Diocleciano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Setembro de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Diocleciano
Imperador romano
Diocletian Bueste.JPG
Diocleciano
Reinado 20 de novembro de 284 – 1 de abril de 286 (sozinho)
1 de abril de 286 – 1 de maio de 305 (como Augusto do Império do Oriente, com Maximiano como Augusto do Ocidente)[1]
Rainha Prisca
Antecessor(a) Numeriano
Sucessor(a) Constâncio Cloro e Galério
 
Nome completo
Díocles (nome completo desconhecido, utilizado até à ascensão ao trono);
César Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto (Caesar Gaius Aurelius Valerius Diocletianus Augustus, já imperador)[2]
Nascimento ca. 22 de dezembro de 244[3]
Dóclea, próxima a Salona,[4] Dalmácia (na atual Croácia)
Morte 3 de dezembro de 311 (66 anos)[5]
Palácio de Diocleciano, em Espalato (atual Split)
Filho(s) Galéria Valéria

Caio Aurélio Valério Diocleciano (em latim: Gaius Aurelius Valerius Diocletianus[notas 1] (Diocleia, c. 22 de dezembro de 244[3] – Espalato, 3 de dezembro de 311),[5] foi imperador romano de 284 a 305.

Nascido numa família ilíria de baixo status social, na província romana da Dalmácia, Diocleciano ascendeu socialmente pela via militar e se tornou comandante de cavalaria do imperador Caro. Após as mortes de Caro e de seu filho, Numeriano, durante uma campanha militar contra o Império Sassânida, Diocleciano foi aclamado imperador. O título também era disputado pelo outro filho de Caro, Carino, que foi derrotado por Diocleciano na Batalha do Margo. Com sua ascensão ao poder, Diocleciano pôs um fim à Crise do terceiro século. Indicou um oficial, seu colega militar, Maximiano, para o cargo de "augusto", na prática co-imperador, em 285, e em 1 de março de 293 indicou Galério e Constâncio como "césares", co-imperadores de menor estatura. Sob esta "Tetrarquia", ou "governo de quatro", cada imperador tinha autoridade sobre um quarto do império, embora fosse um governo conjunto. Durante campanhas contra os sármatas e tribos do Danúbio (285-290), os alamanos (288) e usurpadores na província do Egito (297-298), Diocleciano defendeu as fronteiras do império e expulsou delas quaisquer ameaças a seu poder. Em 299, conduziu negociações com os sassânidas, o tradicional inimigo do império no Oriente, obtendo uma paz duradoura e favorável aos romanos. Diocleciano separou e ampliou os serviços militar e civil do império e reorganizou as divisões provinciais, implementando o maior e mais burocrático governo na história do Império Romano. Fundou novos centros administrativos em Nicomédia (atual İzmit), Mediolano (atual Milão), Antioquia e Augusta dos Tréveros (atual Tréveris), mais próximos às fronteiras imperiais do que a tradicional capital, em Roma. A partir da tendência ao absolutismo comum aos governantes do século III, passou a se denominar um autocrata, elevando-se acima das massas do império com formas imponentes de cerimonial na sua corte e através da arquitetura. O crescimento burocrático e militar, suas constantes campanhas e projetos de construção aumentaram os gastos estatais, e levaram a uma necessária reforma tributária. A partir de 297, os impostos imperiais foram padronizados e tornados mais equitativos, e, de um modo geral, passaram a consistir de taxas mais altas.

Nem todos os planos de Diocleciano tiveram sucesso. O Édito Máximo, de 301, sua tentativa de controlar a inflação através do controle de preços, foi malsucedido, contraproducente e rapidamente ignorado. Embora tenha sido bem-sucedido enquanto esteve em vigor, o sistema tetrárquico de Diocleciano ruiu logo após sua abdicação, diante das disputas dinásticas rivais de Magêncio e Constantino, filhos de Maximiano e Constâncio, respectivamente. A Perseguição de Diocleciano (303-313), a última, maior e mais sangrenta perseguição oficial do cristianismo a ser implementada pelo império, não só não conseguiu destruir a comunidade cristã como ainda a deixou mais fortalecida. Após 313, a religião tornou-se a predileta do império,com o Edito de Tolerância de Milão especialmente depois de seu primeiro imperador cristão, Constantino. Apesar de seus insucessos, as reformas de Diocleciano alteraram fundamentalmente a estrutura do governo imperial romano, e ajudaram a estabilizar o império econômica e militarmente, permitindo que ele continuasse essencialmente intacto pelos próximos cem anos, apesar de ter chegado muito perto do colapso total durante a juventude de Diocleciano. Em 1 de maio de 305, enfraquecido pela doença, Diocleciano abandonou o palácio imperial e se tornou o primeiro imperador romano a abdicar voluntariamente de seu cargo. Viveu os últimos anos de sua vida em seu palácio na costa da Dalmácia, cuidando de suas hortas e jardins. Seu palácio posteriormente se tornou o centro da cidade moderna croata de Split.

Nascimento e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Diocleciano provavelmente nasceu nas proximidades de Salona, na Dalmácia (atual Solin, na Croácia), por volta de 244.[3] Seus pais o chamaram de Díocles ou, possivelmente, de Díocles Valério.[6] O historiador moderno britânico Timothy Barnes aceita seu aniversário oficial, 22 de dezembro, como seu aniversário real; outros autores, no entanto, não têm esta certeza.[7] Os pais de Diócles vinham de uma classe social baixa, e os autores que o criticaram alegavam que seu pai era um escriba ou um liberto que pertencera ao senador Anulino, ou até mesmo que o próprio Diócles seria um liberto. Os primeiros quarenta anos de sua vida são, em sua maior parte, obscuros.[8] O cronista bizantino João Zonaras afirmou que ele era duque da Mésia (Dux Moesiae),[9] um comandante das tropas estacionadas no baixo Danúbio.[10] A pouco confiável História Augusta afirma que ele serviu na Gália, porém este relato não é corroborado por qualquer outra fonte, e é ignorado pelos historiadores modernos.[11]

Sua mulher, Prisca, era cristã, assim como sua única filha, Valéria, que depois se casaria com o imperador Galério.

Durante os primeiros anos de vida de Diocleciano, o Império Romano encontrava-se em crise. Os imperadores eram instáveis e concediam altos aumentos aos soldados de cada exército para ganhar o seu apoio. Como consequência, a partir de 235, exércitos por todo o império aclamavam os seus generais como imperadores rivais. A guerra civil que daí adveio tornou permeáveis as fronteiras do império à invasão dos Godos, Francos e Alamanos a Norte e aos Persas a Leste.

Diocleciano procurou a fortuna no exército. Durante o seu período no exército provou ser astuto, hábil e ambicioso. Foi nomeado "Duque da Mésia" (uma província na margem do baixo Danúbio) tendo responsabilidades na defesa das fronteiras do império. Era um oficial prudente e metódico, preocupando-se mais com a vitória do que com a glória.

Em 282, as legiões do alto Danúbio proclamaram imperador o prefeito pretoriano Marco Aurélio Caro. Diocleciano foi bem sucedido sob o comando do novo imperador e foi promovido a comandante da [avalaria da guarda pessoal imperial - posto este que colocava quem o ocupava, desde Galiano, na condição de virtual candidato ao trono imperial. Em 283, foi-lhe concedida a honra de ascender à dignidade de cônsul. Em 284, durante uma campanha militar com os sassânidas, Caro foi morto. Este acontecimento colocou o império nas mãos dos seus dois jovens filhos: Numeriano no Leste e Carino no Ocidente. Num curto período de tempo, Numeriano morreu sob circunstâncias misteriosas (seu corpo teria sido encontrado dentro de sua tenda) perto de Nicomédia e Diocleciano - após ter matado com suas próprias mãos e em público o prefeito pretoriano de Numeriano, Aper, a quem responsabilizou pelo assassinato do imperador - foi aclamado imperador, mudando seu nome de Diócles para Diocleciano. Em 285, Carino foi morto em combate perto de Belgrado e Diocleciano passou a controlar todo o império.

Na Roma de então, o poder autocrático era incompetente para governar e defender o imenso império e várias províncias tentaram se libertar e viver sob o governo de imperadores próprios. Dada a complexidade dos problemas políticos e administrativos decorrentes da vastidão do Império Romano, bem como a necessidade de um sistema organizado para a sucessão dos imperadores, julgou Diocleciano que a forma de resolver essas questões seria dividir de facto (juridicamente ele continuava uno) o Império Romano em Oriente e Ocidente.

Partilhou o poder com Maximiano, general de sua confiança, que foi proclamado seu associado (césar) em 285. Em 286, no entanto, diante da Revolta de Caráusio, que pretendia ver reconhecida sua autoridade sobre a Britânia e a costa do canal da Mancha, Maximiano foi proclamado "augusto", ficando estabelecido que governaria o Ocidente (pars Occidentis) a partir de Mediolano, cabendo a Diocleciano o governo do Oriente (pars Orientis) a partir de Nicomédia (atual İzmit), no mar de Mármara. Diocleciano não dividiu propriamente o poder com seu companheiro de armas Maximiano, pois, na realidade, Diocleciano estava colocado em posição superior à de Maximiano: na titulatura então desenvolvida, Diocleciano era Jovius, semelhante a Júpiter, o máximo deus romano, enquanto Maximiano era Herculius, semelhante a Hércules, o herói máximo da mitologia romana, que, no entanto, era filho e servidor de Júpiter.

A partir daí, o império passou a ter dois augustos, cada qual com exército, administração e capital próprios, embora Diocleciano continuasse a ser o chefe do Estado, representando a unidade do mundo romano. Esse sistema ficou conhecido como diarquia.

Governo civil e militar[editar | editar código-fonte]

Reformas administrativas[editar | editar código-fonte]

As reformas de Diocleciano foram um conjunto de modificações criadas no Império Romano sob Diocleciano e Maximiniano, como a divisão do Império em Oriental e Ocidental[12] de modo a facilitar sua administração. As reformas realizadas contribuíram para adiar a queda do Império Romano e criaram os fundamentos do Império Bizantino.[13]

Tetrarquia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Tetrarquia
As 12 dioceses na nova divisão tetrárquica do Império Romano implantada por Diocleciano por volta de 300 d.C.

Diocleciano realizou reformas profundas a fim de salvar o império da derrocada iminente. Ele tinha três objetivos: fortalecer seu poder, reformar os métodos de governo e regenerar o exército. Para isso promoveu reformas na administração e no recrutamento militar, aumentando o efetivo militar permanente de 350 mil para aproximadamente 400 a 500 mil homens.

Contrariamente ao que muitos estudiosos pensaram - a partir do historiador alemão Theodor Mommsen - parece não ter sido Diocleciano que introduziu a divisão entre o "exército móvel" de elite e as "tropas de fronteira" como exército estacionário de segunda classe: esta reforma parece ter sido realizada pelo seu sucessor Constantino I.

O que Diocleciano fez foi reformar o dispositivo militar, estabelecendo que cada província de fronteira tivesse, em condições normais, de "paz" duas legiões nela estacionadas, comandadas pelo governador. Estas "legiões", no entanto, não eram mais unidades militares ofensivas como na época do Principado, que operavam como uma unidade, mas corpos de tropas que encontravam-se espalhadas por diversas praças fortes nas fronteiras e em suas proximidades, exercendo uma função de vigilância e defesa passiva local. Em caso de conflito aberto, que exigisse a formação de um exército de campanha para uma defesa ativa, repelindo as forças invasoras, o comando das forças militares do teatro de operações era atribuído a um duque, que comandaria as legiões locais e os destacamentos (vexillatio) vindos de outras províncias - a ideia era a de separar a autoridade política do governador dos grandes comandos militares.

O império foi dividido em quatro regiões administrativas. Em 293, cada imperador escolheu um sucessor: Diocleciano indicou Galério enquanto Maximiano indicou Constâncio Cloro. A partir de então, passaram a existir quatro imperadores, dois deles com o título de augusto (augustus) e dois com o título de césar (caesar). Constâncio Cloro e Galério foram proclamados césares. Os césares eram chefes militares capazes de governar e proteger o império, adotados como filhos pelos augustos, a quem sucederiam em caso de morte, incapacidade provocada pela velhice ou decorridos vinte anos de seus governos. Os césares, lugar-tenente dos augustos, também possuíam capital, exército e administração próprios. A essa organização dá-se o nome de tetrarquia, pois há dois augustos e dois césares.

O Dominato[editar | editar código-fonte]

Diocleciano instaurou o Dominato, ou seja, uma monarquia despótica e militar, de tipo helenístico. Sob a influência de ideias orientais, o príncipe converteu-se em senhor (dominus), isto é, em amo ou governante absoluto à frente de uma grande burocracia. O imperador tornava-se "senhor e deus" e todos que eram admitidos em sua presença eram obrigados a ajoelhar-se e beijar a ponta do manto real. Extinguiu-se, com isso, o principado romano: os civis haviam sido suplantados pelos militares, e o senado foi eclipsado por uma nobreza burocrática.

Sintomaticamente, Diocleciano foi o primeiro imperador romano a abandonar Roma como capital, exercendo o governo a partir da cidade grega de Nicomédia na Ásia Menor (atual İzmit, na Turquia), onde havia sido aclamado imperador. Seu colega ocidental, Maximiano, mantinha residência em Mediolano (atual Milão), mais próxima da fronteira do Danúbio.

Quanto aos césares, Constâncio Cloro mantinha sua residência imperial em Augusta dos Tréveros (atual Tréveris, na fronteira do rio Reno), e Galério, na Dácia, na cidade de Sirmio (atual Sremska Mitrovica, na província sérvia da Voivodina). As capitais imperiais passaram a ser "funcionais", no sentido de que eram escolhidas em função das necessidades militares de defesa das fronteiras.

Ruínas das termas de Diocleciano no século XVI

Diocleciano, no decorrer de seu reinado, deve ter visitado Roma uma ou duas vezes - a visita mais conhecida sendo quando da comemoração de sua Vicenália, o jubileu de vinte anos do seu reinado, quando deixou a cidade precipitadamente após dois meses de estadia, irritado com o familiaridade indevida da plebe romana. Mas, ainda assim, não negligenciou a velha cidade, que - agora como mero símbolo do poder romano - recebeu a doação das gigantescas Termas de Diocleciano, construídas como parte das comemorações dos mesmos vinte anos da ascensão de Diocleciano ao poder. Como parte deste programa de construções, a Cúria Júlia e o Fórum de César foram remodelados, com a construção, ou reconstrução, de um arco do triunfo fazendo a ligação entre a Cúria e o Fórum, arco este decorado com partes de monumentos a Trajano e Marco Aurélio reutilizados (spolia) - uma prática que se tornaria comum durante na Roma da Antiguidade tardia, com velhos monumentos (e imagens de velhos imperadores) sendo canibalizados para a construção de novos - como no Arco de Constantino, em que os rostos dos antigos imperadores seriam substituídos pelo de Constantino. O senado, nesta estrutura, apesar das homenagens recebidas, passou a ser um simples conselho municipal da cidade de Roma.

Paradoxalmente, a reforma de Diocleciano, continuada por seus sucessores, ao mesmo tempo que garantiu a estabilidade do império por mais dois séculos, acentuou ainda mais a crise estrutural do Império Romano. No campo militar, desenvolveu campanhas contra os sassânidas, assegurando uma paz de quase quarenta anos e estabilizando o domínio romano na Mesopotâmia e zona do Cáucaso, pela criação de uma zona-tampão em torno do curso norte do rio Tigre, a partir do qual os romanos podiam controlar a Armênia e flanquearem o Império Sassânida pelo Norte.

A fronteira sassânida foi, no entanto, o único setor em que houve recuperação de territórios antes ocupados por Roma: em outras regiões, a fronteira foi invariavelmente estabilizada pelo abandono de territórios considerados de difícil defesa: na Mauritânia Tingitana, a extensão da cabeça de ponte em torno de Tânger, a fronteira de Volubilis, foi abandonada após operações de limpeza dirigidas por Maximiano, que atravessou combatendo a região de Tânger até Cartago. Na província romana do Egito, foi abandonado o território em torno da ilha Elefantina, entregue a nativos que nele organizaram um estado tampão.

Crise do século III[editar | editar código-fonte]

Por longo tempo muitos estudiosos do Alto Império Romano costumeiramente identificaram a dinastia dos Antoninos como o ápice do sistema político imperial[14]. Essa proposição levou a interpretação de que os governos que se seguiram contribuíram fortemente para a instauração de uma crise ou período de decadência do Império. Nesse sentido, a dinastia dos Severos, por terem sucedido os Antoninos, foi reiteradas vezes tida como responsável pelas várias crises que ocorreram na passagem do Século II para o Século III. O fim da dinastia severiana levou a historiografia a classificar como “Anarquia Militar”, “Crise do terceiro século” ou “Período dos Imperadores – Soldados” o período em que vários governos após a dinastia severiana entre 235 e 284 d.C.[15]

A dinastia severiana, devido a sua ligação com elementos militares para a manutenção de seu poder, é muitas vezes vista pela historiografia  como os responsáveis pela criação de uma “Monarquia Militar” na passagem do século III para o IV d.C. Esse seria o momento em que a crise, que marcaria os governos do Século VI d.C., teria tido início. Nesse sentido, os Severos, por se preocuparem apenas com o apoio dos soldados, teriam se afastado da positiva forma de governo adotada pelos Antoninos, que preocupavam-se em conseguir apoio junto a outras camadas da sociedade. Dessa forma, os governos posteriores ao assassinato de Caracala, último imperador da dinastia severiana, são apresentados como governos marcados por sérias dificuldades, como o aumento da inflação, a impossibilidade de manutenção da segurança nas fronteiras e descontentamento das legiões. Em 235 d.C., Maximino, ao proclamar-se imperador após assassinar Severo Alexandre e sua mãe, inicia o período conhecido como  Crise do Século III , que se estendeu até 284 d.C., quando Diocleciano chegou ao poder[16].

Essa imagem de crise e decadência instaurada no século III vem sendo reiteradas vezes contestada pelos estudos mais recentes sobre o período. Os historiadores que defendem a tese da não crise apresentam dois motivos principais para a não existência dela o primeiro deles é que, apesar das mudanças estruturais ocorridas ao longo desse período, manteve-se um sistema político-econômico estável ao longo de todo o Império e, depois, a ideia de crise não era um consenso entre os habitantes das diferentes regiões do vasto império.

Existem evidências que entre os séculos II e IV fatores como poder imperial, cultura literária da elite e os modos de vida no interno das cidades e áreas rurais, permanecerem inabaláveis.  O sistema imperial como um todo não foi perturbado, apesar das turbulências político-militares[17]. Por outro lado, os problemas com exército, inflação, política e até mesmo a substituição da mão de obra escrava também ocorreram nos séculos II e IV[18], por isso a ideia de crise não poderia ser restrita apenas ao século III, ela foi característica de um longo período.

A ideia de crise também não era um consenso na época, visto que a maior parte da população não tinha essa noção, sendo algo mais restrito aos políticos, soldados e pessoas que vivam nas áreas de fronteiras, onde ocorreram diversas invasões[19]. Um modelo histórico tão geral não tem como dar conta de explicar toda a complexidade e as situações individuais que marcaram um Império tão vasto como o romano[20]. Outro ponto que corrobora esse argumento é o fato de que algumas regiões do Império, como a província do Egito e outras regiões do norte da África, apresentaram crescimento econômico e não teriam sido afetadas pelas ameaças militares[21].

Reformas econômicas[editar | editar código-fonte]

Quando Diocleciano assumiu o poder como imperador, junto ele assumiu todos os problemas econômicos do império, então durante seu governo ele tomou várias medidas para estabilizar a economia. Dentre estas medidas estão à reforma feita na cobrança de impostos e a maneira como eles seriam cobrados, que contava com um censo para saber com quanto cada cidadão poderia contribuir. Também fez uma mudança na cunhagem das moedas, organizou a sua produção para tentar resolver a instabilidade da economia e dar novamente valor para as moedas do império. Além destas, houve também a emissão do Edito de Preço Máximo, que estabelecia um preço máximo e fixo para todos os produtos, na intenção de estabilizar a inflação.[22]

Reformas fiscais[editar | editar código-fonte]

O Império Romano vinha de uma falta de organização na taxação dos produtos e cobrança dos impostos, além de receber o império já com uma inflação muito alta e com a sua moeda valendo muito pouco. Pensando nisso, Diocleciano decidiu fazer algumas alterações no sistema de impostos, que nesta época eram necessários não somente para o uso geral do império, como também para cobrir os custos e gastos com o contingente militar de Diocleciano [23]

Ele enviou então agentes para analisar todos os produtos e a quantidade que cada cidadão produzia, para com isso fazer um recenseamento e assim saber quanto cada um produzia e com quanto cada um poderia ajudar. Esta avaliação era feita através de uma análise de bens (caput) e da terra (iuga), no qual o preço a ser pago dependeria do tamanho da terra, dos animais, da quantidade de trabalhadores que ali exerciam sua função. [24] Mas mais um problema precisava ser solucionado para que este novo método de impostos funcionasse, o modo de pagamento. Como a moeda romana vinha passando por uma grande desvalorização, Diocleciano decidiu a forma de pagamento dos impostos, que não seriam mais feitos com dinheiro, mas com produtos. Uma lista das necessidades era gerada e cada cidadão pagaria com o que poderia e com a quantia que lhe cabia, dependendo do resultado dor recenseamento. [25]

Outra reforma de Diocleciano dizia respeito à proibição de abandono por parte dos colonos agricultores e arrendatários das terras que cultivavam. Os trabalhadores urbanos também deveriam passar seus ensinamentos para seus filhos, mantendo assim uma estabilização na demanda e produção.[26]

Reforma na cunhagem[editar | editar código-fonte]

As moedas do império chegaram ao comando de Diocleciano valendo muito pouco. Então Diocleciano fez uma reforma nas moedas e suas formas de cunhagem. Em 294, ele reorganizou as casas de cunhagens romanas, que na época eram muitas e espalhadas por várias províncias, o que dificultava ainda mais o processo de fiscalização. Criou então algumas casas principais, nas principais cidades do império para que se tivesse um padrão de qualidade nas moedas. Ele inseriu então três moedas as de ouro (aureus), serviam para realizar apenas os pagamentos militares, as moedas de prata (argenteus) e as moedas de bronze (denarii) que seriam usadas para as transações menores e corriqueiras. [27]

Essas moedas foram implantadas não somente para revigorar a economia romana, mas também traziam em seu corpo desenhos que representavam a riqueza do império e também ajudavam na construção da imagem de legitimidade do imperador. Muitas dessas moedas cunhadas possuíam imagens de Diocleciano de um lado e de Júpiter do outro ou então Maximiano e Hércules. Essas associações divinas representavam a aprovação divina e além de legitimar o poder tanto de Diocleciano quanto de Maximiano contribuiu para que durante grande parte da Tetrarquia fossem considerados filhos desses deuses. [28]

Edito Máximo - 301 d.C.[editar | editar código-fonte]

O Império Romano passava por uma grande inflação devido a total desvalorização das moedas locais, para isso junto com a reorganização das casas de cunhagem, Diocleciano lançou um Edito para tentar contornar esta situação. Um edito era a maneira com a qual o imperador fazia para se comunicar com todo o resto da população, dando avisos e ditando leis, estas ficavam geralmente expostas em lojas e centros de mercados, onde a maioria das pessoas teria acesso para ler. [29]

O Edito Máximo tinha como premissa fixar o preço máximo que um produto poderia ser vendido. Se algum comerciante, vendedor ou produtor quisesse vender seus produtos por um preço menor, nada o impediria disso, ele estava apenas não poderia vender seus produtos por preços maiores que os ditados pelo edito. Caso alguém vendesse por preços maiores que os propostos, seria condenado a pena capital, a mesma atribuída para crimes como o estupro de uma Vestal e traição. Um dos produtos incluídos dentro do edito foi a seda de cor púrpura. A única pessoa capaz de obter esse tipo de mercadoria seria o próprio imperador. Com base nisso muitos estudiosos tendem a acreditar que esse ato serviria para mostrar para a população que o imperador seguiria os mesmos padrões dos demais habitantes do império. [30]

Porém, sua única função não foi estabilizar a economia romana, mas também para confirmar o poder e controle de Diocleciano sobre a economia. Se o édito conseguisse estabilizar a economia, Diocleciano continuaria no comando do império. Para isso, na introdução escrita por ele mesmo para o edito alega que muitas outras vezes na história do império, outros imperadores já haviam usado editos para tentar resolver questões pertinentes. Além disso, Diocleciano alega ao povo que a culpa estava nos mercadores que por causa da ganância, causaram este grande problema. [31]

Existem dúvidas acerca da abrangência geográfica do edito. Pelo fato de não se ter encontrado evidências sobre o edito no lado Ocidental do Império, muitos pesquisadores acreditam que ele tenha sido promulgado somente para o Império Oriental. Mas é necessário levar em conta que as cartas, editos e/ou mensagens demoravam muito tempo para chegarem de um lado do império até o outro. Outro fator que deve ser considerado é o fato que em 303 d.C., dois anos após a emissão do Edito Máximo, Diocleciano promulgou também o Edito Contra os Cristãos, que fez com que Diocleciano tivesse sua atenção voltada muito mais para os cristãos, dando assim muito mais importância para a perseguição a eles. [32]

A Grande Perseguição[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Perseguição de Diocleciano

Desde o século I, os cristãos praticavam sua religião no território romano, mas não reconheciam a divindade do imperador, logo, foram considerados praticantes de uma religião transgressora, que desconsiderava a moralidade.[33] O cristianismo estava disseminado pelo Império Romano, exercendo sua religião ilícita e tomando espaço entre os romanos, implicando nas medidas persecutórias (éditos) de Diocleciano para restaurar a pureza moral do Império Romano, o respeito às leis romanas que promoveriam a indulgência divina[34] e a credibilidade na divindade do Imperador.[35]

Os primeiros éditos persecutórios - promulgados em 303 - removeram cristãos de cargos públicos e destruíram igrejas[36],  mas o que mais temiam os cristãos era o dies traditionis, que consistia no dia da entrega das escrituras bíblicas ao império, para que estas fossem queimadas. O medo se caracterizava, pois acreditava-se na perda do poder sacramental que esses elementos continham.[37] Os próximos éditos lançados até 304, tornavam a vida e o culto cristãos cada vez mais árduos, pois estabeleciam medidas como detenção de líderes eclesiásticos e a obrigatoriedade do sacrifício aos deuses pagãos sob pena de execução.[38] Diferindo do tetrarca Galério, Diocleciano não era favorável ao assassínio, porém houve esse apelo no quarto édito.[39]

A diligência era liderada geralmente por um curador, um delegado da autoridade imperial, que durante o governo de Diocleciano ganhou o poder para administrar a finança e a polícia da cidade. Estes curadores eram auxiliados pelos officium publicum (secretários, escrivães, arquivistas) para cumprir as demandas fiscais contra os cristãos, e para isso, acredita-se que usavam de trabalhadores braçais para o transporte dos bens adquiridos das igrejas.[40]

Após a abdicação de Diocleciano e Maximiano, em 305, a perseguição não se manteve no império ocidental. No oriente, em 311 d.C, Galério, enfermo, promulgou sua retratação, permitindo os cristãos a retomarem sua religião e seus lugares de culto. Galério ainda pediu que rezassem pela saúde dos imperadores e da res publica.[41]

O Edito de Galério, em 311, cessou oficialmente a perseguição, tornou o Deus dos cristãos umas da divindades patrona do Império e ajudou na consolidação das relações do cristianismo com o poder imperial. Entretanto, a perseguição no oriente se manteve sob a jurisdição de Maximino Daia, um César sobrinho de Galério.[42]

Desde meados dos século III, as ações persecutórias financiadas pelo poderio imperial romano podem ser compreendidas como globais. Por meio de éditos imperiais, buscava-se a legislação sobre uma unidade normativa de culto que tinha por objetivo manter a pax deorum (“paz dos deuses”).[43]

Outras reformas[editar | editar código-fonte]

Diocleciano impôs o uso do latim como língua administrativa nas províncias de língua grega do Oriente. Prestigiou as leis romanas. Dividiu o império em 101 províncias, agrupadas em doze dioceses reunidas em quatro prefeituras.

Moedas com a efígie de Diocleciano[editar | editar código-fonte]

Abdicação e morte[editar | editar código-fonte]

Diocleciano "aposentado".

Satisfeito por ver o sistema tetrárquico assegurado com a proclamação de Constâncio Cloro e Galério como imperadores, abdicou, juntamente com Maximiano, em 305, conforme havia estabelecido, e retirou-se para um palácio que mandou construir na costa da Dalmácia, precisamente o Palácio de Diocleciano, que mais tarde daria origem à actual cidade croata de Split, próximo a Salona (atual Solin), capital da província romana.

Notas

  1. Nascido Díocles (latim: Diocles; grego: Διοκλῆς), seu nome foi latinizado, com sua ascensão ao trono, para Diocleciano.

Referências

  1. Barnes, New Empire, 4.
  2. Barnes, New Empire, 4. e 17–29.
  3. a b c Barnes, New Empire, 30, 46; Bowman, "Diocletian and the First Tetrarchy" (CAH), 68.
  4. Barnes, New Empire, 31; Bowman, "Diocletian and the First Tetrarchy" (CAH), 68; Williams, 237–38.
  5. a b Barnes, "Lactantius and Constantine", 32–35; Barnes, New Empire, 31–32.
  6. Aurélio Vítor, 39.1; Potter, 648.
  7. Barnes, New Empire, 30; Williams, 237–38; cf. Rees, Diocletian and the Tetrarchy, 86: "Nem mesmo sabemos quando ele nasceu..."
  8. Barnes, Constantine and Eusebius, 4; Bowman, "Diocletian and the First Tetrarchy" (CAH), 68; Potter, 280; Williams, 22–23.
  9. Zonaras, 12.31; Southern, 331; Williams, 26.
  10. Mathisen, "Diocletian"; Williams, 26.
  11. SHA, Vita Carini 14–15; Williams, 26.
  12. Zeno Hastenteufel. Infância e adolescência da igreja. EDIPUCRS; GGKEY:WZLBZNDBNK4. p. 31.
  13. ANTONIO ALLEONI CORR A DE GODOY. Visões de redenção. biblioteca24horas; ISBN 978-85-7893-737-9. p. 6.
  14. (GONÇALVES, 2006, p.175) [S.l.: s.n.] 
  15. (GONÇALVES, 2006, p.175 - 179) [S.l.: s.n.] 
  16. (GONÇALVES, 2006, p.180 - 186) [S.l.: s.n.] 
  17. (WISTCHEL, 2004, p. 273 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 158,)
  18. (BRAVO CASTAÑEDA, 2012, p. 121 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 159, )
  19. (ANTIQUEIRA, 2015, p. 156)
  20. (WITSCHEL, 2004, p. 252 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 157 )
  21. (STROBEL, 1993, p. 11 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 156 )
  22. PETITT, 2012, p.2 e p.67. SILVA; MENDES, 2006, p. 211.
  23. PETITT, 2012, p.66-68.
  24. SILVA; MENDES, 2006, p.211.
  25. PETITT, 2012, p.69-71.
  26. CARLAN, 2006, p.9.
  27. CARLAN, 2006, p.9. BOWMAN, 2005, p.83. PETITT, 2012, p.67.
  28. CARLAN, 2006, p.9-11.
  29. PETITT, 2012, p.67, p.73 e p.83.
  30. PETITT, 2012, p.79 e p.82
  31. PETITT, 2012, p.66, p.72, p.75 e p.80.
  32. PETITT, 2012, p.83-85
  33. CHEVITARESE, 2006, p. 169 apud OLIVEIRA, 2010, p. 19
  34. SILVA, 2011, p. 37
  35. OLIVEIRA, 2010, p. 19-21
  36. SILVA, 2011, p. 37
  37. OLIVEIRA, 2010, p. 22
  38. OLIVEIRA, 2010, p. 22
  39. SILVA, 2011, p. 38.
  40. LEPELLEY, 1979, p. 225-227 apud OLIVEIRA, 2010, p. 23-34
  41. SILVA, 2011, p. 38
  42. SILVA, 2011, p. 38
  43. SILVA, 2011, p. 40

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

* ANTIQUEIRA, Moisés. Era uma vez a crise do Império romano no século III: percursos de um recente itinerário historiográfico. Revista Diálogos Mediterrânicos, v. 9, p.152-168, dez. 2015.
  • CARRIÉ, Jean-Michel & ROUSSELE, Aline - L'Empire Romain en Mutation, des Sévères à Constantin, 192-337, Paris, Seuil, 1999.
  • CHRISTOL, M. & NONY, D. - Rome et son Empire, Paris, Hachette, 2003 (Há tradução em português).
  • FERRIL, Arther - A Queda do Império Romano, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1989.
  • FINLEY, Moses I. - "O Imperador Diocleciano", IN Aspectos da Antiguidade, Lisboa, Edições 70, 1989
  • GIBBON, Edward - Decline and Fall of the Roman Empire, Chicago, Encyclopaedia Britannica, 1952, 2 volumes (trad. parcial em português).
  • GONÇALVES, Ana Teresa Marques. Os Severos e a Anarquia Militar. In: SILVA, Gilvan Ventura da; MENDES, Norma Musco (Org.). Repensando o Império Romano: perspectiva socioeconômica, política e cultural. Rio de Janeiro: Mauad Editora Ltda., 2006. Cap. 8. p. 175-191.
  • LUTTWAK, Edward - The Grand Strategy of the Roman Empire, Filadélfia, The Johns Hopkins University Press, 1979.
  • SAINTE-CROIX, G.E.M. de - The Class Struggle in the Ancient Greek World, Londres, Duckworth, 1983.
  • VALENZANI, Riccardo Santangelo - "The Seat and Memory of Power: Caesar's Curia and Forum", IN Maria Wyke, ed., Julius Caesar in Western Culture, Malden, MA, Blackwell, 2006.
  • PETITT, Joshua Edward. The Extension Of Imperial Authority Under Diocletian And The Tetrarchy, 285-305ce. 2009. 137 f. Tese (Mestrado) - Curso de Artes, Departamento de História, University Of Central Florida, Orlando, 2012. Disponível em: <http://etd.fcla.edu/CF/CFE0004582/Petitt_Joshua_E_201212_HistoryMA.pdf>. Acesso em: 21 out. 2016.
  • CARLAN, Cláudio Umpierre. Poder, imagem e Arqueologia: a iconografia monetária e o exército romano. Revista de História da Arte e Arqueologia, Campinas, SP, n. 6, p.7-14, dez. 2006. Semestral. Disponível em: <http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/downloads/Revista%206%20-%20artigo%201.pdf >. Acesso em: 16 set. 2016.
  • BOWMAN, Alan K. Diocletian and the first tetrarchy, A.D. 284-305. In: CAMERON, Averil; GARNSEY, Peter; BOWMAN, Alan K. (orgs.). The Cambridge ancient history. Volume 12, The Crisis of Empire, A.D. 193-337. 2nd ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. p. 67-88.
  • SILVA, Gilvan Ventura da; MENDES, Norma Musco. Capítulo IX Diocleciano e Constantino: A Construção do Dominato. In: SILVA, Gilvan Ventura da; MENDES, Norma Musco et al (orgs.). Repensando o Império Romano: perspectiva socioeconômica, política e cultural. Vitória, ES: Edufes; Rio de Janeiro, RJ: Mauad, 2006. p. 211.
  • OLIVEIRA, Julio Cesar Magalhães de. A perseguição de Diocleciano na África e os autos da repressão à Igreja de Cirta: os Acta Munatii Felicis. Dimensões, Vitória, v. 25, n. 25, p.18-31, 2010. Disponível em: <http://www.periodicos.ufes.br/dimensoes/article/view/2540/2036>. Acesso em: 16 set. 2016.
  • SILVA, Diego Pereira da. Perseguições aos cristãos no Império Romano (Séc. I-IV): dois modelos de apreensão. Jesus Histórico, ano IV, v. 7, p. 29-44, 2011. Disponível em: <http://www.revistajesushistorico.ifcs.ufrj.br/arquivos7/ARTIGO-DIOGO-DA-SILVA.pdf>. Acesso em: 16 set. 2016

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Diocleciano
  • Sob o Sol já Deitado (em português) Romance histórico, de Odir Fontoura, 2011, que trata da transição paganismo-cristianismo no declínio do Império Romano.
Precedido por
Carino
SPQRomani.svg
Imperador romano
284 — 305
Sucedido por
Constâncio Cloro