Síndrome de Asperger

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Síndrome de Asperger
Pessoas com síndrome de Asperger, muitas vezes exibem interesses restritos, como o interesse do menino no empilhamento de latas.
Classificação e recursos externos
CID-10 F84.5
CID-9 299.80
MeSH D020817

Síndrome de Asperger (SA), também conhecida por Transtorno de Asperger ou simplesmente Asperger é uma condição neurológica do espectro autista caracterizada por dificuldades significativas na interação social e comunicação não-verbal, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Difere de outros transtornos do espectro autista pelo desenvolvimento típico da linguagem e cognição. Embora não seja fundamental para o diagnóstico, ser fisicamente desajeitado e ter uma linguagem atípica ou excêntrica são características frequentemente citadas pelas pessoas com a síndrome.[1][2] O diagnóstico com a nomenclatura de Síndrome de Asperger foi eliminado na quinta edição (2013) do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) e a síndrome foi incorporada aos transtornos do espectro autista, de grau leve. O termo técnico aplicado à Síndrome de Asperger nos manuais médicos atuais é Desordem do Espectro Autista de Nível 1, sem a presença de prejuízos intelectuais ou verbais. Existem 3 níveis de severidade no autismo, sendo 1 o mais leve, 2 o nível médio/moderado e 3 o grau mais severo.[3]

A síndrome foi nomeada em homenagem a Hans Asperger, pediatra austríaco que em 1944 estudou e descreveu crianças nas quais, em seus cotidianos apresentavam falta de habilidades na linguagem não verbal, demonstravam limitada empatia por seus pares e eram fisicamente desajeitadas.[4] A moderna concepção da síndrome de Asperger surgiu em 1981[5] e passou por um período de popularização,[6][7] tornando-se um padrão diagnóstico no começo dos anos 1990.[8] Muitas questões e controvérsias permanecem acerca de seus aspectos. Questiona-se sua distinção com o autismo de alta funcionalidade;[9] em parte por causa disso, sua prevalência não é firmemente estabelecida.[1]

A causa exata da síndrome é desconhecida. Embora pesquisas sugiram uma possibilidade de bases genéticas,[1] não há causa genética conhecida[10][11] e técnicas de mapeamento cerebral não identificaram resultados claros e concisos. Há vários tipos de tratamento e sua efetividade é limitada. Os recursos médicos procuram atenuar os sintomas e melhorar as habilidades.[1] A principal delas é a terapia comportamental em déficits específicos, tais como dificuldades de comunicação, rotinas obsessivas e/ou repetitivas e movimentos desajeitados.[12] Muitas crianças melhoram conforme caminham para a idade adulta, mas dificuldades sociais e de comunicação podem persistir.[8] Alguns pesquisadores e indivíduos defendem uma mudança de postura em relação à síndrome no sentido de tratá-la como uma diferença, em vez de uma deficiência que deva ser tratada ou curada.[13][14]

Classificação[editar | editar código-fonte]

A linha que separa a Síndrome de Asperger (SA) e o Autismo de alta funcionalidade (AAF) é incerta.[9][15][16] O transtorno do espectro autista é, até certo ponto, um artefato de como o autismo foi descoberto[17] e pode não refletir a verdadeira natureza do espectro;[18] problemas metodológicos tem envolvido a síndrome enquanto um diagnóstico válido desde o começo.[19][20] Na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), publicado em maio de 2013,[21] a síndrome de Asperger,[22] enquanto um diagnóstico separado, foi eliminada e encaixada dentro do espectro autista.[3] Assim como o diagnóstico da síndrome, a mudança é controversa[22][23] e a SA não foi removida do Catálogo Internacional de Doenças (CID-10).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a Síndrome de Asperger como um dos transtornos do espectro autista ou condições do transtorno global do desenvolvimento, as quais são um espectro de condições neurológicas que se caracterizam por dificuldades na interação social e na comunicação, além de interesses restritos e comportamentos repetitivos. O Transtorno do Espectro Autista começa na infância e se instala antes dos 3 anos, tem um andamento estável, sem agravamento da condição já existente ou deterioração do funcionamento mental e geralmente apresenta melhoras que resultam da maturação de vários sistemas do cérebro.[24] É comum que algumas pessoas e ao menos um dos pais de crianças diagnosticadas com a Síndrome de Asperger apresentem alguns traços semelhantes à síndrome, sem que preencham critérios suficientes para o diagnóstico de autismo, caracterizando o que se chama de fenótipo ampliado do autismo (FAA). [25] Das quatro formas de Transtorno do Espectro Autista, o autismo é a mais parecida com a Síndrome de Asperger em sinais e prováveis causas, mas seu diagnóstico requer comunicação prejudicada e permite atrasos no desenvolvimento cognitivo; a Síndrome de Rett e o Transtorno desintegrativo da infância compartilham vários sinais com o autismo, mas podem ter causas não relacionadas; e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação é diagnosticado quando os critérios para distúrbios mais específicos são insatisfatórios.[26]

Características[editar | editar código-fonte]

Como parte do transtorno global do desenvolvimento, a Síndrome de Asperger é identificada através de uma série de sintomas em vez de uma característica em especial. O transtorno é caracterizado pela deficiência significativa na interação social, repetição e restritividade de comportamentos, atividades e interesses, e pela não ocorrência de atrasos no desenvolvimento da linguagem.[27] O interesse excessivo por um assunto específico, fala monótona, e inaptidão à atividades físicas são características típicas da condição, porém não são estritamente necessárias para a conclusão de um diagnóstico.[9]

Interação social[editar | editar código-fonte]

A dificuldade em responder socialmente através da empatia possui um impacto significativo sobre a vida social de pessoas com a síndrome de Asperger.[2] Os indivíduos com SA demonstram inabilidade em características básicas da interação social, como a formação de amizades, ou até mesmo motivações para certas atividades, incluindo o compartilhamento de seus temas de interesse. Assim, também normalmente não há reciprocidade social e emocional (suas ações parecem mecânicas), além da deficiência em interpretar comportamentos não verbais, como o contato visual, expressão facial, e apresentando problemas com a postura e gestos em geral.[1]

Dessa forma, indivíduos com SA podem fazer acepção de pessoas involuntariamente, mas não no mesmo nível de outros casos de autismo; até certo ponto conseguem envolver-se coletivamente. Quando falam de seus assuntos de interesse, o discurso é normalmente unilateral e prolixo. Mas, para o sujeito, é praticamente impossível notar que o interlocutor está desinteressado, se deseja mudar de tema ou terminar a interação.[9] Este comportamento desajustadamente social é muitas vezes considerado como excêntrico, porém ativo.[1] Com isso, tal falha pode ser erroneamente interpretada como descaso e desinteresse em reagir corretamente às situações sociais.[9] No entanto, nem todos os indivíduos com Asperger conseguem conversar com todos. Muitos podem até mesmo ter mutismo seletivo, interagindo apenas com pessoas específicas. Ainda, podem escolher conversar apenas com as que gostam.[28]

A cognição das crianças com a síndrome muitas vezes lhes permite articular as regras sociais como se fossem experimentos de laboratório,[1] no qual, teoricamente podem descrever as emoções das pessoas; no entanto, são majoritariamente incapazes de aplicar seus conceitos na vida cotidiana.[9] Assim, analisam e aplicam suas observações de interação social em comportamentais rígidos, de forma excêntrica, como um contato visual forçado e estático, resultando em uma aparência rígida ou ingênua. O desejo de se ter companhia na infância pode ser distorcido devido a falhas na interação social.[1]

A hipótese de que pessoas com SA têm predisposição para comportamentos violentos ou criminosos foi investigada, mas não possui nenhuma comprovação.[1][29] Muitas ocorrências evidenciam que normalmente as crianças com Asperger são vítimas ao invés de algozes.[30] Um estudo, publicado em 2008 constatou que há um número enorme de criminosos violentos com transtornos psiquiátricos relacionados à síndrome, como o Transtorno esquizoafetivo.[31]

Comportamentos repetitivos e restritos[editar | editar código-fonte]

Os indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente possuem comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas, por vezes focadas de forma intensa e anormal. Além disso, apego à rotinas, movimentos estereotipados e repetitivos, ou preocupação exacerbada com certos objetos são algumas das características que apresentam.[27]

A obsessão por áreas específicas do conhecimento é uma das características mais marcantes da SA.[1] Tais pessoas geralmente se informam e possuem leitura profunda de assuntos nos quais se interessam, como dados meteorológicos ou nomes de personalidades notórias, sem necessariamente ter uma verdadeira compreensão do tópico geral.[1][9] Por exemplo, uma criança pode memorizar modelos de câmeras enquanto pouco se importa com fotografia.[1] Este comportamento é comum aos 5 e 6 anos.[1] Embora seus focos mudam de vez em quando, normalmente parecem bizarros e pelo foco exagerado, dominam tanto o assunto que causam a curiosidade da família. Há vezes em que os interesses restritos de crianças com Asperger passam desapercebidos pelos pais.[9]

A coordenação motora desajeitada, com movimentos estereotipados são uma parte essencial do diagnóstico de SA e outros transtornos do espectro autista.[32] Incluem os movimentos das mãos, como bater ou estralar, e movimentos complexos que envolvem outras partes do corpo.[27] São tipicamente repetidos com rajadas, enquanto o olhar é mais espontâneo do que os tiques, que são geralmente mais rápidos, com menos ritmo e simetria.[33]

De acordo com o teste de diagnóstico fornecido pela Adult Asperger Assessment (AAA), o desinteresse em ficção e a preferência à não ficção é comum entre os adultos com SA.[34]

Fala e linguagem[editar | editar código-fonte]

Embora os indivíduos com Asperger não apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala, seu discurso carece de adaptações significativas, pois a aquisição e uso da linguagem é geralmente atípica.[9] As anormalidades incluem verbosidade, transições bruscas, interpretações literais e má compreensão da nuance, uso de metáforas nas quais apenas o emissor compreende, os déficits de percepção auditiva, pedantismo extremo, discurso idiossincrático e/ou formal, e excentricidade na sonoridade, afinação, entonação, prosódia, e ritmo.[1] A ecolalia é uma característica encontrada em algumas pessoas com SA.[35][36]

Três aspectos nos padrões de comunicação são de interesse clínico: prosódia pobre, discurso circunstancial e tangencial, e notável verbosidade. Apesar da inflexão e entonação ser menos rígida ou monótona do que no autismo clássico, as pessoas com SA têm, em alguns casos uma gama limitada de entonação: a fala pode ser extremamente rápida, irregular ou alta. Sua fala pode transmitir incoerência; e seu método de discurso muitas vezes é uma espécie de monólogo sobre temas que não há espaço para comentários do interlocutor, e em alguns momentos pensamentos pessoais não são suprimidos. Portanto, tais indivíduos podem não conseguir perceber se o ouvinte está interessado ou envolvido na conversa. A conclusão do discurso pode nunca acontecer, e a compreensão do receptor acerca do assunto é rara.[9]

As crianças com SA podem ter um vocabulário extraordinariamente complexo numa idade jovem e informalmente serem chamados de "pequenos professores", mas possuem dificuldade em compreender o sentido figurado e normalmente interpretam tudo de forma literal.[1] Assim, mostram ter fraquezas particulares em áreas da linguagem não literal como o humor, ironia, provocação e sarcasmo. Embora geralmente compreendem a base cognitiva do humor, não parecem entender sua origem para rirem com os outros.[15] Apesar da apreciação de humor aparentemente prejudicada, habilidades na área em alguns existem e são exceções que desafiam os estudos acerca do autismo.[37]

Coordenação motora e percepção sensorial[editar | editar código-fonte]

Indivíduos com síndrome de Asperger podem ter sintomas ou sinais que são independentes do diagnóstico que possuem, mas tais características podem afetar o indivíduo ou até mesmo a família.[38] Estes incluem diferenças na forma de percepção e problemas com a coordenação motora, sono, e emoções.

Muitos aspies possuem uma ótima audição e percepção visual.[39] As crianças geralmente percebem diferentes padrões sendo modificados o tempo todo. Normalmente, isso é de domínio específico e envolve a processamento neurológico minucioso.[40] Por outro lado, em comparação com os autistas de alto funcionamento, os indivíduos com SA possuem déficits em algumas tarefas que envolvem a percepção visual-espacial, percepção auditiva relacionada à grande concentração de pessoas, ou memória eidética.[1] Muitos deles relatam outras habilidades sensoriais, experiências e percepções incomuns. Por outro lado, podem ser mais sensíveis ou insensíveis ao som, luz e outros estímulos,[41] também encontrados em outros transtornos globais do desenvolvimento, sem exclusividade para a Asperger.

Os primeiros relatos de Hans Asperger[1] e outros tipos de diagnóstico[42] incluem descrições de imperícia física. Crianças com SA podem ser atrasadas na aquisição de habilidades que exigem destreza motora, como andar de bicicleta ou a abertura de um frasco, e parecem se mover sem jeito ou sentirem-se "desconfortáveis em sua própria pele". Assim, podem ser mal coordenados, uma postura errada ou incomum, má caligrafia, ou problemas com a integração visual-motora.[1][9] Também, possivelmente apresentam problemas com a propriocepção, além de apresentarem dispraxia, como equilíbrio, marcha tandem, e a justaposição do dedo polegar. Não há evidências de que estes problemas de motricidade os diferem dos autistas de alto funcionamento.[1]

As crianças são mais propensas a terem problemas de sono, como dificuldade para dormir, frequente insônia no meio da noite, e acordar cedo.[43][44] A síndrome também está associada a altos níveis de alexitimia, que é a dificuldade em identificar e descrever as próprias emoções.[45] Apesar de na SA a qualidade do sono ser menor, e também existir alexitimia, não há relação direta entre os dois sintomas.[44]

Causas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Causas do autismo

Hans Asperger afirmou existir semelhanças no comportamento de seus pacientes com alguns de seus familiares, principalmente os pais, defendendo a tese de que a origem da Síndrome de Asperger pode ser genética. Embora as pesquisas ainda não apontem um gene especificamente responsável, muitos fatores embasam tal crença, principalmente devido à variabilidade fenotípica observada dentre as crianças com SA.[1][46] Uma destas evidências se concentra no fato de que a síndrome pode ser diagnosticada em mais de um membro da família e uma maior incidência de indivíduos, dentro do mesmo círculo familiar apresentarem sintomas de forma extremamente leve (como por exemplo, dificuldades de leitura, interação social ou linguagem).[12] Grande parte dos estudos sugerem que todos os transtornos do espectro autista compartilham mecanismos genéticos, podendo ter uma origem comum e de maior destaque, no caso, o autismo em si.[1] No entanto, sua origem provavelmente não é causada por um grupo de genes comuns nos quais os alelos tornam um indivíduo vulnerável ao ponto de desenvolver Asperger, mas, se for o caso, a combinação de alelos, em cada caso determinaria a gravidade e os sintomas de cada indivíduo que possui a condição.[12]

Alguns poucos casos de transtornos globais do desenvolvimento são considerados efeitos de agentes teratogênicos ocorridos nas primeiras semanas de gestação. Embora isso não exclua a possibilidade da Síndrome de Asperger se manifestar antes ou depois disso, conclui-se que, provavelmente seu surgimento seja precoce no desenvolvimento humano.[47] Outra hipótese, sem conclusões advindas da comunidade científica é que fatores ambientais moldam o indivíduo após o nascimento.[48]

Mecanismo[editar | editar código-fonte]

Imagem por ressonância magnética funcional oferece algumas evidências sobre as conexões e sincronizações neurais.
Ver artigo principal: Mecanismo do autismo

A Síndrome de Asperger é uma condição neuropsicológica que causa efeitos no desenvolvimento cerebral em geral, provocando mudanças nos vários sistemas funcionais existentes.[49] Embora a dissociação da SA com outros transtornos do espectro autista ainda não seja clara e não tenha sido descoberta nenhuma patologia em comum para todos os distúrbios,[1] há probabilidade de que a síndrome tenha mecanismos distintos das demais desordens.[50] Alguns estudos neuroanatômicos e supostas ações de agentes teratogênicos presumem que a alteração no desenvolvimento cerebral ocorra logo após a fecundação.[47] A migração anormal de células embrionárias durante o desenvolvimento fetal pode afetar a estrutura definitiva do cérebro e seus circuitos nervosos, afetando ligações diretamente relacionadas ao pensamento e comportamento.[51] Existem várias teorias e estudos relacionados, porém nenhum fornece uma explicação completa a respeito do mecanismo da Asperger.[52]

A teoria da underconnectivity trabalha com a hipótese do subfuncionamento das conexões e sincronizações neurais de alto nível e com um excesso de processos de baixo nível.[54] Ela mapeia bem as teorias de processamento geral tais como a teoria da coerencia central fraca, que hipotetiza que uma capacidade limitada de ver grandes imagens adjascentes a disturbios centrais no TEA.[56]

História[editar | editar código-fonte]

Batizada em homenagem ao pediatra austríaco Hans Asperger (1906-1980), a Síndrome de Asperger é um diagnóstico relativamente novo no campo autista.[53] Quando criança, Hans possivelmente tinha algumas das características da condição que leva seu nome, como o distanciamento e formalidade linguística.[54][55] Em 1944, Asperger descreveu quatro crianças no dia a dia[2] que tinham dificuldades em interagir socialmente: não eram habilidosas na comunicação não-verbal, não demonstravam empatia com os seus pares, além de serem fisicamente desajeitadas. Hans denominou a condição de "psicopatia autista" e destacou o isolamento social como sua principal característica.[12] Cinquenta anos depois, várias padronizações da SA como diagnóstico foram propostas, muitas das quais contendo divergências significativas em relação ao trabalho original do pediatra.[56]

Ao contrário das características tidas como parte da SA hoje, a condição podia ser englobada à pessoas de todos os níveis de inteligência, incluindo os que possuem deficiência intelectual.[57] Mesmo num contexto de eugenia nazista, com a política de esterilização e matança de deficientes e indivíduos que fugiam da hegemonia social, Asperger apaixonadamente defendeu a importância dos autistas na sociedade, afirmando que tais indivíduos possuem seu espaço na comunidade, cumprindo seus papéis com competência, de forma independente, em contraste aos problemas apresentados na infância que, ao longo da vida foram superados. Asperger também costumava chamar seus pacientes de "pequenos professores",[4] e acreditava que algum deles, mais tarde seria capaz de ter conquistas através de ideias originais.[2] Sua obra foi publicada durante a guerra e em alemão, por isso não teve cobertura ampla.

Em 1981, Lorna Wing popularizou o termo Síndrome de Asperger na comunidade médica britânica, através de[58] uma série de estudos de caso com crianças que apresentavam sintomas semelhantes,[53] com Uta Frith traduzido os estudos de Hans Asperger para o inglês em 1991.[4] O conjunto de critérios para o diagnóstico foi formulado por Gillberg e Gillberg em 1989 e também por Szatmari et al., no mesmo ano.[59] A SA tornou-se um padrão diagnóstico em 1992, quando foi incluída na décima edição da Organização Mundial da Saúde e da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), e em 1994, foi adicionada à quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-IV), da Associação Americana de Psiquiatria.[12]

Atualmente, existem muitos livros, artigos e sites a respeito da SA, com o aparecimento de novos casos formando um subgrupo importante da condição dentro do espectro autista.[53] Se a Asperger deve ser vista como distinta do autismo de alto funcionamento, é uma questão fundamental que requer um estudo mais aprofundado,[2] e ainda há dúvidas sobre a validade empírica do DSM-IV e do CID-10.[9] Em 2013, o DSM-V removeu a síndrome como um diagnóstico separado, considerando-a como um tipo de autismo de grau mais leve.[3]

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Indivíduos com Síndrome de Asperger geralmente se intitulam como aspies (um termo usado pela primeira vez numa publicação por Liane Holliday Willey, em 1999).[60] O termo neurotípico (muitas vezes abreviado para NT) descreve uma pessoa cujo desenvolvimento e o estado neurológico é típico, além de denominar indivíduos os quais não são autistas. A internet permitiu que os indivíduos autistas se comuniquem e comemorem a diversidade entre si de uma forma que não era possível anteriormente devido à sua raridade e dispersão geográfica. Com isso, hoje existe uma subcultura dos aspies. Sites e redes sociais, como o Wrong Planet fizeram com que pessoas com SA se conectassem.[13]

Pessoas autistas têm defendido uma mudança na percepção dos transtornos do espectro autista como síndromes complexas ao invés de simplesmente doenças que devem ser curadas. Os defensores desta visão rejeitam a noção de que há uma configuração do cérebro "ideal" e que qualquer desvio desta norma seja patológica. Assim, promovem a tolerância e a ideia de neurodiversidade,[61] que, de certa forma torna-se um pilar para os seus direitos e movimentos do orgulho autista.[62] Em contrapartida, enquanto muitos indivíduos aspies possuem orgulho de sua identidade e não desejam ser curados, muitos pais procuram assistência médica para seus filhos, na busca de uma cura.[63]

Alguns pesquisadores têm argumentado que a Asperger deveria ser vista como uma forma cognitiva distinta, não um distúrbio ou deficiência,[13] e deveria ser removida do Diagnóstico e Estatístico de Transtornos, assim como a homossexualidade.[64] Em um estudo de 2002, Simon Baron-Cohen escreveu que os indivíduos com Síndrome de Asperger não são beneficiados socialmente por serem tão atentos aos detalhes, mas que no campo profissional, principalmente na área de ciências exatas, um olhar detalhista favorece os autistas ao sucesso, em vez do fracasso. Cohen acredita que existem dois motivos pelos quais ainda valha a pena considerar Asperger como uma deficiência: para garantir o apoio emocional garantido por lei e de assegurar o reconhecimento das dificuldades de empatia que apresentam.[14] Além disso, argumenta que possivelmente há genes associado às habilidades da síndrome em atuação na evolução humana, deixando contribuições notáveis na história da humanidade.[65]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]