Transtornos do espectro autista

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Espectro autista
Empilhar ou alinhar objetos repetitivamente é associado com autismo.
Sinônimos Transtorno do espectro autista (TEA), condição do espectro autista (CEA)[1]
Especialidade Psiquiatria
Sintomas Problemas com comunicação, interação social, interesses restritos, comportamento repetitivo[2]
Início habitual Aproximadamente aos 3 anos[3]
Fatores de risco Idade dos pais avançada, exposição a valproato durante gravidez, baixo peso de nascimento[1]
Método de diagnóstico Baseado nos sintomas[4]
Condições semelhantes Deficiência intelectual, Síndrome de Rett, TDAH, mutismo seletivo, esquizofrenia infantil[2]
Tratamento Terapia comportamental,[5] medicação psicoterápica[6]
Frequência 1% da população[2] (62,2 milhões em 2015)[7]
Classificação e recursos externos
CID-10 F84
MeSH D000067877
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Os transtornos do espectro autista (TEA), também conhecido como desordens do espectro autista (DEA) ou condições do espectro autista (CEA), é uma variedade de transtornos mentais do tipo neurodesenvolvimento. Caracterizado por anormalidades generalizadas de interação social e comunicação, bem como por gama de interesses muito restrita e comportamento altamente repetitivo.[8] Os problemas de longo prazo podem incluir dificuldades na execução de tarefas diárias, criação e manutenção de relacionamentos e manutenção de um emprego.[9]

A causa do autismo é incerta. Fatores de risco incluem ter pais mais velhos, familiares com autismo, e certas condições genéticas[10]. É estimado que entre 64% e 91% dos riscos se deve ao histórico familiar[11]. A diagnostico se baseia nos sintomas.[10] Entre as várias manifestações do TEA, o transtorno invasivo de desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS, em inglês) foi larga maioria; o autismo ficou com 1,3 por 1000 e a Síndrome de Asperger em cerca de 0,3 por 1000; as formas atípicas como o transtorno desintegrativo da infância e a Síndrome de Rett foram muito mais raras.[12].

Classificação[editar | editar código-fonte]

As três formas principais de DEA são o autismo clássico, a síndrome de Asperger e o transtorno invasivo de desenvolvimento não especificado. O autismo é o centro das desordens do espectro autista. A Síndrome de Asperger é o mais próximo do autismo pelos sintomas e causas prováveis[13] ; diferentemente do autista "clássico", o Asperger não tem qualquer atraso significativo no desenvolvimento da linguagem[14]. Atualmente, considera-se que esses 3 tipos de autismo não existem mais e foram fundidas em uma só condição denominada de transtorno do espectro do autismo.

O diagnóstico de transtorno invasivo do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) ocorre quando não se encontram critérios para outro transtorno mais específico. Algumas fontes também incluem a síndrome de Rett e o transtorno desintegrativo da infância, que compartilham vários traços com o autismo, mas podem ter causas não-relacionadas; outras fontes combinam as DEA com estas duas condições na definição de transtornos invasivos do desenvolvimento.[13][15]

A terminologia do autismo pode causar confusão. Autismo, Asperger e PDD-NOS às vezes são chamados de desordens autísticas (ou transtornos autísticos), em vez de DEA,[16] enquanto o autismo propriamente dito muitas vezes é chamado de desordem autista, ou autismo infantil. Apesar de os termos transtorno invasivo do desenvolvimento, mais antigo, e desordem do espectro autista, mais recente, se sobreporem totalmente ou quase[15], o primeiro foi cunhado com a intenção de descrever um conjunto específico de classificações diagnósticas, enquanto o segundo supõe uma desordem espectral que envolve diversas condições.[17] DEA, por sua vez, é uma parte do fenótipo autista mais-amplo (FAMA, ou BAP, em inglês), que podem não ter DEA mas possuem traços semelhantes aos do autismo, tal como evitar o contato visual.[18]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

As características definidoras das desordens do espectro autista são debilidades de comunicação e interação social, junto a interesses e atividades restritos e repetitivos[19]. Sintomas individuais ocorrem na população em geral, e não parecem ter muita relação entre si, não existindo uma linha bem definida que separe uma situação patológica de traços comuns[20]. Outros aspectos dos DEA, como alimentação atípica, também são comuns, mas não essenciais para o diagnóstico; eles podem afetar o indivíduo ou a família.[21]

Estima-se que entre 0,5% e 10% dos indivíduos com DEA possuam habilidades incomuns, que vão desde habilidades pitorescas, como a memorização de curiosidades, até os talentos extremamente raros dos autistas-prodígio[22].

Ao contrário da crença comum, as crianças autistas não preferem estar sós. Fazer e manter amizades costuma ser difícil para aqueles com autismo. Para eles, a qualidade das amizades, não o número de amigos, determina o quão sós se sentem.[23]

Estar no espectro autista não impede a criança de entender os estereótipos de raça e gênero da sociedade; assim como a criança neurotípica, ela aprende os estereótipos observando as atitudes de seus pais, tais como trancar o carro em certas localidades.[24]

Características comportamentais[editar | editar código-fonte]

Os distúrbios do espectro do autista incluem uma grande variedade de características. Algumas delas incluem o desenvolvimento lento de habilidades sociais e de aprendizado, como também dificuldades para criar conexões com outras pessoas. As dificuldades de criar conexões podem ser desenvolvidas devido à ansiedade ou depressão, que pessoas com autismo têm maior probabilidade de obter e, como resultado, se isolam.[25] Outras características comportamentais incluem respostas anormais às sensações, o que inclui a visão, som, tato e olfato, além de problemas para manter um ritmo consistente da fala.

Habilidades sociais[editar | editar código-fonte]

As habilidades sociais apresentam as maiores dificuldades para indivíduos com DEA. Isso leva a problemas com amizades, relacionamentos românticos, vida diária e sucesso vocacional.[26] Casamentos são incomuns para pessoas com DEA. Muitos desses desafios estão ligados aos seus padrões atípicos de comportamento e comunicação. É comum que crianças e adultos com autismo tenham dificuldades com interações sociais porque são incapazes de se relacionar.[27] Todos esses problemas decorrem de deficiências cognitivas.

Habilidades de comunicação[editar | editar código-fonte]

Os déficits de comunicação são geralmente caracterizados por deficiências em relação à atenção compartilhada e reciprocidade, dificuldades com sugestões de linguagem verbal e habilidades de comunicação não-verbal ruins,[28] como a falta de contato visual, gestos significativos e expressões faciais.[29] Os comportamentos linguísticos normalmente vistos em crianças com autismo podem incluir linguagem repetitiva ou rígida, interesses específicos em conversas e desenvolvimento atípico da linguagem.[29] Muitas crianças com DEA desenvolvem habilidades de linguagem em um ritmo desigual, onde adquirem facilmente alguns aspectos da comunicação, e nunca desenvolvendo outros aspectos. Em alguns casos, os indivíduos permanecem completamente não-verbais durante toda a vida, embora os níveis de alfabetização e de comunicação não verbal que os acompanham variem.

Eles podem não entender a linguagem corporal ou os sinais sociais, como contato visual e expressões faciais, se fornecerem mais informações do que a pessoa pode processar naquele momento. Da mesma forma, eles têm dificuldade em reconhecer expressões sutis de emoção e identificar o que várias emoções significam para a conversa.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Os objetivos principais do tratamento são a redução dos déficits associados e tensão familiar, e aumento da qualidade de vida e da independência funcional. Não há um tratamento padrão que seja melhor do que os outros, e geralmente o tratamento é ajustado às necessidades de cada paciente. Programas de educação especial intensiva e prolongada e terapia comportamental na primeira infância ajudam a criança a adquirir habilidades sociais, de trabalho e cuidados próprios. As abordagens disponíveis incluem análise aplicada de comportamento, modelos desenvolvimentais, ensino estruturado (TEACCH, sigla em inglês), terapia de fala e linguagem, terapia de habilidades sociais e terapia ocupacional.[30]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Os balanços mais recentes apontam a prevalência de 1 a 2 por 1000 de autismo e perto de 6 por 1.000 de DEA;[31] mas por causa de dados inadequados, estes números podem subestimar a real prevalência de DEAs.[32] PDD-NOS constitui vasta maioria dos DEAs, Asperger em torno de 0,3 por 1000 e as outras formas de DEA são muito mais raros.[12]

O número de casos relatados de autismo aumentou muito nos anos 1990 e início dos 2000. Este aumento é atribuído principalmente às mudanças nos critérios e práticas de diagnóstico, padrões de orientação, disponibilidade de serviços, idade do diagnóstico e conscientização pública,[33] mas fatores de risco ambientais ainda não identificados não podem ser descartados.[34]

  • Nota: como este artigo é uma tradução, atente-se que as estatísticas aqui apresentadas são as obtidas do original em inglês.

Referências

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