Desapontamento

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Merge-arrow 2.svg
Este artigo ou secção deverá ser fundido com Decepção. (desde janeiro de 2015)
(por favor crie o espaço de discussão sobre essa fusão e justifique o motivo aqui; não é necessário criar o espaço em ambas as páginas, crie-o somente uma vez. Perceba que para casos antigos é provável que já haja uma discussão acontecendo na página de discussão de um dos artigos. Verifique ambas (1, 2) e não esqueça de levar toda a discussão quando levar o caso para a central.).

Desapontamento é o sentimento de descontentamento que segue a falha de expectativas ou esperanças de se concretizarem. Apesar de ser semelhante ao arrependimento, arrependimento se diferencia no que a pessoa sentindo-o se foca principalmente em suas decisões pessoais que contribuíram para ou causaram o resultado não desejado, já uma pessoa sentindo desapontamento se foca no resultado em si.[1] É uma fonte de estresse psicológico.[2] O estudo de desapontamento - suas causas, impacto, e o grau em que decisões individuais são motivadas pelo desejo de evitá-lo - é um foco no campo de análise de decisões,[1][3] já que desapontamento é uma de duas emoções envolvidas em tomadas de decisão.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Do inglês, disappoint, vem do inglês médio disappointen, vindo do francês antigo desapointer. Em sentido literal, significa "remover do cargo."[5] Seu uso como no sentido de frustração tem origens no século 15, e o primeiro uso escrito em inglês como estado emocional de desânimo vem do meio do século 18.[6]

Psicologia[editar | editar código-fonte]

Desapontamento é uma resposta relacionada a recompensas antecipadas.[1] Os resultados psicológicos de desapontamento variam bastante entre indivíduos; enquanto alguns se recuperam facilmente, outros se "atolam" em frustração ou se tornam depressivos. Um estudo em 2004 com crianças com histórico parental de depressão iniciada na infância, mostrou que há várias predisposições genéticas que resultam numa recuperação mais devagar seguindo desapontamento.[7] Apesar de nem todos se tornarem depressivos após desapontamento, depressão pode quase sempre ser observada como desapontamento secundário (na escola de psicologia teoria psicanalítica.[8]

Desapontamento, e a inabilidade de se preparar para este, também foi teorizado como a causa de problemas ocasionais no sistema imunológico de otimistas.[9] Enquanto otimistas são em geral mais saudáveis,[10] eles podem exibir menos imunidade causado por estresse incontrolável ou prolongado, fenômeno que pesquisadores atribuíram ao "efeito desapontamento".[9] Esse efeito postula que otimistas não usam "amortecimento emocional" para se preparar para o desapontamento, e portanto são menos capazes em lidar com e experienciar tal.[10][11] O efeito foi desafiado desde os anos 90 pela pesquisadora Suzanne C. Segerstrom, que havia publicado vários artigos avaliando sua plausabilidade. O resultado de suas pesquisas sugerem que, ao em vez de não conseguirem lidar com desapontamento, otimistas tendem mais a enfrentar seus problemas, e por isso tem sua imunidade afetada.[12]

Em 1994, psicoterapeuta Ian Craib publicou o livro A Importância de Desapontamento, no qual ele se baseia nos trabalhos de Melanie Klein e Sigmund Freud para avançar a teoria de que culturas que evitam desapontamento promovem expectativas falsas de perfeição na vida e prevem pessoas de conseguirem uma identidade própria saudável.[13] Craib ofereceu dois exemplos de casos legais de vitimas de erros médicos, as quais teriam aceitado acidentes durante suas vidas, e pessoas em luto após a morte de um ente querido, que, segundo Craib, são dadas por terapeutas um falso plano de recuperação (como superar a perda), que serve mais para confortar o terapeuta do que quem sofreu a perda em si.[14] Em um artigo de 2004, a revista Psychology Today recomendou superar o desapontamento por meio de passos concretos, incluindo aceitar que fatores que impedem a pessoa de avançar (setbacks) são comuns, estabelecer objetivos realísticos, planejar seus passos, pensar sobre modelos positivos, procurar apoio, e superar etapas uma por uma ao em vez de tentar resolver o problema de uma vez só.[2]

Referências

  1. a b c Bell, David E. (January 1985). «Putting a premium on regret». Management Science. 31 (1): 117–20. doi:10.1287/mnsc.31.1.117. JSTOR 2631680  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b Ma, Lybi. (March 29, 2004). Down But Not Out. Originally published in Psychology Today. Hosted with permission by medicinenet.com. Retrieved 22/02/08.
  3. Wilco, W. van Dijk, Marcel Zeelenberg and Joop van der Pligt (August 2003). «Blessed are those who expect nothing: Lowering expectations as a way of avoiding disappointment». Journal of Economic Psychology. 24 (4): 505–16. doi:10.1016/S0167-4870(02)00211-8  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Wilco W. van Dijk and Marcel Zeelenberg (December 2002). «Investigating the appraisal patterns of regret and disappointment». Motivation and Emotion. 26 (4): 321–31. doi:10.1023/A:1022823221146  Verifique data em: |data= (ajuda)
  5. «disappoint». The American Heritage Dictionary of the English Language, 3rd ed. Houghton Mifflin Company. 1992. 529 páginas 
  6. «disappointment». The New Shorter Oxford English Dictionary. 1. Clarendon Press, Oxford. 1993. 683 páginas. ISBN 0-19-861271-0 
  7. Forbes, Erika E., Nathan A. Fox, Jeffrey F. Cohn, Steven F. Galles and Maria Kovacs (March 2006). «Children's affect regulation during a disappointment: Psychophysiological responses and relation to parent history of depression». Biological Psychology. 71 (3): 264–77. doi:10.1016/j.biopsycho.2005.05.004. PMID 16115722  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. Gilbert, Paul (1992). Depression: The Evolution of Powerlessness. [S.l.]: Guilford Press. p. 315. ISBN 0-89862-884-9 
  9. a b Schwartz, Todd. (Summer 2003) Positive thinking Chronicle, Lewis & Clark College. Retrieved 22/02/08.
  10. a b Neimark, Jill. (May/Jun 2007) The optimism revolution Psychology Today. Retrieved 22/02/08.
  11. Grohol, John M. (February 4, 2006) Is it best to expect the worst? Psychologists test long-held theory of emotional cushioning. psychcentral.com. Retrieved 22/02/08.
  12. Segerstrom SC (September 2006). «How does optimism suppress immunity? Evaluation of three affective pathways». Health Psychol. 25 (5): 653–7. doi:10.1037/0278-6133.25.5.653. PMC 1613541Acessível livremente. PMID 17014284  Verifique data em: |data= (ajuda). See also Segerstrom SC (May 2005). «Optimism and immunity: do positive thoughts always lead to positive effects?». Brain Behav. Immun. 19 (3): 195–200. doi:10.1016/j.bbi.2004.08.003. PMC 1948078Acessível livremente. PMID 15797306  Verifique data em: |data= (ajuda)
  13. Seale, Clive (2002). Media and Health. London: Sage Publications, Inc. pp. 167, 242. ISBN 0-7619-4730-2 
  14. Seale, p. 167-168.