Teodora (esposa de Teófilo)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Teodora
Imperatriz-consorte bizantina
Theodora icon.jpeg
Imperatriz Teodora e seu filho, Miguel III, o Ébrio.
Afresco no Kremlin.
Governo
Reinado 5 de junho de 83020 de janeiro de 842
Consorte Teófilo
Antecessor Eufrósine
Sucessor Eudóxia Decapolitissa
Dinastia Frígia
Vida
Nascimento ca. 815
Morte Depois de 867 (52 anos)
Filhos Constantino
Tecla
Ana
Anastácia
Pulquéria
Maria
Miguel III, o Ébrio
Pai Marinos
Mãe Teoctiste Florina
Santa Teodora
Ícone russo da imperatriz Teodora.
Nascimento ca. 815 em ?
Morte Depois de 867 (52 anos)
Veneração por Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 11 de fevereiro (calendário juliano)
Polêmicas Iconoclasma
Gloriole.svg Portal dos Santos

Teodora (em grego: Θεοδώρα - Theodora), dita a Armênia, foi uma imperatriz-consorte bizantina, esposa do imperador Teófilo, e regente de seu filho, Miguel III, o Ébrio, a partir da morte de Teófilo, de 842 até 855. Por seu papel no que ficou conhecido como "Triunfo da Ortodoxia" - a restauração da veneração de imagens e o fim do iconoclasma - ela é venerada como santa na Igreja Ortodoxa e celebrada no dia 11 de fevereiro.

Família[editar | editar código-fonte]

As filhas de Teodora sendo instruídas na veneração de imagens por sua avó, Teoctiste.
Iluminura no "Escilitzes de Madrid", atualmente na Biblioteca Nacional de España em Madri.

Originalmente da Paflagônia, Teodora tinha uma ascendência aristocrática armênia. Os nomes dos seus pais fora preservados em Teófanes Continuado, a continuação da crônica iniciada por Teófanes, o Confessor. Eles se chamavam Marinos, um drungário, e Teoctiste Florina. Genealogistas atribuem a Marinos uma ascendência mamiconiana - ele seria supostamente filho de Artavasdes Mamicônio, o líder da dinastia na década de 770. Manuel, o Armênio, um proeminente general de Teófilo, era tio da imperatriz.

Teodora era irmã de Bardas e de Petronas. Teófanes também relata três irmãs: Calomaria, Sofia e Irene. Esta última teria se casado com Sérgio, o irmão do patriarca de Constantinopla Fócio.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Em 829, o imperador Teófilo ascendeu ao trono, solteiro e com apenas dezesseis anos. No ano seguinte, a sua madrasta, Eufrósine, realizou um desfile de noivas e candidatas de todos os themata viajaram até Constantinopla, incluindo Teodora. O desfile se realizou em maio de 830 e Teodora foi escolhida para se tornar a imperatriz, provavelmente por sua madrasta. O casamento se realizou em 5 de junho de 830, em Santa Sofia. Eufrósine se retirou para um convento em seguida e Teodora permaneceu como a única augusta.

Imperatriz consorte[editar | editar código-fonte]

A família de Teodora parece tê-la seguido até a corte, pois seus irmãos se tornaram oficiais e suas irmãs se casaram com aristocratas da corte. Ela deu cinco filhas e dois filhos a Teófilo e o caçula se tornaria o futuro Miguel III, o Ébrio.

Apesar do fato de Teófilo ser um iconoclasta, Teodora se manteve firme em sua fé na veneração de imagens e mantinha ícones em seus aposentos no palácio imperial. Uma história conta que um servo a testemunhou venerando-os e relatou ao imperador. Quando ela foi confrontada pelo imperador sobre o incidente, afirmou que estava apenas "brincado de bonecas". Dois de seus ícones foram preservados no Mosteiro de Vatopedi, em Monte Atos, e chegaram aos nossos dias, sendo chamados ainda de "bonecas de Teodora". Eles são mostrados anualmente no Domingo da Ortodoxia.

Acredita-se que Teodora tenha intervindo para salvar Lázaro Zografo das torturas infligidas a mando do imperador. Não é certo se esta diferença de crenças entre os dois provocou algum problema na relação, mas ela ficou ao lado do marido até a sua morte prematura, em 20 de janeiro de 842, quando ele tinha apenas 29 anos de idade.

Regente[editar | editar código-fonte]

Depois da morte do marido, Teodoro serviu como regente para o seu filho Miguel. Ela suplantou a política eclesiástica de Teófilo e convocou um concílio na capital imperial, sob a liderança do patriarca de Constantinopla Metódio, que restaurou a iconodulia e depôs o clero iconoclasta.

Ele comandou o governo com firmeza e justiça, repondo os fundos no tesouro e impedindo os búlgaros de invadirem o império. Porém, foi durante a sua regência que uma violenta perseguição contra os paulicianos iniciou.

Com o objetivo de perpetuar seu poder, ela propositalmente negligenciou a educação de seu filho e, por isso, é considerada responsável pelo caráter libidinoso que ele desenvolveu, sob a influência de seu tio Bardas, que era irmão de Teodora[1] .

Teodora também tentou, sem sucesso, lutar contra a autoridade do irmão. Em 855, ela foi deposta de sua regência a pedido dele e, posteriormente, condenada por intrigas e relegada ao Mosteiro de Gastria. Ela morreu após o assassinato de Bardas por Basílio I, o Macedônio, o final da dinastia que ela vinha trabalhando duramente para preservar. Teodora foi glorificada (canonizada) pela Igreja Ortodoxa pelo seu papel na luta contra a iconoclastia.

Família e filhos[editar | editar código-fonte]

Teodora e Teófilo tiveram sete filhos. Eles aparecem na ordem dada por Teófanes:

  • Constantino, co-imperador entre 833 e 855.
  • Tecla (nascida ca. 831 - após 867). Ela foi nomeada Augusta e sua imagem aparece em moedas durante a regência de sua mãe. Posteriormente ela foi confinada num mosteiro por seu irmão Miguel III. Ela foi reconvocada e se tornou uma amante do imperador Basílio I, o Macedônio.
  • Ana (nascida ca. 832). Confinada no Mosteiro de Gastria. Nunca foi reconvocada.
  • Anastácia (nascida ca. 833). Confinada no Mosteiro de Gastria. Nunca foi reconvocada.
  • Pulquéria (nascida ca. 836). Confinada no Mosteiro de Gastria. Nunca foi reconvocada.
  • Maria (nascida ca. 836). Casada com o césar Aleixo Mosele. Seu marido foi colocado no comando da Sicília bizantina, mais foi depois acusado de conspirar pelo trono e forçado a se retirar para um mosteiro. Maria já não estava viva em 856, quando suas irmãs foram expulsas da corte.
  • Miguel III, o Ébrio (19 de janeiro de 840 - 23/24 de setembro de 867), que sucedeu ao pai como imperador bizantino.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Teodora (esposa de Teófilo)
Nascimento: ca. 815 Morte: Depois de 867
Títulos reais
Precedido por:
Eufrósine
Imperatriz-consorte bizantina
830–842
Sucedido por:
Eudóxia Decapolitissa
Vago
Último detentor do título:
Irene de Atenas
Regente do Império Bizantino
842–855
Sucedido por:
Bardas

Referências

  1. Christian Settipani, Nos Ancêtres de l'Antiquité

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Herrin, Judith. Women in Purple:Rulers of Medieval Byzantium (em inglês). London: Phoenix Press, 2001. ISBN 1-84212-529-X

Ligações externas[editar | editar código-fonte]