Judeia (província romana)

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Judeia
First century palestine.gif
Localização da província (em destaque) no Império Romano.
Anexada em: 63 a.C.
Imperador romano: César Augusto(primeiro)
Capital: Cesareia
Fronteiras (províncias): Síria e Arábia
Correspondência actual: Israel e Palestina (Cisjordânia)

Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Reino Selêucida da Síria, ao impor a helenização forçada dos judeus, provocou uma violenta reacção armada por parte das facções mais conservadores da sociedade. Em 142 a.C., a Judeia recupera a independência sob a dinastia dos Asmoneus (ver Macabeus). Durante o século I a.C., começou a manifestar-se de forma crescente o intervencionismo de Roma a pretexto de estabilizar politicamente a região. Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano. Entre 63 a.C. a 6 d.C., foi um principado vassalo do Império Romano.

Em 40 a.C., Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado rei da Judeia por Otaviano e Marco António. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país. A Judeia foi então invadida pelos partas, porém Herodes obteve ajuda das legiões romanas que expulsaram os invasores. Tornou-se rei efectivamente em 37 a.C., com a conquista da cidade de Jerusalém. Grande admirador da cultura greco-romana (ver Helenismo), o rei Herodes lançou um audacioso programa de construções, que incluía as cidades de Cesareia e Sebástia e as fortalezas em Heródio e Massada. Ele também reformou o Templo, transformando-o num dos mais magníficos edifícios da época. Após a morte de Herodes, o território é dividido em três principados entre os seus filhos: Arquelau, Herodes Ântipas e Filipe.

A partir de 6 d.C., tornou-se uma província romana sob juridisção parcial do governador da Síria. A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores. Arquelau é chamado a Roma e parte para o exílio.

À proporção que aumentava a opressão romana sob os judeus, crescia a insatisfação, que se manifestava por revoltas esporádicas, até que rompeu uma revolta total, em 66 d.C.. As legiões romanas, lideradas pelo general Tito, superiores em número e armamento, conquistaram a Judeia e arrasaram a cidade de Jerusalém e seu templo, em 70 d.C., e posteriormente, tomaram a última fortaleza judaica - Massada, em 73 d.C..

Um último breve período de soberania judaica na era antiga foi o que se seguiu à revolta de Simão bar Kokhba, em 132 d.C., quando Jerusalém e a Judeia foram reconquistadas. Três anos depois, o imperador Adriano decidiu rebaptizar a Judeia de Palestina e a Jerusalém foi dado o nome de Élia Capitolina. Grande parte da população foi então massacrada e os sobreviventes tiveram que emigrar, no início da dispersão pelo mundo ou diáspora.

Ao adoptar o cristianismo como religião oficial do império, Roma dispensou especial proteção ao território que a partir de então começou a ser considerado como "Terra Santa". A cidade de Jerusalém voltou a florescer e transformou-se em importante centro de peregrinação, ao qual afluíam habitantes de todas as regiões do império. Construíram-se basílicas notáveis e a cidade foi embelezada pelos imperadores bizantinos, sob cuja jurisdição ficou a Palestina após a divisão do império, no ano de 395. Em 611, registrou-se a invasão dos sassânidas, que ao fim de 3 anos, conquistam Jerusalém e destruíram todas as igrejas da cidade. Em 628, o imperador bizantino Heráclio recuperou a Terra Santa.

Geografia política[editar | editar código-fonte]

Quando foi conquistada por Pompeu, as "terras dos judeus" não se tornaram, imediatamente, uma unidade administrativa do Império Romano, guardando uma certa autonomia, ainda que governada por monarcas politicamente subordinados a Roma, um dos quais foi Herodes, o Grande, que reinou de 37 a.C. a 4 d.C.

Após sua morte, Judeia passou a designar os domínios do etnarca Herodes Arquelau, que abrangiam a Judeia propriamente dita (a Judá, dos tempos davídicos), a Samaria e a Idumeia. Com a deposição de Arquelau, tornou-se a província romana da Judeia, governada por prefeitos (praefectus) nomeados pelo imperador romano, e vinculada à província da Síria.

Nos tempos de Herodes Agripa I, ocorreu a reunificação, e o Reino da Judeia voltou a ser o conjunto de territórios da época de Herodes, o Grande.

Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituirem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais.

Eventos posteriores[editar | editar código-fonte]

Por último, após a revolta de 132-135, seu nome foi trocado para Syria Palestina. Passados dois séculos e meio, em 395, o Império Romano foi dividido pelo imperador Teodósio em duas partes: Ocidental e Oriental. No ano 637, a Judeia sofreu invasões dos árabes sarracenos comandados pelo califa Omar que conquistaram toda a Palestina bizantina e passaram a controlá-la durante séculos.