento. Our Blushing Brides (1930), co-estrelado por Robert Montgomery e Anita Page, foi o último capítulo da trilogia iniciada com Our Dancing Daughters. Tornou-se, então, o maior sucesso – tanto crítica quanto financeiramente – entre os filmes falados de Crawford, sendo citado pela atriz como um de seus filmes favoritos. Seu próximo filme, Paid (1930), uniu-a a Robert Armstrong e foi outro grande sucesso de bilheteria. Durante a era sonora a MGM começou a colocar Crawford em papéis mais sofisticados, ao invés de continuar promovendo sua imagem de flapper construída durante a era silenciosa.[28]

Em 1931 a MGM lançou cinco filmes com Crawford. Três deles uniram-na à maior estrela masculina do estúdio, Clark Gable — apelidado de "Rei de Hollywood". Dance, Fools, Dance, lançado em fevereiro de 1931, foi o primeiro filme de Crawford e Gable. O segundo filme deles, Laughing Sinners, foi dirigido por Harry Beaumont e co-estrelado por Neil Hamilton, sendo lançado em maio daquele ano. Possessed, o terceiro filme deles, foi dirigido por Clarence Brown e lançado em outubro.[29] Estes filmes foram populares com o público e bem recebidos pela crítica, elevando Crawford ao status de principal estrela feminina da MGM no início da década de 1930, juntamente com Norma Shearer, Greta Garbo, e Jean Harlow. Seu outro filme notável de 1931 foi This Modern Age, lançado em outubro; apesar das críticas desfavoráveis, fez sucesso com o público.[30]

Com Wallace Beery em cena de Grande Hotel (1932).

Em seguida, a MGM colocou-a no filme Grand Hotel, dirigido por Edmund Goulding. Crawford co-estrelou com Greta Garbo, John e Lionel Barrymore e Wallace Beery, entre outros. Seu nome aparecia em terceiro lugar nos cartazes e créditos do filme e ela interpretou uma estenógrafa de classe média que trabalha para um controlador diretor de empresa interpretado por Beery. Mais tarde, Crawford confessou que estava nervosa durante as filmagens, pois estava trabalhando com "estrelas muito grandes", e que também estava desapontada por não ter nenhuma cena com a "divina Garbo". Grand Hotel foi lançado em abril de 1932 e foi sucesso de crítica e público. Teve uma das maiores bilheterias do ano e venceu o Oscar de melhor filme.[31]

Crawford manteve o sucesso com Letty Lynton (1932), co-estrelado por Robert Montgomery. Logo após o lançamento deste filme, a MGM foi acusada de plágio e forçada a retirá-lo de circulação. Ele nunca foi transmitido na televisão ou disponibilizado em home video, sendo considerado, portanto, um "filme perdido" de Crawford. O vestido do estilista Adrian, com grandes mangas e babados, usado por Crawford no filme, tornou-se popular naquele ano, sendo copiado e vendido pela Macy's.[32]

Em empréstimo para a United Artists, Crawford viveu a prostituta Sadie Thompson em Rain (1932), versão cinematográfica da peça de 1923 de John Colton. A atriz Jeanne Eagels interpretou o papel no teatro e Gloria Swanson deu origem a ele no cinema na versão muda de 1928. A atuação de Crawford foi muito criticada e o filme não fez sucesso.[33] Apesar disso, Crawford ficou em terceiro lugar na lista das dez estrelas mais rentáveis nas bilheterias, publicada pela primeira vez em 1932, atrás apenas de Marie Dressler e Janet Gaynor. Ela permaneceu na lista durante os anos seguintes, aparecendo pela última vez nela em 1936.

Crawford na década de 1930.

Em maio de 1933, Crawford divorciou-se de Fairbanks. Ela citou "crueldade mental grave" como razão para o pedido de divórcio, alegando que Fairbanks tinha "atitudes ciumentas e desconfiadas" direcionadas aos amigos dela e que eles tinham "discussões fortes sobre os assuntos mais triviais" que duravam até "tarde da noite".[34] Após o divórcio, ela novamente uniu-se a Clark Gable, e também a Franchot Tone e Fred Astaire, para filmar o sucesso Dancing Lady, no qual ela recebeu destaque nos cartazes e créditos. Ela interpretou o papel-título em Sadie McKee (1934), co-estrelado por Franchot Tone e Gene Raymond. No mesmo ano, co-estrelou com Clark Gable pela quinta vez em Chained (1934) e pela sexta vez em Forsaking All Others (1934). Os filmes de Crawford desta época foram alguns dos mais populares e de maior bilheteria dos anos 1930.

Em 1935, Crawford casou-se com Franchot Tone, um ator de teatro de Nova York que planejava usar seus lucros com o cinema para financiar seu filme grupo de teatro. O casal construiu um pequeno teatro na casa de Crawford em Brentwood e montou produções de peças clássicas para grupos seletos de amigos.[35] Tone e Crawford tinham aparecido pela primeira vez juntos em Today We Live (1933) de Howard Hawks, mas ela estava hesitante em iniciar um outro relacionamento tão logo após sua separação de Fairbanks.[36]

Antes e durante o casamento, Crawford trabalhou para promover a carreira de Tone em Hollywood, mas ele não estava interessado em se tornar uma estrela de cinema e Crawford, eventualmente, cansou-se do esforço.[37] Após Tone começar a beber e tornar-se fisicamente abusivo, ela pediu o divórcio, que foi concedido em 1939.[38] Muito mais tarde, Crawford e Tone reacenderam sua amizade e Tone até pediu-a em casamento novamente em 1964. Quando ele morreu, em 1968, Crawford organizou a cremação de seu corpo e o espalhamento de suas cinzas em Muskoka Lakes, Canadá.[39]

Crawford continuou seu reinado como popular atriz de cinema até meados da década de 1930. No More Ladies (1935), co-estrelado por Robert Montgomery e seu então marido Franchot Tone, foi um sucesso. Crawford há muito estava pedindo ao chefe da MGM, Louis B. Mayer, que a colocasse em mais papéis dramáticos e, embora ele estivesse relutante em fazê-lo, colocou-a na sofisticada comédia dramática I Live My Life (1935), dirigida por W. S. Van Dyke. O filme foi bem recebido pela crítica e lucrou mais do que o estúdio esperava.

No ano seguinte, Crawford estrelou em The Gorgeous Hussy ao lado de Robert Taylor, Lionel Barrymore, Melvyn Douglas, James Stewart e seu marido Franchot Tone. O filme foi um sucesso de crítica e de bilheteria, tornando-se um dos maiores sucessos de Crawford na década de 1930. A comédia romântica Love on the Run (1936), dirigida por W.S. Van Dyke, foi seu sétimo filme com Clark Gable e sexto com Franchot Tone. Foi, na época de seu lançamento, chamado de "um monte de bobagens alegres" pela crítica; no entanto, obteve êxito financeiro.

Declínio na popularidade[editar | editar código-fonte]

Mesmo que Crawford continuasse sendo uma das atrizes mais respeitadas da MGM e que seus filmes continuassem obtendo lucro, sua popularidade declinou no final da década de 1930. Em 1937, Crawford foi nomeada a primeira "Rainha dos Filmes" pela revista Life. No mesmo ano, ela caiu inesperadamente do sétimo para o décimo-sexto lugar na lista das estrelas mais lucrativas nas bilheterias e, consequentemente, sua popularidade com o público também começou a minguar.[40] Ainda em 1937, Richard Boleslawski dirigiu-a na comédia dramática The Last of Mrs. Cheyney (1937), que uniu-a a William Powell pela primeira e única vez em sua carreira. Este filme foi o último sucesso de bilheteria de Crawford antes dela ser rotulada como "veneno de bilheteria".

Ela co-estrelou com Franchot Tone pela sétima e última vez em The Bride Wore Red (1937). O filme foi recebido de maneira desfavorável pela maioria dos críticos, com um crítico argumentando que se tratava da "mesma história de pobreza à fortuna" que Crawford vinha fazendo há anos. Além disso, também foi mal-sucedido nas bilheterias, tornando-se um dos maiores fracassos financeiros da MGM naquele ano. O filme seguinte da atriz, Mannequin, co-estrelado por Spencer Tracy, foi mais bem sucedido. Segundo o New York Times, o filme "restaurou Crawford ao trono de rainha das garotas trabalhadoras". A maior parte das críticas foram positivas e o filme conseguiu trazer algum lucro para o estúdio, mas não foi um sucesso grande o suficiente para ressuscitar a popularidade de Crawford.[40]

Em 3 de maio de 1938, Crawford – ao lado de Greta Garbo, Norma Shearer, Luise Rainer, John Barrymore, Katharine Hepburn, Fred Astaire, Marlene Dietrich e Dolores del Río, entre outros – foi rotulada de "veneno de bilheteria" por Harry Brandt, presidente da Associação dos Donos de Salas de Cinema da América. Em carta aberta publicada na revista Independent Film Jornal, Brandt declarou que, embora estas estrelas possuíam habilidades dramáticas "inquestionáveis", seus altos salários não se traduziam em vendas de ingressos, prejudicando, assim, os donos de salas de cinema. Talvez como resultado da publicação da lista, o filme seguinte de Crawford, The Shining Hour (1938), co-estrelado por Margaret Sullavan e Melvyn Douglas, foi um fracasso de bilheteria, apesar de ter sido bem recebido pela crítica especializada.[41]

Crawford fez um bom retorno em 1939 ao interpretar a antagonista Crystal Allen em As Mulheres, ao lado de sua nêmesis profissional, Norma Shearer. Um ano mais tarde, ela rompeu com a fórmula que havia lhe dado notoriedade, ao interpretar a pouco glamourosa Julie em Strange Cargo (1940), seu oitavo e último filme com Clark Gable. Em 1941, estrelou como uma chantagista desfigurada em A Woman's Face, um remake do filme sueco En kvinnas ansikte (1938), originalmente estrelado por Ingrid Bergman. Embora o filme tenha atingido apenas um sucesso moderado nas bilheterias, sua atuação foi elogiada por muitos críticos.

Em 1940, Crawford adotou sua primeira filha. Como ela era solteira e a lei da Califórnia impedia solteiros de adotar, ela organizou a adoção através de uma agência de Las Vegas. A criança foi temporariamente chamada de Joan Crawford, até que a estrela mudou seu nome para Christina. Crawford se casou com o ator Phillip Terry em 21 de julho de 1942 após um namoro de seis meses.[42] Juntos, adotaram uma outra criança, a quem deram o nome de Christopher, mas a mãe biológica logo recuperou a criança. Eles adotaram, então, outro menino, a quem deram o nome de Phillip Terry Jr. Após o final do casamento, em 1946, Crawford mudou o nome da criança para Christopher Crawford.

Após dezoito anos, o contrato de Crawford com a MGM foi rescindido por consentimento mútuo em 29 de junho de 1943. Ao invés de estrelar em mais um filme, como seu contato previa, Crawford recebeu US$ 100.000 da MGM. Durante a Segunda Guerra Mundial, a atriz fez parte dos Serviços Voluntários das Mulheres Americanas.[43]

Sucesso na Warner Brothers[editar | editar código-fonte]

Por US $ 500.000, Crawford assinou contrato com a Warner Brothers para três filmes e foi colocado na folha de pagamento em 01 de julho de 1943. Seu primeiro filme para o estúdio era “Hollywood Canteen” (1944), um filme moral impulsionador de all-star que uniram-la com várias outras estrelas de cinema top’s no momento. Crawford disse que uma das principais razões Ela assinou com a Warner Brothers era porque ela queria interpretar a personagem "Mattie" em uma proposta de versão de 1944 do filme de romance de Edith Wharton, “Ethan Frome” (1911).

Crawford no trailer de Alma em suplício (1945), filme que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz

Ela queria o papel-título de “Mildred Pierce” (1945), mas Bette Davis era a primeira escolha do estúdio. No entanto, Davis recusou o papel. O diretor Michael Curtiz não queria Crawford para interpretar o papel, alegando que Davis poderia ser substituída por Barbara Stanwyck, Olivia de Havilland, ou Joan Fontaine. Warners foi contra Curtiz e lançou Crawford no filme. Ao longo de toda a produção do filme, Curtiz criticou Crawford. Ele foi citado como tendo dito a Jack Warner, "Ela vem para cá com seus ares de altivez, com seu chapéu e ombreiras malditas ... por que eu deveria perder meu tempo dirigindo ela?"[44] Curtiz exigiu a Crawford provar sua adequação através de um teste de tela. Após o teste, Curtiz concordou em colocar Crawford no filme. Mildred Pierce foi um sucesso comercial e de crítica retumbante. Ele sintetizou o estilo visual exuberante no filme noir e a sensibilidade que definiu os filmes Warner Bros. do final dos anos 1940, ganhando Crawford o Oscar da Academia para Melhor Atriz em um papel principal.[45] 

O sucesso de Mildred Pierce reviveu carreira de Crawford. Por vários anos, ela reinou como uma das atrizes mais respeitadas e de maior sucesso em Hollywood. Em 1946, ela estrelou ao lado de John Garfield em “Humoresque”, um drama romântico sobre um caso de amor entre uma mulher mais velha e um homem mais jovem. Ela estrelou ao lado de Van Heflin de em “Possessed” (1947), pelo qual ela recebeu uma segunda indicação ao Oscar, embora ela não o ganhasse. Em “Daisy Kenyon” (1947), ela apareceu ao lado de Dana Andrews e Henry Fonda, e em “Flamingo Road” (1949) ela interpretou uma dançarina de carnaval ao lado de Zachary Scott e David Brian. Ela fez uma aparição em “É uma grande sensação” (1949), zombando de sua própria imagem nas telas. Em 1950, ela estrelou o filme noir, “The Damned Do not Cry!”, E estrelando como Harriet Craig.

Após a conclusão do “This Woman Is Dangerous” (1952), um filme que Crawford chamou de "o pior", ela pediu para ser liberada de seu contrato com a Warner Brothers. Nessa época, ela sentiu que a Warner estava perdendo o interesse por ela e decidiu que era hora de seguir em frente. Mais tarde, naquele mesmo ano, ela recebeu sua terceira e última indicação ao Oscar de Melhor atriz por Pavor Repentino”, da RKO Radio Pictures. Em 1953, ela apareceu em seu último filme para a MGM, “Torch Song”. O filme recebeu críticas favoráveis e um sucesso moderado nas bilheterias.  Crawford adotou mais dois filhos, em 1947, os gêmeos idênticos que ela chamou de Cindy e Cathy.[46]

Televisão e trabalhos posteriores[editar | editar código-fonte]

Crawford trabalhou na série de rádio A Screen Guild Theater em 08 de janeiro de 1939; Boa Nova; bebê, transmitido 02 de março de 1940 em Arch Oboler 's Lights Out; A Palavra de Teatro Everyman (1941); Chained no Teatro Lux Radio e Document A / 777 (1948). Ela apareceu em episódios de séries de televisão antologicos na década de 1950 e, em 1959, fez um piloto de sua série, The Joan Crawford Mostrar.

Crawford se casou com seu quarto e último marido, Alfred Steele, no Hotel Flamingo em Las Vegas em 10 de maio de 1955.[47] Crawford e Steele se conheceram numa festa em 1950, quando Steele era um executivo da Pepsi-Cola. Eles se reencontraram em uma festa de Ano Novo em 1954. Steele por esse tempo tinha se tornado presidente da Pepsi-Cola.[48] Alfred Steele viria a ser nomeado Presidente do Conselho e CEO da Pepsi-Cola. Ela viajou extensivamente em nome da Pepsi após o casamento. Ela estima que ele viajou mais de 100.000 milhas para a empresa.[49] 

Steele morreu de um ataque cardíaco em abril de 1959. Crawford foi inicialmente informado de que seus serviços já não eram necessários. Depois que ela contou a história de Louella Parsons, a Pepsi reverteu sua posição e Crawford foi eleito para preencher a vaga no conselho de administração.[50] 

Crawford recebeu o anual "Pally Award", que tinha a forma de uma garrafa de Pepsi em bronze. Foi concedida ao trabalhador que faz a contribuição mais significativa para as vendas da empresa. Em 1973, Crawford foi forçada a retirar-se da empresa a mando do executivo da empresa Don Kendall, que Crawford tinha referido durante anos como "Fang".[51]

Depois de sua indicação ao Oscar em 1952, Crawford continuou a trabalhar de forma constante durante o resto da década. Em 1954, ela estrelou “Johnny Guitar filme western, co-estrelado por Sterling Hayden e Mercedes McCambridge. Ela também estrelou em “Femme on Beach” (1955) com Jeff Chandler, e em “Queen Bee” (1955), ao lado de John Ireland. No ano seguinte, ela estrelou ao lado do jovem Cliff Robertson em “Autumn Leaves” (1956) e filmou um papel principal em “A História de Esther Costello” (1957), co-estrelado por Rossano Brazzi. Crawford, que tinha sido deixada quase sem dinheiro após a morte de Alfred Steele, aceitou um pequeno papel em “The Best of Everything” (1959).[52] Embora não fosse a estrela do filme, ela recebeu críticas positivas. Crawford, mais tarde, citou o papel como sendo um de seus favoritos. No entanto, no início de 1960, o status de Crawford no cinema tinha diminuído consideravelmente.

Joan Crawford e Bette Davis nos sets do filme "O que teria acontecido com Baby Jane?" (1962)

Crawford estrelou como Blanche Hudson, uma idosa numa cadeira de rodas em conflito com sua irmã psicótica, no thriller psicológico altamente bem sucedido “O Que Teria Acontecido a Baby Jane?” (1962). Apesar das atrizes tivessem tido tensões anteriores, Crawford teria sugerido Bette Davis para o papel de Jane. As duas estrelas mantinham publicamente que não houve contenda entre elas. O diretor, Robert Aldrich, explicou que Davis e Crawford estavam cada qual conscientes de quão importante o filme era para suas respectivas carreiras e comentou: "É correto dizer que eles realmente detestavam uma a outra, mas elas se comportaram perfeitamente”.[53]

Depois que a filmagem foi concluída, seus comentários públicos contra uma a outra impulsionou sua inimizade em uma briga ao resto da vida. O filme foi um enorme sucesso, a ponto de recuperar os seus custos no prazo de 11 dias de seu lançamento a nível nacional, e temporariamente reviveu a carreira de Crawford. Davis foi nomeado para o Oscar por sua performance como Jane Hudson. Crawford secretamente contatou cada um dos outros indicados ao Oscar na categoria (Katharine Hepburn, Geraldine Page e Anne Bancroft), para que elas saibam que, se elas não poderiam participar da cerimônia, e ela ficaria feliz em aceitar o Oscar por sua conta; todos concordaram. Ambas Davis e Crawford estavam nos bastidores quando a ausente Anne Bancroft foi anunciada como vencedora, e Crawford aceitou o prêmio em seu nome. Davis alegou para o resto de sua vida que Crawford tinha feito campanha contra ela, algo que Crawford negou.

Nesse mesmo ano, estrelou como Lucy Harbin em “Strait-Jacket “(1964). Robert Aldrich junt Crawford , novamente e Davis em “Hush... Hush, Sweet Charlotte” (1964). Depois de uma campanha de suposto assédio por Davis nas locações em Louisiana, Crawford voltou para Hollywood e deu entrada num hospital. Depois de uma ausência prolongada, durante a qual Crawford foi acusada de fingir estar doente, Aldrich foi obrigado a substituí-la por Olivia de Havilland. Crawford afirmou estar devastada, dizendo: "Eu ouvi a notícia da minha substituição no rádio, deitada na minha cama de hospital ... Eu chorei durante 9 horas."[54] Crawford guardou rancor contra Davis e Aldrich para o resto de sua vida , dizendo sobre Aldrich: "Ele é um homem que ama mal, terríveis, coisas ruins", ao qual Aldrich respondeu: "Se os ajustes do sapato, usá-lo, e eu gosto muito de Miss Crawford."[55] 

Em 1965 ela interpretou Amy Nelson em” Eu Vi o Que Você Fez” dirigido por William Castle. Ela estrelou como Monica Rios em “Berserk!” (1967). Após o lançamento do filme, Crawford co-estrelou como ela mesma em “The Lucy Show. No episódio, "Lucy e a estrela perdida", exibido pela primeira vez em 26 de fevereiro de 1968. Crawford esforçou-se durante os ensaios e bebia muito no set, levando a estrela da série Lucille Ball a sugerir substitui-la por Gloria Swanson. No entanto, Crawford era a perfeita para o dia do show, que dançou Charleston, e recebeu duas ovações da platéia.[56] 

Em outubro de 1968, a filha de Crawford, Christina, precisava de atenção médica imediata para um tumor ovariano. Apesar do fato de que o personagem de Christina era de 28 anos e Crawford com 60, JoanCrawford se ofereceu para desempenhar seu papel até que Christina estavesse bem o suficiente para voltar, para a qual produtora Gloria Monty concordou prontamente.[57] Embora Crawford fizesse bem nos ensaios, ela perdeu a compostura enquanto gravando e o diretor e produtor tiveram trabalho para juntar a metragem necessária.[58] 

A aparência de Crawford no filme de 1969 de televisão “Noite Gallery “(que serviu como piloto para a série que se seguiu), marcou um dos primeiros trabalhos de Steven Spielberg como diretor. Ela fez uma aparição como ela mesma no primeiro episódio da comédia de situação “The Tim Conway Most”, que foi ao ar em 30 de janeiro de 1970. Ela estrelou nas telas pela última vez, como Dra. Brockton no filme de ficção de horror de Herman Cohen “Trog” (1970), arredondando uma carreira de 45 anos e mais de oitenta filmes. Crawford fez mais três aparições na televisão, como Stephanie Whitem 1970 um episódio ("The Nightmare") de The Virginian e como Joan Fairchild (seu desempenho final)[59] em um episódio de 1972 ("Querida Joan: Nós estamos indo para assustar You to Death ") de “O Sexto Sentido”.[60] 

Últimos anos e morte[editar | editar código-fonte]

Em 1970, Crawford foi presenteado com o Cecil B. DeMille Award por John Wayne do Globo de Ouro, que foi transmitido a partir do Coconut Grove at The Ambassador Hotel, em Los Angeles. Ela também discursou no Stephens College, que ela tinha frequentado por quatro meses em 1922.[61]

Em 1969

Crawford publicou sua autobiografia, A Portrait of Joan, co-escrito com Jane Kesner Ardmore, em 1962, através de Doubleday. O próximo livro de Crawford, My Way of Life, foi publicado em 1971 por Simon & Schuster. Aqueles que esperam um livro atrevido, ficaram desapontados, embora formas meticulosas de Crawford foram revelados em conselhos sobre grooming, guarda-roupas, exercícios, e até mesmo o armazenamento de alimentos. Após a sua morte não foi encontradas suas fotografias no apartamento de John F. Kennedy, para quem ela supostamente teria votado na eleição presidencial de 1960.[62] 

Em setembro de 1973, Crawford se mudou de apartamento 22-G para um apartamento menor ao lado (22-H) na Casa Imperial. Sua última aparição pública em 23 de Setembro de 1974, em um evento de honra a sua velha amiga Rosalind Russell em Nova York Rainbow Room. Russell estava sofrendo de câncer de mama e artrite no momento. Quando Crawford viu as fotos nada lisonjeantes que apareceram nos jornais do dia seguinte, ela disse: "Se é assim que eu aparento, então eles não vão me ver mais."[63] Crawford cancelou todas as aparições públicas, começou a declinar entrevistas e deixou de receber visitas em seu apartamento cada vez menos. Problemas dentários, relacionadas, incluindo cirurgia, que a deixou precisando de cuidados de enfermagem, a atormentavam desde 1972 até meados de 1975.

Enquanto usava antibióticos para este problema em outubro de 1974, a bebida fez com que ela escorregasse e acabou por atingir seu rosto. O incidente assustou o suficiente para parar de beber, embora ela insistisse que era por causa de seu retorno a Ciência Cristã. O incidente é registrado em uma série de cartas enviadas à sua companhia de seguros realizada nos arquivos de pilha no 3º andar do New York Public Library for the Performing Arts; ele também é documentado por Carl Johnnes em sua biografia da atriz, Joan Crawford: Os Últimos Anos. Em 08 de maio de 1977, Crawford doou seu amado Shih Tzu, "Princesa Flor de Lotus," por ser fraca demais para cuidar dele.[64] Ela morreu dois dias depois em seu apartamento em Nova York de um ataque cardíaco.[49] Um funeral foi realizado em Campbell Funeral Home, New York, em 13 de maio de 1977. Em seu testamento, foi assinado 28 de outubro, 1976, Crawford legou a seus dois filhos mais novos, Cindy e Cathy, $ 77.500 cada de sua propriedade $ 2000000. Ela explicitamente deserdado os dois mais velhos, Christina e Christopher, escrevendo: "É minha intenção fazer qualquer disposição aqui para o meu filho, Christopher, ou minha filha, Christina, por razões que são bem conhecidos para eles."[65] Ela também deixou nada para sua sobrinha, Joan Lowe (1933-1999, nascido Joan Crawford LeSueur, a única filho de seu irmão distante, Hal). Crawford deixou dinheiro para suas instituições de caridade favoritas: a OSU de Nova York, a Motion Picture First, a American Cancer Society, a Associação de Distrofia Muscular, a American Heart Association, e da Escola Wiltwyck para Meninos.[66]

Um serviço memorial foi realizado para Crawford em Unitarian Church na Lexington Avenue em Nova York em 16 de maio de 1977, e contou com a presença, entre outros, sua velha amiga de Hollywood Myrna Loy. Outro serviço memorial, organizado por George Cukor, foi realizado em 24 de junho no Samuel Goldwyn Theater e Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em Beverly Hills. Crawford foi cremada e suas cinzas foram colocadas em uma cripta com seu quarto e último marido, Alfred Steele, em Ferncliff Cemetery, Hartsdale, Nova York.[67]

Legado[editar | editar código-fonte]

Ela tem uma estrela no Hollywood Walk of Fame em 1750 Vine Street.[68] A Playboy listou Crawford como # 84 das "100 mulheres mais sexy do século 20 ".[69] Em 1999, o American Film Institute elegeu Joan Crawford como a 09° Lenda Feminina do Cinema Americano.[70]

Crawford em 1948
Cena do trailer de O que terá acontecido à Baby Jane? (1962)
Mensagem, autógrafo e marca das mãos e dos pés, deixados por Joan Crawford em 1929 na Calçada da Fama de Hollywood, em frente ao Grauman's Chinese Theatre

Mamãezinha Querida[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1978, Christina Crawford publicou “Mamãezinha Querida”, que continha alegações de que sua mãe adotiva era emocionalmente e fisicamente abusiva com Christina e seu irmão Christopher. Muitos dos amigos de Crawford e colegas de trabalho, incluindo Van Johnson, Ann Blyth, Marlene Dietrich, Myrna Loy, Katharine Hepburn, Cesar Romero, Gary Gray, Betty Barker (secretária de Joan por quase 50 anos), Douglas Fairbanks Jr. (o primeiro marido de Crawford ), e dois outros filhos mais novos de Crawford - Cathy e Cindy - denunciaram o livro, e negam categoricamente qualquer abuso.[71] Mas outros, incluindo Betty Hutton, Helen Hayes,[72] James MacArthur (filho de Helen Hayes),[73][74] June Allyson,[75] Liz Smith,[73] Rex Reed[73] e Vincent Sherman[76] declararam que tinham presenciado algum tipo de comportamento abusivo. A secretária de Crawford, Jeri Binder Smith, confirmou o relato de Christina.[77] Mamãezinha Querida tornou-se um best-seller e foi transfomado num filme de 1981,”Mamãezinha Querida”, estrelado por Faye Dunaway como Crawford.[78] 

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Filmes mudos[editar | editar código-fonte]

ano de lançamento # Título Papel Produtora
1925 1 Lady of the Night dublê de Norma Shearer[79] Metro-Goldwyn-Mayer
2 Proud Flesh Garota de San Francisco[79]
3 A Slave of Fashion Mannequin[79]
4 The Merry Widow Figurante na dança de salão[79]
5 Pretty Ladies Bobby, uma showgirl[80]
6 The Circle Jovem Lady Catherine[79]
7 The Midshipman Figurante[79]
8 Old Clothes Mary Riley[80]
9 The Only Thing Convidada da festa[79]
10 Sally, Irene and Mary Irene
1926 11 Tramp, Tramp, Tramp Betty Burton First National Pictures
12 The Boob Jane Metro-Goldwyn-Mayer
13 Paris A Garota
1927 14 Winners of the Wilderness René Contrecoeur
15 The Taxi Dancer Joslyn Poe
16 The Understanding Heart Monica Dale
17 The Unknown Estrellita ou Nanon, Filha de Zanzi
18 Twelve Miles Out Jane
19 Spring Fever Allie Monte
1928 20 West Point Betty Channing
21 The Law of the Range Betty Dallas
22 Rose Marie Rose Marie
23 Across to Singapore Priscilla Crowninshield
24 Four Walls Frieda
25 Our Dancing Daughters Diana Medford Cosmopolitan Production (subsidiária da MGM)
26 Dream of Love Adrienne Lecouvreur
1929 27 The Duke Steps Out Susie
28 Tide of Empire Josephita Guerrero
29 Our Modern Maidens Billie Brown

Filmes com som[editar | editar código-fonte]

ano da lançamento # Título Papel Produtora
1929 28 The Hollywood Revue of 1929[81] Specialty Metro-Goldwyn-Mayer
29 Untamed Alice "Bingo" Dowling
1930 30 Montana Moon Joan Prescott
31 Our Blushing Brides Gerry Marsh
32 Paid Mary Turner
1931 33 Dance, Fools, Dance Bonnie Jordan
34 Laughing Sinners Ivy Stevens
35 This Modern Age Val Winters
36 Possessed Marian Martin
1932 37 Grand Hotel Flaemmchen
38 Letty Lynton Letty Lynton
39 Rain Sadie Thompson United Artists
1933 40 Today We Live Diana "Ann" Boyce-Smith Metro-Goldwyn-Mayer
41 Dancing Lady Janie "Duchess" Barlow
1934 42 Sadie McKee Sadie McKee Brennan
43 Chained Diane Lovering, also called "Dinah"
44 Forsaking All Others Mary Clay
1935 45 No More Ladies Marcia Townsend
46 I Live My Life Kay Bentley
1936 47 The Gorgeous Hussy Margaret O'Neal "Peggy" Eaton
48 Love on the Run Sally Parker
1937 49 The Last of Mrs. Cheyney Fay Cheyney
50 The Bride Wore Red Anni Pavlovitch
51 Mannequin Jessica Cassidy
1938 52 The Shining Hour Olivia Riley
1939 53 Ice Follies of 1939 Mary McKay, a.k.a Sandra Lee
54 The Women Crystal Allen
1940 55 Strange Cargo Julie
56 Susan and God Susan Trexel
1941 57 A Woman's Face Anna Holm
58 When Ladies Meet Mary Howard
1942 59 They All Kissed the Bride Margaret Drew Columbia Pictures
60 Reunion in France Michelle de la Becque Metro-Goldwyn-Mayer
1943 61 Above Suspicion Frances Myles
1944 62 Hollywood Canteen Ela própria Warner Brothers
1945 63 Mildred Pierce Mildred Pierce
1946 64 Humoresque Helen Wright
1947 65 Possessed Louise Howell Graham
66 Daisy Kenyon Daisy Kenyon 20th Century Fox
1949 67 Flamingo Road Lane Bellamy Warner Brothers
68 It's a Great Feeling Herself
1950 69 The Damned Don't Cry! Ethel Whitehead
70 Harriet Craig Harriet Craig Columbia Pictures
1951 71 Goodbye, My Fancy Agatha Reed Warner Brothers
1952 72 This Woman is Dangerous Beth Austin
73 Sudden Fear Myra Hudson RKO Radio Pictures
1953 74 Torch Song Jenny Stewart Metro-Goldwyn-Mayer
1954 75 Johnny Guitar Vienna Republic Pictures
1955 76 Female on the Beach Lynn Markham Universal Pictures
77 Queen Bee Eva Phillips Columbia Pictures
1956 78 Autumn Leaves Millicent Wetherby
1957 79 The Story of Esther Costello Margaret Landi
1959 80 The Best of Everything Amanda Farrow 20th Century Fox
1962 81 What Ever Happened to Baby Jane? Blanche Hudson Warner Brothers
1963 82 The Caretakers Lucretia Terry United Artists
1964 83 Strait-Jacket Lucy Harbin Columbia Pictures
1965 84 I Saw What You Did Amy Nelson Universal Pictures
1967 85 Berserk! Monica Rivers Columbia Pictures
1970 86 Trog Dr. Brockton Warner Brothers

Na televisão[editar | editar código-fonte]

ano de lançamento # Título da série Título do episódio Papel Rede
1953 1 Revlon's Mirror Theater "Because I Love Him" Margaret Hughes CBS
1954 2 General Electric Theater "The Road to Edinburgh" Mary Andrews
1958 3 General Electric Theater "Strange Witness" Ruth
1959 4 General Electric Theater "And One Was Loyal" Ann Howard
1959 5 The Joan Crawford Show "Woman On The Run"[82] Susan Conrad Unaired
1959 6 Dick Powell's Zane Grey Theater "Rebel Range" Stella Faring CBS
1961 7 Dick Powell's Zane Grey Theater "One Must Die" Sarah Davidson
Melanie Davidson
8 The Foxes [filme feito para a televisão] Millicent Fox NBC
1963 9 Route 66 "Same Picture, Different Frame" Morgan Harper CBS
1966 10 Della[83] [made-for-TV movie] Della Chappell
1967 11 The Man from U.N.C.L.E. "The Five Daughters Affair", Part 1 Amanda True NBC
1968 12 The Lucy Show "Lucy and Joan Crawford or The Lost Star" Herself CBS
1968 13 The Secret Storm [telenovela diurna (soap opera)] Joan Boreman Kane #2
1969 14 Night Gallery "Eyes" Claudia Menlo NBC
1970 15 The Virginian "The Nightmare" Stephanie White
1971 16 The Name of the Game "Los Angeles" Board Member
1972 17 Beyond the Water's Edge [filme feito para a televisão] Allison Hayes
1972 18 The Sixth Sense "Dear Joan: We're Going To Scare You To Death!" Joan Fairchild ABC

Referências

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  79. a b c d e f g não-creditado
  80. a b credited as Lucille LeSueur
  81. Com som. A cores. Cantando, dançando, e fazendo parte de um elenco estelar, que executa a canção "Singin' in the Rain".
  82. Episódio piloto
  83. a.k.a. Fatal Confinement

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Joan Crawford
Precedida por:
Ingrid Bergman
por Gaslight
Oscar de Melhor Atriz
por Mildred Pierce

1945
Sucedida por:
Olivia de Havilland
por To Each His Own