Eunuco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Eunuco
A eunuch of Qing Dynasty.JPG

Um jovem eunuco chinês em 1901
durante a dinastia Qing, com
castração total.

Eunuco (em latim: eunuchus; em grego clássico: εὐνοῦχος; romaniz.: eunouchos, composto de εὐνή «cama» e ἔχω no sentido de «vigiar», ou seja, «vigilante da cama») é um homem que teve sua genitália removida parcial ou totalmente, por motivação bélica, punição criminal, imposição religiosa ou para servirem em funções sociais específicas. Se convertido a eunuco já adulto, o indivíduo perde a capacidade de reprodução e tem uma substancial perda hormonal em seu organismo. Porém se convertido antes da puberdade, além de ter impossibilitada a reprodução, o indivíduo torna-se incapaz de desenvolver os mínimos traços masculinos, como estrutura muscular e engrossamento de voz, devido a total falta de testosterona em seu organismo.[1]

As graves consequências a curto prazo da castração são as hemorragias[2] e infecções,[3] que podem ocasionar a morte. A longo prazo existem muitas outras, físicas e psicológicas.

Ao longo de milénios os eunucos desempenharam uma grande variedade de funções em muitas culturas diferentes: cortesãos ou domésticos, espiões, cantores castrados, concubinos, ou parceiros sexuais, religiosos, soldados, guardas reais, funcionários do governo, e guardiães dos haréns.

Ao longo da história, diversas civilizações utilizaram a castração humana como arma de guerra. Na Ásia, foi praticada desde o Império Assírio, na antiguidade, até o Império Coreano, na idade moderna. Jovens príncipes de reinos conquistados eram tomados ainda crianças como prisioneiros de guerra e convertidos em eunucos. Assim, por ter o organismo fortemente debilitado pela falta de testosterona, eram utilizados como serviçais nos palácios, sendo os únicos homens com acesso à família real e às concubinas do imperador. Tal prática tinha como objetivo desencorajar lideranças e frustrar o sentimento de independência em meio ao povo dominado.[4][5][ligação inativa]

A prática também foi empregada como punição criminal. Na Grécia Antiga a conversão era imposta a quem reincidia em adultério ou em crime de estupro.[6]

Seitas religiosas também impuseram a prática como forma de alcançar a "espiritualidade". Porém, com o avanço da liberdade individual e devido ao maior acesso à educação, estes grupos perderam espaço e foram, em sua grande maioria, extintos. No entanto, a prática de fabricar eunucos ainda é comum em seitas no sudeste da Ásia, especialmente na vitimização de crianças.[7]

Atualmente, a mutilação de prisioneiros de guerra para formação de eunucos é considerada crime de guerra pela Convenção de Genebra.[8] Da mesma forma, a mutilação genital por imposição religiosa é condenada pela civilização e reconhecida como violação dos direitos humanos pela Organização das Nações Unidas.[9][10][11]

Antigo Oriente Próximo[editar | editar código-fonte]

Os Textos de Execração egípcios, com quatro mil anos, ameaçam os seus inimigos na Núbia e na Ásia, referindo-se especificamente a "todos os homens, todos os eunucos, todas as mulheres".[12]

A castração era por vezes punitiva; segundo a lei assíria (1450-1250 AC), os actos homossexuais eram puníveis com castração: "Se um homem copular com o seu companheiro e eles provarem as acusações contra ele e o encontrarem culpado, copularão com ele e torná-lo-ão num eunuco."[13][14]

Os eunucos eram figuras familiares no Império Neoassírio (cerca de 934 AC até 610 AC) [15] e na corte dos faraós egípcios (até à Dinastia Ptolemaica, terminando com Cleópatra VII, 30 AC). Os eunucos foram por vezes utilizados como regentes para herdeiros menores de idade ao trono, como parece ter sido o caso do estado Neo-Hitita de Carquemis.[16] O eunuquismo político tornou-se uma instituição plenamente estabelecida entre os Persas Aqueménidos.[17] Os eunucos ocuparam posições poderosas nos tribunais aqueménidos. O eunuco Bagoas, o Velho (não confundir com Bagoas, o Jovem, o dito amante de Alexandre Magno) foi o Vizir de Artaxerxes III e Artaxerxes IV, e foi o poder principal por detrás do trono durante os seus reinados, até ser morto por Dario III.[18]

Grécia Antiga, Roma e Bizâncio[editar | editar código-fonte]

A prática estava também bem estabelecida noutras áreas mediterrânicas entre os gregos e romanos, embora o papel como funcionários da corte só surja nos tempos bizantinos. Os Galli ou Sacerdotes de Cibele, um culto com origem na Frígia, eram eunucos que se auto castravam.[19]

Império Macedônio[editar | editar código-fonte]

Bagoas, o Jovem (termo usado para o diferençar de um outro Bagoas, vizir do Império Aqueménida), foi um eunuco persa que viveu no Século IV AC. Bagoas foi um cortesão de Dario III e mais tarde de Alexandre o Grande.[20]

Embora informações sobre sua biografia sejam extremamente escassas, Bagoas ganhou destaque no imaginário contemporâneo em 1972, com o lançamento do livro O Menino Persa, da escritora Mary Renault. Em seu roteiro, Renault descreve a vida de Bagoas através de uma mistura entre pesquisa e imaginação, o definindo como um menino escravizado, castrado e feminizado pelos exércitos do imperador Dario. Também sugere que Alexandre, o Grande manteve com ele um relacionamento homossexual e que era um dos seus amantes preferidos.[21]

China[editar | editar código-fonte]

Cai Lun, eunuco chinês a quem geralmente se atribui a invenção do papel

Os eunucos existiram na China desde há cerca de quatro mil anos atrás, eram servidores imperiais há três mil anos, e eram comuns como funcionários públicos na época da dinastia Chim.[22][23] Na China, a castração incluía a remoção do pénis bem como dos testículos, cortados com uma faca ao mesmo tempo.[24]

Desde aqueles tempos antigos até à dinastia Sui, a castração era tanto um castigo tradicional (um dos Cinco Castigos) como um meio de obter emprego ao serviço do Império.

Durante a dinastia Qing, crianças e homens eram submetidos a castração para se candidatarem ao serviço no palácio. A grande maioria destes não eram criminosos, prisioneiros de guerra, ou tributos que tivessem sido condenados à pena de castração. Eles eram os pobres da sociedade, jovens e homens adultos que se "voluntariavam" para se tornarem eunucos. Mergulhados na pobreza, os direitos do indivíduo -- crianças (preferidas para o procedimento) ou adultos -- vergavam-se às necessidades da família.[25]

Com as dinastias chinesas, os imperadores exibiam simbolicamente o seu poder através de um estilo de vida sumptuoso e extravagante. Além da construção de palácios, os imperadores também mostravam o seu poder rodeando-se de muitas mulheres e servos. As cortes imperiais contavam com eunucos por razões práticas; eram essenciais para a manutenção dos haréns e o bom funcionamento da casa imperial.[26]

Fisicamente incapaz de procriar ou atuar sexualmente, o valor de um eunuco para uma corte tornou-se baseado na sua incapacidade sexual. Os eunucos deviam assegurar tanto a pureza da linhagem imperial como a castidade das mulheres do palácio. As mulheres estavam nos aposentos interiores do palácio e não podiam sair; os homens estavam no exterior e não podiam entrar; mas os eunucos funcionavam em ambos os lugares.[27]

A castração foi concebida para criar um servo leal e subserviente, liberto de laços familiares ou de responsabilidades, e totalmente dependente do seu mestre para a sua subsistência; contudo, anota Melissa Dale, o sistema foi construído com base em pressupostos que não correspondiam à realidade.[27]

Zheng He (1371–1435), um eunuco, foi um explorador chinês do século XV. Realizou viagens por mar pelo sudoeste asiático e pelo oceano Índico. Chegou à Índia, ao mar Vermelho e a Moçambique. No entanto, segundo Gavin Menzies, autor do controverso bestseller do New York Times 1421 - The Year China Discovered world (2002 UK / 2003 USA), Zheng He teria contornado toda a África, e chegado até ao continente americano, Oceania e Antártida. Vale notar que existem várias formas de transliteração de seu nome, o que pode causar confusões. Ele foi capturado quando jovem e castrado, como era comum em sua época jovens mongóis "pagarem" pelo que seus ancestrais fizeram ao povo chinês, no julgar dos líderes da nova dinastia, a dinastia Ming. Mais do que isso, ele veio a se tornar um grande navegador e braço direito do Imperador Zhu Di, que segundo Gavin Menzies projetou e ordenou essa expedição para além dos mares.[carece de fontes?]

Sun Yaoting (1902–1996), foi o último eunuco a servir na corte imperial chinesa.[28][29]

Médio Oriente[editar | editar código-fonte]

Operação de castração total (gravura muçulmana de cerca de 1466).Se realizada em adultos, a mortalidade poderia atingir 75 a 80 por cento. Nas crianças, 30 a 40 por cento não sobreviveriam.[30]
Eunuco-mor (de nome desconhecido, e presumidamente de origem africana) do sultão Abdulamide II do Império Otomano posando para ser fotografado em frente ao Palácio Imperial em 1912

Após o surgimento do Islão, tornou-se proibido a um muçulmano escravizar outro muçulmano. A partir daí, os escravos tiveram de ser procurados fora das fronteiras do império, por captura, compra ou tributo.[31][32] A súbita riqueza provocada pelas conquistas islâmicas tornou numerosos os haréns, e já cerca de 661 DC , no Califado Omíada, escravos eunucos guardavam os haréns, povoados de concubinas, além das esposas legítimas.[33]

Segundo várias fontes, o Islão proíbe a castração,[34] não existindo porém no Alcorão uma proibição específica, parecendo ter existido antes uma espécie de consenso tácito contra[35] - portanto eram adquiridos castrados já "fabricados" no exterior do império por membros de outras religiões, como as judaica e cristã. A mortalidade após esse processo, devido a hemorragias e infeções subsequentes, era enorme, o que fazia com que os preços de tais escravos fossem os mais altos. Os eunucos negros, que, ao contrário dos brancos, sofriam habitualmente a amputação total - testículos e pénis - eram os guardiões dos haréns.[36] A guarda dos haréns - que não eram uma inovação islâmica, já existiam em culturas anteriores - foi, depois do véu e da reclusão, a fase seguinte duma cada vez maior segregação e degradação das mulheres.[37]

Os eunucos, sobreviventes da traumática mutilação a que tinham sido sujeitos, eram eles próprios também prisioneiros dos haréns que guardavam. Para Tidiane N'Diaye, escritor e antropólogo franco-senegalês, a prática da castração a tal escala equivale a genocídioː a castração de milhões de seres humanos, programada para a desaparição total dos negros do mundo árabe-muçulmano, impedidos de ter descendência.[38]

Apesar disso. e por razões que não são muito claras, os eunucos passaram a ser cada vez mais utilizados pelos governantes como conselheiros, consultores e tutores e, por fim, dirigindo efectivamente os lugares santos de Meca e Medina, onde eram tratados com grande respeito. Talvez acontecesse que, não sendo preocupados pelo sexo, eram mais propensos a serem devotados e leais, ou dados a preocupações espirituais em vez de corporais.[39]

Imposição de seita religiosa[editar | editar código-fonte]

Homem e mulher da seita Skoptsi

No século III, a organização religiosa jordaniana denominada Valésios (Valesii) pregava castração à seus seguidores como forma de alcançar o Espírito Santo.[40]

Já entre os séculos XVIII e XX, a seita cristã Skoptsy sacudiu a Rússia ao pregar vida eterna por meio da emasculação e extração de seios. A castração era realizada por meio de um ferro quente -- o "batismo de fogo", como lhe chamavam. Também castrados obrigatoriamente eram os filhos dos skoptsi, após a conversão. [41]

A organização foi criada por Kondráti Selivanov, um camponês que rapidamente conquistou grande número de adeptos entre os pobres e analfabetos. Acredita-se que em seu auge a seita possuiu cerca de 1 milhão de membros.[42] No entanto, com o advento da Revolução Russa, a seita foi proibida e completamente extinta.[43]

Os hijras[editar | editar código-fonte]

Bahuchara Mata - Deusa da inocência, Misericórdia, Bondade, Honestidade, protetora dos hijras.
Hijra de Goa, Índia (1994)

No subcontinente indiano, a comunidade hinduísta denominada hijra impõe a emasculação como forma de agradar à deusa Bahuchara Mata. A partir daí, vestem-se e portam-se como mulheres. Segundo a tradição religiosa hindú, os hijras têm grande facilidade para "abençoar ou amaldiçoar", o que torna esta comunidade temida e respeitada naquela sociedade; ao mesmo tempo, são desprezados, abusados e discriminados.[44][45]

Os hijra não são um grupo homogéneo: nem todos eunucos, a comunidade compreende também intersexuais, assexuais ou transgéneros.[46][47]

Os hijras são encontrados em toda a Índia, e também no Paquistão, Afeganistão e Irão. Vivem juntos em grupos, liderados por uma guru e - usando roupa feminina e usando nomes femininos - consideram-se como mulheres. Ganham o seu sustento cantando e dançando em certas ocasiões como o nascimento de uma criança ou casamentos. e muitos através da prostituição.[48]

Em 2014, a Suprema Corte (Tribunal) de Justiça da Índia definiu os hijras como pertencentes a um terceiro gênero, tornando a situação hindu única na história da antropologia.[49]

Vários hijras ganharam destaque no estado de Madhya Pradesh. Cinco deles, incluindo Shabnam Mausi, foram eleitos para vários quadros públicos. Kamla Jaan tornou-se prefeito de Katni, enquanto Meenabai a presidente da câmara do município de Sehora, a mais antiga entidade cívica do país.[50][51]

Polémicas[editar | editar código-fonte]

Meios de comunicação indianos têm relatado casos de crianças supostamente raptadas e castradas pelos hijras, o que a comunidade nega.[52] De acordo com Tarique Anwar, no jornal Indian Times, que ouviu sobre o assunto Khairati Lai Bhola, da associação All India Hijra Kalyan Sabha (AIHKS), existe uma "mafia hijra" que controla as castrações e opera secretamente em todo o país. As vítimas seriam ameaçadas de morte se quebrassem o silêncio. Seriam, diz Bhola, mil jovens castrados à força todos os anos.[53]

Segundo Serena Nanda, "Nenhuma das narrativas de hijras que registei apoia a crença generalizada na Índia de que os hijras recrutam os seus membros fazendo reclamações bem sucedidas sobre bebés intersexuais. Em vez disso, parece que a maioria dos hijras se junta à comunidade na sua juventude, quer por desejo de expressar mais plenamente a sua identidade de género feminino, sob a pressão da pobreza, devido a maus tratos por parte dos pais e pares por comportamento feminino, após um período de prostituição homossexual, ou por uma combinação destas razões".[54]

Os castrati[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Castrato
Farinelli (1705-1782), o mais célebre dos cantores castrados.

Os castrati eram cantores masculinos que eram submetidos a castração antes da puberdade, a fim de manter o registo elevado duma voz infantil, beneficiando ao mesmo tempo do volume de som produzido pela capacidade pulmonar de um adulto. O fenómeno musical do castrati apareceu na segunda metade do século XVI no Ocidente. Desenvolveu-se principalmente em Itália, desaparecendo entre o final do século XIX e o início do século XX.

Os primeiros cantores castrados nas igrejas apareceram no Império Bizantino.[55] No Ocidente, o primeiro castrati conhecido cantou na capela do Duque de Ferrara no final dos anos 1550; o Duque refere-se ao uso do castrati como um fenómeno clássico. Ao mesmo tempo, Guilherme de Gonzaga, o terceiro Duque de Mântua, empregou na sua capela pessoal "pequenos cantores franceses", que provávelmente eram eunucos.[56] O primeiro castrati, de origem espanhola, juntou-se ao coro da Capela Sistina em 1582, a capela privada do Papa, que já tinha recrutado cantores falsetistas espanhóis. A presença de espanhóis entre os primeiros castrati é surpreendente, uma vez que a Espanha não era um centro conhecido de produção de castrati; tem sido sugerido que a prática teve origem nos mouros espanhóis, mas não há provas que o sustentem.[55] Em 1589, o Papa Sisto V autorizou formalmente o uso de castrati no coro da Basílica de São Pedro com a bula Cum pro nostro pastorali munere, e em 1599 havia oficialmente dois cantores, padres oratorianos, qualificados como eunucos.[57]

Nos primeiros anos do século XVII, os castrati eram empregues em todo a Itália como cantores da corte dos príncipes governantes, em Württemberg cerca de 1610, em Viena de 1637 ou antes, e em meados do século em Dresden. A maioria era italiana. A partir daí a castração para fins artísticos continuou a ser uma prática conhecida por ser levada a cabo quase exclusivamente em Itália, associada à música italiana.[58]

Em 1902 o Papa Leão XIII baniu para sempre os castrati da Capela Sistina.[59]

Um caso actual[editar | editar código-fonte]

Um artigo no Gulf Times, um jornal em língua inglesa do Qatar, revelou em 2005 que rapazes nepaleses foram atraídos para a Índia e vendidos a bordéis em Mumbai, Hyderabad, Nova Deli, Lucknow e Gorakhpur. Um dos adolescentes foi atraído aos 14 anos de idade, vendido como escravo, preso, espancado, mal alimentado, e castrado à força. Relatou ter sido mantido num bordel com 40 a 50 outros rapazes, muitos dos quais também foram castrados. Escapou e regressou ao Nepal. Duas organizações não governamentais, uma que trabalha com homossexuais no Nepal, e outra que trabalha para salvar e reabilitar mulheres e crianças traficadas, estavam a cooperar para ajudar e resgatar estes rapazes [60]

Consequências da castração[editar | editar código-fonte]

As consequências da castração -- físicas e psíquicas -- são tanto maiores quanto mais cedo o procedimento se der, assim como o modo como foi efectuado. Os efeitos fisiológicos da castração eram mais graves para as crianças submetidas ao procedimento antes do início da puberdade. A castração pode ser parcial, apenas com retirada dos testículos, ou total, com ablação também do pénis. A primeira consequência podia ser a morte (cuja prevalência é difícil de estabelecer) devido a hemorragias e infeções.[3][61]

As complicações a longo prazo incluem incontinência,[62] restrição uretral,[61] retenção de urina,[62] infeção do tracto urinário, extravasamento de urina e pedras na bexiga.[3] Alguns estudos descobriram que a emasculação pode causar uma série de alterações fisiológicas, tais como um tronco encurtado,[3] estômago e ancas alargadas,[62] aumento da altura, pernas arqueadas, e um crânio alongado.[3] Os castrados têm menos ou nenhum pêlo facial e corporal, aumento do tecido adiposo ou ginecomastia, e uma distribuição de gordura corporal do tipo feminino. A castração também evitava que as vozes dos eunucos ficassem mais graves, com o resultado de na China ou na Europa serem apreciados como cantores.[63]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Os eunucos podiam ter ereção? E os cantores de ópera castrados?». Revista Super Interessante. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  2. Dale, Melissa (2010). «Understanding Emasculation: Western Medical Perspectives on Chinese Eunuchs.». Social History of Medicine. 23 (1): 38-55 
  3. a b c d e Wilson, Jean; Roehrborn, Claus (1999). «Long-Term Consequences of Castration in Men: Lessons from the Skoptzy and the Eunuchs of the Chinese and Ottoman Courts». The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 84 (12): 4324–4331 
  4. «Homens castrados têm vida mais longa, diz estudo». BBC. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  5. «La maldición de los eunucos». Historia y Vida. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  6. «Quem foram os eunucos? Eles podiam ter ereção?». Revista Mundo Estranho. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  7. «Eunucos pedem título de eleitor na Índia». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  8. «DECRETO Nº 42.121, DE 21 DE AGOSTO DE 1957». Câmara dos deputados. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  9. «A mutilação genital é uma violação dos direitos humanos». ONU. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  10. «Cerca de 68 milhões de meninas e mulheres sofrerão mutilação genital até 2030, diz Fundo de População da ONU». ONU. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  11. «ONU identifica crimes contra a humanidade cometidos por militares no Sudão do Sul». ONU. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  12. Donadoni, Sergio (23 de junho de 1997). The Egyptians (em inglês). [S.l.]: University of Chicago Press. p. 222 
  13. «Internet History Sourcebooks Project». sourcebooks.fordham.edu. Consultado em 10 de fevereiro de 2022 
  14. Stol, Marten (2016). Women in the Ancient Near East. [S.l.]: Walter de Gruyter Inc. p. 670 
  15. Ringrose., Kathryn M. (2003). The perfect servant: eunuchs and the social construction of gender in Byzantium. [S.l.]: The University of Chicago Press. p. 8 
  16. Bryce, Trevor (2012). The World of Neo-Hittite Kingdoms: A Political and Military History. [S.l.]: Oxford University Press. p. 95 
  17. Patterson, Orlando (1982). Slavery and Social Death : A Comparative Study. [S.l.]: Harvard University Press. p. 315 
  18. Title: Encyclopaedia Britannica, 11th Edition. 3, Part 1. [S.l.: s.n.] 1911 
  19. «Great Mother of the Gods». www.britannica.com (em inglês). Encyclopaedia Britannica. Consultado em 12 de fevereiro de 2022 
  20. McIlvain, Lynnie (20 de novembro de 2020). «Bagoas the Younger: Who Was Alexander the Great's Little-Known Lover?». TheCollector (em inglês) 
  21. «Alexandre». Público. Consultado em 24 de maio de 2018 
  22. Dale, Melissa S. (2018). Inside the World of the Eunuch : A Social History of the Emperor’s Servants in Qing China. [S.l.]: Hong Kong University Press. p. 14 
  23. Cheney, Victor T. (2006). A Brief History Of Castration: Second Edition. [S.l.]: AuthorHouse. p. 14 
  24. Bullough, Vern L. (2001). Encyclopedia of birth control. [S.l.]: ABC-CLIO. p. 248 
  25. Dale 2018, pp. 46-47.
  26. Dale 2018, p. 14.
  27. a b Dale 2018, pp. 15-16.
  28. (em inglês) Jia Yinghua & Sun Haichen: The Last Eunuch of China - The Life of Sun Yaoting. China Intercontinental Press, 2008. ISBN 7508514076
  29. (em português) Jornal Tribuna de Macau - Biografia do último eunuco chinês revela uma vida tumultuosa. 16 de Março de 2009. - Página acessada em 02 de Novembro de 2016.
  30. Kodjo-Grandvaux, Séverine (18 de Maio de 2017). «Tidiane N'Diaye : « La fracture raciale est réelle en Afrique » -Construction du royaume zoulou, de l'Afrique du Sud, rapports de domination sont au cœur du premier roman de l'anthropologue spécialiste de l'esclavage.». Le MOnde 
  31. Watt, W. Montgomery (1956). Muhammad at Medina. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 295–296 
  32. Lewis, Bernard (1994). «Race and Slavery in the Middle East (Chap. 1)». Fordham University 
  33. Whitaker, Brian (2016). Transgender issues in the Middle East. [S.l.: s.n.] p. 9 
  34. Levy, Reuben (2000). The Social Structure of Islam. [S.l.]: Routledge. p. 77 
  35. The Encyclopaedia of Islam. [S.l.]: E.J.Brill. 1997. p. 1089 
  36. Hansen, Suzy (6 de Abril de 2001). «Islam's black slavesː The author of a book on the 1,400-year history of the other slave trade talks about the power of eunuchs, the Nation of Islam's falsehoods and the persistence of slavery today». Salon 
  37. Haddad, Yvonne Yazbeck (editora - e outro) (1985). «Capítulo 2, por Jane I. Smith». Women, Religion and Social Change. [S.l.]: State University of New York Press. p. 19 
  38. N'Diaye, Tidiane (2008). Le Génocide voilé. [S.l.]: Éditions Gallimard. pp. 185–187 
  39. Hansen, Suzy (6 de Abril de 2001). «Islam's black slavesː The author of a book on the 1,400-year history of the other slave trade talks about the power of eunuchs, the Nation of Islam's falsehoods and the persistence of slavery today». Salon 
  40. «Eunuch». Encyclopædia Britannica. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  41. Lane, Christel (1978). Christian Religion in the Soviet Union: A Sociological Study. [S.l.]: State University of New York Press. pp. 94–95 
  42. «FGM: A native affliction on every inhabitable continent». aljazeera. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  43. «The Skoptsy: The story of the Russian sect that maimed for its beliefs». Russia Beyond. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  44. «The hijras' blessing». BBC. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  45. «Hijra - Meaning, People, Religion, Caste, History». WebConte (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  46. «India recognises transgender people as third gender» (em inglês). The Guardian. 15 de abril de 2014 
  47. Seow, Lynelle (2017). CultureShock! India. [S.l.]: Marshall Cavendish International 
  48. Chattopadhayay-Dutt, Purnima (1995). Loops and Roots: The Conflict Between Official and Traditional Family Planning in India (em inglês). [S.l.]: APH Publishing. p. 248 
  49. Guimarães, Saulo (15 de Abril de 2014). «Na Índia, Justiça reconhece existência de um terceiro gênero». Revista Exame 
  50. Foster, Peter (20 de Abril de 2004). «Six-ft Sonia aims to be MP with a difference». The Telegraph 
  51. «El festival de los eunucos». BBC. 30 de setembro de 2002 
  52. «India stages Ms World for eunuchs». BBC (em inglês). 9 de março de 2001 
  53. Anwar, Tarique (6 de julho de 2016). «The Truth About How Hijras Are Made In India - Because They're Not Always Born That Way». India Times (em inglês) 
  54. Nanda, Serena. Neither Man nor Woman : The Hijras of India. [S.l.]: Wadsworth Publishing Company. p. 116 
  55. a b Rosselli, John (1988). «The Castrati as a Professional Group and a Social Phenomenon, 1550-1850». International Musicological Society. Acta Musicologica, Vol. 60, Fasc. 2 (May - Aug., 1988): 146 
  56. Sherr, Richard (1980). Gugliemo Gonzaga and the Castrati. [S.l.]: Renaissance Quarterly. p. 35 
  57. Milner, Anthony (1973). The Sacred Capons. [S.l.: s.n.] p. 250 
  58. Rosselli 1988, p. 147.
  59. Barbier, Patrick (1996). The World of the Castrati : The History of an extraordinary Operatic Phenomenon. [S.l.]: Souvenir Press. p. 126 
  60. «Former sex worker's tale spurs rescue mission». Gulf Times (Arq. em WayBack Machine). 10 de Abril de 2005 
  61. a b Dale 2010, pp. 45.
  62. a b c Dale 2010, pp. 46.
  63. Dale 2010, p. 49.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cheney, Victor T. (2006) - A Brief History Of Castration: Second Edition -AuthorHouse
  • Dale, Melissa S. (2018) - Inside the World of the Eunuch : A Social History of the Emperor’s Servants in Qing China. - Hong Kong University Press
  • Nanda, Serena (1999) - Neither Man nor Woman : The Hijras of India - Wadsworth Publishing Company

Ligações externas[editar | editar código-fonte]