Reality show

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Reality show é um tipo de programa televisivo baseado na vida real. Podemos então falar de reality show sempre que os acontecimentos nele retratados sejam fruto da realidade e os visados da história sejam pessoas reais e não personagens de um enredo ficcional. Exemplo deste é o programa mundialmente conhecido Big Brother, criado em 1999 por John de Mol.

História[editar | editar código-fonte]

Os movimentos artísticos do realismo e do naturalismo[editar | editar código-fonte]

De acordo com Samuel Mateus num artigo intitulado "Reality-Show- uma análise de género" (2012): "Reality show, ou programa televisivo de realidade, refere-se a um vasto e plural género televisivo autónomo, não obstante integrar e adaptar elementos de outros géneros televisivos como o documentário, o concurso, o drama, a ficção ou a novela. Dotado de diversos formatos ou sub-géneros, procede a uma muito singular mediatização da interacçãosocial caracterizando-se por incidir a sua atenção na banalidade do quotidiano através do relato, na primeira pessoa,das tensões, conflitos e angústias que o indivíduo experiencia diariamente, na sua vida profissional, pessoal ou familiar.O reality-show consegue, por intermédio de perscrutação escopofílica generalizada, a criação de uma relação de carácter testemunhal e cúmplice com os espectadores, os quais se tornam, quasi-interlocutores na medida a que assistem à revelação confidente de si que os indivíduos publicamente aí operam"[1]

Escreve Mateus (2012)[2]: "poderá parecer inusitado convocarmos um movimento artístico e literário para discutir as influências de género do programa televisivo de realidade mas a verdade é que o Realismo do séc. XIX expressa já aquilo que vai ser uma característica distintiva do reality-show: embora exaustivamente ensaiado, há um um desejo de real, uma quase obsessão em denunciar a realidade social,uma procura funesta da veracidade através de uma narrativa lenta e minuciosa que atende aos detalhes, e que é escrita com uma linguagem cordial, quotidiana - por vezes mesmo vernácula - assente nas emoções e padecimentos do protagonista, contra a imaginação romântica, eis o Realismo de Flaubert, Balzac, Eça de Queiroz ou Machado de Assis escrevendo a crueza real dos factos, fazendo da observação descritiva o dever soberano da literatura.

A estética documental[editar | editar código-fonte]

Segundo Mateus (2012), "os reality-shows vão buscar à estética documental essa pretensão realista de alcançar, através do carácter testemunhal das suas imagens, o acesso a uma suposta verdade interior, uma verdade escondida que apenas as imagens com edição primária e, nalguns casos, quase sem narração ou locução- podem mostrar. Na ligação da estética documental com os programas televisivos de realidade existem dois aspectos centrais: por um lado, ambos enfatizam os momentos de transformação pessoal que gente comum e anónima enfrenta nas situações sociais aparentemente inesperadas e agindo como se a câmara de gravação não estivesse presente(...). Por outro lado, é como se este recorte da suposta realidade que a estética documental dos programas televisivos de realidade opera tornasse certas questões quotidianas mais susceptíveis de serem problematizadas, quer pelos participantes, quer pelos próprios espectadores. [3]

Embora tenha havido precedentes no rádio e na televisão, o primeiro reality show, como hoje definido, foi a série An American Family, transmitida em doze partes em 1973 nos Estados Unidos; a série ficou famosa por lidar com divórcio em uma família nuclear e, ainda, pela revelação de que um dos filhos, Lance Loud, era homossexual. Vários shows na Inglaterra e Austrália usaram o mesmo enredo. An American Family teve 4 gravações antes de ser escolhida qual iria para o ar.

A série que teria criado o interesse moderno em reality shows foi talvez COPS, lançada em março de 1989. Foi seguido por The Real World, da MTV, lançado no Brasil como "Na Real", que se tornou fenômeno de popularidade. Em 2000, com o surgimento do Big Brother e da Expedition Robinson na Europa, assim como Survivor nos Estados Unidos, houve multiplicação de programas de televisão baseados em reality shows, muitas vezes com críticas desfavoráveis por parte da mídia e da população.

O termo reality show é conhecido por mostrar, de forma simulada e ensaiada, uma realidade. Em tais programas, há roteiros a serem seguidos e os participantes têm que resolver problemas ou apenas conviver com outros participantes, como no caso do programa Big Brother e outros. Os chamados reality shows entretêm as pessoas com a reação de seus participantes em apenas viverem um cotidiano ou realizarem alguma prova.

Alguns outros reality shows, como O Aprendiz ou O Desafiante - 2005, levam aos seus participantes "desafios" que eles poderiam encontrar em suas profissões ou em suas próprias vidas. Há também o Esquadrão da Moda, no qual cada episódio apresenta uma "vítima" de moda e reforma do seu guarda-roupa. Todos, tentam dar aparência de realidade.

Formatos recorrentes[editar | editar código-fonte]

Os elementos comuns que caracterizam o reality show são os personagens e suas histórias supostamente tomadas da vida cotidiana. O protagonista, normalmente, apresenta-se como um cidadão médio, gente comum que está disposta a atuar como uma estrela das telas a mudança de fazer pública sua vida privada. O sujeito anônimo da grande massa se converte numa "estrela" dado que uma das funções dos meios de comunicação é outorgar status.

  • Tipo Survivor ou No Limite: um grupo heterogêneo de pessoas é levado a um lugar remoto sem serviços elementares, no qual deverão procurar seu sustento e deverão competir para obter produtos básicos. Tal qual no Big Brother, tudo é cercado por coreógrafos, câmeras, maquiadores, cabeleireiros e diretores.
  • Tipo Big Brother: um grupo heterogêneo de jovens de ambos sexos devem conviver durante certo tempo numa casa, formando alianças e tramando intrigas para não ser expulsos pelo voto dos espectadores. Entre a variedade de reality tipo Big Brother, podemos encontrar o programa Surreal Life, produzido pelo canal Vh1 ou The Real World, produzido pela MTV.
  • Tipo Solteiro: um homem ou mulher solteiro, usualmente rico ou famoso, deverá eleger entre um grupo de pretendentes. Nesta classe de emissões, costuma ser o solteiro quem decide quem prossegue na competição. Ex.: The Bachelor
  • Tipo Busca de Emprego: um grupo de participantes se submete às regras ditadas por um empresário a mudança de obter um emprego para trabalhar numa de suas empresas. O programa típico desta nova tendência é O Aprendiz (The Apprentice), programa da rede televisiva National Broadcasting Company e conduzido pelo empresário estadunidense Donald Trump. Na América Latina, se produziram duas versões: uma brasileira apresentada pelo empresário Roberto Justus nas primeiras temporadas sendo substituído pelo empresário João Doria Júnior nas temporadas de 2010 e 2011 e no ano seguinte voltando ao seu apresentador original. Produzida pela Rede Record e outra na Colômbia com o empresário turístico de origem francesa Jean-Claude Bessudo pelo Canal Caracol.

Animados[editar | editar código-fonte]

No mundo, existem sete reality shows animados. É a famosa Ilha dos Desafios, Luzes, Drama, Ação!, Drama Total: Turnê Mundial, Drama Total: A Vingança da Ilha, Drama Total: Só Estrelas e Drama Total: Ilha Pahkitew/Drama Total: A Nova Ilha apresentados por Chris McLean, além de Drama Total: Corrida Alucidante, apresentado por Don. Elas foram exibidas pelo Cartoon Network, pelo canal Boomerang, e RedeTV!.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

TVI[editar | editar código-fonte]

SIC[editar | editar código-fonte]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, pode-se dizer que a "onda" de reality shows começou, basicamente, com o programa No Limite, baseado em Survivor, em 2000. Em 2001, foi criado o programa Casa dos Artistas, fenômeno notável de audiência para a classe C do Sistema Brasileiro de Televisão. Em 2002, surgiu o maior expoente deste gênero no Brasil, a franquia do programa Big Brother , da TV Globo. Posteriormente em 2009, a TV Record lançou A Fazenda, versão brasileira de The Farm (criado na Suécia pelo produtor Strix).

Programas exibidos:

Primeira expulsão de participante[editar | editar código-fonte]

A primeira expulsão de uma participante em um reality show no Brasil ocorreu devido à uma ensaiada agressão de um colega de confinamento durante um jogo de basquete na piscina de A Fazenda (Rede Record), na tarde do do dia 8 de agosto de 2011. A decisão de desclassificar Duda Yankovich do programa foi tomada se baseando nas regras do reality show que dizem que é é proibida a agressão física na tarde de 9 de agosto, dia seguinte ao tapa no rosto que ela deu em Thiago Gagliasso, e divulgada durante a madrugada do dia 9 para 10 de agosto, em uma edição especial do programa apresentado por Britto Jr.

Referências

  1. Mateus, Samuel. «Reality-Show- uma análise de género». Comunicando, vol.1, nº1, 2012, pp.2 35-244 
  2. "Reality-Shows - ascendências na hibridização de género", Contemporânea - revista de comunicação e cultura, volume 10, nº2, 2012, pp.374-390; http://www.portalseer.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/5951
  3. "Reality-Shows - ascendências na hibridização de género", Contemporânea - revista de comunicação e cultura, volume 10, nº2, 2012, pp.374-390; http://www.portalseer.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/5951
  4. «RuPaul's Drag Race - MULTISHOW». MULTISHOW. Consultado em 18 de outubro de 2016 

Ver também[editar | editar código-fonte]