Hijra

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Hijra de Goa, Índia em 1994

Hijra é uma comunidade religiosa hinduísta que impõe a emasculação como forma de agradar à deusa Bahuchara Mata.[1][2] A partir daí, vestem-se e portam-se como mulheres. Segundo a tradição religiosa hindu, os hijras têm grande facilidade para "abençoar ou amaldiçoar", o que torna esta comunidade temida e respeitada naquela sociedade.[3]

Em 2014, a suprema corte de justiça do país definiu os hijras como pertencentes a um "terceiro gênero", tornando a situação indiana única na história da antropologia.[4]

Castração[editar | editar código-fonte]

Rituais[editar | editar código-fonte]

Para a seita, a castração tanto masculina como feminina deve ser praticada por mulheres especializadas e treinadas para tal. Algumas mulheres são treinadas nas artes da sedução para poderem se aproximar dos homens ou das mulheres que devem castrar. A traição também pode resultar na castração da parte infiel, às vezes a mulher traída poderá castrar totalmente ou parcialmente seu namorado ou marido traidor. Os homens castrados podem se juntar aos Hijras ou ficar com suas famílias, mas, na maioria das vezes, vestem-se de mulher.[5][6]

Exploração sexual de viciados em ópio[editar | editar código-fonte]

No entanto, apesar dos líderes da seita afirmarem que a castração representa a vontade própria de cada indivíduo, diversos estudos apontam como causas reais para tal mutilação crimes como coação, sequestro e ameaças contra indivíduos socialmente vulneráveis, como andarilhos e usuários de drogas.[7] Segundo a ONG Sahara Group, instituição que trabalha com reabilitação social, estes crimes são cometidos por uma organização criminosa que atua na exploração sexual de homens e meninos no submundo da sociedade indiana. De acordo com Arun Kumar, secretário-geral da instituição, "…Gurus eunucos e seus agentes pagos pegam esses jovens sequestrados viciados em ópio e depois os iniciam na prostituição. Por fim, eles são castrados em uma operação sangrenta e arriscada." Indira, secretário-geral da Hijra Kalyan Sabha afirma: "…Esses gurus tornaram-se milionários, fazendo de seres humanos mercadoria…" [8]

Violação dos direitos humanos de crianças[editar | editar código-fonte]

A comunidade religiosa também é formada por meninos vitimados por abuso sexual que são conduzidos pelos próprios pais para castração.[carece de fontes?] Outros meninos, no entanto, seriam tomados por sequestro e então castrados pelos líderes da seita.[9]

A influência da seita na política indiana[editar | editar código-fonte]

Os indivíduos da comunidade não exerciam o direito eleitoral devido à orientação de seus líderes que os aconselhavam a não se definir como homens ou como mulheres. Porém em 2009, o tribunal eleitoral indiano, após diversos protestos e mobilizações da comunidade, decidiu agregar uma nova possibilidade de "gênero" em documentos oficiais. A este denominou "outros". Estes indivíduos então foram autorizados por seus líderes a se denominar como "outros" e puderam exercer o direito eleitoral em todo o país.[10]

Um hijra chamado Shabnam Mousi fez história por se tornar o primeiro hijra a ser eleito para a Assembleia Legislativa do estado de Madia Pradexe na legislatura de 1998 a 2003. Atualmente vários hijras ganharam destaque em Madhya Pradesh. Cinco deles, incluindo Shabnam, batizados como paanch Pandavas, foram eleitos para vários cargos públicos. Kamla Jaan tornou-se prefeito de Murwara, enquanto Meenabai tornou-se presidente da câmara do município de Sehora, a mais antiga entidade cívica do país.[11][12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Será que alguém ouve as orações dos eunucos do Paquistão?». Público. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  2. «Violência sexual contra crianças é comum na Índia, diz ONG». Jornal Extra. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  3. «The hijras' blessing». BBC. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  4. «Na Índia, Justiça reconhece existência de um terceiro gênero». Revista Exame. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  5. Cohen L. The pleasures of castration: the postoperative status of Hijras, Jankhas and academics. In: Abramsom PR, Pinkerton SD, editors. Sexual nature, sexual culture. Chicago: The University of Chicago Press; 1995. p.276-304.
  6. Alexandre Saadeh (2004). "Transtorno de identidade sexual: um estudo psicopatológico de transexualismo masculino e feminino" (PDF) . Acessado em 22h59min de 16 de Outubro de 2007 (UTC).
  7. «The Truth About How Hijras Are Made In India - Because They're Not Always Born That Way». India Times. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  8. «Eunuchs not always born but made». India Times. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  9. «Eunucos pedem título de eleitor na Índia». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  10. «El 'tercer sexo' indio ya puede votar y ser votado». El Mundo. Consultado em 24 de novembro de 2017 
  11. www.telegraph.co.uk
  12. BBC Brasil

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Isabell Zipfel: Hijras, the third sex. eBook with 34 Images. Amazon, ASIN B009ETN58C
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