Dumbo (1941)

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Dumbo
Cartaz original para os cinemas
 Estados Unidos
1941 •  cor •  64 min 
Direção Diretor de animação:
Ben Sharpsteen
Diretores de sequência:
Wilfred Jackson
Norman Ferguson
Bill Roberts
Jack Kinney
Samuel Armstrong
Produção Walt Disney
Roteiro Joe Grant
Dick Huemer
Otto Englander
Baseado em Dumbo, the Flying Elephant
de Helen Aberson
Harold Pearl
Narração John McLeish
Elenco Edward Brophy
Verna Felton
Cliff Edwards
Sterling Holloway
Herman Bing
Margaret Wright
Gênero animação, infantil
Música Frank Churchill
Oliver Wallace
Companhia(s) produtora(s) Walt Disney Productions
Distribuição RKO Radio Pictures
Lançamento Estados Unidos 23 de outubro de 1941 (Nova Iorque)[1]
Estados Unidos 31 de outubro de 1941 (nacional)[1]
Brasil 13 de julho de 1942[2]
Portugal 30 de novembro de 1942
Idioma língua inglesa
Orçamento US$ 950 000[3]
Receita US$ 1,6 milhão[4]
Cronologia
Fantasia
(1940)
Bambi
(1942)
Site oficial

Dumbo é um filme norte-americano de animação lançado em 23 de outubro de 1941. Produzido pela Walt Disney Productions e distribuído pela RKO Pictures, é o quarto longa-metragem de animação dos estúdios Disney e faz parte da sua lista de clássicos. O personagem principal é um elefante antropomórfico chamado Jumbo Jr., que é cruelmente apelidado de Dumbo (um jogo de palavras com o termo em inglês dumb, que significa "estúpido"). Ele é ridicularizado por suas orelhas muito grandes, mas descobre que pode voar utilizando-as como asas. Durante a maior parte do filme, seu único amigo verdadeiro, além da mãe, é um rato chamado Timóteo — o que parodia a crença popular de que elefantes têm medo de ratos.

A película é baseada na história infantil Dumbo, the Flying Elephant, escrita por Helen Aberson e Harold Pearl e ilustrada por Helen Durney. Acredita-se que essa obra tenha sido criada inicialmente para o protótipo de um brinquedo do tipo "livro interativo" e posteriormente adaptada para a forma de livro convencional. O longa-metragem foi dirigido por Ben Sharpsteen e o roteiro foi elaborado por Otto Englander, Joe Grant e Dick Huemer. A produção ocorreu em pleno advento da Segunda Guerra Mundial, que ocasionou o fracasso de bilheteria dos longas Pinóquio e Fantasia, produzidos a orçamentos muito elevados, levando a uma séria crise financeira na Disney e à deflagração de uma intensa greve de animadores.

Por se tratar de um filme feito para recuperar as perdas financeiras do estúdio, Walt Disney exigiu que Dumbo fosse produzido da forma mais simples e econômica possível e que tivesse potencial suficiente para se tornar um sucesso de bilheteria. Como resultado, o longa-metragem é um dos mais curtos da Disney, com apenas 64 minutos e não apresenta o mesmo aprimoramento técnico de seus antecessores. Apesar disso, obteve uma ótima arrecadação e conseguiu reerguer a Disney financeiramente, tornando-se um dos maiores sucessos do estúdio na década de 1940 e uma de suas produções mais celebradas até hoje.

Dumbo recebeu o Oscar de Melhor Trilha Sonora, foi aclamado pela crítica na época de sua estreia, teve vários relançamentos nos cinemas e em mídia doméstica ao longo das décadas, originou séries de televisão, histórias em quadrinhos, jogos eletrônicos, inspirou brinquedos em parques temáticos, entre outros produtos derivados. É objeto de estudos acadêmicos e discussões entre especialistas em cinema, particularmente no que diz respeito a uma controversa sequência, acusada de preconceito racial, envolvendo os corvos que aparecem em certo momento no filme. Em 2017, foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso, sendo considerado "cultural, histórica ou esteticamente significativo". Uma adaptação em live-action foi dirigida por Tim Burton e lançada em 29 de março de 2019.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Certa noite, um grupo de cegonhas entrega filhotes aos animais de um circo itinerante, mas a Sra. Jumbo, uma elefanta, fica desapontada por não receber o seu. No dia seguinte, o circo está sendo transportado em um trem e, finalmente, uma das aves entrega o bebê da Sra. Jumbo. Feliz com seu filho, ela o chama de Jumbo Jr. Entretanto, suas colegas elefantas riem maliciosamente das grandes orelhas do bebê e o chamam de Dumbo.[5]

O circo chega a uma nova cidade e lá a mãe protege o filho de um garoto humano perverso, que começa a puxar as orelhas de Dumbo. Ela afugenta o menino e tenta lutar contra o mestre do picadeiro e seus funcionários, os quais levam Dumbo para longe dela e a aprisionam em uma carroça. Abusado e ridicularizado por todos, Dumbo faz amizade com um pequeno rato chamado Timóteo.[5]

Para ajudar o amigo, Timóteo sussurra ao diretor do circo, enquanto este dorme, que Dumbo deveria ser o ponto alto de uma pirâmide de elefantes. Mais tarde, o mestre do circo apresenta tal número para uma animada plateia, mas Dumbo tropeça nas próprias orelhas e estraga o espetáculo. Como punição, o elefantinho é obrigado a se juntar ao número dos palhaços, que o forçam a saltar de uma alta fachada em chamas e cair numa banheira com gesso. O ratinho leva Dumbo até a Sra. Jumbo, ainda confinada. Após o encontro agridoce, Dumbo e Timóteo acidentalmente se embriagam com o champanhe dos palhaços e começam a ter alucinações de elefantes cor-de-rosa desfilando.[5]

Na manhã seguinte, os dois são acordados por um grupo de corvos brincalhões e descobrem que passaram a noite no galho de uma árvore. Timóteo, então, conclui que Dumbo é capaz de voar e tenta convencê-lo disso. O ratinho e os corvos entregam-lhe uma pena, a qual o fazem acreditar que é mágica. Isso faz Dumbo criar coragem e saltar de um penhasco, conseguindo alçar voo. De volta ao circo, ele vai novamente realizar o número dos palhaços, mas perde sua pena mágica. Timóteo o convence que ele pode voar de qualquer maneira. Com a autoconfiança restaurada, Dumbo voa sobre seus atormentadores e atira amendoim neles. Declarado um "elefante milagroso", Dumbo fica famoso em todo o mundo e, finalmente, reencontra sua querida mãe.[5]

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Elenco e personagens[editar | editar código-fonte]

Vozes originais[editar | editar código-fonte]

Edward Brophy dublou Timothy Q. Mouse, além de também ter servido como referência visual para o personagem. Imagem do filme The Thin Man Goes Home (1945).

O personagem-título é Dumbo, apelido dado a Jumbo Jr., que não tem nenhum diálogo durante todo o filme.[6] Ele é um filhote de elefante que tem orelhas enormes e é capaz de usá-las para voar, carregando o que ele pensa ser uma pena mágica. Contudo, Christoper Lucas afirma em seu livro Top Disney (2019) que o dublador Mel Blanc foi responsável por um soluço emitido pelo personagem em certa cena.[7] Nenhum dos dubladores recebeu créditos na tela por seus papéis, assim como em Branca de Neve e os Sete Anões e Pinóquio.[8]

Edward Brophy interpretou e também serviu como referência visual para Timothy Q. Mouse[9][10] (conhecido no Brasil como Timóteo),[11] um rato antropormófico que se torna o único amigo de Dumbo depois de a mãe deste ser aprisionada. Ele faz o que pode para tornar Dumbo feliz novamente e o ensina a voar, tornando-o a "nona maravilha do universo". O nome do personagem nunca é mencionado no filme, mas sua assinatura pode ser lida em uma fotografia que o mostra assinando um contrato.[12] Brophy era um ator conhecido por interpretar bandidos e policiais atrapalhados[13] e não chegou a fazer dublagem em outra animação conhecida.[14]

Verna Felton dublou a elefanta matriarca (conhecida no Brasil como Matrona),[15] a líder dos elefantes, que age inicialmente de maneira fria e maldosa em relação a Dumbo. A atriz também expressou o único diálogo falado da Sra. Jumbo, quando esta revela o nome de Dumbo.[6] Felton também dublou a Fada Madrinha de Cinderela, a Rainha de Copas em Alice no País das Maravilhas e Flora, uma das três fadas boas em A Bela Adormecida.[16][17]

A atriz e cantora Betty Noyes gravou os vocais para a canção de ninar "Baby Mine", que a Sra. Jumbo canta,[7][6] aprisionada em um vagão de trem, para embalar seu filho Dumbo quando este vai visitá-la.[18] Noyes ficou conhecida por dublar dois números de Debbie Reynolds no musical Singin' in the Rain (1952).[19]

Cliff Edwards deu voz a Jim Crow, chamado de Dandy Crow em algumas versões,[20][21] o líder de um grupo de corvos. Embora inicialmente ele zombe de Dumbo por suas grandes orelhas e ridicularize a ideia de Timóteo de que Dumbo possa voar, torna-se determinado a ajudar Dumbo a voar de verdade depois de saber da trágica história do elefante. Edwards ganhou notoriedade como cantor e ukulelista entre as décadas de 1920 e 1930 e ficou conhecido pela dublagem do Grilo Falante em Pinóquio.[22]

Sterling Holloway dublou Mr. Stork (Sr. Cegonha, em português), a ave encarregada de entregar o bebê Dumbo à Sra. Jumbo. Halloway interpretou, mais tarde o Ursinho Pooh e o Gato de Cheshire em Alice no País das Maravilhas.[23][24] Noreen Gammill, Dorothy Scott e Sarah Selby dublaram, respectivamente, Catty, Giddy (ou Giddy) e Prissy, as três elefantas maldosas que, junto à matriarca, riem de Dumbo no início do filme.[21]

Margaret Wright interpretou Casey Junior,[25] uma locomotiva 2-4-0 senciente que transporta o trem do circo.[26][23] Herman Bing interpretou o Mestre de Cerimônias do circo,[21] que, embora não seja essencialmente mau, é um homem rigoroso e ocasionalmente arrogante; várias décadas depois, o personagem apareceu como um vilão no jogo eletrônico Disney's Villains' Revenge.[27] Skinny, um dos garotos que atormentam Dumbo quando o circo chega à cidade, foi dublado por Malcolm Hutton, ao passo que três dos palhaços foram interpretados por Billy Sheets, Eddie Holden e Billy Bletcher,[25][21] um dos primeiros dubladores do personagem Bafo-de-Onça.[28]

Entre os coros que são ouvidos durante o filme estão o dos corvos ("When I See An Elephant Fly"), interpretado pelo Coral Hall Johnson, e o dos trabalhadores que erguem o circo ("Song Of The Roustabouts"), realizado pelo grupo The King's Men. O filme também contou com a narração de John McLeish.[25]

Versão brasileira[editar | editar código-fonte]

No Brasil foram feitas três dublagens para o filme. A primeira foi realizada em 1942,[29] a segunda em 1973,[carece de fontes?] e a terceira em 1998.[carece de fontes?] Um fato interessante a respeito da primeira dublagem brasileira é que Verna Felton, a dubladora original da Sra. Jumbo, fez uma ponta na versão tupiniquim, reinterpretando "Baby Mine" em português.[carece de fontes?]

Além disso, o ator e músico Grande Otelo dublou Jim Crow, tendo sido elogiado na época pela revista A Cena Muda, a qual ressaltou que "nem mesmo no original Jim Crow foi tão divertido e pitoresco". A publicação também afirmou que "Walt Disney, quando aqui esteve, inspirou-se em Grande Otelo para outros personagens, que, certamente, hão de aparecer em desenhos futuros".[30] A atriz Sarah Nobre e sua filha Olga Nobre interpretaram, respectivamente, as elefantas Matrona (matriarca) e Catty.[15]

Produção[editar | editar código-fonte]

Dificuldades financeiras e baixo orçamento[editar | editar código-fonte]

Em 1935, mesmo antes de ter finalizado seu primeiro longa-metragem, Branca de Neve e os Sete Anões (1937), os estúdios Disney já estavam trabalhando em outras produções animadas, também baseadas em clássicos da literatura infantil. A primeira, Bambi, foi inspirada em Bambi, a Life in the Woods (1923), um best-seller de Felix Salten. No entanto, devido a problemas de direitos de adaptação,[31] este projeto foi teve seu lançamento temporariamente adiado e foi precedido por um segundo, Pinóquio (1940), adaptação cinematográfica do famoso romance de Carlo Collodi, As Aventuras de Pinóquio, publicado no final do século XIX. Em 1937, iniciou-se outro projeto, o musical Fantasia, lançado no final de 1940. Entre 1938 e 1939, logo após o lançamento de Branca de Neve, a empresa comprou dezenas de direitos de adaptação. Muitos desses projetos só se concretizaram anos mais tarde e outros foram completamente abandonados, mas o amplo material guardado pelo serviço de arquivo dos estúdios, como, por exemplo, esculturas de personagens, atestam que tais produções chegaram a ser cogitadas.[32][33]

Entretanto, o estúdio passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial na Europa,[34][35] o que causou o fracasso de bilheteria de Pinóquio e Fantasia, cujas receitas não excederam um milhão de dólares na época em que estrearam nos cinemas.[36][37] Esses dois longas-metragens haviam superado suas previsões orçamentárias mesmo antes de seus lançamentos. Pinóquio teria custado, aproximadamente 2,6 milhões de dólares,[38][39][40][41] ao passo que o orçamento de Fantasia, de acordo com alguns autores, é estimado em 2,2,[42] 2,25,[43] 2,28[44][41] ou 2,3 milhões.[45][46]

A Disney, então, foi pressionada a baratear ao máximo possível os custos de suas próximas produções, dois filmes que deveriam gerar receitas para financiar outros projetos mais ambiciosos e, consequentemente, salvar a empresa da falência.[36][37] O primeiro, The Reluctant Dragon, mistura de gravações em ato real e animação tradicional, contou com um orçamento reduzido de 600 mil dólares[36] e também fracassou nas bilheterias.[47] O segundo, Dumbo, era então a última esperança de sucesso; a equipe de animadores e o próprio Walt investiram todos os esforços para torná-lo "o trabalho mais emocionante até aquele momento",[35] dentro de um limitado orçamento. Além disso, visando conseguir fundos para produzir seus filmes, Walt teve que vender os direitos de publicação das músicas de Branca de Neve, Pinóquio e Dumbo para a gravadora Bourne Music Company, que os detém até hoje.[48]

Origem de Dumbo[editar | editar código-fonte]

O filme é baseado na história infantil Dumbo, the Flying Elephant, escrita por Helen Aberson-Mayer e Harold Pearl, com ilustrações de Helen R. Durvey. Protegida por direitos autorais em 1939, a obra teria sido publicada originalmente num formato diferenciado chamado roll-a-book,[nota 1] um brinquedo constituído de uma caixa na qual o texto e as ilustrações podiam ser enrolados. No topo do dispositivo havia um botão que, ao ser girado, exibia a próxima página, como numa projeção de slides, dando ao leitor a impressão de estar assistindo a um filme.[49][50][51] O nome do protagonista é uma referência a Jumbo, o mais famoso e possivelmente maior elefante conhecido.[52][53]

A história original de Dumbo é considerada uma reimaginação do conto O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen.

Dick Huemer, animador da Era de Ouro da animação americana, em entrevista de 1977, afirmou que o conto teria sido encontrado "em um pacote de cereais na forma de uma história em quadrinhos".[51][54][55] Ao se cruzar as informações, pode-se imaginar um pequeno rolo em formato de pergaminho fornecido como um brinde em uma caixa de cereais ou para ser construído a partir de elementos impressos na caixa. No entanto, nenhum autor especifica o formato exato da história no momento em que a mesma chegou ao conhecimento de Walt Disney, bem como não se tem nenhuma cópia salva de sua edição roll-a-book, embora seus esboços e exemplos de publicações anteriores nesse formato indiquem que tal versão pode ter existido.[51][56]

De acordo com Michael Barrier, historiador de animação, as provas de artista[nota 2] do trabalho de Aberson e Pearl, assim como os desenhos preliminares para as ilustrações do roll-a-book, feitos por Helen R. Durney, encontram-se preservados na biblioteca da Universidade de Syracuse e são, aparentemente, tudo o que restou de Dumbo em sua forma original, cuja história é basicamente uma releitura do conto O Patinho Feio, muito mais simples e crua do que a versão final da Disney. Dumbo não é um elefante bebê, mas sim "um elefante anão cujas orelhas eram extra grandes e extra rosa". Ele estraga seu primeiro número no circo, mas nenhuma grande catástrofe se desenrola a partir disso. Em vez de ser ajudado pelo rato Timóteo, é auxiliado por um tordo chamado Red, que o leva até uma sábia coruja e esta o ensina a voar. Quando o circo chega ao Madison Square Garden (Nova Iorque), Dumbo voa sobre a arena, provocando espanto geral e passa a ser aclamado em todo o mundo a partir de então.[51]

O primeiro funcionário da Disney a tomar conhecimento da história foi o chefe de licenciamento de mercadorias, Way Kamen, no final de 1939, que sentiu que havia ali a base promissora para um novo filme.[51] Segundo o escritor Bob Thomas, o animador Ward Kimball teria proposto a história para Walt Disney no estacionamento do estúdio, contando-a em três minutos, o que geralmente levava pelo menos meia hora para outros longas-metragens.[58][59] Walt imediatamente percebeu as possibilidades da comovente história e solicitou os direitos de adaptação para Helen Aberson. Para isso, ele teria trazido a escritora de Syracuse (Nova Iorque) para a Califórnia.[49] Em 14 de junho de 1939, a Walt Disney Productions adquiriu os direitos da obra. Por determinação do contrato entre as duas empresas, houve a publicação de uma edição da história no formato de livro convencional, em 1941. O lançamento, do tipo brochura, apresenta na capa apenas os nomes de seus autores originais, sem menção à Disney.[51]

O livro de 1941 difere consideravelmente da obra original de 1939, tendo sido a história remodelada para ser consistente com o que estava surgindo nos primeiros storyboards da Disney; as ilustrações têm óbvias semelhanças com os primeiros esboços conhecidos do filme. Dumbo é um bebê elefante nesta versão, causa o colapso da pirâmide de elefantes e vai trabalhar com os palhaços como punição. Humilhado, ele deixa o circo e é ajudado pelo pássaro Red, que o leva para uma consulta com o professor Hoot Owl, uma coruja psiquiatra. Dumbo revela que seu sonho é voar, a coruja o incentiva a seguir em frente e tentar. Graças ao incentivo de Red, Dumbo voa ao saltar de um penhasco. De volta o circo, e novamente com o encorajamento do pássaro, ele pula de uma plataforma e surpreende a todos com seu voo. Essa versão provisória é mais forte e menos detalhada do que a de 1939, mas ainda não tem o humor nem é tão econômica quanto a versão do filme. As diferenças sugerem que o texto e as ilustrações foram elaborados por artistas da Disney, muito antes de o livro ser publicado.[51]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Dick Huemer e Joe Grant foram os principais envolvidos no desenvolvimento do enredo. De acordo com David Koenig, especialista em temas relacionados à Disney, Walt originalmente planejou um curta-metragem, mas Huemer e Grant tinham planos mais ambiciosos. A partir da obra original, os roteiristas desenvolveram uma história mais longa e fizeram alterações visando ajustar o roteiro à duração de um longa-metragem. Eles escreveram o roteiro em capítulos, muito parecido com um livro, uma maneira incomum de escrever um roteiro cinematográfico.[60] Cada capítulo finalizado era entregue a Walt para aprovação, de modo que qualquer mudança solicitada por ele pudesse ser feita sem a necessidade de alterar nenhum detalhe dos capítulos seguintes. Após um mês nessa rotina, Walt sentiu que a história estava caminhando na direção para qual ele queria levar o filme e concluiu que a única maneira de fazer justiça ao livro era tornando-o um longa-metragem.[35][55]

A escrita do roteiro levou cerca de seis meses.[35] Michael Barrier dá como data de início da escrita dos capítulos por Grant e Huemer o mês de janeiro de 1940, após a finalização do roteiro de Fantasia. A permissão para a produção do longa-metragem seria datada de fevereiro do mesmo ano.[61][62] O projeto foi chamado originalmente de Dumbo in the Circus e podia ser interpretado como uma variante de O Patinho Feio, assim como também o teria sido a versão original de 1939, apresentando um elefante que encontra a redenção ao aprender a voar.[51][58] O pássaro Red foi transformado no rato Timóteo apenas para parodiar a crença popular de que elefantes têm medo de ratos. Os escritores também decidiram que era importante expressar muitas cores em tela, então adicionaram as sequências do desfile dos elefantes cor-de-rosa e da cegonha.[35]

Em maio de 1941, em plena produção de Dumbo, centenas de animadores, insatisfeitos com a pouca participação nos lucros de Branca de Neve, a disparidade salarial e certas atitudes do próprio Walt, deflagraram uma intensa greve na Disney que durou cerca de cinco semanas.[63][64] Michael Wilmington afirma que os palhaços do filme são "caricaturas, desagradáveis, dos animadores do estúdio que entraram em greve realizadas pelos não-grevistas - os fura-greves",o que parece ser comprovado pela música que os palhaços começam a cantar: We're gonna hit the big boss for a raise ("Vamos acertar com o patrão um aumento" ou "Vamos bater no chefe por um aumento"). O animador Art Babbitt negou essa correlação, embora ele tenha sido demitido da Disney em 26 de maio de 1941 por suas atividades sindicais, três dias antes da greve ser iniciada.[63][65]

O roteirista Bill Peet, então assistente de animação e entusiasta do circo, também teve participação no roteiro, fornecendo diversas piadas visuais. Após uma nota interna solicitando a participação de pessoas com experiência no circo, o Cole Brothers Circus, um dos maiores dos Estados Unidos, ofereceu-se para ajudar com o projeto, e muitos croquis foram criados a partir das referências visuais do mesmo.[59]

Perfil dos personagens[editar | editar código-fonte]

O filme apresenta dois personagens principais: Dumbo e seu amigo Timóteo. A maioria dos outros personagens "serve apenas para compor o cenário ou para criar situações às quais Dumbo e Timóteo precisam reagir",[23] principalmente atuando como obstáculos para os dois heróis. A película também conta com presenças humanas (palhaços, crianças) e dois grupos de animais: elefantes e pássaros. Além de Timóteo, a única personagem benevolente é a Sra. Jumbo, a mãe de Dumbo.

Dumbo[editar | editar código-fonte]

Dumbo não diz uma única palavra no filme.[6] Personagens mudos são um elemento recorrente nos primeiros longas da Disney como, por exemplo, Dunga em Branca de Neve e os Sete Anões (1937), o gato Gideão e o peixe Cléo em Pinóquio (1940) e Mickey Mouse na sequência O Aprendiz de Feiticeiro, de Fantasia (1940). John Grant observa que, enquanto os sentimentos dos personagens da Disney são expressos, em sua maioria, pela voz, o que vale aqui para Timóteo e as "elefantas malvadas", o herói do filme "não pronuncia uma única sílaba".[65] Jeff Kurti observa que Dumbo é o único personagem-título que não fala em uma produção da Disney.[66] Sobre seu silêncio, Grant acredita que "Dumbo é um bebê e os bebês não falam", mesmo que haja humanização dos personagens.[65]

Bill Tytla inspirou-se em seu filho de dois anos para animar movimentos e expressões de Dumbo, como na cena em que o elefantinho toma banho.[67]

Bill Tytla animou as sequências de Dumbo e sua mãe "com enorme emoção e sensibilidade exacerbada".[68] Tytla lembra, em entrevista a John Canemaker, que, ao animar o protagonista, teve a "oportunidade de fazer um personagem sem teatralidade. A maioria das expressões e movimentos foram baseadas no meu próprio filho [Peter]. Não há nada teatral em uma criança de dois anos."[9] A juventude de Dumbo o torna um personagem que se sustenta principalmente na ação,[9] tal como Mickey Mouse em suas últimas produções, Branca de Neve ou Pinóquio.[69] Flora O'Brien observa que a personalidade de Mickey muda com o tempo, uma vez que sua veia cômica vai sendo gradativamente transferida para os coadjuvantes[70] (Pateta, Pluto ou Donald) o que o torna quase um espectador dentro de suas próprias histórias. Pinóquio, como ressalta Grant, torna-se "atuante" no final de seu filme, ao salvar Geppetto.[69] Pode-se dizer que esse mesmo tipo de transformação também ocorre com Dumbo ao conseguir voar.[9]

Dumbo é essencialmente um animal nascido com uma diferença, como O Patinho Feio (1931), da série Silly Symphonies, ou o leão do curta-metragem Lambert the Sheepish Lion (1952), os quais parecem estar em desvantagem, mas "que, na realidade, são mais bonitos ou mais fortes do que seus pares". A popularidade do elefante deve-se à mensagem de esperança que a história tem a intenção de entregar: "Quando você faz o seu melhor, você consegue algo bom no final".[9]

Timóteo[editar | editar código-fonte]

Timóteo tenta convencer Dumbo de que as orelhas do bebê elefante não são um problema.

Na história original, o amigo de Dumbo era um pássaro, mas no filme, o rato Timóteo desempenha esse papel.[51] Ele serve tanto como a consciência do protagonista quanto como agente artístico.[71] É fácil compará-lo com o Mickey Mouse. Grant, no entanto, adverte "que tudo em Timóteo é diferente" do Mickey. Para começar, ele funciona como a "pequena ajuda" que o personagem principal recebe para alcançar seu objetivo, uma espécie de Grilo Falante, mas menos moralista.[9]

O crítico Michael Wilmington assim o descreve: "Timóteo, um impetuoso roedor do Brooklyn em um traje de desfile vermelho e dourado é uma figura familiar da Disney. Não só vemos traços de Mickey em sua personalidade (seu lado indomável e otimismo inflexível), mas também é um primo distante do Grilo Falante de Pinóquio, Tata e Jaq de Cinderela (1950) e também lembra um pouco a fada Sininho de Peter Pan (1953)."[9] O personagem foi animado principalmente por Fred Moore e Wolfgang Reitherman.[72] Barrier indica que Moore estava na época se afundando no alcoolismo.[73]

Por outro lado, ao contrário do Grilo Falante, Timóteo não busca honra ou recompensa. Ele até aceita trabalhar em troca de amendoins, mas literalmente. Sua entrada em cena lhe confere bastante carisma, fundamentado no mito do medo dos elefantes em relação aos ratos, que serve como base para sua amizade e seu papel de mentor para Dumbo.[9] Timóteo, além da Sra. Jumbo, é o único personagem a demonstrar um sentimento de proteção em relação ao protagonista. Na versão original, quando Timóteo tenta confortar o elefante, ele diz que "muitas pessoas com orelhas grandes são famosas", o que é uma piada inventada por Walt Disney com o fato de ele próprio ter orelhas grandes.[74] Quando o filme foi lançado, a frase também foi tomada como referência à Clark Gable, uma vez que o ator estava no auge de sua carreira naquela época.[75][76]

Os elefantes[editar | editar código-fonte]

A Sra. Jumbo, a mãe de Dumbo, é caracterizada por dois traços: o primeiro é o da "mãe que toda criança teme perder", o segundo é o da vítima de uma injustiça causada por um mal-entendido, ao ser presa e separada de seu bebê por engano pelos funcionários do circo.[23] Assim como Dumbo, ela quase não fala no filme. Sua voz é ouvida durante a canção "Baby Mine" e no início do filme, quando ela batiza o filho.[6] Apesar de uma primeira indicação do silêncio da personagem, Grant explica em seguida que ela responde às outras elefantas que riem das orelhas de Dumbo, contradizendo seus comentários quanto a este aspecto.[23]

As outras elefantas (pois, segundo Grant, são todas fêmeas),[23] ao contrário de Dumbo e da Sra. Jumbo, são falantes inveteradas. Seus nomes correspondem às suas respectivas personalidades. Embora suas roupas mudem durante o filme, Grant as define pela cor inicial: Matrona (ou Matriarca) é a mais velha, a maior, veste cinza escuro e usa um chapéu rosa-roxo; Prissy ("carrancuda", em inglês) é a que aparenta ser a mais séria; Giggles ("risadinha", em inglês) representa uma "criança muito mimada pouco inteligente" e veste azul; e Catty ("maliciosa", em inglês) é uma "megera de discurso dissimulado" e veste amarelo.[77] O autor descreve o quarteto de elefantas como uma caricatura de "personagens que todos nós encontramos em qualquer rua e, às vezes, infelizmente todos os quatro de uma só vez".[23] O comportamento delas só muda quando a Sra. Jumbo enfrenta seu escárnio.[78]

As aves[editar | editar código-fonte]

A cegonha que traz Dumbo, chamada de Mr. Stork, foi animada por Art Babbitt.[38][79] Essa personagem é uma caricatura do "burocrata incompetente" que, apesar de seus muitos erros anteriores, obriga a Sra. Jumbo a assinar o documento de recebimento do bebê.[23] Outra espécie de ave importante no filme são os corvos, animados por Ward Kimball.[23][80] O grupo é formado por cinco corvos cujo líder é chamado de Jim "Dandy" Crow. Os outros receberam nomes de acordo com suas características: Fat Crow ("corvo gordo"), Glasses Crow ("corvo de óculos"), Precher Crow ("corvo pregador") e Straw Hat Crow ("corvo com chapéu de palha").[78] Eles têm vozes afro-americanas, no entanto, segundo Grant, retratam o comportamento da classe média branca dos Estados Unidos.[81]

A crítica de dança Mindy Aloff relata que os movimentos dos corvos foram inspirados nos números de improvisação de sapateado dos Jackson Brothers,[82] um dueto de dançarinos formado por Eugene Jackson (1916-2001), que participou da série Os Batutinhas, e seu meio-irmão Freddy Baker (1919-1995). No entanto, ela ressalta que a sequência de referência filmada permaneceu anônima até a década de 1990.[83] A autora apresenta o seguinte relato:

Outros personagens[editar | editar código-fonte]

O ser humano mais notável é o Mestre de Cerimônias do circo. Ele usa um traje vermelho e dourado, assim como Timóteo, e não é, em sentido restrito, um "cara mau". Ele "encarna a imagem do diretor" e da pessoa que "simplesmente não entende o que está acontecendo".[23] Outro humano do circo é o treinador de elefantes chamado Joe, cujo papel é reduzido como resultado do encurtamento do roteiro, com sua silhueta contra a lona de uma tenda. Os humanos também são representados pela turma de garotos que atormentam Dumbo. O líder deles se chama Skinny ("magrelo", em inglês), um garoto de cabelos ruivos, com sardas e orelhas grandes.[78]

Um personagem em particular, nem humano nem animal, também tem um um papel importante: a locomotiva do trem de circo, chamada Casey Junior. É uma das poucas máquinas a ter personalidade e voz em um filme da Disney, como é possível ver no documentário The Reluctant Dragon, lançado alguns meses antes de Dumbo.[23] Neste último, foram usados efeitos sonoros especiais no momento em que a locomotiva puxa um trem de carga.[84]

Animação[editar | editar código-fonte]

Economia em todos os níveis[editar | editar código-fonte]

Walt Disney, em reunião convocada em fevereiro de 1940, chamou atenção para suas dúvidas sobre o "lado caricatural do filme", principalmente em relação aos animadores responsáveis pelo desenvolvimento, Bill Tytla e Ferggy (Norman Fergusson).[85] Em março do mesmo ano, Otto Englander assumiu a liderança de uma equipe para transformar o roteiro de Grant e Huemer em uma série de esboços. No entanto, devido a uma redução de custos, começando com a de um estenógrafo as atas das dezenas de reuniões realizadas entre maio e dezembro de 1940 não existem e não oferecem nenhuma informação sobre o desenvolvimento da história de Dumbo.[86][87] Pierre Lambert observa que os storyboards são "mais deslocados e geralmente pequenos", os "leiautes dos cenários são simplificados", "sombreamentos e iluminação menos elaborados" e o formato de trabalho de 12 field (24,5x30 cm) em vez de 16 field (30x39,5 cm).[59]

Dumbo foi um dos poucos longas-metragens da Disney em que os animadores usaram pintura de aquarela, uma técnica geralmente usada na produção de curtas-metragens, nos fundos das cenas.[88]

Lambert indica que a pré-produção durou seis meses, em vez de dois anos em média em comparação com as produções anteriores. A produção do filme em si levou pouco mais de um ano para ser finalizada.[59] O diretor supervisor Ben Sharpsteen recebeu ordens para manter o filme simples e barato. Dessa forma, o longa-metragem apresenta vários exemplos de simplificações ou economias de animação. Como resultado, em Dumbo falta o detalhe pródigo das três animações da Disney anteriores (Fantasia, Pinóquio e Branca de Neve e os Sete Anões): o design das personagens é mais simples e os fundos são menos detalhados. Os trabalhadores que constroem a tenda, os músicos e os funcionários do circo não têm rosto. Ainda assim, eram levados elefantes e outros animais ao estúdio para que os animadores pudessem estudar seus movimentos.[89]

Pintura de aquarela foi usado para processar os fundos. Dumbo e Branca de Neve são os dois filmes clássicos da Disney que usaram a técnica, que foi regularmente empregada para os vários curtas-metragens da Disney. Em outros filmes da empresa, eram usados tinta a óleo e guache. O filme Lilo & Stitch (2002) foi bastante influenciado por Dumbo, fazendo uso de fundos com aquarela.[88][90]

Franklin Thomas e Ollie Johnson exploraram um exemplo de simplificação do cenário na cena em que Dumbo e Timóteo bebem álcool inadvertidamente derramado pelos palhaços. Timóteo cai em uma bacia com álcool e, para não se mostrar todos os estágios do efeito da substância, o que tornaria a cena mais complexa e exigiria uma animação mais detalhada, o personagem permanece fora da visão do espectador até que emerja da bacia, já embriagado.[91] Vários testes foram feitos por Fred Moore antes de se tomar a decisão de mudar o cenário para evitar mostrar essa evolução.[92]

Em abril de 1941, para financiar produções em andamento, a Disney recebeu um adiantamento em dinheiro de 500 mil dóalres da RKO Pictures para a distribuição de Dumbo.[93] Entre o final de maio e setembro de 1941, o estúdio passa por dois eventos importantes que não pareceram influenciar diretamente na produção do filme.[93] Em 29 de maio do mesmo ano, três dias após a demissão de Art Babbitt deflagrar a greve dos estúdios Disney, 300 animadores se instalaram em frente ao estúdio e exigiram representação sindical e melhores salários.[63]

Em virtude da greve, a produção do filme Bambi teria sido adiada por três meses enquanto os sindicalistas deixavam o estúdio.[94] O conflito acabou, Walt viajou para a América do Sul em meados de agosto em uma missão parcialmente diplomática.[95] Após seu retorno, a Disney deu prosseguimento à produção de Dumbo. A situação financeira, entretanto, forçou o estúdio a reduzir, em novembro de 1941, seu número de funcionários para 530, dispensando cerca de 200 profissionais, ficando com menos da metade dos empregados presentes no início de maio daquele ano.[96]

O filme teria sido concluído entre setembro e outubro de 1941. A RKO teria pedido à Disney para prolongar o filme, o que a empresa recusou. Segundo Bob Thomas e Pierre Lambert, essa recusa se deu por dois motivos: o primeiro foi "a impossibilidade de alongar ainda mais um roteiro já muito frágil", o segundo foi financeiro, pois dez minutos adicionais de filme custariam, aproximadamente, meio milhão de dólares.[97][58] A estreia de Dumbo ocorreu em 23 de outubro de 1941, em Nova Iorque.[62]

Animação entre curta e longa-metragem[editar | editar código-fonte]

De acordo com Mark Langer, o filme possui dois estilos de animação distintos: de um lado, o estilo nova-iorquino típico da Fleischer Studios, aqui na forma de um pesadelo com elefantes cor de rosa, e outro estilo menos "cartoonizado" da Costa Oeste,[98] mais habitual dos estúdios Disney. Em uma opinião bastante próxima, Lambert considera que o filme como um todo tem um "estilo muito caricato próximo aos curtas-metragens da década de 1930".[97] Para Barrier, o principal estilo artístico do filme é a caricatura.[99] John Hench, na época recentemente contratado pela Disney, elaborou os cenários.[100]

Em contraste, mais próximo do longa-metragem, segundo um crítico citado por Leonard Maltin, o filme faz uso abundante de vários ângulos de câmera possíveis, "mais do que Citizen Kane (1941)".[101] Assim, em sua primeira aparição, Dumbo é visto ao nível do chão, de cima ou ao lado dos elefantes presentes, e então de um lado e outro da tenda. Além disso, o caos e o pânico que tomam conta do circo e a destruição da tenda, também são visíveis de diferentes ângulos.[carece de fontes?]

Koenig observa alguns erros no filme. Na cena da pirâmide de elefantes, o diretor do circo é cercado por oito elefantes adultos, mas apenas sete são vistos quando a pirâmide está completa. Ele relata ainda que o cineasta Oliver Stone notou que, na sequência em que os cinco corvos caem na grama e começam a rir, um deles parece o líder, mas sua jaqueta é marrom em vez de azul. Quando corta para o quadro seguinte, o líder é visto com seu traje normal. A cena corta novamente, os corvos já voaram para longe e o suposto sexto corvo de jaqueta marrom desaparece.[102]

Mark I. Pinsky ressalta que o filme se desenrola em um circo na região da Flórida[103] durante o inverno, como se pode ver na cena de abertura com o "bombardeamento" de bebês. Este é um fato verídico: muitos circos dos Estados Unidos no início do século XX se estabeleciam na Flórida durante os meses de inverno, entre eles o famoso Ringling Bros. e Barnum & Bailey Circus, que se estabeleceu em Sarasota em 1927.[104] John Ringling, um dos cinco fundadores, comprou naquela cidade uma casa em 1912, a qual mais tarde foi transformada em um museu.[105]

Temas e análises[editar | editar código-fonte]

Steven Watts escreve que Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio, Fantasia, Dumbo e Bambi tornaram-se uma parte central e, às vezes, amada do estúdio, definindo um marco criativo e apresentando um complexo entrelaçamento de elementos artísticos e de entretenimento.[106] Dumbo não é o primeiro filme da Disney a usar um elefante como herói. De acordo com John Canemaker, o curta Elmer Elephant (1936), da série Silly Symphonies, apresenta um paquiderme que é motivo de riso dos animais da selva também por causa de suas orelhas, mas especialmente por sua tromba, até que, usando-a, consegue salvar de um incêndio a jovem tigresa, por quem se apaixona, ganhando um beijo dela e conseguindo o respeito dos outros animais.[107]

Pierre Lambert escreve que, embora Walt Disney tivesse ordenado fazer um longa-metragem com um orçamento reduzido, ele não interveio pessoalmente na produção de Dumbo por outras razões que não orçamentárias.[59] No entanto, para Richard Shickel, o filme inaugura um princípio mais tarde adotado em Alice no País das Maravilhas (1951) e Peter Pan (1953): o de um longa feito ao estilo de um curta-metragem.[108] Depois de aceitar a produção de Dumbo como um longa-metragem, Walt teve que enfrentar, em ordem cronológica, a greve dos animadores da Disney (a partir do final de maio de 1941),[63] a viagem à América Latina (a partir de meados de agosto do mesmo ano)[95] e a entrada dos Estados Unidos na guerra. Também pode ser mencionado seu envolvimento na produção de Bambi (1942), o qual "ele acreditava mais no sucesso" e "cuja realização era mais complicada por causa da dificuldade de animar os animais de forma realista".[59]

Uma obra com diferentes leituras[editar | editar código-fonte]

Bob Thomas escreve que o filme tem "uma exuberância que falta nos filmes anteriores da Disney". Devido à sua ambientação em um circo, a película apresenta "uma explosão de cores na forma de grandes flashes, uma abundância de vermelhos, amarelos, verdes que teriam sido muito chocante para os olhos se não houvesse uso de contrastes".[58]

De acordo com Michael Barrier, Dumbo tem semelhanças de tema com alguns curtas feitos depois pelo estúdio, como Lambert the Sheepish Lion (1952) ou Goliath II (1960). Como este último, Dumbo "toca um acorde sensível" e "é mais bem sucedido do que esses curtas-metragens, cuja brevidade é a principal desvantagem".[54] O filme tem, ainda, um aspecto melancólico.[109][110] Barrier acrescenta que o filme evoca, pela sua clareza, os curtas-metragens feitos anteriormente por Ben Sharpsteen: Mickey's Circus (1936), Moving Day (1936) e On Ice (1935).[87]

Por outro lado, segundo Alberto Hsu, Dumbo, assim como Bambi, mas ao contrário de muitas produções da Disney, não tem um enredo romântico, centrado em um casal de príncipe e princesa ou outras variantes.[111] Douglas Brode vê uma dimensão homossexual do personagem, com base em elementos que, segundo o autor, podem ser relacionados à homossexualidade: a ausência do pai de Dumbo, o grupo de elefantes organizado em uma estrutura matriarcal e o número dos palhaços, no qual ele está vestido como um bebê e colocado em um papel muito feminino de "garota a ser salva de um incêndio", remetendo ao clássico personagem modelo da "donzela em perigo".[112]

Siegfried Kracauser escreveu, em dezembro de 1941, que Dumbo, como os filmes anteriores da Disney, leva o mundo dos desenhos animados a uma direção em que as piadas não estão mais presentes e na qual os elementos subversivos desaparecem, resultando em conformismo.[113] Essa crítica parece contradizer a opinião de especialistas em animação que consideram que o filme tem um estilo mais próximo dos desenhos animados da escola de Nova Iorque,[98] um estilo mais "cartoonizado"[97] ou caricatural[99] (ver seção anterior). Assim, a moral do filme é, ao que parece, que "Dumbo, em vez de voar com a mãe para um paraíso desconhecido, trabalha por um salário de estrela no mesmo circo onde sua mãe foi espancada".[113] Kracauser chegou a escrever, em 1942, que "Dumbo traiu a essência anárquica do desenho animado".[114]

Para Steven Watts, o filme rapidamente se tornou famoso pela sua admirável simplicidade e grande coração. O filme apresenta a maioria dos "valores sociais" da Disney e oferece "uma visão populista" e uma "alegoria social e política da América na época da Depressão". De acordo com Pierre Lambert, "uma das principais qualidades de Dumbo reside no equilíbrio entre emoção, humor e ação", o que o torna "um filme completo".[97]

Amor materno, religião e otimismo social[editar | editar código-fonte]

"Sem nada para desenhar além de um par de trombas parecidas com vermes, parecia que o animador estava fadado ao fracasso antes de começar, mas [Bill Tytla] deixou a emoção falar mais alto. Sua manipulação de Dumbo, em lágrimas, abraçando a tromba de sua mãe e, em seguida, balançando suavemente sobre ela, tornou essa sequência excepcional em sensibilidade, delicadeza e bom senso".

— Trecho de um livro de Ollie Johnson e Frank Thomas, dois dos principais animadores da Disney, sobre a cena em que Dumbo visita a mãe na prisão.[115]

É justamente para o lado emocional que vários autores dirigem o estudo de Dumbo: a emoção dos sentimentos maternos da Sra. Jumbo, a emoção do jovem Dumbo, a moral positiva da história e até mesmo o seu alcance na época. Depois do ciúme da madrasta em Branca de Neve e do amor paternal em Pinóquio, a Disney abordou em Dumbo o amor materno. Mark I. Pinsky observa que o filme tem muitas mensagens de amor e não apenas o maternal.[103]

Para Ollie Johnston e Frank Thomas, uma das cenas mais comoventes é aquela animada por Bill Tytla na qual Dumbo visita a mãe na prisão. Os dois elefantes não podem se ver, mas podem se tocar com suas trombas.[116] Essa sequência tem "tanto amor em cada movimento" e "os sentimentos do artista são tão autênticos que ninguém ri, ninguém questiona".[115] Outras imagens de amor, proteção ou atenção materna também estão presentes:[117] proteção contra a fofoca das quatro elefantas, contra humanos, a cena do banho, a canção cantada quando Dumbo é batizado, etc. Outro elemento que demonstra a importância do amor materno é a prisão da Sra. Jumbo, o que seria devido ao seu coração partido, mais do que a uma loucura destrutiva ou às barras de sua jaula.[118]

Um frame da sequência "Baby Mine". Em 2010, a revista Time incluiu Dumbo em sua lista dos dez filmes infantis mais tristes, ressaltando que esse momento do longa-metragem "causa comoção até nos espectadores mais estoicos".[119]

Pinsky aborda em seu livro The Gospel According to Disney a relação entre o filme e a religião cristã. Citando o animador Mark Matheis, Pinsky traça um paralelo entre a cena em que o garoto, também possuidor de orelhas grandes, atormenta Dumbo e alguns trechos da Bíblia, especificamente João 8:7, na passagem da Perícopa da Adúltera: "'Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra".[117] Pinsky também faz um paralelo entre o filme e o comentário do televangelista norte-americano Robert H. Schuller de que os cristãos "transformam suas cicatrizes em estrelas", uma vez que Dumbo usa sua diferença para salvar sua mãe. Com a ajuda de Timóteo, ele tenta realizar um número de circo e consegue depois de várias tentativas frustradas.[118]

Outra mensagem com conotação religiosa é a da universalidade, representada pela entrega de bebês por cegonhas com o mesmo respeito pelos pais, independentemente da nacionalidade, classe ou espécie; uma segunda mensagem é que todos os bebês são esperados, desejados e amados por suas mães. Apesar da angústia da Sra. Jumbo, a cegonha lê na nota de entrega: "Direto do céu, bem lá do alto, aqui está um bebê para você amar".[103][nota 3]

Para Johnston e Thomas, os únicos "vilões" reais do filme são as orelhas de Dumbo. O chefe do circo, sem imaginação, é incapaz de encontrar um papel para Dumbo em seus números, e os palhaços estão preocupados basicamente com seus próprios problemas. Assim, o herói é "uma vítima sem um vilão claramente definido para combater", "em um mundo não completamente hostil, mas bastante egoísta", no qual a grandeza da alma o ajuda a sair dessa situação,[120] trazendo uma mensagem otimista em um mundo difícil.[121]

Steven Watts acredita que a obra ofereceu ao público da época "uma fé otimista de que o triunfo espera pelos desfavorecidos persistentes" e cita o trecho de um artigo do periódico Evening Times de Minneapolis: "[o filme] retira as máscaras que escondem nossas fraquezas, fragilidades e medos, oferecendo uma visão realista de nossa aparência... o rosto por trás da máscara". A publicação conclui que a mensagem final de Dumbo é que "as pessoas são essencialmente boas" e que a película "prega a simpatia e não a zombaria pelos desasjustados da natureza".[121] O autor acrescenta que a visão social de Mickey Mouse, Os Três Porquinhos e de Dumbo é catártica para o público de massa estadunidense que sofreu privações econômicas e sociais durante a Grande Depressão.[122] Watts lembra que um dos temas mais recorrentes dos longas-metragens da década de 1940 — Pinóquio, Dumbo e Bambi — é a criança órfã ou isolada que busca estabilidade em um ambiente perigoso.[123]

Controvérsia racial[editar | editar código-fonte]

Embora permaneça na perspectiva contemporânea do filme, é necessário lembrar que a sequência dos corvos foi objeto de muitas controvérsias com conotações raciais na década de 1960. Essa cena foi caracterizada como "uma caricatura racista da população afro-americana",[124] um "caso complexo de construção racista".[125] Em seu livro The Disney Version (1968), o escritor Richard Schickel denunciou: "há momentos desagradáveis no filme; os corvos que ensinam Dumbo a voar são caricaturas muito óbvias de negros".[78] A começar pelo líder dos corvos que, para fins de roteiro, foi originalmente chamado de "Jim Crow", uma referência a um personagem blackface do século XIX que, mais tarde, tornou-se o nome das leis de segregação racial promulgadas após a era da Reconstrução dos Estados Unidos.[126]

Enquanto o líder foi dublado por Cliff Edwards, branco, os demais corvos foram interpretados por atores negros, integrantes do coral afro-americano Hall Johnson Choir, popular na época.[127] A linguagem dos corvos e suas atitudes evocam as dos negros antes da Segunda Guerra Mundial, típicas do movimento zoot, uma manifestação étnica caracterizada pelo uso de trajes largos e confeccionados com muito material, ombreiras enormes, paletós à altura dos joelhos e calças muito largas e compridas.[78][128] Na versão original, eles falam com um sotaque bastante carregado no Ebonics, o inglês vernáculo afro-americano.[129]

No Brasil, o líder dos corvos, Jim Crow, foi originalmente dublado pelo ator e comediante negro Grande Otelo,[30] consagrado por suas interpretações de personagens que retratavam, principalmente, o estereótipo do malandro carioca e do pobre explorado. O pesquisador Luis Felipe Kojima Hirano, da Universidade de São Paulo afirma que esses papéis "seguem a transformação dos ideais cultivados por um público majoritariamente branco daquilo que deveria ser o negro" e que "todo personagem que Grande Otelo interpretava recaía sobre seu grupo racial, ao contrário de outros comediantes brancos, como Chaplin ou Oscarito, que geralmente representavam os dilemas do homem universal".[130] Rafael de Luna Freire, da Universidade Federal Fluminense, ressalta que a escolha de Otelo para a dublagem de Jim Crow exemplifica o "terreno fértil para a análise de traduções interculturais, nos quais diferentes circuitos de significação estão envolvidos".[29]

Captura de tela mostrando os cinco corvos do filme.

Entretanto, alguns autores rejeitaram as alegações de preconceito racial.[131] Para Leonard Maltin, a controvérsia é "injustificada": os "corvos são pretos, mas são personagens negros, não estereótipos de negros [afro-americanos]", "sem diálogo depreciativo" ou evocação ao Tio Tom.[101] Ward Kimball afirmou em uma entrevista com Michael Barrier em 1986 que essa personificação de deu "em virtude da época" e "sem malícia".[132]

Alex Wainer considera que, de acordo com os estereótipos afro-americanos definidos por Donald Bogle no livro Toms, Coons, Mulattoes, Mammies and Bucks: An Interpretive History of Blacks in American Films,[133] o único que poderia ser relacionado aos corvos seria o do coon, descrito como "negros sem valores, criaturas subumanas não confiáveis, loucas, preguiçosas, boas apenas em comer melancias, roubar galinhas, jogatina ou maltratar o idioma inglês". Entretanto, o autor considera que, levando-se em conta essa descrição, "há pouco no comportamento dos corvos" que permita vinculá-los a tal estereótipo. A proximidade os permite marginalizar Timóteo e Dumbo, mas também leva o rato a fazer um discurso sobre a trágica jornada do protagonista.[20]

Steven Watts ressalta que os corvos, embora sejam caricaturas afro-americanas e façam piadas com Dumbo ao encontrá-lo pela primeira vez, acabam simpatizando com o protagonista, tornam-se quase amigos dele, atuando quanse como "figuras paternas" e o ajudam a aprender a voar. É até uma de suas penas que leva o elefante a acreditar que consiga esse feito.[134] Outros autores ressaltam que as aves são personagens de espírito livre que não se curvam a ninguém, inteligentes e conscientes do poder da autoconfiança, ao contrário do estereótipo de Stepin Fetchit, comum na década anterior. Além disso, enfatizam que a canção dos corvos, "When I See an Elephant Fly", que usa intricados jogos de palavras na letra, é mais voltada para zombar do rato Timóteo do que das orelhas grandes de Dumbo.[20]

Mark Pinsky lembra que aqueles que rejeitam a tese racista, especialmente Maltin e Michael Wilmington, do Chicago Tribune, são escritores brancos.[135] Wainer também cita esses dois autores em um artigo sobre estereótipos raciais na Disney.[20] O racismo também é apontado no filme na sequência que mostra trabalhadores braçais, todos representados como negros sem rosto definido, construindo a tenda do circo com a ajuda dos elefantes. De acordo com Salvador Jimenez Murguía, eles entoam uma canção ("Song of the Roustabouts") na qual se definem como incultos, analfabetos e financeiramente irresponsáveis, representando "caricaturas do escravo feliz".[136]

Em relançamentos recentes, a Disney tem evitado o uso dos corvos em suas estratégias de publicidade relacionadas ao filme.[126] Em julho de 2017, após ser nomeada uma Disney Legend, Whoopi Goldberg expressou o desejo de que a Disney passasse a usar os personagens nos produtos de merchandise da empresa, "pois aqueles corvos cantam a música em Dumbo que todos se lembram".[137]

Elefantes cor-de-rosa, uma sequência à parte[editar | editar código-fonte]

Imagens estilizadas da famosa sequência do desfile dos elefantes cor-de-rosa estampadas em um papel mata-borrão de LSD.

A sequência do desfile dos elefantes cor-de-rosa é definida por Maltin como "uma alegre confusão de girar a cabeça, uma das melhores coisas já feitas pela Disney... muito à frente de seu tempo".[101] A sequência foi dirigida por Norman Ferguson, animada por Karl Van Leuren e Hicks Lokey, cenarizada por Ken O'Connor e a música foi composta por Oliver Wallace.[97]

A ideia básica é simples. Dumbo e Timóteo bebem acidentalmente uma dose elevada de álcool e, como efeito da embriaguez, entram numa "fantasia surrealista de desenhos, cenários, cores, luzes e situações cômicas".[101] Segundo Mark Langer, o momento inclui várias cenas que vão contra os padrões da Disney.[98]

Maurice Charney escreve que "todas as regras usuais do realismo da Disney são ignoradas: os elefantes andam na borda da tela, os rostos são metamorfoseados rapidamente e a cor se torna uma fonte abstrata de prazer visual".[138] Johnston e Thomas indicam que a cena "atraiu muito mais inventividade dos animadores" e que "não importava se a imagem fosse especial ou impossível na tela; ela só tinha que ser convincente e manter a completa loucura do sonho do elefante". Os autores acrescentam que "em vez de transformar os elefantes em termos de personalidades convencentes, [tal] ênfase permitiu aos animadores surpreender o público com ações que vão além da experiência de cada espectador".[139]

A sequência Desfile dos Elefantes é uma das poucas incursões no surrealisno na tradição realista da Disney.[138] Robin Allan escreve que "os elementos surreais anunciam os elos que a Disney amarraria mais tarde com Salvador Dalí".[140] Douglas Brode afirma que essa sequência, assim como Alice no País das Maravilhas (1951), deve ser classificada entre as bases do movimento hippie, como prelúdio e talvez até fonte de inspiração para o grupo Merry Pranksters.[141] Jerry Beck a coloca, em termos de qualidade, ao lado do curta-metragem A Dança do Zangão do filme Tempo de Melodia (1948).[142] Outras tentativas de abstração visual, no entanto, existiram na Disney, principalmente o musical Tocata e Fuga em Ré Menor, um segmento do filme Fantasia, baseado no trabalho do diretor alemão Oskar Fischinger.[140]

Junto a sequências controversas de outros clássicos do estúdio, como aquela em que Pinóquio fuma um charuto e toda a viagem de Alice ao País das Maravilhas, o Desfile dos Elefantes é apontado como evidência de uma suposta fixação com substâncias psicoativas que a Disney parecia demonstrar em suas produções mais antigas. Embora o LSD não tenha tido presença importante nos Estados Unidos na época em que o filme foi lançado, o referido momento de Dumbo costuma ser associado aos efeitos dessa droga, bem como também é considerado uma alegoria do alcoolismo no país naquela época.[143]

O efeito Dumbo[editar | editar código-fonte]

O longa-metragem também deu origem a um conceito da psicologia formulado pelo psicólogo e escritor britânico Ernesto Spinelli. No livro Practising Existential Psychotherapy: The Relational World, ele descreve o "efeito Dumbo": a realização de algo é primeiro considerada inviável, mas, como resultado de uma auto-persuasão sustentada por um artefato que desaparece depois disso (no caso do filme, uma pena mágica), a ação é alcançada com sucesso".[144]

Para Spinelli, esse efeito é uma alegoria do trabalho e dos elementos do trabalho dos psicoterapeutas. No entanto, isso não indica que a psicoterapia como um todo deve ser vista como a aplicação de um efeito Dumbo, mas que o praticante deve estar convencido das possibilidades de uma "pena mágica" para estabelecer um esquema rígido particular em um esquema que não se apresenta como tal.[144]

Música[editar | editar código-fonte]

Dumbo
Lançamento de 1997
Trilha sonora de Vários Artistas
Lançamento 14 de outubro de 1997
Gênero(s) Trilha sonora
Gravadora(s) Walt Disney Records

A partitura do filme foi composta por Oliver Wallace e Frank Churchill, sendo que o primeiro havia trabalhado anteriormente na trilha musical de cerca de 140 curtas-metragens da Disney[145] e o último trabalhou nas músicas da série Silly Symphonies.[146] Em Dumbo, Wallace compôs as duas últimas canções, "Pink Elephants on Parade" e "When I See an Elephant Fly", bem como a maioria das músicas adicionais. Churchill compôs três das principais faixas, incluindo a canção de ninar "Baby Mine".[145]

As letras foram escritas por Ned Washington, conhecido por seu trabalho como letrista e na época considerado um dos melhores do setor. Ele também era conhecido como um mestre em avançar o enredo de filmes através da integração entre as músicas e a história, o que motivou Walt Disney a trazê-lo para o projeto.[35] A orquestração ficou a cargo de Edward Plumb.[147]

A primeira edição da trilha sonora de Dumbo foi disponibilizada em 14 de novembro de 1941 no formato de 78 rpm (três discos). Com duração total de 18 minutos, foi o terceiro álbum de trilha musical de animação da Disney lançado pela RCA Victor e, assim como Branca de Neve e os Sete Anões e Pinóquio, todo o material é retirado diramente do filme, mantendo intacto os efeitos sonoros e os diálogos. Entretanto, ao contrário dos dois primeiros, a trilha de Dumbo da RCA nunca foi reeditada em CD. Apresenta uma variedade de estilos musicais populares entre o final da década de 30 e o início dos anos 40, tais como pop, jazz, scat, balada coral, ópera moderna, além de marchas de circo.[148]

A trilha foi relançada no formato LP em 1957, 1959, 1963 e 1970.[148] Na compilação Classic Disney: 60 Years of Musical Magic, lançada entre 1995 e 1998 e organizada em discos com cores diferentes, "Pink Elephants on Parade" está incluída no disco verde,[149] "Baby Mine" no disco roxo[150] e "When I See an Elephant Fly" no disco laranja.[151] Na compilação Disney's Greatest Hits (2001-2002), "Pink Elephants on Parade" está no disco vermelho.[152]

Em 14 de outubro de 1997 uma trilha sonora completa e remasterizada foi lançada nos Estados Unidos pela Walt Disney Records, contendo as canções e instrumentais do longa-metragem e acompanhada de um livro colorido com as letras.[153] Essa versão apresenta como bônus uma demo instrumental de Oliver Wallace e a faixa "Clow Song", o breve número em que os palhaços decidem "pedir um aumento ao chefe" e que não havia sido incluído em nenhuma das versões anteriores. A edição foi disponibilizada em CD e também para download digital.[148]

Lista de faixas[154]
N.º TítuloInterpretada por Duração
1. "Main Title" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 1:46
2. "Look Out for Mister Stork"  Coro 2:16
3. "Loading the Train / Casey Junior / Stork On a Cloud / Straight from Heaven / Mother and Baby / Arrival At Night"  Coro 4:58
4. "Song of the Roustabouts"  Coro 2:38
5. "Circus Parade" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 1:28
6. "Bathtime / Hide and Seek" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 1:32
7. "Ain't That the Funniest Thing / Berserk / Dumbo Shunned / A Mouse! / Dumbo and Timothy / Dumbo the Great" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 3:23
8. "The Pyramid of Pachyderms" (Instrumental)Oliver Wallace & Frank Churchill 1:59
9. "No Longer an Elephant / Dumbo's Sadness / A Visit In the Night / Baby Mine"  Betty Noyes 3:35
10. "Clown Song"  Coro 1:00
11. "Hiccups / Firewater / Bubbles / Did You See That? / Pink Elephants On Parade"  Coro 6:07
12. "Up A Tree / The Fall / Timothy's Theory" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 1:32
13. "When I See an Elephant Fly"  Jim Carmichael, Cliff Edwards & Hall Johnson Choir 1:47
14. "You Oughta Be Ashamed" (Instrumental)Frank Churchill & Oliver Wallace 1:10
15. "The Flight Test / When I See an Elephant Fly (Reprise)"  Jim Carmichael, Hall Johnson Choir & Cliff Edwards 0:56
16. "Save My Child / The Threshold of Success"  Cliff Edwards, Jim Carmichael & Hall Johnson Choir 1:02
17. "Dumbo's Triumph / Making History / Finale (When I See an Elephant Fly)"  Cliff Edwards, Jim Carmichael & Hall Johnson Choir 2:17
18. "Spread Your Wings" (Demo Recording)Oliver Wallace 1:08

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O filme estreou em 23 de outubro de 1941 no Teatro Broadway, em Nova Iorque. Na ocasião, Walt Disney comentou que Dumbo foi "a coisa mais espontânea que já havíamos feito... Tudo começou com uma ideia e, enquanto continuávamos a trabalhar nela e a aprimorá-la, antes de nos darmos conta, tornou-se um longa-metragem".[62] No Brasil foi lançado em 13 de julho de 1942[2] e em Portugal estreou em 30 de novembro de 1942.[carece de fontes?]

Trailer original do filme.

Em resposta à recepção do filme, a revista Time tinha planos para nomear Dumbo como o seu "Mamífero do Ano" (uma brincadeira com seu relatório anual "Homem/Pessoa do Ano"), com uma aparição do personagem na capa da revista de 29 de dezembro de 1941. No entanto, o ataque a Pearl Harbor, em 7 de dezembro do mesmo ano, ocasionou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, mudando o ciclo de notícias para longe de Dumbo. As próximas capas mostraram líderes norte-americanos e japoneses, sendo a imagem do elefante substituída pela do general Douglas MacArthur.[155]

Apesar disso, a Time publicou, na seção "Cinema" da edição de 29 de dezembro, uma reportagem de 1 400 palavras sobre o elefantinho resiliente, abordando sua criação na Disney e descrevendo-o como uma distração bem-vinda e fonte de conforto para um país em guerra: "Entre todos os horrores e ameaças de 1941, sua face sincera e honesta é o rosto de um verdadeiro homem de boa vontade".[155] Todavia, segundo John Canemaker, essa reportagem declarou que "a produção do filme terminou sem Walt Disney", retratando-o como "um empresário ausente", o que teria deixado Walt profundamente afetado.[156]

O filme ao longo das décadas[editar | editar código-fonte]

A obra foi relançada nos cinemas em 1949, 1959, 1972 e 1976.[157] O segundo relançamento foi motivado pelo sucesso da transmissão televisiva inédita de Pinóquio em 14 de setembro de 1955, no programa Walt Disney Presents na ABC,[158] o que o levou a retornar aos cinemas em meados de 1956. Isso deu a oportunidade à nova subsidiária, Disneyland Records, de editar discos contando a história do filme, rapidamente ocorrendo o mesmo com outras produções, entre elas Dumbo,[159] relançado nos cinemas em 1959. Para esta versão, os atores regravaram suas vozes, o que pode ser atestado pela voz ligeiramente mais envelhecida de Edward Brophy ao interpretar Timóteo.[10] As trilhas sonoras dessas regravações foram comercializadas em disco de vinil nos EUA a 1,98 dólares em vez do preço habitual de 4,98 dólares e se tornaram um dos maiores sucessos da gravadora, sendo vendidas no mesmo formato pelas próximas duas décadas.[160]

Em 1963, a Disney lançou versões de seus primeiros longa-metragens em conjuntos que incluíam um livro, contendo ilustrações desdobráveis e um disco;[161] a de Dumbo foi uma das primeiras a ser publicada.[162] Na década de 1960, os corvos começaram a ser criticados por serem uma caricatura da população afro-americana[124] (ver seção Controvérsia racial). O filme foi novamente transmitido pela televisão no programa The Wonderful World of Disney, em 17 de setembro de 1978, 18 de novembro de 1985, 14 de setembro de 1986 e 30 de outubro de 1988; versões de 1985 e 1986 foram lançadas junto de Mickey e o Pé de Feijão e Lambert the Sheepish Lion.[163]

Mídia doméstica[editar | editar código-fonte]

Dumbo foi o primeiro filme de animação da Disney a ser lançado em home-vídeo.[164] Foi disponibilizado em VHS em 26 de junho de 1981,[165] e também em Betamax nesse mesmo ano.[35] Inicialmente liberado apenas para aluguel de vídeo,[164] foi disponibilizado para venda em meados de 1982, nos formatos anterioriormente mencionados e também em Laserdisc.[166] Em seguida, foi reeditado como parte do lançamento da coleção Clássicos Disney em 1985.[35]

No Brasil, a Abril Vídeo lançou a primeira dublagem em VHS em 1990 e a segunda dublagem em 1998.[carece de fontes?]

O filme recebeu uma remasterização em 1986 e foi lançado na edição de 50º aniversário (1991) e, depois, como parte da coleção Walt Disney Masterpiece em 1994.[35] Em 23 de outubro de 2001, foi lançado em VHS e pela primeira vez em DVD como parte da "60th Anniversary Special Edition" (Edição de 60º Aniversário no Brasil).[167][168][169] Em 2006, uma nova edição chamada de Big Top Edition do filme foi lançada em DVD,[170][171][172] seguido por um lançamento "UK Special Edition" na Inglaterra em maio de 2007.[173]

Em 20 de setembro de 2011, foi lançada nos Estados Unidos uma "70th Anniversary Edition"[174] ("Edição de 70º Aniversário" no Brasil e em Portugal),[175][176] disponibilizada em dois pacotes diferentes: uma incluindo o Blu-ray com DVD e um DVD de um disco. O filme também foi lançado em formato de download digital.[177][178] Todas essas versões contêm cenas deletadas e vários bônus, tais como cenas deletadas, making-of, jogos e curtas animados.[178][179] O filme ganhou novo relançamento em Blu-ray e DVD em 26 de abril de 2016, em comemoração ao seu 75º aniversário.[180]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Um filme curto, econômico e bem sucedido[editar | editar código-fonte]

Com apenas 64 minutos, Dumbo é o longa-metragem de animação mais curto da Disney depois de Saludos Amigos. É também um dos menos pretensiosos, mas continua sendo um dos mais graficamente completos.[97][181] Para John Grant, o filme anterior, The Reluctante Dragon é "barato e de má qualidade", enquanto Dumbo é "barato, mas brilhante graças à sua qualidade artística", embora não tenha "a riqueza de Branca de Neve, Pinóquio ou Bambi". Ele afirma que a película "é uma história encantadora e, como muitas outras histórias encantadoras, é simples".[65] Lambert o considera "encantador e maravilhosamente animado".[97]

Dumbo contou com um baixo orçamento se comparado aos clássicos que o antecederam. Alguns autores estimam que o filme teria custado "apenas" 786 000 (Barrier),[62] 800 000 (Thomas)[58] ou 812 000 dólares (Grant e Smith).[54][182] Como lembra Ward Kimball, citado por Maltin, a soma seria de, aproximadamente, 950 mil dólares[183] (equivalente a 16 180 000 dólares em 2018), metade do custo de produção de Branca de Neve, menos de um terço do custo de Pinóquio, e certamente bem menor do que o caro Fantasia. Dave Smith associa esse baixo custo com o rapidez do trabalho do departamento de animação que lidou com uma história sucinta e com personagens de poucas nuances.[182] Kimbal ressalta que a película teve "um desenvolvimento rápido e sem erros, sem cortes de edição como em Pinóquio, sem muitas correções ou modificações durante toda a produção" e que com "Dumbo, o desenho animado da Disney atinge seu auge".[183] Grant contradiz a afirmação de que a obra representa o auge, mas concorda que "o filme é um dos melhores da Disney de todos os tempos, o que é confirmado pelo fato de quase todas as crianças do mundo ocidental conhecerem o personagem".[65]

Apesar do advento da Segunda Guerra Mundial, Dumbo tornou-se o filme mais bem sucedido financeiramente da Disney na década de 1940. Após o seu lançamento em 23 de outubro, a película provou ser um milagre financeiro em comparação com outros filmes da Disney.[35] Estima-se que em sua primeira exibição tenha arrecadado 653 783 dólares.[184] O filme, posteriormente, arrecadou cerca de 1,6 milhões dólares (equivalente a 27 250 000 dólares em 2018) durante todo o período de seu lançamento original; Dumbo e Branca de Neve são os dois únicos longas-metragens da Disney a gerar lucro antes de 1943.[4]

Grant levantou a possibilidade de que o sucesso em termos de bilheteria deve-se ao fato de que "Walt, irritado com a greve da Disney iniciada no final de maio de 1941 e, portanto, nos últimos meses de produção de Dumbo, foi forçado a não interferir na produção e não pedir a seus animadores que constantemente refizessem as cenas que ele não gostava".[65] Para Barrier, Dumbo tem uma vantagem sobre os filmes anteriores: ele "precisava de uma animação menos elaborada em termos de personagens e efeitos".[85]

Resposta da crítica[editar | editar código-fonte]

O filme recebeu avaliações bastante positivas da crítica especializada na época de seu lançamento original. A Variety declarou que Dumbo era "uma pequena história agradável, cheio de pathos misturado com grandes doses de humor, novas personagens animais, muita música boa e a habilidade habitual da Disney na técnica".[185] Cecilia Ager, redatora do jornal PM, referiu-se ao filme como "o mais bonito e o mais amável da Disney até agora",[186] e Bosley Crowther, crítico de cinema do The New York Times, afirmou que o filme era "o mais genial, o mais cativante, o mais completo e precioso filme em desenho animado que já emergiu de pincéis mágicos dos milagrosos artistas de Walt Disney".[187]

Hoje, o filme mantém uma classificação de 98% de aprovação no agregador de críticas cinematográficas Rotten Tomatoes, que apresenta o seguinte consenso crítico em relação à obra: "Dumbo embala muita história em seu breve tempo de execução, juntamente com toda a animação reconfortante e a música maravilhosa que você esperaria de um clássico da Disney".[188] No agregador Metacritic, a película apresenta uma pontuação de 96/100, com base em 11 críticas.[189] Leonard Maltin descreveu-o como "um dos mais charmosos filmes de animação da Walt Disney".[190] Em 2011, a Time nomeou Dumbo como um dos "25 Melhores Filmes de Animação de Todos os Tempos".[191]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Em 1942, o filme venceu o Oscar de Melhor Trilha Sonora, concedido aos diretores musicais Frank Churchill e Oliver Wallace. Churchill e o letrista Ned Washington também foram indicados ao Oscar de Melhor Canção Original por "Baby Mine", a música que toca durante a visita de Dumbo à prisão de sua mãe.[192] Em 1947, a obra também competiu na categoria de longas-metragens da segunda edição do Festival de Cannes e venceu o Grand Prix de Melhor Design de Animação.[193]

O filme é reconhecido pelo American Film Institute em quatro de suas listas comemorativas dos 100 anos de cinema nos Estados Unidos. "Baby Mine" foi nomeada para a lista 100 Anos... 100 Canções (2004)[194] e o longa-metragem recebeu indicações para figurar nas listas 100 Anos... 100 Vivas! (2006), dos filmes mais inspiradores;[195] 25 maiores musicais do cinema (2006);[196] e AFI's 10 Top 10 (2008), das grandes produções de dez gêneros clássicos, nomeado à categoria de melhor filme de animação.[197]

Em 13 de dezembro de 2017, Dumbo foi anunciado como uma das obras selecionadas para proteção e conservação para a posteridade no National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, sendo considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante". Dessa forma, o filme foi reconhecido como importante para o cinema e o patrimônio cultural e histórico do país.[198]

Adaptações e produtos derivados[editar | editar código-fonte]

Cinema e televisão[editar | editar código-fonte]

São muitas as referências a Dumbo em outras produções cinematográficas da Disney. O pesadelo do Ursinho Pooh no curta-metragem Winnie the Pooh and the Blustery Day com os efalantes e as dinonhas (seres fantásticos que habitam o Bosque dos 100 Acres) é, segundo David Koenig, uma homenagem e uma reprodução do conceito do filme.[199]

No longa-metragem Who Framed Roger Rabbit (1988), Dumbo aparece como um empregado do estúdio de animação Maroon Cartoon, sendo informado que "ele trabalha em troca de amendoins".[200] A Sra. Jumbo, Casey Jr. e os corvos também aparecem no filme.[201] Estes últimos surgem caracterizados como uma banda de jazz, tocando a música de fundo durante a sequência do show de Jessica Rabbit em uma boate.[202]

No filme A Bug's Life (1998), da Pixar, o trem dos insetos circenses é chamado de Casey Jr. Cookies,[203] enquanto que em Kronk's New Groove (2005), a sequência de The Emperor's New Groove (2000), o personagem Kronk tem uma miniatura completa do trem Casey Junior, com os vagões à escala.[204]

Uma das mais notáveis homenagens à obra numa produção cinematográfica de outro estúdio ocorre no longa 1941 (1979), dirigido por Steven Spielberg, na cena em que um general Joseph W. Stilwell, interpretado por Robert Stack, chora ao assistir à sequência "Baby Mine" durante uma exibição do filme em uma sala de cinema.[205][206]

Entre 1985 e 1987, o Disney Channel levou ao ar uma série educativa infantil que combinava animação e live-action chamada Dumbo's Circus, mostrando as aventuras do elefante e seus amigos no circo intinerante, com números musicais.[207] Ao contrário do filme, Dumbo falava neste programa, que contava com atores fantasiados e utilizava fantoches diferenciados chamados de "puppertronics", controlados por rádio, um mecanismo desenvolvido pioneiramente para a série Fraggle Rock, de Jim Henson.[208][209] Além disso, Dumbo foi um dos primeiros desenhos animados da Disney a ser transmitido pela televisão, em 14 de setembro de 1955, embora severamente editado, como parte de uma série antológica do estúdio.[210] No Brasil, foi transmitido pela Rede Globo em 1991,[211] e em seguida, pelo SBT em 1998.[carece de fontes?]

Banda desenhada[editar | editar código-fonte]

Continuando a tradição iniciada com Branca de Neve, a Disney publicou uma história baseada em Dumbo antes de seu lançamento oficial, na forma de um livro de 39 páginas de três tiras por página, ilustradas por Irving Tripp e intitulado Dumbo of the Circus.[212] Uma série de histórias em quadrinhos centradas no personagem Dumbo também foi publicada a partir de 1945, entre elas:

  • Dumbo (outubro de 1945), roteiro e desenhos de Carl Buettner, com os Sete Anões;[213]
  • The Circus Mystery (1947), roteiro de Chase Craig, desenhos de Ralph Heimdahl;[214]
  • Sky Voyage (junho de 1949), desenhos de Tony Strobl;[215]
  • Little Pedro (junho de 1949), desenhos de Tony Strobl, com o avião Pedro (1942);[216]
  • The Musician (junho de 1949), desenhos de Don Gunn com os personagens de Os Três Porquinhos (1933).[217]

Parques temáticos[editar | editar código-fonte]

As atrações Dumbo the Flying Elephant, na Hong Kong Disneyland (topo), e Casey Jr. Circus Train, na Disneylândia da Califórnia.

Nos parques da Disney, Dumbo está presente em uma atração popular chamada Dumbo the Flying Elephant na Disneylândia,[218] no Magic Kingdom do Walt Disney World Resort,[219] na Dineylândia de Tóquio,[220] na Disneyland Paris[221] e na Hong Kong Disneyland.[222] A atração da Disneylândia foi inaugurada em 16 de agosto de 1955, um mês após a inauguração do parque. Incluí 10 elefantes e ficava logo atrás do carrossel Fantasyland. Foi reproduzido no Magic Kingdom em 1971 e na Tokyo Disneyland em 1983. Durante a renovação da Fantasyland da Disneylândia em 1983, a atração foi movida mais para o norte.[182] Em 1991, uma nova versão com 16 elefantes foi desenvolvida para a Disneyland Paris e inaugurada em 1992.[223] Esta versão foi duplicada no Magic Kingdom em 1993 e na Disneylândia em 1994.[182]

Também há uma atração chamada Casey Jr. Circus Train na Disneylândia e sua versão na Disneyland Paris, Casey Jr., le petit train du cirque. A versão da Disneylândia foi inaugurada em 31 de julho de 1955[224] e a da Disneyland Paris, em abril de 1994.[225] Na década de 1970, um projeto chamado Dumbo's Circus foi planejado para o Disneyland Park da Califórnia, mas nunca foi construído. Essa atração deveria representar um circo com Dumbo e outros personagens cômicos com um número de acrobacias com Pateta, um balé com a personagem Hyacinthe Hippo do filme Fantasia, entre outros.[199]

Em junho de 2009, a Disneylândia introduziu um Dumbo voador no seu show noturno de fogos de artifício, no qual o elefante voa em torno do Castelo da Bela Adormecida enquanto os fogos explodem, em sincronia com a música.[226] Casey Junior é o segundo carro alegórico da Main Street Electrical Parade, um tradicional desfile noturno realizado em alguns parques da Disney. Casey, conduzido por Pateta e transportando também Mickey e Minnie Mouse, carrega um grande tambor com o logotipo do desfile.[227]

Jogos eletrônicos[editar | editar código-fonte]

O Mestre de Cerimônias do Circo aparece como um dos quatro vilões do jogo Disney's Villains' Revenge, lançado para PC em 1999. No jogo, os vilões da Disney alteram os finais felizes do livro do Grilo Falante; no caso do Mestre de Cerimônias, ele força Dumbo a realizar manobras intermináveis e humilhantes em seu circo. No final, o mestre é derrotado ao ficar inconsciente depois de ser atingido por uma torta de creme bem direcionada.[27]

Dumbo também aparece no popular jogo para Playstation 2, Kingdom Hearts, lançado em 2002, sob a forma de uma summon (mascote) a qual o jogador pode recorrer em batalha em busca de ajuda. Quando Sora, o protagonista voa nas costas de Dumbo, ele se torna invencível, enquanto o elefante pode jogar, com sua tromba, água e amendoim em seus inimigos.[228] Dumbo reprisa o papel de summon no segundo título da série, Kingdom Hearts: Chain of Memories, lançado em 2004 para Game Boy Advance.[229]

Sequência cancelada[editar | editar código-fonte]

Em 2001, o DVD de edição especial dos 60 anos de Dumbo apresentou uma prévia da continuação proposta para o filme, Dumbo II, apresentando os designs dos novos personagens e storyboards. Na história, Dumbo e seus amigos ficariam perdidos em uma cidade grande depois serem deixados para trás por seu circo itinerante. Dumbo II também procuraria explicar o que aconteceu com o pai de Dumbo, o Sr. Jumbo.[230]

Entre os amigos de circo de Dumbo, estariam Claude e Lolly, dois ursinhos gêmeos caóticos; Dot, uma curiosa zebra; Godfry, um hipopótamo mais velho e independente; e Penny, uma avestruz aventureira. Os animais seriam metáforas para os diferentes estágios da infância.[230] A trama da continuação se desenrolaria no dia seguinte ao final do filme original.[231] Robert C. Ramirez (Joseph: King of Dreams) dirigiria a sequência, entretanto, John Lasseter cancelou Dumbo II[230] logo após ser promovido a diretor criativo da Walt Disney Animation Studios, em 2006.[232]

Versão em live-action[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dumbo (2019)
Estrutura de Dumbo na Times Square, em celebração à estreia da versão live-action da obra em 2019.

Em 8 de julho de 2014, a Walt Disney Pictures anunciou que uma adaptação em live-action de Dumbo estava em desenvolvimento. Ehren Kruger foi confirmado como o roteirista e Justin Springer serviu como produtor junto com Kruger.[233] Em 10 de março de 2015, Tim Burton foi anunciado como o diretor.[234] Em 11 de janeiro de 2017, foi noticiado que Will Smith estaria em negociações para estrelar a refilmagem como o pai de algumas crianças que fazem amizade com Dumbo.[235] Nesse mesmo dia, foi revelado que Tom Hanks havia sido convidado para interpretar o vilão do filme.[236] No mês seguinte, foi anunciado que Smith não estava mais no projeto;[237] ele aparentemente teve um desentendimento sobre salário e agenda, além de ter optado por protagonizar Bad Boys for Life.[238]

Em março de 2017, foi anunciado que Eva Green estava em negociações para interpretar uma trapezista.[239] Pouco tempo depois, Danny DeVito foi escalado no papel de um mestre de circo chamado Medici.[240] Duas semanas depois, foi noticiado que Colin Farrell tinha entrado em negociações para desempenhar o papel de Holt, originalmente oferecido a Will Smith.[241] Em 4 de abril do mesmo ano, Michael Keaton, colaborador de longa data de Burton, entrou em negociações para interpretar o vilão.[242] Keaton confirmou seu envolvimento com o filme em 26 de junho.[243] As filmagens ocorreram no Pinewood Studios em Buckinghamshire e no Cardington Studios em Bedfordshire, Inglaterra.[244] Em 15 de julho de 2017, a Disney anunciou o elenco completo e que o filme seria lançado em 29 de março de 2019.[245] Alan Arkin, Sharon Rooney e Roshan Seth também interpretaram novos personagens criados para esta versão.[246]

Notas

  1. "Role um livro", em tradução livre.
  2. Provas de artista, um termo originário da gravura, são as cópias que o autor reserva para si, à parte da edição final de uma obra, usadas na investigação da relação de intimidade que o artista mantém com o próprio trabalho.[57]
  3. Livre tradução para: "Straight from heaven, up above, here is a baby for you to love".

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