Terceiro gênero

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Anna P., que viveu por muitos anos como homem na Alemanha, foi fotografada para o livro de Magnus Hirschfeld, Sexual Intermediates, em 1922. Hoje, Ana provavelmente seria considerada uma transgênero.

Os termos terceiro gênero e terceiro sexo descrevem indivíduos que não são considerados nem homens nem mulheres, em uma categoria social presente naquelas sociedades que reconhecem três ou mais gêneros.

O estado de ser nem macho nem fêmea pode ser entendido em relação ao sexo biológico do indivíduo, ao seu papel social de gênero, à identidade de gênero, ou à orientação sexual. Para indivíduos ou culturas diferentes, um terceiro sexo ou gênero pode representar um estado intermediário entre homens e mulheres, um estado onde são ambos (como "o espírito de um homem no corpo de uma mulher"), o estado de ser neutro, a capacidade de cruzamento ou de trocar sexos, ou outra categoria totalmente independente do masculino e feminino. Esta última definição é favorecida por aqueles que postulam por uma interpretação estrita do conceito de "terceiro sexo".

O termo tem sido utilizado para descrever Hijras da Índia e Paquistão[1] , Fa'afafine da Polinésia, e virgens juramentadas dos Balcãs[2] [3] , entre outros, e também é usado por muitos desses grupos e indivíduos para descrever a si próprios.

O termo "terceiro" é geralmente entendido no sentido de "outro"; alguns antropólogos e sociólogos têm descrito um quarto[4] , quinto[5] e muitos[6] gêneros.


O pesquisador da UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG) Rainner Jerônimo Roweder define o terceiro gênero em sua pesquisa. Segundo ele, O terceiro gênero é uma alternativa neutralizante das diferenças geradas pelo gênero. Assim, aqueles que não se sintam estritamente masculinos ou femininos possuem uma terceira margem, denominada de terceiro gênero, que amplia a autonomia da personalidade, o espectro de liberdade e de controle do próprio corpo dos seres humanos. Com o terceiro gênero seria possível optar, ainda que temporariamente, por um gênero neutro, sem as amarras jurídicas ligas ao masculino ou ao feminino. Diferentemente da transsexualidade, que consiste na alternância entre os gêneros já existentes, a teoria do terceiro [7] gênero pretende abrir possibilidades inteiramente inovadoras, criando um novo gênero. Esse novo gênero não se identifica completamente nem com o masculino, nem com o feminino, nem com todas as suas derivações já vistas neste trabalho. Essa terceira opção, que vai além do masculino e do feminino, já começa a ser percebida em algumas nações desenvolvidas e denota uma evolução no conceito de gênero. Além do caso da Índia, percebe-se sensível alteração legislativa e judicial na Alemanha e na Austrália, permitindo a escolha de um terceiro gênero.

Referências

  1. Agrawal, Anuja (1997). Gendered Bodies: The Case of the ‘Third Gender’ in India, Contributions to Indian Sociology, n.s., 31 (1997): 273–97
  2. Young, Antonia (2000). Women Who Become Men: Albanian Sworn Virgins. ISBN 1-85973-335-2
  3. O Tempo - Virgens patriarcas da Albânia
  4. Roscoe, Will (2000). Changing Ones: Third and Fourth Genders in Native North America. Palgrave Macmillan (June 17 2000) ISBN 0-312-22479-6
    Ver também: Trumbach, Randolph (1994). London’s Sapphists: From Three Sexes to Four Genders in the Making of Modern Culture. In Third Sex, Third Gender: Beyond Sexual Dimorphism in Culture and History, editado por Gilbert Herdt, 111-36. New York: Zone (MIT).
  5. Graham, Sharyn (2001), Sulawesi's fifth gender, Inside Indonesia, April-June 2001.
  6. Martin, M. Kay and Voorhies, Barbara (1975). Supernumerary Sexes, chapter 4 of Female of the Species (New York: Columbia University Press, 1975), 23.
  7. http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUBD-A3WFAK/disserta__o_rainner_roweder__1_.pdf?sequence=1
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