Era de Ouro do Cinema Americano

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Clark Gable e Vivien Leigh em cena do clássico ...E o Vento Levou de 1939.

A Era de Ouro do Cinema Americano se refere aos filmes hollywoodianos produzidos durante os anos 20 aos anos 60 nos Estados Unidos. Destacam-se, nesse período, os filmes musicais, gênero bastante popular na época, estúdios como a MGM, Warner Bros., 20th Century Fox, RKO e Paramount, além dos estúdios Disney, destacavam-se na produção e distribuição nacional e internacional desses longa-metragens.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Durante as décadas de 1930 e 1940, o cinema norte-americano viveu sua chamada “Era de Ouro”. O país se recuperava da Grande Depressão ocasionada pela crise do capitalismo, e o cinema era uma forma de incentivo para a reconstituição moral da população.[1]

Década de 1920[editar | editar código-fonte]

Muitos cinéfilos alegam que a maior década do cinema é a década de 20, pois foi caracterizado pelo início do cinema falado, que provocou uma mudança nos hábitos daqueles que frequentavam e faziam cinema. Foi nesta década, que se popularizou o chamado American way of life e onde surgiram gênios como Charles Chaplin e o surgimento do estúdio Metro-Goldwyn-Mayer.[2]

O cinema de animação também se aproveitou desse artificio para atrair a atenção do público para as obras animadas. Em 1928, Walt Disney lançava Steamboat Willie, curta-metragem animado com a melhor sincronização entre o som e a imagem da época. E é exatamente a partir do ano de 1928, que, se inicia a chamada "Era de Ouro da Animação". Foi nela, compreendida num período de doze anos (1928 a 1940), que o cinema de animação ganhou o reconhecimento que almejava devido ao seu desenvolvimento técnico e artístico e que se estabeleceu como arte cinematográfica.[3]

Ocorre a fundação da International Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que viria a se transformar na moderna Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que realiza anualmente a premiação do Oscar; contava originalmente com 36 membros fundadores e teve nesta décadas seus dois primeiros presidentes foram Douglas Fairbanks e William C. deMille.

Década de 1930[editar | editar código-fonte]

Nesse período surge a empresa Technicolor, lançando um tipo de película que filmava em 3 cores, juntamente com uma câmera de 3 elementos, dando maior realismo às produções nas telas. Branca de Neve e os Sete Anões foi o primeiro desenho colorido produzido neste sistema, e o primeiro filme Technicolor lançado comercialmente foi Vaidade e Beleza de Rouben Mamoulian, de 1935.[4]

Após a Depressão, a indústria recupera-se. Hollywood vive os seus anos de ouro em 1938 e 1939. Surgem superproduções como A Dama das Camélias, ...E o Vento Levou, O Magico de Oz e O Morro dos Ventos Uivantes. Novos recursos técnicos possibilitam o desenvolvimento pleno de todos os gêneros. Desafiando o esquema dos grandes estúdios hollywoodianos.[5][6]

Década de 1940[editar | editar código-fonte]

Ao longo da década de 1940, os Estados Unidos estava se preparando para lutar na Segunda Guerra Mundial. Os estúdios investiam nas comédias musicais. Os números musicais eram as atrações principais dessas películas, as canções freqüentemente lideravam as paradas pop. Os compositores mais populares da época, todos escreveram para Hollywood, incluindo Jerome Kern, Irving Berlin, Cole Porter, Mack Gordon, Oscar Hammerstein, Harry Warren, entre outros.

Em 1940, cada estúdio tinha a sua própria abordagem e fórmula para criar os seus musicais. Para alguns, Busby Berkeley (1895-1976) foi o que mais expandiu as possibilidades estéticas do cinema com suas coreografias exuberantes, caleidoscópicas, em que a precisão geométrica convivia com a sensualidade.[7]

Nesse período, o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt desenvolveram um projeto que, propositadamente chamado de "Política de boa vizinhança", buscava aproximar o país das demais nações do continente. Através de incentivos financeiros e da aproximação cultural, tais regiões foram sendo progressivamente anexadas à área de influência norte-americana, passando a integrar, consequentemente, o bloco dos “Aliados”. Financiado pelo governo norte-americano, Walt Disney foi o criador do personagem Zé Carioca, uma clara homenagem feita pelo produtor ao Brasil.[8] Ao mesmo tempo, a cantora Carmen Miranda, então a artista mais popular do país, iniciou sua carreira artística na América do Norte, estrelando diversos filmes da 20th Century Fox, Miranda tonou-se em 1944 a mulher mais bem paga dos Estados Unidos. Com a guerra em curso, as comédias musicais procuravam uma forma escapista de entreter.[9]

Destaque para Orson Welles, que escreveu, dirigiu e interpretou o clássico Cidadão Kane, filme que provocou uma revolução técnica e narrativa na linguagem cinematográfica, baseado na história do magnata da imprensa William Randolph Hearst, os filmes de Welles quase sempre davam muito aborrecimento e grandes prejuízos aos estúdios, mas tornaram-se clássicos desse período.[10]

Destaque para os filmes The Maltese Falcon dirigido por John Huston (1941), It's a Wonderful Life dirigido por Frank Capra (1946), Double Indemnity dirigido por Billy Wilder (1944), Meet Me in St. Louis dirigido por Vincente Minnelli (1944), The Great Dictator dirigido por Charlie Chaplin (1940), The Big Sleep dirigido por Howard Hawks (1946), The Lady Eve dirigido por Preston Sturges (1941), The Shop Around the Corner dirigido por Ernst Lubitsch (1940), White Heat dirigido por Raoul Walsh (1949), Yankee Doodle Dandy dirigido por Michael Curtiz (1942), e Notorious dirigido por Alfred Hitchcock, (1946). E também Rebecca (1940), How Green Was My Valley (1941), Mrs. Miniver (1942), Casablanca (1943), Going My Way (1944), The Lost Weekend (1945), The Best Years of Our Lives (1946), Gentleman's Agreement (1947), Hamlet (1948), All the King's Men (1949).

Nessa década, a Walt Disney Studios lançou os filmes de animação Pinocchio (1940), Fantasia (1940), Dumbo (1941), Bambi (1942), Saludos Amigos (1942), The Three Caballeros (1944), Make Mine Music (1946), Fun and Fancy Free (1947), Melody Time (1948) e The Adventures of Ichabod and Mr. Toad (1949).

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

Foi na década de 1950 que os musicais hollywoodianos chegaram a seu ápice, com o lançamento de um dos filmes mais lembrados e comentados de todo o período clássico do cinema, Singin' in the Rain (1952), onde Stanley Donen e Gene Kelly conseguiram a proeza de reunir todas as características do cinema musical das décadas anteriores e realizar uma espécie de síntese de toda a essência do gênero. Tornou-se, anos depois, o filme mais popular desse gênero, considerado por muitos como a maior obra-prima do estilo.[11]

A atriz que mais marcou o cinema dos anos 50 foi Marilyn Monroe onde fez seu primeiro papel de destaque em 1951, no filme Love Nest. No ano seguinte, participou de Monkey Business., tornando-se um nome popular entre o público. Foi assim em How to Marry a Millionaire (1953), Gentlemen Prefer Blondes (1953), The Seven Year Itch (1955) e Some Like It Hot - este, com direção de Billy Wilder, foi considerado “a melhor comédia de todos os tempos.”[12]

Audrey Hepburn foi também uma das atrizes mais marcantes dos anos 50. Em sua carreira de sucesso, foi ainda indicada ao Oscar de Melhor Atriz por suas atuações em Sabrina, Uma Cruz à Beira do Abismo, Bonequinha de Luxo e Um Clarão nas Trevas. Brigitte Bardot, outra estrela dos anos 50, teve sua primeira aparição nas telas em 1952, como Javotte Lemoine, no filme Le Trou normand. Ela chegou a ser considerada a versão francesa de Marilyn Monroe.

Outro estilo de beleza feminina que marcou os anos 50 no cinema foi encarnado por Grace Kelly, que se caracterizava pela naturalidade e jovialidade. Grace conquistou o Oscar de Melhor Atriz por seu papel em The Country Girl, de George Seaton, em 1954. Já conquistara sua maior parceria profissional com o cineasta Alfred Hitchcock, com quem filmou Janela Indiscreta, Ladrão de Casaca e Disque M para Matar.[13]

Elvis Presley foi outro astro que se destacou durante essa década, considerado por muito o pioneiro dos cantores do ramo do rock in roll.[14]

Os Estúdios Disney lançaram no período os musicais Cinderela (1950), Alice no País das Maravilhas (1951), Peter Pan (1953), Lady and the Tramp (1955) e A Bela Adormecida (1959).

Ao final da década, os grandes estúdios de Hollywood dispensaram a maioria de seus empregados, dentre as estrelas, os escritores e os diretores. Equipes de produção eram contratadas somente numa base de projeto a projeto. Sem talentos próprios da casa, os estúdios pararam de gerir seus próprios projetos e tornaram-se pouco mais do que empresas de distribuição.

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Rex Harrison e Elizabeth Taylor em cena do filme Cleópatra de 1963.

O cinema da década de 1960 se caracteriza pelos grandes musicais, como o vencedor de dez Oscares Amor, Sublime Amor; por dramas que celebravam a rebeldia da juventude estadunidense; e com Anne Bancroft e Dustin Hoffman quebrando a inocência do american way of life, em A Primeira Noite de um Homem.

Em 1960, Alfred Hitchcock lança o melhor filme da década de 1960 e o melhor de sua carreira: Psicose.

Outro clássico do período, é o épico Cleópatra de 1963, estrelado pela atriz Elizabeth Taylor. O filme quase levou a 20th Century Fox à falência. Ganhador de quatro Oscars – direção de arte, fotografia, figurino e efeitos especiais – e indicado a outros cinco – ator (Rex Harrison), montagem, trilha sonora original, som e melhor filme –, o filme contou com um orçamento de US$ 44 milhões, equivalentes a cerca de US$ 330 milhões na atualidade. No final, a arrecadação na bilheteria mundial foi de US$ 71 milhões. Pelo contrato com Elizabeth Taylor, a Fox se tornou o primeiro estúdio a assinar um contrato de US$ 1 milhão com uma estrela de Hollywood.[15]

Referências

  1. Daniel Dalpizzolo. «A História do Cinema - A Era de Ouro em Hollywood». cineplayers.com/. Consultado em 29 de junho de 2015 
  2. LUCAS MATIAS (8 de junho de 2015). «A ERA DE OURO DO CINEMA». resetando.com.br/. Consultado em 29 de junho de 2015 
  3. Jane Morse (18 de setembro de 2013). «Animação americana dá vida nova a filme». Embaixada dos Estados Unidos. Consultado em 29 de junho de 2015 
  4. Claudia Durán. «Technicolor, o cinema de cores vivas». mundocor.com.br. Consultado em 29 de junho de 2015 
  5. «Os anos dourados de Hollywood». passeiweb.com/. 14 de julho de 2007. Consultado em 29 de junho de 2015 
  6. «Clássicos da "Era de Ouro" de Hollywood ganham projeção na capital». catracalivre.com.br/. 14 de janeiro de 2015. Consultado em 29 de junho de 2015 
  7. José Geraldo Couto (6 de setembro de 2011). «Coreógrafo do sonho americano». CartaCapital. Consultado em 29 de junho de 2015 
  8. Leandro Augusto Martins Junior (6 de setembro de 2011). «Brasil na Segunda Guerra Mundial». Globo.com. Consultado em 29 de junho de 2015 
  9. José Geraldo Couto (17 de junho de 1946). «Movie Stars And Detroit Auto Men Get Highest Pay». St. Petersburg Times. Consultado em 29 de junho de 2015 
  10. Nelson Motta (23 de maio de 2015). «Orson Welles, o gênio que criou 'Cidadão Kane', nasceu há 100 anos». Jornal da Globo. Consultado em 29 de junho de 2015 
  11. «Gene Kelly é sinônimo de talento, até debaixo de chuva». Livraria Saraiva. 22 de agosto de 2012. Consultado em 29 de junho de 2015 
  12. «Marilyn Monroe: Biografia». educacao.uol.com.br/biografias/. Consultado em 29 de junho de 2015 
  13. FLÁVIA YURI OSHIMA (28 de março de 2014). «Grace Kelly: nascida para reinar». Revista Época. Consultado em 29 de junho de 2015 
  14. PAULO CAVALCANTI (8 de janeiro de 2015). «80 anos de Elvis Presley: as influências únicas que moldaram a música do Rei». Rolling Stone. Consultado em 29 de junho de 2015 
  15. EFE (12 de junho de 2013). «Polêmico 'Cleópatra', com Elizabeth Taylor e Richard Burton, faz 50 anos». G1. Consultado em 29 de junho de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]