Ana (esposa de Artabasdo)

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Ana
Imperatriz-consorte bizantina
Governo
Reinado junho de 7412 de novembro de 743
Consorte Artabasdo
Antecessor Maria
Sucessor Tzitzak (Irene)
Dinastia Isáurica
Títulos Augusta
Vida
Floruit 720–740
Filhos Nicetas
Nicéforo
Outros sete de nome desconhecido
Pai Leão III, o Isáurio
Mãe Maria

Ana (fl. 720–740) foi a esposa de Artabasdo, o usurpador do trono bizantino entre junho de 741 e 2 de novembro de 743. Desconhece-se a sua data de nascimento, mas tudo indica que seja anterior a 710, baseado no facto de que os seus filhos, Nicetas e Nicéforo, desempenharam cargos importantes durante o curto reinado do pai.

Ana era filha do imperador Leão III, o Isáurio e da sua esposa Maria e irmã de Constantino V (r. 741–775), o imperador destronado pelo marido. Ambos tinham duas irmãs — Irene e Cosmo, cujos nomes e locais onde foram sepultados estão registados na obra De Ceremoniis de Constantino VII, mas mais nada se sabe sobre eles.

Casamento[editar | editar código-fonte]

O trono do Império Bizantino era instável no início da década de 710. Justiniano II tinha sido deposto e executado em 711 e a sua deposição foi seguida por reinados efémeros de Filípico (r. 711–713), Anastácio II (r. 713–715) e Teodósio III (r. 715–717). Todos ascenderam ao poder através de golpes de estado entre fações do exército bizantino.

Nestas circunstâncias, Leão, estratego (comandante) do Thema Anatólico aliou-se a Artabasdo, estratego do Thema Armeníaco, em 715, com o objetivo de depôr Teodósio e levar Leão ao poder. Essa aliança foi selada com o noivado de Ana, filha do primeiro, com Artabasdo. A revolta dos dois comandantes foi levada a cabo dois anos depois e teve êxito no seu objetivo. Em 25 de março de 717, Leão foi proclamado imperador em Santa Sofia, o que tornou Ana um membro da nova família imperial. O seu casamento foi celebrado depois da subida ao trono do seu pai. O seu marido foi rapidamente nomeado curopalata ("mestre do palácio") e komēs ("conde") do Thema Opsiciano, mantendo o seu comando original do Thema Armeníaco.

Imperatriz[editar | editar código-fonte]

As políticas religiosas de Leão III dividiram a cristandade calcedoniana do seu tempo entre iconoclastas e iconódulos, com o imperador liderando os primeiros e perseguindo os últimos.

Leão III morreu em 18 de junho de 741 e foi sucedido por Constantino V, o seu único filho. Constantino também era iconoclasta e tinha o apoio dessa fação. Por seu lado, Artabasdo procurou apoio entre os iconódulos tendo em vista a preparação de uma revolta. Em junho de 741 ou 742, Constantino encontrava-se em viagem na Ásia Menor, a caminho da fronteira oriental, onde iria levar a cabo uma campanha militar contra o Califado Omíada, onde reinava Hisham ibn Abd al-Malik. Artabasdo e as suas tropas atacaram o imperador durante esta viagem; derrotado, Constantino procurou refúgio em Amório, enquanto o vencedor marchou para Constantinopla onde foi aceite como imperador.

Artabasdo foi coroado pelo patriarca Anastácio. Ana foi proclamada augusta e o seu filho Nicéforo foi declarado co-imperador. Artabasdo declarou-se "Protetor dos Santos Ícones" e procurou segurar-se no trono. A sua principal base de apoio eram os themata Armeníaco, Opsiciano e Trácio. Foi reconhecido por líderes religiosos iconódulos, nomeadamente o papa Zacarias.

A guerra civil durou cerca de dois anos, terminando com a derrota de Artabasdo. A primeira grande batalha teve lugar perto de Sárdis, na Lídia, em maio de 743. Um exército comandando por Nicetas, outro filho de Artabasdo, foi derrotado em agosto. Constantino dirigiu-se então para a capital imperial e tomou-a três meses mais tarde. Artabasdo foi deposto em 2 de novembro de 743.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Teófanes, o Confessor, relata que Constantino começou por encarcerar Artabasdo e os seus filhos Nicéforo e Nicetas, e em seguida humilhou-os publicamente no Hipódromo de Constantinopla. Os três foram cegados e exilados no Mosteiro de Chora.

Ana e sete dos seus outros filhos, mencionados sem nomes nas fontes, tê-los-iam seguido no seu retiro monástico. Ana tratou do seu marido e dos filhos até eles morrerem. Foram todos sepultados em Chora. Posteriormente, em data incerta, as relíquias do patriarca Germano I foram transferidas para Chora e o mosteiro tornou-se um santuário de mártires iconódulos.

Não se sabe em que ano Ana morreu, mas ela não é mencionada após o reinado do seu irmão.

Família e filhos[editar | editar código-fonte]

Ana e Artabasdo tiveram nove filhos:

Nicetas era supostamente o filho mais velho por aparecer antes de Nicéforo no Chronographikon syntomon do patriarca Nicéforo I de Constantinopla. Este fato levou o bizantinista Paul Speck, em sua obra "Artabasdos: Der rechtgläubige Vorkämpfer der göttlichen Lehren : Untersuchungen zur Revolte des Artabasdos und ihrer Darstellung in der byzantinischen Historiographie" (1981) a sugerir que Nicetas seria fruto de um casamento anterior e que Nicéforo seria o primogênito de Ana.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ana (esposa de Artabasdo)
Nascimento: fl. 720 Morte: fl. 740
Títulos reais
Precedido por:
Maria
Imperatriz-consorte bizantina
741–743
com Tzitzak (741–743)
Sucedido por:
Tzitzak
Precedido por:
Anastácia
Imperatriz-mãe do Império Bizantino
741–743
Sucedido por:
Irene de Atenas

Notas e fontes[editar | editar código-fonte]