Orientação sexual egodistônica

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Orientação sexual egodistônica
Egodistônico (ego= eu ; distônico = em conflito) significa estar em conflito consigo mesmo.
Classificação e recursos externos
CID-10 F66.1
CID-9 302.0
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Orientação sexual egodistônica é uma condição egodistônica caracterizada por um indivíduo ciente de sua orientação sexual e que deseja uma diferente por causa de transtornos psicológicos e comportamentais associados, em alguns casos chegando a procurar tratamento para alterá-la.[1]

O dicionário de saúde mental da OMS, CID-10, ressalta que homossexualidade, bissexualidade não são transtornos nem doenças; o que caracteriza esse distúrbio está restrito ao sofrimento e ansiedade do indivíduo em lidar com seus próprios desejos sexuais.[2] Cabe aos profissionais de saúde ajudar o indivíduo a se conhecer melhor e entender os reais motivos causadores de suas angustias e sofrimentos interiores.

Causa[editar | editar código-fonte]

Ainda não há consenso sobre o que causa atração sexual diferente da heterossexual, mas é consenso entre o conselho de psicólogos americanos que não é causada por famílias disfuncionais, nem por abuso sexual na infância ou distúrbios psicológicos.[3]

Prevalência[editar | editar código-fonte]

É estimado que cerca de 6 a 10% da população tenham uma orientação diferente da heterossexual.[4] Sendo aproximadamente 3 vezes mais comum entre o sexo masculino do que entre o sexo feminino. A dificuldade em aceitar a atração sexual diferente da "normal" depende da cultura, sendo mais difícil em sociedades mais conservadoras e mais fácil em sociedades mais liberais. Logo em sociedades conservadoras quase a totalidade dos LGBT sofrem durante o processo de aceitação.[5]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Compreende um conjunto de métodos que visam eliminar a orientação sexual homossexual de um indivíduo. Essas terapias podem incluir técnicas comportamentais, cognitivo-comportamentais e psicanalíticas, além de abordagens médicas, religiosas e espirituais. Estes tipos de procedimentos têm sido fonte de intensa controvérsia nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países.

Uma decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, foi proferida em relação à ação popular movida pela psicóloga Rozângela Alves Justino, questionando a Resolução 001/1990 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a qual proíbe os psicólogos de oferecerem terapia de reorientação sexual. O magistrado declarou que o CFP não pode “privar o psicólogo de estudar ou atender àqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca de sua sexualidade, sem qualquer forma de censura, preconceito ou descriminalização”.   Nesse sentido, defere “em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de Psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual”.[6]

[7]

Médico[editar | editar código-fonte]

O Código de Ética Médica proíbe ao médico[8]:

  • Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto.
  • Art. 24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo.

Logo o tratamento médico deve ajudar o paciente a se sentir melhor consigo mesmo e a tratar transtornos psiquiátricos como depressão maior e disfunção sexual que estejam ligados ao quadro. O tratamento pode incluir prescrever terapias hormonais, cirurgia para mudança de sexo e aprovar a mudança de nome no caso de pacientes que se revelem transexuais.[9]

Psicológico[editar | editar código-fonte]

A recomendação dos CFP são[6]: *Art. 1° - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.

  • Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.
  • Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
  • Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
  • Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

O psicólogo deve ajudar o paciente a se sentir bem consigo mesmo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências