Transtorno explosivo intermitente

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Transtorno explosivo intermitente
Antigamente apenas violência física era considerada um critério diagnóstico, mas atualmente também se considera violência verbal.
Especialidade psiquiatria, psicologia, psicoterapia
Classificação e recursos externos
CID-10 F63.8
CID-9 312.34
MeSH D007174, D007174
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O transtorno explosivo intermitente (abreviado TEI) é uma desordem comportamental caracterizada por explosões de raiva e violência, que são desproporcionais com a situação em questão (por exemplo, gritos impulsivos desencadeados por eventos relativamente inconsequentes). A agressão impulsiva não é premeditada e é definida por uma reação desproporcional a qualquer provocação, real ou percebida. Alguns indivíduos relataram mudanças afetivas antes de uma explosão (por exemplo, tensão, mudanças de humor, mudanças de energia, etc.).[1]

A desordem é atualmente categorizada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). O transtorno em si não é facilmente caracterizado e muitas vezes exibe comorbidade com outros transtornos do humor, particularmente transtorno bipolar.[2] Os indivíduos diagnosticados com TEI relatam que suas explosões são breves (com duração inferior a uma hora), com uma variedade de sintomas corporais (sudorese, gagueira, aperto no peito, espasmos e palpitações) relatados por um terço de uma amostra.[3] Os atos agressivos são frequentemente relatados, acompanhados por uma sensação de alívio e, em alguns casos, prazer, mas muitas vezes seguido de remorso posterior.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

A pessoa apresenta dificuldade para controlar o impulso agressivo, na maioria das vezes, sua reação é explosiva e sempre muito desproporcional a situação que a desencadeou. Por exemplo: uma pessoa tem uma crise de fúria, joga coisas, xinga, grita porque a fila do cinema não anda. Essas atitudes não são premeditadas, ou seja, trata-se realmente de um impulso. Os portadores relatam que, às vezes, por uma fração de segundos, tem consciência do que está por ocorrer, mas não conseguem se controlar. Descrevem que esses momentos são precedidos de excitação crescente, alto nível de tensão, palpitações, aperto no peito, pensamentos raivosos etc., que os levam a fortes impulsos de agir agressivamente.[4]

Após o ocorrido, sentem alívio da tensão e por algum tempo, acreditam que seus comportamentos são justificáveis. Invariavelmente, quando conseguem pensar com mais calma, sentem-se genuinamente arrependidos, com vergonha, culpados, tristes e confusos. O sentimento de base para o TEI é a raiva. Devemos, porém, considerar que a raiva é uma emoção normal que pode ocasionar sentimentos como aborrecimento ou irritação, e que somente quando fora de controle, torna-se destrutiva, causando problemas nas relações pessoais, de trabalho e qualidade de vida. Os indivíduos com esse transtorno frequentemente expressam raiva intensa e inadequada (para o estresse causado pelo ambiente ou situação), ou têm dificuldade para controlar essa raiva. São constantes também o extremo sarcasmo, a persistente amargura ou explosões verbais.[4]

A raiva frequentemente vem à tona quando uma pessoa de sua simpatia é tida por eles como negligente, omisso, indiferente ou prestes a abandoná-lo. Durante períodos de extremo estresse pode ocorrer ideação paranóide ou sintomas dissociativos transitórios (por ex., despersonalização) mas estes, em geral, têm gravidade ou duração insuficiente para indicarem um outro diagnóstico psiquiátrico. Normalmente a maioria das pessoas acometidas desse mal acha que isso é normal e nega ser doente. A negação também faz parte das doenças da mente, mas se submetidas ao exame de "mapeamento cerebral" ficarão estarrecidas com o resultado porque o exame irá denunciá-las.[4]

O Transtorno Explosivo Intermitente se percebe naquele indivíduo que, popularmente, é descrito como tendo “pavio curto” por não conseguir resistir aos seus impulsos agressivos. Desta forma se tornam pessoas que têm dificuldade em avaliar as consequências de seus atos e são levados a ter comportamentos agressivos, ataques de fúria e de agressividade. Tais como: ameaçar, berrar, xingar, fazer gestos obscenos, falar palavrões, desrespeitar leis de trânsito, atirar objetos, envolver-se em brigas com a família, no trabalho, nas relações sociais e destruir objetos e propriedades. No entanto, seus ataques de agressividade não são premeditados, o que faz sentirem-se responsáveis por seus atos, demonstrando arrependimento, vergonha, culpa e tristeza.[4]

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas podem ser biológicas e/ou psico-sociais:

  • Biológica: disfunção na produção de serotonina.
  • Psico-sociais: Essas pessoas normalmente conviveram em famílias instáveis onde as explosões verbais e brigas são frequentes. Muitas vezes encontram-se nesses ambientes pessoas dependentes de álcool ou drogas. O portador apresenta baixa tolerância à frustração e dificuldade para administrar sentimentos de raiva e hostilidade, são instáveis afetivamente pois não sabem controlar seus sentimentos e emoções. Entendem que “o mundo está contra eles” e acabam por repetir o mesmo modelo de comportamento vivenciado na infância, acreditando ser essa uma forma de restaurar a auto-estima fragilizada.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Pode ser feito baseado nos critérios do DSM-5. "As explosões recorrentes que demonstram uma incapacidade de controlar impulsos, devem incluir um dos seguintes critérios:

  • Critério A1: Agressão verbal (birras, argumentos verbais ou brigas) ou agressão física que ocorre duas vezes em um período de uma semana por pelo menos três meses e não leva à destruição de propriedade ou lesão física.
  • Critério A2: Três explosões que envolvem lesão ou destruição dentro de um ano de duração.

Além de um dos critérios A é necessário que:

  • Critério B: O comportamento agressivo é grosseiramente desproporcional à magnitude dos estressores psicossociais
  • Critério C: As explosões não são premeditadas e não têm propósito premeditado
  • Critério D: As explosões causam sofrimento ou prejuízo do funcionamento, ou levam a consequências financeiras ou legais
  • Critério E: O indivíduo deve ter pelo menos seis anos de idade
  • Critério F: Os surtos recorrentes não podem ser explicados por outro transtorno mental e não são o resultado de outro transtorno médico ou uso de substâncias.

Pode corroborar o diagnóstico se a explosão resultar em perda de emprego, suspensão da escola, divórcio, dificuldades nas relações interpessoais ou outras deficiências em áreas sociais ou ocupacionais, acidentes (como em veículos), hospitalização devido a ferimentos por brigas ou acidentes, problemas financeiros, encarceramentos ou outros problemas legais.

Diagnósticos diferenciais[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico de transtorno explosivo intermitente somente é feito depois de descartados outros transtornos mentais que poderiam explicar os episódios de comportamento agressivo, como por exemplo:

Como dito anteriormente, deve ser realizado por profissionais que conhecem bem o transtorno para que seja feita uma avaliação médica e psicológica criteriosa.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Três estudos populacionais em países diferentes estimaram que entre 4 e 6% da população possuem os critérios do DSM-IV para serem diagnosticados com esse transtorno. É mais comum em homens do que em mulheres.[5] Com a expansão dos critérios para incluir violência moral, a prevalência deve aumentar significativamente.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento é feito por terapia comportamental cognitiva e medicação psicotrópica, embora as opções farmacêuticas tenham sucesso limitado, podem ser úteis para as prováveis comorbidades. A terapia ajuda a ajudar o paciente a reconhecer os impulsos na esperança de alcançar um nível de consciência e controle das explosões, além de tratar o estresse emocional que acompanha esses episódios.[6]

Vários esquemas terapêuticos são freqüentemente indicados para pacientes explosivos. A terapia para desenvolver habilidades sociais, técnicas de relaxamento e de enfrentamento demonstrou sucesso preliminar em grupos e grupos individuais em comparação com grupos de controle na lista de espera. Esta terapia consiste em 12 sessões, as três primeiras enfocando o treinamento de relaxamento, na reestruturação cognitiva, desenvolvimento de assertividade e em uma exposição a fatores estressantes em ambiente terapêutico. As sessões finais concentram-se em resistir aos impulsos agressivos e outras medidas preventivas.[6]

Dentre as opções farmacológicas, os pacientes com transtorno explosivo intermitente podem responder ao tratamento com antidepressivos, calmantes da família das benzodiazepinas ou estabilizadores de humor.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. McElroy SL (1999). «Recognition and treatment of DSM-IV intermittent explosive disorder». J Clin Psychiatry. 60 Suppl 15: 12–6. PMID 10418808 
  2. McElroy SL, Soutullo CA, Beckman DA, Taylor P, Keck PE (abril de 1998). «DSM-IV intermittent explosive disorder: a report of 27 cases». J Clin Psychiatry. 59 (4): 203–10; quiz 211. PMID 9590677. doi:10.4088/JCP.v59n0411 
  3. Tamam, L., Eroğlu, M., Paltacı, Ö. (2011). "Intermittent explosive disorder". Current Approaches in Psychiatry, 3(3): 387–425.
  4. a b c d José, Hamilton Vargas (2008). «Transtorno explosivo intermitente: diagnóstico e tratamento DF». Consultado em 30 de julho de 2017.. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2008 
  5. Kessler RC, Coccaro EF, Fava M, Jaeger S, Jin R, Walters E (June 2006). "The prevalence and correlates of DSM-IV intermittent explosive disorder in the National Comorbidity Survey Replication". Arch. Gen. Psychiatry. 63 (6): 669–78. doi:10.1001/archpsyc.63.6.669. PMC 1924721 Freely accessible. PMID 16754840. Archived from the original on 2011-10-10.
  6. a b McCloskey, M.S., Noblett, K.L., Deffenbacher, J.L, Gollan, J.K., Coccaro, E.F. (2008) Cognitive-Behavioral Therapy for Intermittent Explosive Disorder: A Pilot Randomized Clinical Trial. 76(5), 876-886.
  7. https://www.psychologytoday.com/us/conditions/intermittent-explosive-disorder

Ligações externos[editar | editar código-fonte]