Mauritânia Cesariense

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Provincia Mauretania Caesariensis
Província de Mauritânia Cesariense
Província do(a) Império Romano

 

42 a.C.ca. 590
 

Location of Mauritânia Cesariense
Província da Mauritânia Cesariense
Capital: Cesareia
Período : Antiguidade Tardia
 -  Partição da Mauritânia por Cláudio 42 a.C.
 -  Subordinada à Diocese da África 314
 -  Separação da Mauritânia Sitifense 314
 -  Conquistada pelos vândalos 432
 -  Parcialmente reconquistada pelos bizantinos 533
 -  Fundida na Mauritânia Prima ca. 590
 -  Conquista muçulmana do Magrebe Séc. VII

Mauritânia Cesariense era uma província do Império Romano localizada no noroeste do norte da África, onde hoje está a Argélia. Sua capital era Cesareia (e daí o nome Cesariensis), a moderna Cherchel.

História[editar | editar código-fonte]

No século I a.C., o imperador romano Cláudio dividiu a província romana mais ocidental na África, chamada apenas de Mauritânia ("terra dos mauros", que também é a origem do nome "mouros") em Mauritânia Tingitana e Mauritânia Cesariense.

Na época de Diocleciano (r. 284-305) e de Constantino (r. 306-337), a Cesariense foi colocada sob a jurisdição da recém-criada Diocese da África, parte da Prefeitura pretoriana da Itália e África, enquanto que a Tingitana, por motivos logísticos, tornou-se um posto avançado da Diocese da Hispânia, parte da Prefeitura das Gálias. Cesareia era um grande centro do judaísmo antes de 330 enquanto Sitifis (moderna Sétif) era um dos centros do culto militar de Mitras. O cristianismo se espalhou pela região durante os séculos IV e V.

Quando Diocleciano criou a Tetrarquia, a parte mais oriental da província foi destacada para formar uma outra menor chamada Mauritânia Sitifense (no território do moderno estado de Marrocos), com capital na cidade interiorana de Sitifis e com um importante porto em Saldas (moderna Bugia).

Na classe dominante, o cristianismo trinitário foi substituído pelo arianismo com a chegada do povo germânico dos vândalos, que conquistou a região e estabeleceu o Reino Vândalo em 430 depois de cruzar o estreito de Gibraltar. Eles foram, por sua vez, conquistados pelos exércitos bizantinos por volta de 533, mas a maior parte da Mauritânia Cesariense permaneceu sob o controle de governantes mouros locais, como Mastigas, e a não foi até as décadas de 560 e 570 que o controle bizantino se estabeleceu sobre a região interior.

O imperador Maurício, em algum momento entre 585 e 590, criou o Exarcado de Cartago[1] e, na nova configuração, a Mauritânia Cesariense e a Mauritânia Sitifense foram novamente fundidas para formar a nova Mauritânia Prima.

Economia e legado[editar | editar código-fonte]

Os principais produtos exportados da Mauritânia Cesariense eram os corantes púrpuras e madeiras raras. Além disso, os amazigh (berberes) e os mauros (mauri) eram muito estimados pelos romanos como soldados ou como parte da cavalaria ligeira. Nasceram na região também o imperador Macrino e um dos melhores generais de Trajano, Lúsio Quieto.

Sés episcopais[editar | editar código-fonte]

As sés episcopais da província que aparecem no Anuário Pontifício como sés titulares são[2] :

  • Ala Miliária (Beniane)
  • Álbulas (Aïn Témouchent)
  • Altava (Ouled Mimoun, Hadjar-Er-Roum)
  • Amaura (Amourah)
  • Ambia (perto de Hammam-Bou-Hanifia)
  • Águas na Mauritânia (Distrito de Hammam Righa)
  • Águas Sirenses (Aquae Sirenses; ruínas em Hammam-Bou-Hanifia)
  • Arena (Bou-Saada?)
  • Arsenaria (Bou-Râs?)
  • Auzia (Aumale, Sour-Khazlam)
  • Bacanaria
  • Baliana (L'Hillil?)
  • Bapara (perto do promontório de Ksila?)
  • Benepota
  • Bida (ruínas de Djemâa-Sahridj?)
  • Cesareia na Mauritânia (Cherchell)
  • Caltadria
  • Caput Cilla (ruínas de El-Gouéa?)
  • Cartenas
  • Castelo Ripas (Castellum Ripae; ruínas de Hadjar-Ouaghef?)
  • Castelo Tatroporto (Castellum Tatroportus)
  • Castelo dos Tingícios (Al Asnam)
  • Castelo Iabar (Castellum Iabar)
  • Castelo dos Medos (Castellum Medianum)
  • Castelo Menor (Castellum Minus; Coléa, perto de Argel)
  • Castro Novo
  • Castra Severiana (Lalla Marnia? Chanzy, Sidi-Ali-Ben-Joub?)
  • Catabo Castra (Catabum Castra; Saint-Aimé, Djidioua?)
  • Catro (Catrum)
  • Catula (Oued Damous?)
  • Cenas (Cenae; Ilhas Kenais)
  • Cissi
  • Columnata
  • Corniculana
  • Elefantária na Mauritânia (ruínas em Harrach)
  • Fallaba (Djelfa?)
  • Fidoloma
  • Flenucleta
  • Floriana (Letourneux, Derrag?)
  • Flumenzer (Bou Medfa)
  • Fronta
  • Monte Giru (Giru Mons; ruínas de Yerroum?)
  • Gracianópolis
  • Gunugo (Gunugus; Sidi-Brahim)
  • Gipsaria (Gypsaria; Honeïn)
  • Ida na Mauritânia
  • Igilgilli (no vale de Bou-Sellam?)
  • Iômnio (Iomnium; Tzigiri)
  • Iunca na Mauritânia
  • Castelo Lari (Lari Castellum; Imilaën)
  • Lamdia (Médéa)
  • Maiuca
  • Maliana
  • Manacenser (Manaccenser; na região de Cherchell)
  • Maturba
  • Maura (Douelt-Zerga?)
  • Mauriana
  • Maxita (na região de Al-Asnam?)
  • Média
  • Mina (ruínas perto de Rezilane)
  • Nabala
  • Nasbinca

Referências

  1. Julien (1931, v.1, p.273)
  2. Annuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Westermann, Großer Atlas zur Weltgschichte (in German)