Poliamor

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-scales.svg
A neutralidade deste(a) artigo ou se(c)ção foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde Abril de 2016).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.
Polyamory Pride em São Francisco, 2004

Poliamor (do grego πολύ - poli, que significa muitos ou vários, e do Latim amor, significando amor) é a prática, o desejo de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos, não devendo, no entanto, ser confundido com pansexualidade. Alguns grupos brasileiros entendem o Poliamor como o modelo de relacionamento não-monogâmico que possui três características principais: não exclusividade afetiva/sexual a dois, consensualidade e equidade entre todas as partes.

Por outras palavras, o poliamor como opção ou modo de vida, defende a possibilidade prática de se estar envolvido - afetiva/sexualmente - em relações íntimas, profundas e estáveis com mais de um parceiro simultaneamente, de forma consensual, honesta e igualitária.

O Poliamor como movimento é mais visível e organizado principalmente nos Estados Unidos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. No Brasil, já há até jurisprudência reconhecendo relações poliamorosas,[1] sendo uma das principais estudiosas do assunto no país, a dra Regina Navarro e o dr. em antropologia formado pela UFRJ, Antônio Pilão. Em Portugal, tem sido o comunicólogo Daniel Cardoso quem mais tem trabalhado o tema. Recentemente, a imprensa em geral tem feito a cobertura quer do movimento poliamor em si, quer dos episódios que lhe estão ligados. Em Novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor[2] em Hamburgo, Alemanha. Realizou-se, de 25 a 27 de Setembro de 2015, em Lisboa, Portugal, a 1st Non-Monogamies and Contemporary Intimacies Conference. Atualmente existem grupos de Poliamor no Brasil que se dedicam politicamente à causa, como é o caso da Pratique Poliamor Rj (fundado em 2011).

A palavra em si já foi inventada várias vezes, a maior parte das quais sob a forma de adjectivo (inclusivamente utilizado para referir Henrique VIII, Rei da Inglaterra). Existe publicada em Português uma breve história sobre a palavra.[3] A palavra foi, em 2014, reconhecida oficialmente em vários dicionários online (e.g.: Priberam, Infopédia) de Português de Portugal.

Formas de Poliamor[editar | editar código-fonte]

Existem várias maneiras de o pôr em prática, consoante às preferências dos interessados, e necessariamente deve envolver o consentimento e a confiança mútua de todas as partes envolvidas:

Relacionamento em grupo: quando a relação se estabelece de maneira horizontal entre três ou mais pessoas, ou seja, todas as pessoas se relacionam sexual e afetivamente entre si sem hierarquia entre as partes. O relacionamento em grupo pode ser aberto ou fechado (polifidelidade). Sendo aberto é possível que as partes se relacionem - sexual e/ou afetivamente - , dentro de acordos pré-estabelecidos, com pessoas de fora do "grupo nuclear"; já a polifidelidade: envolve múltiplas relações românticas com contato sexual e afetivo restrito a parceiros específicos do grupo.

Relacionamentos paralelos ou rede de relacionamentos interconectados: são os relacionamentos que existem paralelamente, ou seja, X se relaciona com Y e Z mas,Y e Z não se relacionam entre si e podem manter de forma independente também outros relacionamentos afetivos/sexuais.

Com hierarquia ou sem hierarquia: Nos relacionamentos com hierarquia distinguem-se entre relações "primárias" e "secundárias", nas relações sem hierarquia, como o próprio nome diz, não existe a priori diferença de importância entre uma relação e outra, há um esforço consciente para se tratar todas as relações da forma mais uniforme possível.

Relações "Mono"/Poli: um parceiro é monogâmico, mas permite que o outro tenha relações exteriores. Na realidade o que muitos chamam de mono/poli é quando uma das parres decide por vontade própria não se relacionar afetiva/sexualmente com terceiros e a outra decide se relacionar, no entanto, não há nenhuma obrigação para que a parte "fechada" assim permaneça, tendo sempre a possibilidade de se relacionar com outras pessoas.

Os chamados "acordos geométricos", que são descritos de acordo com o número de pessoas envolvidas e pelas suas ligações.

  • Exemplos incluem "trios" e "quadras", assim como as geometrias "V" e "N". O elemento comum de uma relação V é algumas vezes referido como "pivô" ou "charneira", e os parceiros ligados indirectamente são referidos como os "braços". Os parceiros-braço estão ligados de forma mais clara com o parceiro pivô do que entre si. Situação contrastante com o "triângulo", em que todos os 3 parceiros estão ligados de forma equitativa. Um trio pode ser um "V" , um triângulo, ou um "T" (um casal com uma relação estreita entre si e uma relação mais ténue com o terceiro). A geometria da relação pode variar ao longo do tempo.
  • Pessoas também podem auto-intitularem-se poliamoristas mesmo não estando em nenhum relacionamento (solteiras) desde que se identifiquem com a possibilidade de amores simultâneos com consentimento e equidade entre as partes.

Relações abertas[editar | editar código-fonte]

A expressão relacionamento aberto indica uma relação afetiva estável (usualmente entre duas pessoas) em que os participantes são livres para terem outros parceiros sexuais. Se o casal que escolhe esta alternativa é casado, fala-se em casamento aberto. "Relação aberta" e "poliamor" não são sinónimos. Em termos genéricos, "aberto" refere-se a uma não exclusividade sexual no relacionamento, enquanto o poliamor envolve a extensão desta não exclusividade para o campo afetivo ao permitir que se criem laços emocionais exteriores à relação primordial com certa estabilidade.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O ordenamento jurídico brasileiro ainda não prevê expressamente a possibilidade de casamento entre mais de uma pessoa. No entanto, no ano de 2012, na cidade de Tupã, no Estado de São Paulo, lavrou-se escritura pública de união estável entre três pessoas denominada "Escritura Pública Declaratória de União Poliafetiva". A referida união foi entendida como família em razão do afeto mútuo entre os seus participantes, bem como a ausência de vedação legal no Código Civil, no Código Penal ou na Constituição Federal que proíba que as pessoas mantenham relações poliafetivas.

Com efeito, as pessoas que são favoráveis a tais uniões entendem que o artigo 226, §3º, CF/88 ao regulamentar a união estável entre duas pessoas, não teria negado proteção à união estável composta por mais de duas pessoas. Além disso, argumentam que o moderno conceito de família passa pela noção de uma comunidade de afeto, sendo os laços de afetividade a razão de sua origem e fim.

Por outro lado, argumenta-se que as uniões poliafetivas são dotadas de nulidade absoluta, haja vista a vedação expressa normativa quanto à possibilidade de se manter mais de um vínculo matrimonial, não se permitindo, por analogia, a possibilidade se conviver em união com mais de uma pessoa.

Insta destacar que, após o ano de 2012, já ocorreram outras regularizações de uniões poliafetivas no Brasil. Contudo, em maio de 2016, o Conselho Nacional de Justiça, em decorrência de um pedido da Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS)[4] para a que a prática fosse proibida, resolveu suspender que novas escrituras de declaratórias de uniões poliafetivas sejam lavradas nos cartórios brasileiros

De toda forma, já podemos ver um movimento poliamorista tomando forma no Brasil desde a primeira década do novo milênio.[carece de fontes?]

Grupos de Suporte e Intervenção[editar | editar código-fonte]

Símbolo do poliamor.

O Poliamor como modo de vida pode, em muitas sociedades, ser contra as normas de comportamento geralmente aceitas (mesmo quando respeita as leis vigentes). Assim, os seus praticantes e/ou simpatizantes sofrem pressão mononormativa para se adequarem à norma de comportamento. Para se ajudarem mutuamente ou conhecerem pessoas com modo de vida semelhante, simpatizantes e praticantes do poliamor têm-se constituído em redes locais ou virtuais de suporte, discussão ou mesmo intervenção social (usando extensivamente a internet). Neste último caso, poli-activistas procuram intervir na sociedade em que se inserem, tentando criar uma imagem positiva e merecedora de respeito junto à sociedade majoritária. Por outro lado, consideram que a ajuda e o suporte emocional por vezes lá prestado constitui por si mesmo uma forma de intervenção social.[carece de fontes?]

Em Portugal, o grupo PolyPortugal existe desde 2006, e está intimamente ligado com o movimento LGBT. Ao longo dos últimos anos, o grupo tem apostado em várias formas de divulgação pública do conceito, tanto através de participações nos media, como em colaborações com outros grupos activistas e até uma juventude partidária. No Brasil já existem diversos grupos e páginas sobre o assunto, entre eles: Pratique Poliamor Brasil, Pratique Poliamor Rj, Poliamor Procura-se , Trisal, Polifidelidade e Poliamor, Mulheres Não- Monogâmicas, Sharlenn Carvalho - Poliamor, etc.

Também temos na mídia o programa Amores Livres da GNT.

Referências

  1. Jornal Jurid, Juiz reconhece duplicidade de relacionamento e determina a partilha dos bens, 17 de Novembro de 2008, ISSN 1980-4288. Citação: "De acordo com o juiz Adolfo, a psicologia moderna chama essa relação triangular de "poliamorismo", que se constitui na coexistência de duas ou mais relações afetivas paralelas em que as pessoas se aceitam mutuamente.", Visitada 2013-12-11.
  2. International Conference on Polyamory & Mono-Normativity
  3. interact: Poliamor, ou Da Dificuldade de Parir um Meme Substantivo
  4. «Corregedoria analisa regulamentação do registro de uniões poliafetivas» 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Na Wikipedia anglófona[editar | editar código-fonte]

Links externos[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Poliamor