Orientação romântica

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Orientação romântica, também chamada orientação afetiva, indica o sexos ou gêneros com o qual uma pessoa sente atração romântica. Este termo é usado como alternativa, mas também lado-a-lado, com o termo orientação sexual, e baseia-se na perspectiva de que a atração sexual é apenas um dentre os componentes de uma dinâmica maior.[1][2][3][4]

Exemplos: ainda que uma pessoa bissexual possa se sentir atraída sexualmente por mais de um género, esta pessoa pode ser predisposta a sentir mais íntima romântica, afetiva ou emocional com apenas um gênero. Assim, os conceitos de orientação romântica e de orientação sexual reconhecem que pode haver relações sexuais sem que haja ligações românticas ou afetivas entre os parceiros, e que vice-versa, relações românticas e afetivas não necessariamente impliquem atração sexual entre os parceiros; afinal, a intimidade interpessoal não necessariamente requer atração sexual, pois o sentimento de atração envolve muitos outros pontos além da sexualidade.[5]

Para algumas pessoas, o termo orientação sexual da forma como é usado grosso modo é reducionista. Para assexuais, a orientação romântica é frequentemente considerada uma medida de atração mais útil do que a orientação sexual. Porém, contudo, assim como um gay pode usar a homossexualidade para denotar atração, tanto romântica quanto sexual, sem necessariamente especificar que seja homorromântico, um arromântico pode se declarar assexual, sem essencialmente dizer que há desinteresse romântico por parte dele.[6][7][8][9][10][11][12][13]

As orientações de pessoas, cuja orientação romântica difere da sexual, são chamadas de cruzadas, misturadas, incongruentes ou incompatíveis, sendo as pessoas de orientação cruzada chamadas de variorientadas, transorientadas ou cross-orientadas, e as pessoas que ambas romanticidade e sexualidade combinam chamadas de periorientadas.[14][15][16][17][18][19][20][21][22]

Há também, especialmente pessoas arromânticas, que experimentam tipos de atrações que são consideradas terciárias, como de amor platônico, amical, social, estética, sensual (ou sensorial) e mental (espiritual ou intelectual/psicológica).[23][24][25]

Modelo de atração dividida[editar | editar código-fonte]

A primeira conceitualização registrada de orientação que levasse em conta a atração dividida foi em 1879, por Karl Heinrich Ulrichs, um escritor alemão que publicou 12 livros sobre atração não-heterossexual. Nesses livros, Ulrichs apresentou várias classificações de orientações que são bastante semelhantes às identidades LGB+ modernas. Entre suas obras, ele descreveu pessoas que são konjunktiver e disjunktiver ou bissexualidade conjuntiva e disjuntiva. O primeiro é descrito como alguém que tem sentimentos ternos e apaixonados por homens e mulheres, o que seria um bissexual birromântico ou periorientado nos tempos atuais. O segundo é aquele que tem sentimentos ternos por pessoas do mesmo gênero/sexo, mas sentimentos 'apaixonados' por pessoas de gênero/sexo diferente, o que seria agora um homossexual heterorromântico ou variorientado. No entanto, o modelo de Ulrichs nunca se popularizou devido à complexidade.[26][27][28][29][30]

O próximo exemplo de separação das atrações sexual e romântica foi em 1979 pela psicóloga Dorothy Tennov. Com a publicação de seu livro Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado'. No livro, Tennov descreveu limerência uma forma de atração que poderia ser descrita como uma paixão ou uma paixão por alguém. Embora Tennov visse o sexo como parte da limerência, ela reconheceu que não era o foco principal dele.[31] Sendo não-limerente considerado um percursor de arromântico.[32][33]

Os primeiros indícios do que se tornaria o modelo moderno começaram com a atração/orientação afetiva, que foi cunhada em algum momento da década de 1980. Não está claro quando o termo foi usado pela primeira vez. A criação dos termos são frequentemente atribuídos a Curt Pavola, um ativista dos direitos gays de Washington, e a Lisa Diamond, uma psicóloga que popularizou a fluidez sexual.[34][35][36][37][38]

Por volta de 2001, houve um impulso para uma forma de classificar os assexuais. Um dos primeiros exemplos ainda é o sistema de classificação ABCD da AVEN,[39] que reconhece que alguns assexuais podem sentir atração romântica. Na mesma época havia um grupo de e-mail do Yahoo conhecido como Haven For The Human Amoeba,[40] onde em 2001 houve discussões de termos como 'hétero-assexual', "bi-assexual", etc. até 2005 que a forma moderna do SAM foi criada no AVEN. Em 2007, a terminologia era comumente usada em círculos a-spectrais.[41]

Identidades românticas[editar | editar código-fonte]

  • Monorromanticidade: sente atração romântica por um gênero específico.
    • Heterorromanticidade: sente atração romântica por pessoas de gênero diferente do seu.
    • Homorromanticidade: sente atração romântica por pessoas de gênero igual ao seu.
    • Androrromanticidade: sente atração romântica por homens ou masculinidade.
    • Ginerromanticidade: sente atração romântica por mulheres ou feminilidade.
  • Ceterorromanticidade: sente atração romântica por pessoas não-binárias.
  • Multirromanticidade ou plurirromanticidade: sente atração por múltiplos gêneros.
    • Birromanticidade: sente atração romântica por mais de um gênero.[42]
    • Panromanticidade: sente atração romântica por pessoas independente do gênero.
    • Polirromanticidade: sente atração romântica por vários gêneros, não necessariamente todos.[43]
    • Onirromanticidade ou omnirromanticidade: sente atração romântica por todos os gêneros.
  • Arromanticidade: não sente atração romântica.
    • Gray-arromanticidade: raramente sente atração romântica, seja de forma parcial ou circunstancial.[44][45][46]
      • Demirromanticidade: sente atração romântica após uma ligação emocional.
  • Pomorromanticidade: alguém que rejeita identidades românticas ou que não se contempla ou não se sente representado pelas classificações afetivas atuais, estando além das categorias anteriores.

Referências

  1. Crethar, H. C. & Vargas, L. A. (2007). Multicultural intricacies in professional counseling. In J. Gregoire & C. Jungers (Eds.), The counselor’s companion: What every beginning counselor needs to know. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum. ISBN 0-8058-5684-6. p.61.
  2. «» O que é orientação romântica?». Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  3. «"Sou lésbica, mas me apaixonei por um homem"; o que é orientação romântica?». www.uol.com.br. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  4. «Romantic orientation - AVENwiki». wiki.asexuality.org. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  5. «Identidade romântica, orientação romântica, romanticidade». Wiki Identidades. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  6. SAPO. «Poliamoroso, demissexual, arromântico e outras 20 caracterizações sexuais». MAGG. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  7. Carpallo, Silvia C. (27 de junho de 2019). «Nem hétero nem homossexual: sou autossexual e estou apaixonada por mim mesma». EL PAÍS. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  8. «Dicionário». Comunidade Assexual. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  9. «Dicionário de gênero: Tudo que você precisa saber sobre orientação, atração e novos termos sobre sexualidade». Revista Glamour. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  10. «Asexuality, Attraction, and Romantic Orientation | LGBTQ». lgbtq.unc.edu. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  11. «Sexual Orientation vs. Romantic Orientation | USD». www.usd.edu. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  12. «Comprehensive List of Romantic Orientations». Arocalypse (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  13. Mott, Luis (setembro de 2006). «Homo-afetividade e direitos humanos». Revista Estudos Feministas. 14 (2): 509–521. ISSN 0104-026X. doi:10.1590/S0104-026X2006000200011 
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  15. «Urban Dictionary: cross-orientation». Urban Dictionary (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  16. «I Don't Know How To Describe My Sexuality — And That's OK.». Ravishly (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  17. «Varioriented». LGBTA Wiki (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
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Ver também[editar | editar código-fonte]