Palhaço

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Palhaços do espetáculo Sorrir, Enfim!

A palavra palhaço deriva do italiano paglia, que quer dizer palha, que era o material usado no revestimento de colchões. O nome começou a ser usado porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano e revestimento dos colchões: um tecido grosso e listrado, e afofada nas partes mais salientes do corpo com palha, fazendo de quem a vestia um verdadeiro "colchão" ambulante. Esse revestimento de palha os protegia das constantes quedas e estripulias. Já a palavra clown é de origem inglesa e tem origem no século XVI. Deriva-se cloyne, cloine, clowne. Etimologicamente vem de clod, que em inglês significa "camponês" e ao seu meio rústico, a terra. O termo em inglês é amplamente utilizado por conta da influencia do britânico Philip Astley.[1] No Brasil existe uma divergência teórico-semântica para com essas duas palavras. Alguns teóricos apontam que os dois termos indicam uma mesma coisa, já outros dizem que cada termo remete a uma escola de pensamento diferente.[2]

O palhaço é lírico, inocente, ingênuo, angelical e frágil. O palhaço não interpreta, ele simplesmente é. Ele não é um personagem, ele é o próprio ator expondo-se, mostrando sua ingenuidade. Na busca desse estado, o ator não busca construir um personagem, mas sim encontrar essas energias próprias, tentando transformá-las em seu corpo. Portanto, cada ator desenvolve esse estado pessoal, de palhaço, com características particulares e individuais.[3]

Embora vinculado aos circos, o palhaço pode atuar também em espetáculos abertos, em teatros, em programas de televisão ou em qualquer outro ambiente. Em várias ocasiões é o personagem que tem a tarefa de entreter o público durante as apresentações, especialmente no circo. É geralmente vestido de um jeito engraçado, com trajes desproporcionados e multicoloridos, com aplicações de pinturas (maquiagens) especiais e acessórios característicos. Entretanto, há diversos tipos de palhaço, como o melancólico, o romântico, o bufão, o tramp (mendigo), etc.[2]

Na linguagem comum, o termo também pode ser referido como uma característica do comportamento de uma pessoa não confiável ou não acostumado a levar a sério um argumento.

Palhaços Irreverentes

Origem

Há relatos de figuras semelhantes ao palhaço contemporâneo desde 2500 a.C, no Egito antigo. São encontradas várias outras referências, como em Roma, Grécia, China e até em civilizações americanas, como a dos astecas.[4] Podemos achar referências à arte de fazer rir quatro mil anos atrás. Inúmeras vezes esse personagem adquiria importantes papéis sociais, muitas vezes estando ao lado do rei ou imperador.[5]

Oriente

Os lubyet eram figuras cômicas das dinastias chinesas; atuavam como desastrosos assistentes dos personagens príncipes e princesas. Assim como os bobos da corte europeus, os lubyet, pela sua proximidade com os déspotas, tinham grande influência na sociedade, podendo sugerir importantes mudanças no agir dos imperadores.[5]

Podemos encontrar na Malásia o p'rang, que utilizava máscaras com olhos enormes e bochechas desproporcionais, formando uma figura bizarra e, ao mesmo tempo, cômica. Em Bali encontramos os irmãos Penasar e Kartala. Enquanto o primeiro é ordeiro e apolíneo, o outro faz tudo pelas avessas e atrapalhadas.[5]

Grécia e Roma

Depois de apresentar-se às tragédias gregas, os palhaços entravam em cena satirizando os contos gregos, principalmente os de Hércules. Os próprios sátiros (daí vem a palavra sátira) seria o germe dos palhaços de hoje. Depois que o Império Romano começo a se expandir, outros personagens começaram a surgir na Europa. Os Cirros e Estúpidos, começaram a levar a arte clownesca para as ruas. Mas foi na Idade Média que eles tomaram as ruas definitivamente.[5]

Idade Média

Na Idade Média, o teatro teve um grande problema com a Igreja Católica no poder e a maioria dos teatros foram fechados. Com isso, os artistas tomaram as ruas. Para sobreviver começaram a desenvolver uma linguagem que desse conta das ruas, e cada vez ficavam mais conhecidos no continente. Na Escandinávia eram conhecidos como gleemen, e na França, jongleurs. Enquanto os bobos da corte faziam suas graças para não perder a cabeça, os artistas de ruas faziam as suas para não morrer de fome. Mas assim como os lubyet, da China, os bufões e os bobos da corte tinham também certo papel social, na medida em que utilizavam de seu humor para questionar as decisões tomadas pelos soberanos, de modo a fazê-los refletir sobre a forma como governavam. Eles eram as únicas figuras na corte que poderiam "falar o que quiser" sem grandes revezes, desde que todos rissem.[4] Podemos encontrar facilmente muitas estórias antigas e atuais envolvendo bobos da corte. E o cargo ainda não foi extinto, como é o caso de Nigel Rodes, o primeiro bobo da corte oficial desde 1649, quando o último ocupante do cargo perdeu o emprego após a revolução republicana liderada por Oliver Cromwell e a decapitação do rei Charles I.[6] Mas mesmo com as dificuldades de Idade Média, os palhaços continuavam a tomar espaço. Nas peças religiosas faziam o papel de diabo cômico ou narrador. Até que William Shakespeare mostrou que o palhaço podia não só fazer rir, como fazer chorar, e tornar ainda mais dramáticas as cenas trágicas de uma obra, os palhaços passaram a ser tão importantes, nessas representações, quanto os atores sérios de grandes clássicos do teatro.[5]

Commedia dell'arte

Ver artigo principal: Commedia dell'arte

A commedia dell'arte foi uma forma de teatro popular improvisado que começou no século XV, na Itália, e se desenvolveu posteriormente na França, e que se manteve popular até o século XVIII. A “Commedia dell’arte” vem se opor à “Comédia erudita”, também sendo chamada de “Commedia all’improviso” e “Commedia a soggetto”. Essa forma ainda sobrevive através de alguns grupos de teatro.

Boneco representando um palhaço

O início do circo

A cultura circense se enraíza pelos vários eventos da antiguidade, como as grandes dionísias e os jogos nos Circos Romanos. Mas é a Philip Astley que se atribui a criação do circo que conhecemos hoje. Ele era suboficial da cavalaria das Forças Armadas Inglesas. Muitos oficiais da cavalaria já se apresentavam nas ruas há muito tempo, mas a grande ideia de se estabelecer um local fixo foi dele. O formato circular ajudava os acrobatas a praticar suas acrobacias mais facilmente enquanto o cavalo corria em círculos. Astley construiu uma estrutura de 13 m de circunferência em um local fechado. Os espetáculos de rua passaram a acontecer dentro desse local e a cobrar ingressos. Os cavaleiros das forças armadas inglesas podiam agora continuar trabalhando, mesmo depois de aposentados.[1] A aproximação dos ofícios de hipismo, com outras artes de rua deram também forma a várias outras modalidades, como o music hall e diversas formas teatrais, com pantomimas, adaptações de commedia dell'arte e melodramas.[7] Não demorou para que outros artistas também integrassem às atrações do novo estabelecimento de Astley. Os palhaços começaram a aparecer no seu local mais conhecido atualmente, o circo. O palhaço mais importante foi Mr. Merryman, que atuava a cavalo.[5] Com o desenvolvimento da arte do palhaço, várias partes do mundo adaptaram o personagem ao seu próprio estilo, fazendo surgir novas figuras, como o palhaço Augusto, o Excêntrico, o Vagabundo, o Mímico e o Branco. Cada um possui características próprias e marcantes.[4]

Tipos de palhaço

O clown é um personagem múltiplo e, às vezes, nem é visto como um personagem, mas sim como um estado, o estado de clown.[8] Com isso, os tipos e os modos de se exercer o ofício são inúmeros. Desde personagens mais óbvios como o Bozo até os comediantes mais sutis como Mr. Bean. Mas no decorrer da historias, certos tipos se consolidaram e se estruturaram com características fixas.

Branco e Augusto

Augusto é o tipo mais conhecido no Brasil. É extravagante, absurdo, pícaro, mentiroso, surpreendente, provocador. Representa a liberdade e a anarquia, o mundo infantil. É desajeitado e desastrado, tornando sua atuação desajeitada e deselegante.[4] É inoportuno em sua tentativa de socializar-se, mas acaba por conquistar com sua simpatia e brincadeiras. Diversas lendas coincidem a fazer nascer o personagem no Circo Renz de Berlim (1865), encarnado por um tal August, um moço de jeito enfadonho e beberrão — de onde vem o nariz vermelho.[5] Diz a lenda que ele era um cuidador de cavalos e um certo dia, como era alcoólatra, entrou no palco bêbado. Como as pessoas na Europa costumam ser muito brancas, quando bebem avermelham o nariz e as maçãs do rosto., muitos dizem que deriva-se daí o nariz de palhaço e a maquiagem.[1] É esse o espírito do Augusto, brincalhão e que faz bastante algazarra. Ainda na mesma lenda, diz-se que o companheiro do Augusto entrou para tentar tirar o amigo do picadeiro, sóbrio tenta de todo jeito fazer o amigo se regrar. É daí que se acredita que nasceu o Branco. Outra versão diz que o termo augusto é de raiz alemã. No caso seri o alemão Tom Belling que teria entrado a cavalo e feito uma apresentação desastrosa. Então a plateia gritou Augusto! Augusto!" que em dialeto berlinese, significa pessoa que se encontra em situação ridícula.[9] Ele é uma grande hipérbole. Tudo é grande, suas roupas, seu nariz, seus sapatos.

O Branco é o inverso do Augusto. Também chamado Carabranca, Pierrot, Enfarinhado e Esperto ou Sério. Em vários circos do Brasil ele é conhecido como Escada. O tipo nasceu na Inglaterra em meados do século XVIII, com Giuseppe e Joe Grimaldi, costumava aparecer maquiado de branco e vestido num elegante vestido brilhante. Seus trajes são seu grande diferencial, já que sua elegância revela um clown aristocrata, que, quando contracena com outros palhaços, toma o controle da situação.

Os dois formam a dupla mais tradicional de palhaços, com um contrasto apolíneo e bacante, de ordem e desajuste.[1]

Palhaços famosos

Ver também

Referências

  1. a b c d BOLOGNESI, Mário Fernando. Palhaços. 1 ed. São Paulo: Editora Unesp, 2003. 296p
  2. a b RUIZ, R. Hoje tem espetáculo? As origens do circo no Brasil. INACEN, MINC, Rio de Janeiro, 1987
  3. FERRACINI, Renato. A Arte de Não Interpretar Como Poesia Corpórea do Ator. 2. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. 3000 p
  4. a b c d Gabriel Beraldi. «Historia do Clown». madalegria.org.br. Consultado em 28 de março de 2013 
  5. a b c d e f g «Um Pouco da Historia». www.mundoclown.com.br. Consultado em 28 de março de 2013. Arquivado do original em 3 de janeiro de 2014 
  6. Rogério Wassermann. «Tempos Modernos». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de março de 2013 
  7. SALLÉ, A. Des siècles de farceur. In: FABBRI, J., SALLÉE, A. (Org.). Clowns & farceur. Paris: Bordas, 1982, p.74-82
  8. FERRACINI, Renato. A Arte de Não Interpretar Como Poesia Corpórea do Ator. 2. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. 3000 p.
  9. TOWSEN, J. H. Clows. New York: Hawthorn Books, 7976

Bibliografia

Ligações externas

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