Afeto (psicologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a capacidade de perceber sentimentos, emoções e humores. Para os estados psicológicos emocionais, veja Afetividade.

Afeto, nos estudos de psicologia, refere-se à experiência inata de sentimento, emoção e humor (positivo ou negativo).[1]

Dimensões afetivas[editar | editar código-fonte]

As dimensões afetivas são constructos psicofisiológicos que se referem, na maioria das vezes, a conceitos que interconectam os processos mentais e fisiológicos. A maioria das correntes de psicologia os dividem em três principais dimensões: valência, excitação e intensidade motivacional.[2]

  • Valência é o espectro e avaliação subjetiva (do positivo ao negativo) de experiências pelas quais uma pessoa passou. A valência emocional é afetada pela consequências da emoção e as circunstâncias que a induzem, bem como aos sentimentos ou atitudes subjetivas.[3]
  • Excitação é mensurável objetivamente pela interpretação da ativação sobre o sistema nervoso simpático, apesar de também poder ser avaliada subjetivamente através de autorrelato.
  • Intensidade motivacional se refere ao impulso em agir;[4] à força impulsiva para se mover em determinada direção ou se afastar de um estímulo, e à decisão em devir ou não interagir com tal estímulo. O ato se locomover não é, por si só, considerado uma motivação de aproximação ou de evitamento.[5]

É importante destacar que a excitação difere da intensidade motivacional, embora sejam construtos intimamente relacionados, eles se distanciam no sentido de que a motivação implica necessariamente uma ação, enquanto a excitação não.[6]

Efeitos e demonstrações[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Afetividade
Mãos dadas, um exemplo de demonstração de afeto

O afeto é resultado da interação entre um organismo e estímulos, influenciando a amplitude do escopo dos processos cognitivos.[7] Inicialmente, acreditava-se que os afetos positivos ampliavam, enquanto os afetos negativos diminuíam o escopo cognitivo.[8] No entanto, outros estudos sugerem que uma intensidade motivacional muito elevada pode causar efeitos que diminuiríam o escopo cognitivo, ao passo que os efeitos de baixa intensidade motivacional o ampliariam. A formação do escopo cognitivo é objeto de estudo da psicologia cognitiva.[8]

Atos afetivos também são expressados por demonstrações que servem como indicadoras de afeto, como "uma expressão facial, vocal ou gestual".[9]

Tolerância afetiva[editar | editar código-fonte]

Em estudo sobre tolerância afetiva, o psiquiatra Jerome Sashin diz que: "A tolerância afetiva pode ser definida como a habilidade de resposta a um estímulo do qual normalmente é esperado o desencadeamento de afetos pela experiência subjetiva dos sentimentos".[10] Essencialmente, tolerância afetiva é a capacidade de reagir a emoções e sentimentos. As pessoas que tem baixa tolerância afetiva costumam exibir pouca ou nenhuma reação às emoções e sentimentos de qualquer tipo. Essa ausência de reação está relacionada à alexitimia, "um fenômeno subclínico que envolve a falta de consciência afetiva ou, mais especificamente, a dificuldade em identificar e descrever sentimentos e em distingui-los das sensações corporais ligadas à excitação emocional".[11]

A alexitimia é a incapacidade de uma pessoa em reconhecer quais emoções está sentindo, o que se estende também à incapacidade em descrevê-las. Em estudo que compila quatro décadas de pesquisas sobre o tema,[12] foi relatado pessoas com alexitimia são mais suscetíveis ao das taxas de suicídio,[13] desconforto mental[14] e morte.[15]

Alguns fatores de tolerância afetiva , como sensibilidade à ansiedade, intolerância à incerteza e tolerância ao estresse emocional, podem ser atenuados pela prática da atenção plena.[16][17] Esta se refere a um estado de alerta sobre seus próprios sentimentos, pensamentos, sensações e estímulos do ambiente ao seu redor.[18] A atenção plena produz efeitos como "aumento do bem-estar subjetivo, redução dos sintomas psicológicos e da reatividade emocional e ampliação da regulagem comportamental".[18]

Referências

  1. Hogg, M.A., Abrams, D., & Martin, G.N. (2010). Social cognition and attitudes. In Martin, G.N., Carlson, N.R., Buskist, W., (Ed.), Psychology (pp 646-677). Harlow: Pearson Education Limited.
  2. Harmon-Jones, Eddie; Gable, Philip A.; Price, Tom F. (5 de agosto de 2013). «Does Negative Affect Always Narrow and Positive Affect Always Broaden the Mind? Considering the Influence of Motivational Intensity on Cognitive Scope». Current Directions in Psychological Science. 22: 301–307. doi:10.1177/0963721413481353 
  3. Harmon-Jones, Eddie; Harmon-Jones, Cindy; Amodio, David M.; Gable, Philip A. (2011). «Attitudes toward emotions.». Journal of Personality and Social Psychology. 101: 1332–1350. CiteSeerX 10.1.1.661.6663Acessível livremente. PMID 21843012. doi:10.1037/a0024951 
  4. «Emotion». The Penguin Dictionary of Psychology. Credo Reference: Penguin. 2009 
  5. Harmon-Jones, Eddie; Harmon-Jones, Cindy; Price, Tom F. (11 de junho de 2013). «What is Approach Motivation?». Emotion Review. 5: 291–295. doi:10.1177/1754073913477509 
  6. Gable, Philip A.; Harmon-Jones, Eddie (abril de 2013). «Does arousal per se account for the influence of appetitive stimuli on attentional scope and the late positive potential?». Psychophysiology. 50: 344–350. PMID 23351098. doi:10.1111/psyp.12023 
  7. Summerell, Elizabeth; Harmon-Jones, Cindy; Kelley, Nicholas J.; Peterson, Carly K.; Krstanoska-Blazeska, Klimentina; Harmon-Jones, Eddie (8 de janeiro de 2019). «Does Cognitive Broadening Reduce Anger?». Frontiers in Psychology. 9. 2665 páginas. PMC 6332929Acessível livremente. PMID 30671003. doi:10.3389/fpsyg.2018.02665 
  8. a b Harmon-Jones, Eddie; Gable, Philip A.; Price, Tom F. (5 de agosto de 2013). «Does Negative Affect Always Narrow and Positive Affect Always Broaden the Mind? Considering the Influence of Motivational Intensity on Cognitive Scope». Current Directions in Psychological Science. 22: 301–307. doi:10.1177/0963721413481353 
  9. «APA Dictionary of Psychology». dictionary.apa.org. Consultado em 12 de novembro de 2019 
  10. Sashin, Jerome I. (1 de abril de 1985). «Affect tolerance: A model of affect-response using catastrophe theory». Journal of Social and Biological Structures. 8: 175–202. ISSN 0140-1750. doi:10.1016/0140-1750(85)90008-9 
  11. Singer, Tania; Tusche, Anita (1 de janeiro de 2014), Glimcher, Paul W.; Fehr, Ernst, eds., «Chapter 27 - Understanding Others: Brain Mechanisms of Theory of Mind and Empathy», ISBN 978-0-12-416008-8, Academic Press, Neuroeconomics (Second Edition): 513–532, doi:10.1016/b978-0-12-416008-8.00027-9, consultado em 3 de dezembro de 2019 
  12. Samur, Dalya; Tops, Mattie; Schlinkert, Caroline; Quirin, Markus; Cuijpers, Pim; Koole, Sander L. (2013). «Four decades of research on alexithymia: moving toward clinical applications». Frontiers in Psychology. 4. 861 páginas. ISSN 1664-1078. PMC 3832802Acessível livremente. PMID 24312069. doi:10.3389/fpsyg.2013.00861 
  13. Hintikka, Jukka; Honkalampi, Kirsi; Koivumaa-Honkanen, Heli; Antikainen, Risto; Tanskanen, Antti; Haatainen, Kaisa; Viinamäki, Heimo (2004). «Alexithymia and suicidal ideation: A 12-month follow-up study in a general population». Comprehensive Psychiatry. 45: 340–345. PMID 15332196. doi:10.1016/j.comppsych.2004.06.008 
  14. Lane, Richard D. (2008). «Neural Substrates of Implicit and Explicit Emotional Processes: A Unifying Framework for Psychosomatic Medicine». Psychosomatic Medicine. 70: 214–231. ISSN 0033-3174. PMID 18256335. doi:10.1097/PSY.0b013e3181647e44 
  15. Tolmunen, Tommi; Lehto, Soili M.; Heliste, Maria; Kurl, Sudhir; Kauhanen, Jussi (2010). «Alexithymia Is Associated With Increased Cardiovascular Mortality in Middle-Aged Finnish Men». Psychosomatic Medicine. 72: 187–191. ISSN 0033-3174. PMID 19949161. doi:10.1097/PSY.0b013e3181c65d00 
  16. Bernstein, Amit; Zvolensky, Michael J.; Vujanovic, Anka A.; Moos, Rudolf (setembro de 2009). «Integrating Anxiety Sensitivity, Distress Tolerance, and Discomfort Intolerance: A Hierarchical Model of Affect Sensitivity and Tolerance». Behavior Therapy. 40: 291–301. PMID 19647530. doi:10.1016/j.beth.2008.08.001 
  17. O'Bryan, Emily M.; Luberto, Christina M.; Kraemer, Kristen M.; McLeish, Alison C. (11 de setembro de 2018). «An examination of mindfulness skills in terms of affect tolerance among individuals with elevated levels of health anxiety». Anxiety, Stress, & Coping. 31: 702–713. PMC 6540987Acessível livremente. PMID 30205718. doi:10.1080/10615806.2018.1521515 
  18. a b Keng, Shian-Ling; Smoski, Moria J.; Robins, Clive J. (2011). «Effects of mindfulness on psychological health: A review of empirical studies». Clinical Psychology Review. 31: 1041–1056. PMC 3679190Acessível livremente. PMID 21802619. doi:10.1016/j.cpr.2011.04.006 


Ícone de esboço Este artigo sobre psicologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.