Voyeurismo

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Gravura de Jacopo Caraglio de 1527 retratando o comportamento voyeur de Hermes.

Voyeurismo (vua-ierismo) ou mixoscopia (cs) é uma prática que consiste em um indivíduo obter prazer sexual através da observação de pessoas praticando sexo ou nuas.[1][2] Quando a pessoa observada não está ciente de que está sendo observada, tal comportamento é, em muitos países, considerado um crime, configurando uma invasão de privacidade. Mais modernamente, contudo, o termo tem sido aplicado de forma mais ampla, abrangendo qualquer pessoa que gosta de ver a intimidade de outras pessoas, mesmo sem qualquer conotação sexual, como por exemplo em reality shows.[3]

A prática do voyeurismo manifesta-se de várias formas, embora uma das características-chave seja a de que o indivíduo não interage com o objeto (por vezes, as pessoas observadas não estão cientes de que estão sendo observadas); em vez disso, observa-o tipicamente a uma relativa distância.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Voyeurismo" é uma junção do termo francês voyeur ("aquele que vê") com o sufixo nominal "ismo".[4]

Crime[editar | editar código-fonte]

O voyeurismo, quando viola a privacidade, é considerado um crime em doze estados dos Estados Unidos,[5] no Canadá, no Reino Unido, Índia e Singapura[6]. Alguns países, como Coreia do Sul e Japão, exigem que as câmeras vendidas emitam um som quando estão filmando, de modo a alertar pessoas que estejam sendo filmadas sem o seu consentimento.

Doença[editar | editar código-fonte]

A simples excitação sexual diante da visão de pessoas nuas ou praticando sexo não é considerada uma doença. O voyeurismo é considerado uma doença mental pela Associação Americana de Psiquiatria somente quando gera uma ação do voyeur, ou quando este sofre grande desconforto e dificuldade de relacionamento.[7] Os sintomas precisam persistir por mais de seis meses, e o voyeur precisa ter mais de dezoito anos, para que possa haver a classificação como distúrbio mental.[8]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Historicamente, o voyeurismo enquanto doença tem sido tratado medicamente de várias formas. Psicanálise, terapia em grupo e terapia de aversão foram já tentados, com sucesso limitado.[9] Existe evidência de que pornografia pode ser usada como forma de tratamento, baseado no fato de que países com censura de pornografia costumam ter altas taxas de voyeurismo.[10] Do mesmo modo, incentivar voyeurs a trocar o voyeurismo pelo consumo de pornografias gráficas e revistas como Playboy foi usado com sucesso como terapia.[11] Estes estudos demonstram que a pornografia pode ser usada para satisfazer o desejo voyeur sem ferir a lei. Também já foi tentado o uso de antidepressivos (como a fluoxetina, por exemplo) e antipsicóticos como tratamento, com relativo sucesso.[12][13][14]

No Cinema[editar | editar código-fonte]

O mestre inglês Alfred Hitchcock foi quem primeiro deu mais destaque ao voyeurismo, principalmente em sua obra Janela Indiscreta. Nos anos 1980, Brian De Palma tocou novamente no tema, com o clássico Body Double (Dublê de Corpo). O filme Porky's (1982) também lidou com o tema. Em 1993, o tema foi tratado no filme Sliver. Recentemente, Michael Haneke trabalhou sua perspectiva da observação sexual em Caché. Também o italiano Tinto Brass usa bastante e de forma peculiar o voyeurismo em seus filmes.

Obra artística de Sérgio Valle Duarte representando o voyeurismo em um vagão de metrô.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 791.
  2. Dicionário escolar da língua portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. p. 1 302.
  3. Metzl, Jonathan (2004). "From scopophilia to Survivor: A brief history of voyeurism". Textual Practice. 18 (3): 415–34.
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 791.
  5. OLR Research Report. Disponível em https://www.cga.ct.gov/PS98/rpt%5Colr%5Chtm/98-R-1034.htm. Acesso em 27 de março de 2017.
  6. Singapore. Disponível em http://www.straitstimes.com/singapore/courts-crime/marketing-manager-jailed-18-weeks-for-upskirt-videos. Acesso em 27 de março de 2017.
  7. Metzl, Jonathan M. (2004). "Voyeur Nation? Changing Definitions of Voyeurism, 1950–2004". Harvard Review of Psychiatry. 12 (2): 127–31.
  8. PsychCentral. Disponível em https://psychcentral.com/disorders/voyeurism-symptoms/. Acesso em 27 de março de 2017.
  9. Smith, R. Spencer (1976). "Voyeurism: A review of literature". Archives of Sexual Behavior. 5 (6): 585–608.
  10. Rincover, Arnold (1990). "Can Pornography Be Used as Treatment for Voyeurism?". Toronto Star.
  11. Jackson, B (1969). "A case of voyeurism treated by counterconditioning". Behaviour Research and Therapy. 7 (1): 133–4.
  12. Becirovic, E.; Arnautalic, A.; Softic, R.; Avdibegovic, E. (2008). "Case of Successful treatment of voyeurism". European Psychiatry. 23: S200.
  13. Metzl, Jonathan (2004). "From scopophilia to Survivor: A brief history of voyeurism". Textual Practice. 18 (3): 415–34.
  14. Abouesh, Ahmed; Clayton, Anita (1999). "Compulsive voyeurism and exhibitionism: A clinical response to paroxetine". Archives of Sexual Behavior. 28 (1): 23–30.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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