Distimia

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Dysthymic disorder
Classificação e recursos externos
CID-10 F34.1
CID-9 300.4
MedlinePlus 000918
MeSH D019263
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Transtorno depressivo persistente ou Distimia[1] É um transtorno do humor que consiste nos mesmos problemas cognitivos e físicos presentes na depressão, com sintomas menos severos porém mais duradouros.[2][3] O conceito foi criado por Robert Spitzer como um substituto para o termo "personalidade depressiva" no final de 1970.[4]

De acordo com a quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicado em 1994 (DSM-IV), a Distimia é um estado grave de depressão crônica, que persiste por pelo menos dois anos (ou um ano para crianças e adolescentes). A Distimia é menos aguda e severa do que o Transtorno depressivo maior.[5]

No DSM-5, o termo "Distimia" foi substituído por Transtorno depressivo persistente (TDP).[6] Esta nova condição inclui tanto o transtorno depressivo maior crônico quanto o transtorno distímico anterior. A razão para essa mudança é que não havia evidência de diferenças significativas entre essas duas condições.[7]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A distimia apresenta uma série de características típicas: baixa energia e motivação, baixa auto-estima e incapacidade de encontrar satisfação nos afazeres do dia-a-dia. Ela, na forma leve, pode resultar em pessoas que evitam o estresse para assim evitar oportunidades de falha. Em casos mais severos, a pessoa pode se afastar de toda atividade diária.[8] Essas pessoas geralmente encontram prazer em atividades e passatempos pouco usuais. O diagnóstico de distimia pode ser difícil devido à natureza sutil dos sintomas e os pacientes muitas vezes podem escondê-los em situações sociais, tornando desafiador para os outros detectarem seus sintomas. Adicionalmente, a distimia ocorre frequentemente junto a outros distúrbios psicológicos, o que acrescenta um nível de complexidade na determinação da presença de distimia, particularmente porque há geralmente uma sobreposição dos sintomas dos transtornos.[9] Há uma alta incidência de comorbidade naqueles com distimia. O comportamento suicida também é um problema particular em pessoas com distimia. É vital procurar sinais de depressão maior, transtorno de pânico, Transtorno de ansiedade generalizada, abuso de álcool e outras substâncias e transtorno de personalidade.[10]

Os critérios do DSM-5 para a distimia estipulam a presença de um humor deprimido a maior parte do tempo por pelo menos dois anos em adultos e de um anos para crianças e adolescentes. Para satisfazer os critérios, o paciente também não deve ter sintomas que podem ser melhor explicados por um transtorno depressivo maior e jamais ter tido um episódio maníaco ou hipomaníaco.[11]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV (DSM-IV), publicado pela Associação Psiquiátrica Americana, caracteriza o distúrbio distímico.[12] O sintoma essencial envolve o sentimento individual deprimido na maioria dos dias e partes do dia, durante pelo menos dois anos. Baixa energia, distúrbios no sono ou de apetite e baixa auto-estima normalmente também contribuem para o quadro clínico. Os sofredores têm frequentemente experimentado distimia por muitos anos antes de serem diagnosticados. Pessoas ao seu redor muitas vezes descrevem o sofredor em palavras semelhantes a "apenas uma pessoa mal-humorada". Observa-se os seguintes critérios diagnósticos:[13][14]

  • Humor deprimido na maior parte do dia (dois anos em adultos, ano em crianças e adolecentes)
  • Presença de duas ou mais características:
  • Apetite diminuído ou aumentado
  • Insônia ou hipersonia
  • Baixa energia ou fadiga
  • Baixa auto-estima
  • Dificuldade em tomar decisões
  • Pessimismo
  • Baixa capacidade de se concentrar
  • Exageros sobre seu sofrimento
  • Sentimento de desesperança
  • Durante o período de dois anos, os sintomas acima nunca são ausentes por mais de dois meses consecutivos.
  • Durante a duração do período de dois anos, o paciente pode ter tido um episódio perpétuo de depressão maior.

O O paciente não teve nenhum episódio maníaco, hipomaníaco, ou misturado

  • O paciente nunca satisfez os critérios para Ciclotimia
  • A depressão não existe apenas como parte de uma psicose crônica (como esquizofrenia ou distúrbio delirante).
  • Os sintomas muitas vezes não são causados diretamente por uma doença médica (ex.: hipotireoidismo) ou por substâncias, incluindo abuso de drogas ou outros medicamentos.
  • Os sintomas causam problemas significativos ou angústia social, no trabalho, nos estudos ou outras áreas importantes de funcionamento da vida.[12]

Causas[editar | editar código-fonte]

Não há causas biológicas conhecidas que se apliquem consistentemente a todos os casos de distimia, o que sugere a origem diversa da doença.[9] No entanto, há algumas indicações de que há uma predisposição genética para distimia: "A taxa de depressão nas famílias de pessoas com distimia é tão alta quanto cinqüenta por cento para a forma de início precoce da doença".[5] Outros fatores ligados à distimia incluem estresse, isolamento social e falta de apoio social.[9][11]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Normalmente a distimia é tratada com Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) como a Fluoxetina(nomes comerciais: Prozac, Daforin) em conjunto com psicoterapia ou só com a psicoterapia.

Muitas pessoas com distimia respondem bem ao tratamento com medicamentos antidepressivos[1]. Para depressões brandas ou moderadas, a Associação de Psiquiatria Estadunidense, no ano 2000, em suas diretrizes para tratamento de pacientes com desordens depressivas severas, aconselha que a psicoterapia sozinha ou acompanhada de antidepressivos pode ser apropriada.[15]

Durante a psicoterapia, uma possível terapia da abordagem Psicologia cognitiva envolveria mediar formas mais saudáveis de enfrentamento, mediar novas formas de mobilizar recursos (ambientais, sociais, informativos...), ensinar técnicas de relaxamento, levar o cliente a refletir sobre as vantagens de encarar seus problemas com pensamentos mais otimistas e promover maior qualidade de vida mediando comportamentos como se exercitar, manter uma rotina e fontes de alívio de estresse mais saudáveis.

Já uma terapia da Psicologia comportamental poderia se focalizar mais numa re-educação de padrões de comportamento que desencadeiam reações de estresse, um treino de assertividade e em uma dessensibilização sistemática dos eventos mais estressores.

É importante ressaltar que a psicoterapia mais adequada varia muito de acordo com o paciente e da experiência do profissional.

Após o final do período de distimia, o paciente começa a relatar a (re)tomada de gosto por atividades que antes considerava chatas ou entediantes. Nessa nova fase é comum lamentar o tempo perdido e todos os transtornos que a doença causou em sua vida social e/ou profissional. Uma sensação de vazio interior é descrita por muitos pacientes, o que leva o tratamento a abordar agora essa nova condição do indivíduo.

Porém, deve-se ressaltar também, que a Distimia, por ser crônica, não possui uma cura definida. Em quase todos os casos, o paciente distímico volta a ter recaídas depressivas e seus sintomas distímicos também reaparecem.[16]

Referências

  1. Susan Krauss Whitbourne; Richard P. Halgin (2015). Psicopatologia - 7ed. AMGH Editora. p. 191. ISBN 978-85-8055-487-8.
  2. Gilbert, Daniel T.; Schacter, Daniel L.; Wegner, Daniel M., eds. (2011). Psychology 2nd ed. New York: Worth Publishers. 564 páginas. ISBN 978-1-4292-3719-2 
  3. «Dysthymic Disorder». BehaveNet. Consultado em 23 de junho de 2013 
  4. Brody, Jane (30 de janeiro de 1995). «Help awaits those who live with sadness». The Daytona Beach News-Journal. Daytona Beach, Florida. p. 54 
  5. a b «Dysthymia» (February 2005 issue of the Harvard Mental Health Letter). Harvard University. Harvard Health Publications. Fevereiro de 2005. Consultado em 12 de dezembro de 2009. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2010 
  6. American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder, Fifth Edition. Washington, DC: American Psychiatric Publishing. ISBN 978-0-89042-554-1 
  7. John M. Grohol, Psy.D. (18 de maio de 2013). «DSM-5 Changes: Depression & Depressive Disorders». Psych Central. Consultado em 2 de dezembro de 2013 
  8. Niculescu, A.B.; Akiskal, H.S. (2001). «Proposed Endophenotypes of Dysthymia: Evolutionary, Clinical, and Pharmacogenomic Considerations». Molecular Psychiatry. 6 (4): 363–366. doi:10.1038/sj.mp.4000906 
  9. a b c Sansone, R. A. MD; Sansone, L. A. MD (2009). «Dysthymic Disorder: Forlorn and Overlooked?». Psychiatry. 6 (5): 46–50. PMC 2719439Acessível livremente. PMID 19724735 
  10. Baldwin, Rudge S.; Thomas S. (1995). «Dysthymia: Options in Pharmacotherapy». Practical Therpeutics. 4 (6): 422 to 430. doi:10.2165/00023210-199504060-00005 
  11. a b Benjamin J. Sadock; Virginia A. Sadock; Pedro Ruiz (2016). Compêndio de Psiquiatria, 11ed: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Artmed Editora. pp. 381–382. ISBN 978-85-8271-379-2.
  12. a b American Psychiatric Association, ed. (junho de 2000). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-IV-TR 4th ed. [S.l.]: American Psychiatric Publishing. ISBN 978-0-89042-024-9 
  13. Turner, Samuel M.; Hersen, Michel; Beidel, Deborah C., eds. (2007). Adult Psychopathology and Diagnosis 5th ed. Hoboken, New Jersey: John Wiley. ISBN 978-0-471-74584-6. OCLC 427516745 
  14. 300.4, ICD9, Accessed 2009 May 2
  15. Spanemberg L. e Juruena M. F.; Distimia: características históricas e nosológicas e sua relação com transtorno depressivo maior. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rprs/v26n3/v26n3a07.pdf (em 23 de janeiro de 2009)
  16. 2005 World Medical Report (Stevens, Higgins, et. al.)