Júlio César

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Júlio César
Júlio César, busto no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles
Ditador da República Romana Spqrstone.jpg
Período 49 a.C.
2º e 3º 48 a.C. até 47 a.C.
46 a.C.
45 a.C.
44 a.C.
Mestre da cavalaria vago
2º e 3º Marco Antônio
4º e 5º Marco Emílio Lépido
Cneu Domício Calvino
Antecessor(a) Caio Cláudio Marcelo (como cônsul)
ele mesmo (como cônsul)
Quinto Fúfio Caleno (como cônsul)
5º e 6º ele mesmo (como cônsul)
Sucessor(a) ele mesmo (como cônsul)
Quinto Fúfio Caleno (como cônsul)
4º, 5º e 6º ele mesmo (como cônsul)
Cônsul da República Romana Spqrstone.jpg
Período 59 a.C.
48 a.C.
46 a.C.
45 a.C.
44 a.C.
Cônsul Marco Calpúrnio Bíbulo
Públio Servílio Vácia Isáurico
Marco Emílio Lépido
Caio Trebônio
Marco Antônio
Antecessor(a) Quinto Cecílio Metelo Céler
2º, 3º, 4º e 5º ele mesmo (como ditador)
Sucessor(a) Lúcio Calpúrnio Pisão Cesonino
2º, 3º e 4º ele mesmo (como ditador)
Caio Víbio Pansa Cetroniano
Vida
Nome completo GAIVS IVLIVS CAESAR
Nascimento 13 de julho de 100 a.C.
Roma, República Romana
Morte 15 de março de 44 a.C. (55 anos)
Roma, República Romana
Nacionalidade Romano
Progenitores Mãe: Aurélia Cota
Pai: Caio Júlio César (pretor 92 a.c.)
Dados pessoais
Cônjuge Cornélia Cinila
Pompeia Sula
Calpúrnia Pisão
Serviço militar
Graduação General
Batalhas/guerras Guerras da Gália
Segunda Guerra Civil da República de Roma

Caio Julio César[nota 1] (em latim: Caius ou Gaius Iulius Caesar ou IMP•C•IVLIVS•CÆSAR•DIVVS[2]; 13 de julho, 100 a.C.[nota 2]15 de março de 44 a.C.[nota 3] ), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano.

As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado romano, cujo líder era Pompeu. Depois da derrota dos optimates, tornou-se ditador (no conceito romano do termo) vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma.

O seu assassinato nos idos de Março de 44 a.C. por um grupo de senadores travou o seu trabalho e abriu caminho a uma instabilidade política que viria a culminar no fim da República e início do Império Romano. Os feitos militares de César são conhecidos através do seu próprio punho e de relatos de autores como Suetónio e Plutarco.

Começo da vida e carreira[editar | editar código-fonte]

Júlio César nasceu em uma família patrícia, a gens Julia, que afirmava ser descendente de Ascânio, filho do legendário troiano Eneias, que por sua vez era, segundo a mitologia romana, filho da deusa Vênus.[1] O seu cognome "César" se originou, de acordo com Plínio, o Velho, com um ancestral seu nascido de cesariana (palavra do latim que quer dizer "cortar", caedere, caes).[2] O História Augusta sugere três razões para o seu nome: a primeira é que César nasceu com muito cabelo (em latim caesaries); que ele tinha olhos cinzas bem claros (em latim oculis caesiis); ou que ele matou um elefante (caesai) em batalha.[3] O próprio César mandou fabricar moedas com retrato de elefantes, sugerindo que ele favorecia esta interpretação do seu nome.

Apesar de pertencer a uma família tradicional da aristocracia romana, os Julii Caesares não eram muito influentes politicamente em Roma, apesar de que, no século anterior, membros desta família conseguiram altos cargos na República.[4] O Pai de César, também chamado Caio Júlio César, governou a província da Ásia,[5] e sua tia Júlia, era casada com o general Caio Mário, uma das figuras políticas mais importantes em Roma naquela época.[6] Sua mãe, Aurélia Cota, era membro influente na família. Pouco é sabido sobre a infância de César.[7]

Caio Mário, tio de César.

Em 85 a.C., o pai de César morreu subitamente.[8] Assim, aos 16 anos, ele se tornou o chefe da família. Ao mesmo tempo, eclodiu uma guerra civil entre o seu tio, Caio Mário, e o seu rival, o general Sula. Ambos os lados realizaram expurgos, quando puderam, dos apoiadores do seu adversário, incluindo nas famílias deles. Enquanto Mario e seu aliado, Lúcio Cornélio Cina, estavam no controle da cidade, César foi nomeado como o novo alto-sacerdote de Júpiter,[9] e então ele casou com a filha de Cina, Cornélia.[10] [11] Após a vitória final de Sula, as conexões de César com o regime de Mário fizeram dele um alvo do novo governo. Ele foi despojado de sua herança, do dote de sua esposa e do seu sacerdócio, mas ele se recusou a se divorciar de Cornélia e foi forçado a fugir e se esconder.[12] A ameaça contra ele minguou depois que uma investigação na família de sua mãe mostrou que alguns deles apoiaram Sula e eram Vestals. Sula desistiu de perseguir César, mas afirmou que viu muito de Mário nele.[7]

Apesar do perdão, César não se sentia seguro com Sula ainda no poder. Ele preferiu ficar afastado de Roma e se juntou ao exército, servindo sob comando de Marcus Minucius Thermus na Ásia e Servilius Isauricus na Cilícia. César serviu com distinção, ganhando a coroa cívica por sua participação no cerco de Mitilene. Na missão na Bitínia para assegurar o apoio da frota de Nicomedes IV, ele teve que ficar tanto tempo na sua corte que rumores surgiram de que César estava tendo um caso amoroso com o rei, o que César sempre negou.[13]

Ao ouvir da morte de Sula em 78 a.C., César retornou para Roma. Devido a falta de dinheiro como resultado do confisco de sua herança, ele alugou uma casa modesta em Subura, um bairro de classe baixa de Roma. Ele então se tornou advogado e ficou conhecido por sua boa oratória, sempre fazendo firmes gestos com os braços e por ter uma voz alta. Ele também ficou notório por processar ex governadores acusados de extorsão ou corrupção. César logo começou a ficar conhecido entre o povo.[14]

Durante uma viagem, no meio do Mar Egeu,[15] César foi sequestrado por piratas e feito prisioneiro.[16] [17] Ele manteve uma atitude de superioridade durante o seu cativeiro. Quando os piratas exigiram 20 talentos de prata como resgate, ele insistiu que eles exigissem 50.[18] [19] Com o valor pago, César recrutou uma frota e perseguiu e eventualmente capturou os piratas. Ele então os crucificou, como ele havia prometido a eles durante o cativeiro - uma promessa que seus sequestradores consideraram uma piada na época. Como um sinal de "clemência", ele lhes aliviou a dor da crucificação ao facilitar a sua morte cortando-lhe as gargantas. Pouco tempo depois ele foi reconvocado pelo exército, servindo no leste. Naquele momento a reputação de César como um competente comandante militar começou a se formar.[20]

O ditador Lúcio Cornélio Sula que despojou César do seu sacerdócio.

Quando retornou para Roma, ele foi eleito um tribuno militar, sinalizando o início de uma carreira política. Ele foi então eleito questor por 69 a.C.,[21] e durante este mesmo ano ele fez um discurso durante o funeral de sua tia Júlia e incluiu palavras de apoio ao marido dela, o general Mário (como Sula estava morto, agora era seguro). Ainda naquele ano, sua esposa, Cornélia, morreu.[22] Após seu enterro, na primavera ou começo do verão de 69 a.C., César foi servir como questor na Hispânia (atual Espanha).[23] Por lá ele teria encontrado uma estátua do rei macedônio Alexandre, o Grande, e percebeu, com desgosto, que ele havia chegado na mesma idade de Alexandre (que fora um grande conquistador) sem ter conseguido muita coisa na vida. Ao retornar para casa, em 67 a.C.,[24] ele se casou com Pompeia, que era neta de Sula (os dois se divorciaram mais tarde).[25]

Em 63 a.C., ele concorreu ao posto de Pontifex Maximus, o alto sacerdote da religião romana. Ele concorreu contra dois senadores. Todos os lados se acusaram de subornos e outros crimes. Ainda assim, César venceu, derrotando oponentes mais experientes que ele.[26] Quando Cícero, servindo na época como Cônsul, expôs um esquema por parte de Lúcio Sérgio Catilina para tomar o controle da República, vários senadores acusaram César de particiar do complô, algo que ele negou.[27]

Depois de servir também no cargo de Pretor em 62 a.C., César foi apontado para governador da Hispânia Ulterior (no sudeste da Espanha) como promagistrado,[28] [29] [30] embora alguns acreditam que ele também deteve poderes proconsulares.[31] [32] Ele ainda estava profundamente endividado e precisava satisfazer os seus credores antes de partir. Ele então procurou Marco Licínio Crasso, um dos homens mais ricos de Roma. Em troca do seu apoio político em oposição a algumas políticas do general Pompeu, Crasso pagou uma parte da dívida de César e agiu como fiador do resto. Ainda assim, para evitar que se tornasse um cidadão privado normal e assim ficasse aberto a um processo legal por causa das suas dívidas, César partiu para governar suas províncias antes que seu pretorado terminasse. Enquanto na Espanha, ele subjugou duas tribos locais e foi saudado como imperator (comandante) por suas tropas, terminando seu mandato como governador local com uma boa reputação.[33]

César teve o título de Imperator (comandante militar) em 60 a.C. e 45 a.C.. Na República Romana, este título honorifico só era conferido a certos líderes militares. Tropas do exército costumavam proclamar seu general como imperator depois que eles conquistavam grandes vitórias. Homens com o título de imperator poderiam pedir ao Senado por uma marcha triunfal. Contudo, ele também queria a posição de Cônsul, a mais alta magistratura da república. Se ele fosse celebrar um triunfo, ele deveria permanecer como um soldado e ficar fora da cidade até a cerimônia, mas para concorrer as eleições ele teria que abrir mão do seu comando e entrar na Itália desarmado como um cidadão privado comum. Ele pediu ao Senado para que pudesse concorrer in absentia, mas o senador Catão, que não gostava de César, bloqueou a proposta. Como não podia mesmo pedir um triunfo como comandante militar e ser Cônsul ao mesmo tempo, César preferiu perseguir o consulado.[34]

Cônsul e campanhas militares[editar | editar código-fonte]

Um denário com o rosto de Júlio César, datado de 44 a.C.; a deusa Vênus é mostrada no outro verso, segurando Vitória e um cetro.

Em 60 a.C., César tentou se candidatar para as eleições para Cônsul no ano seguinte, junto com outros dois candidatos. A eleição foi sórdida – até Catão, com sua reputação de incorruptibilidade, teria partido para subornos para tentar favorecer os oponentes de César. Ainda assim ele venceu, junto com o conservador Marco Calpúrnio Bíbulo.[35]

César já estava em dívida política com Crasso, mas ele também se aproximou de Pompeu. Pompeu e Crasso já não se entendiam bem como antes, então César tentou reconciliar eles. Os três tinham dinheiro e influência política suficiente para controlar a vida pública da nação. Esta aliança informal, que ficou conhecida como Primeiro Triunvirato ("governo de três"), foi firmada pelo casamento entre Pompeu e a filha de César, Júlia.[36] César também se casou novamente, com Calpúrnia Pisão, filha de um poderoso senador.[37]

César então propôs uma redistribuição de terras públicas, pela força se necessário, para beneficiar os mais pobres. Pompeu e Crasso apoiaram a proposta, fazendo do triunvirato público. Pompeu, de fato, mandou tropas suas para as ruas, com o objetivo de intimidar os inimigos dos triúnviros. Bíbulo declarou que os presságios eram desfavoráveis e tentou anular a nova lei, mas foi afastado do senado por homens armados a mando de César. Bíbulo não foi o único que sofreu com a repressão. Qualquer um que mostrasse oposição as ideias do Triunvirato (especialmente as de César) eram presos. Bíbulo foi forçado a aposentadoria.[38]

Quando César foi eleito para Cônsul, a aristocracia tentou limitar seu poder no futuro, especialmente para evitar que ele tivesse um comando militar.[39] Porém, com a ajuda de aliados, César foi apontado como governador da Gália Cisalpina (norte da Itália) e Ilírico (sudeste da Europa), com a Gália Transalpina (sul da França) sendo adicionada mais tarde, dando a ele o comando de quatro legiões completas. Seu mandato de governador seria de cinco anos e, com o cargo, ele teria imunidade processual.[40] Quando seu consulado terminou, César fugiu para suas províncias para escapar ser processado por irregularidades cometidas em seu mandato.[41]

Conquista da Gália[editar | editar código-fonte]

Extensão territorial da República Romana após as conquistas de César, por volta de 40 a.C..

César estava atolado em dívidas, mas havia dinheiro para ser feito como governador, especialmente através de aventuras militares. O objetivo de César não era só ganhar dinheiro, mas conseguir glória nos campos de batalha e anexar novos territórios para Roma também traria a ele ganhos políticos e o respeito do povo.[42]

César tinha quatro legiões sob seu comando e duas províncias que tinham fronteira com territórios não conquistados. A região mais vulnerável era a Gália (atual França), que era profundamente dividida e instável, porém a região era habitada por tribos com vocação guerreira que no passado já haviam derrotado Roma em combate. O pretexto para a invasão romana veio quando tribos gálicas aliadas a Roma foram derrotadas por rivais, estes apoiado por guerreiros germânicos, na batalha de Magetóbriga. César usou o receio de que estas tribos tentariam migrar para regiões próximas a Itália e que teriam intensões belicosas para justificar uma incursão militar na Gália. César então recrutou mais duas legiões e derrotou estas tribos em batalha na fronteira do império.[43]

Em resposta as atividades de César, as tribos do norte da Gália começaram a se armar. Júlio César viu isso como um movimento agressivo e, depois de uma batalha inconclusiva, ele partiu para derrotar cada uma das tribos gaulesas de forma separada. Enquanto isso, uma das suas legiões conseguiu avançar até o extremo norte da Gália, chegando a margem oposta a Britânia.[44] Na primavera de 56 a.C., os triúnviros fizeram uma reunião de emergência. A situação em Roma era tensa e a aliança política que César dependia estava se desfazendo. A Conferência de Lucca renovou o Primeiro Triunvirato e deu mais cinco anos de mandato para César como governador de suas províncias.[45] Enquanto isso, a conquista do norte da Gália havia sido completada, embora alguns bolsões de resistência permanecessem.[46]

Em 55 a.C., César repeliu uma invasão de tribos germânicas na Gália. Ele então construiu pontes sob o rio Reno e avançou sob o território alemão para demonstrar força, mas depois recuou. Mais tarde naquele verão ele teve que sufocar uma rebelião na Bélgica. Acusando os britões de interferir em sua guerra na Gália, César lançou uma invasão da Britânia.[47] As informações que ele tinha da região eram ruins e apesar dele ter conquistado uma consistente cabeça de praia, ele não conseguiu avançar dentro do território britânico e decidiu retornar para a Gália para o inverno.[48] Ele retornou no ano seguinte, melhor preparado e com mais tropas, e conseguiu avançar mais. Ele conquistou territórios e fez alianças, contudo, a colheita ruim levou a uma revolta no coração da Gália, forçando César a voltar e deixar a Britânia.[49]

Vercingetórix joga sua espada aos pés de César, simbolizando sua rendição. Pintado por Lionel Royer.

Enquanto César estava na Britânia, sua filha Júlia, esposa de Pompeu, morreu no parto do seu primeiro filho. César tentou revitalizar sua aliança com Pompeu ao oferecer sua sobrinha-neta em casamento para ele, mas a proposta foi recusada. Pompeu preferiu se casar com Cornelia Metella, filha de Metelo Cipião (um dos maiores adversários de César no Senado). Em 53 a.C., Marco Licínio Crasso foi morto na batalha de Carras durante a má sucedida invasão romana do Império Parta. A morte de Crasso marcou o fim do triunvirato e a morte de Júlia foi o ponto final de ruptura entre César e Pompeu. A República agora esta em pé de uma nova guerra civil. Pompeu, agora com apoio completo da aristocracia conservadora, foi apontado pelo Senado como o único Cônsul em Roma.[50]

Em 53 a.C. quase toda a Gália, Bélgica e partes da fronteira com a Germânia estavam sob controle militar romano depois de apenas cinco anos de guerra. Embora, na verdade, os gauleses fossem tão bons guerreiros quanto os romanos, suas divisões internas garantiram a vitória de Júlio César, que soube explorar bem a desunidade gaulesa e as habilidades de suas próprias tropas. Ainda assim, os gauleses tentariam uma última vez se livrar do jugo romano. Vercingetórix, chefe da tribo dos Arvernos, liderou os gauleses em revolta. A 52 a.C. boa parte das tribos da Gália já estavam unidas em apoio a revolta contra Roma.[51] [52] Vercingetórix provou ser um comandante astuto, derrotando os romanos em alguns confrontos. Porém César trouxe reforços e forçou o recuo do principal exército gaulês. Os romanos cercaram Vercingetórix na cidade de Alésia. César então liderou um hábil cerco e derrotou as forças gaulesas sitiadas e também repeliu os reforços que tentaram furar o cerco.[53] Apesar do conflito ter prosseguido, na forma de guerrilha pelos próximos dois anos,[54] a conquista da Gália foi assegurada com a rendição de Vercingetórix e suas forças em Alésia. O historiador Plutarco estima que o número de gauleses mortos passou de um milhão, além de outro um milhão de pessoas terem sido feitas escravas. Os romanos subjugaram mais de 300 tribos e destruíram pelo menos 800 cidades. Apesar de César provavelmente ter exagerado os números para fazer sua vitória parecer maior do que realmente foi, a Gália realmente sofreu com a guerra e milhares de pessoas foram mortas. Em 50 a.C., após oito anos de guerras, a resistência gaulesa contra a ocupação romana estava completamente morta. A região permaneceria como parte do Império Romano pelos próximos quinhentos anos. César faria fortuna vendendo milhares de pessoas a escravidão, além de também vender bens e produtos saqueados nas cidades da Gália. Mais importante que o dinheiro, sua conquista deu a ele boa reputação militar, além de respeito e amor por parte da população em geral. O exército que ele comandou também passou a idolatra-lo e ter orgulho de servi-lo (algo que contribuiu para isso, além dos sucessos no campo de batalha, era sua campanha para dar terras e outros benefícios para os seus veteranos).[55]

Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Em 50 a.C., o mandato de Júlio César como governador acabou (terminando assim sua imunidade processual). Então o Senado Romano, liderado por Pompeu, ordenou que César dispensasse suas legiões e retornasse para Roma.[56] Sem essa imunidade que ele desfrutava como magistrado, César temia que ele fosse processado pelos senadores. Pompeu e a aristocracia romana acusavam César de insubordinação e traição. Júlio César então afirmou que não tinha opção a não ser lutar pelos seus direitos. A lei romana proibia que qualquer general entrasse na Itália com seu exército. Ainda assim, em janeiro de 49 a.C., César cruzou o rio Rubicão (a fronteira oficial da Itália) com apenas uma legião (a XIII), dando início a guerra civil. Ao atravessar o Rubicão, segundo Plutarco e Suetônio, César teria citado a famosa frase do dramaturgo ateniense Menandro, "Alea jacta est" ("o dado está lançado").[57] Erasmo de Roterdã, contudo, afirma que a tradução do grego mais precisa no modo imperativo seria "alea iacta esto" ("deixe o dado ser lançado").[58]

Pompeu não tinha como montar uma defesa coesa contra César e decidiu, acompanhado pela maioria dos senadores, fugir para o sul para tentar recrutar mais tropas. Apesar de ter mais soldados que César, que tinha apenas uma legião sob seu comando, Pompeu não queria lutar. César o perseguiu, pretendendo captura-lo.[59]

Pompeu conseguiu fugir e evitar ser capturado, tomando refúgio na Grécia junto com o Senado. César não tinha uma frota e, enquanto seus navios eram construídos, ele partiu até a província da Hispânia, deixando a Itália sob controle do general Marco Antônio, seu segundo em comando. Após marchar de Roma até a Espanha com seu exército em apenas 27 dias, ele derrotou os apoiadores de Pompeu por lá. Depois ele partiu, de navio, até a Ilíria, onde enfrentou Pompeu e quase foi derrotado na Batalha de Dirráquio mas conseguiu evitar ser capturado e saiu com boa parte das tropas intactas. César, contudo, não podia ficar rodeando a Grécia por muito tempo pois ficaria sem suprimentos. Finalmente, a 9 de agosto de 49 a.C., Pompeu e César travaram a importante Batalha de Farsalos. Mesmo em desvantagem numérica de quase três para um, César derrotou o rival e colocou seu exército em fuga. Esta batalha se provaria decisiva na guerra civil.[60]

Cléopâtre et César) ("Cleópatra e César"), pintura de 1866 por Jean-Léon Gérôme.

Em Roma, César foi apontado ditador,[61] com Marco Antônio como seu Mestre de Cavalos (vice-comandante); César presidiu sobre sua própria eleição que deu a ele seu segundo consulado.[61] [62] Derrotados, Pompeu e o Senado decidiram se separar. Pompeu fugiu para o Egito, com César no seu encalço. Chegando lá, ele foi presenteado pelas autoridades locais com a cabeça de Pompeu.[63] César ficou furioso e ordenou a prisão (e depois execução) dos responsáveis.[64]

César decidiu permanecer no Egito por um tempo. O país estava em guerra civil entre o jovem Ptolemeu XIII e sua irmã e co-regente Cleópatra VII. César decidiu apoiar esta última. Ele resistiu a um cerco em Alexandria e depois derrotou Ptolemeu XIII na Batalha do Nilo de 47 a.C., instalando Cleópatra como a única governante do Egito. César e Cleópatra saíram para comemorar sua vitória com uma processão triunfal pelo rio Nilo, acompanhado de 400 navios. César foi, na festa, introduzido as extravagâncias dos faraós egípcios.[65]

César e Cleópatra se tornaram amantes, ficando juntos em Alexandria por mais um ano. Os dois não podiam se casar, pois a lei romana não reconhecia o casamento de um cidadão com uma não romana. Porém, relacionamento com um bárbaro não era considerado adultério. Os dois teriam gerado um filho juntos, Cesarião. Cleópatra visitou Roma pelo menos uma vez, residindo na vila de César nas margens do rio Tibre.[65]

Ao fim de 48 a.C., César foi novamente apontado como ditador, com o mandato de um ano.[62] Após resolver os problemas no Egito ele partiu para o Oriente Médio, onde ele conquistou uma vitória fácil contra o rei Fárnaces II de Ponto; sua vitória foi tão rápida e tão fácil que ele teria zombado da vitória difícil anterior de Pompeu sobre eles. Ao vencer mais um inimigo, César teria dito sua famosa frase "Veni, vidi, vici" ("Vim, vi, venci").[66] Depois ele partiu para o norte da África, para derrotar as forças do Senado por lá. Ele conquistou uma vitória decisiva, a 46 a.C., sobre as tropas de Catão, que acabou cometendo suicídio logo depois.[67] No mesmo ano ele derrotou outra tropa senatorial, na batalha de Tapso. Metelo Cipião, um dos líderes da facção anti-César no Senado, foi morto nela.

César foi então apontado ditador pelos próximos dez anos.[68] Os filhos de Pompeu fugiram para a Hispânia (atual Espanha) e lá prepararam a última resistência anti-César. Finalmente, na batalha de Munda (março de 45 a.C.), ele derrotou o último bastião da resistência armada contra ele.[69] Nesse meio tempo, com um senado reduzido formado basicamente por seus apoiadores, César foi eleito para um terceiro e quarto mandato como Cônsul (em 46 a.C. e 45 a.C. respectivamente).[62]

Governo[editar | editar código-fonte]

Enquanto ele ainda estava em uma campanha na Espanha, o Senado já foi concedendo diversas honras a César. Ele preferiu não se vingar dos inimigos, preferindo perdoar a maioria deles. Por parte da população comum não havia uma forte oposição contra ele. Grandes jogos e celebrações aconteceram em abril para celebrar a vitória de César em Munda. Plutarco escreveu que muitos romanos acreditavam que aquela celebração de César foi de mal gosto, pois foi uma vitória contra outros romanos, no meio de uma guerra civil.[70] Quando César retornou a Itália, em 45 a.C., ele protocolou oficialmente seu testamento, nomeando seu sobrinho-neto Caio Otávio (ou Otaviano, mas que viria a ser conhecido como Augusto César) como seu principal herdeiro, deixando para ele diversas propriedades e vastas quantidades de dinheiro. César escreveu também que caso Otávio morresse antes dele, Décimo Júnio Bruto Albino seria o seu próximo herdeiro. No testamento ele também deixou presentes e dinheiro para os cidadães de Roma.[71]

Durante o começo da sua carreira, César testemunhou o quão desfuncional e caótica a República Romana se tornou. A máquina republicana havia quebrado sob o peso do imperialismo, perda de poder das autoridades centrais na capital com as províncias se tornando praticamente principados independentes sob controle total dos governadores e ainda com o exército profundamente polarizado e sendo usado para fins políticos. Com o governo central enfraquecido, a corrupção política havia saído do controle e o status quo era mantido por uma aristocracia corrupta que não via necessidade de mudar um sistema que perpetuava suas riquezas.

Estátua de Júlio César no Jardins das Tulherias, na França.

Entre a travessia do rio Rubicão em 49 a.C. e o seu assassinato em 44 a.C., César estabeleceu uma nova constituição, que deveria alcançar três objetivos.[72] Primeiro, ele queria suprimir toda a resistência armada fora nas províncias e assim trazer a ordem de volta ao país. Segundo, ele queria construir um governo forte em Roma. Terceiro e finalmente, ele queria unir o império em uma única unidade coesa. Este primeiro objetivo foi conquistado quando César derrotou Pompeu e seus apoiadores no senado.[72] As outra duas metas, para consegui-las, ele assumiu que precisaria de poder absoluto e que este fosse incontestável,[73] então ele aumentou sua própria autoridade em detrimento de outras instituições políticas. Por fim, ele anunciou dezenas de medidas para reformistas para reerguer o país, que vão desde a alteração do calendário até redistribuição de terras.[72]

Ditadura[editar | editar código-fonte]

Após derrotar seus inimigos e retornar para Roma, o Senado concedeu a César o Triunfo (uma homenagem pública para prestigiar um comandante militar) por suas vitórias sobre a Gália, Egito, Fárnaces e Juba. Ele decidiu não realizar festividades para celebrar vitórias sobre outros romanos durante a guerra civil. Nem tudo foi como César planejou. Quando Arsínoe IV, ex rainha do Egito, foi exibida em correntes nas ruas de Roma, o público admirou sua coragem e teve pena dela.[74] Os jogos triunfais aconteceram, com caçadas envolvendo 400 leões, e luta de gladiadores. Uma batalha naval também foi recriada no Campo de Marte, que fora inundado para a ocasião.[75] No Circo Máximo, dois exércitos de cativos, incluindo duas mil pessoas, duzentos cavalos e vinte elefantes, lutaram até a morte. Muitos criticaram César afirmando que suas festividades eram extravagantes. Uma pequena revolta começou. Dois membros desta revolta foram então mortos por sacerdotes no Campo de Marte, a mando de César.[75]

Após as festividades do Triunfo, César começou a tentar passar sua ambiciosa agenda política.[75] Ele ordenou que um censo fosse feito, que resultou em uma redução na distribuição de grãos e no desperdício. Ele então passou uma lei suntuária para restringir a compra de certos bens de luxo. Depois, uma nova lei foi passada para premiar famílias que tinham muitos filhos, para acelerar a repopulação da Itália. Ele então baniu as corporações de ofício profissionais, exceto as mais antigas. César também aprovou uma lei que dava agora limites de mandatos para governadores de províncias. Ele também passou uma lei de reestruturação de dívidas, que acabou por eliminar um-quarto de todas as dívidas do povo da cidade.[75]

O Fórum de César, com o Templo de Vénus Genetrix, foi construído, junto com várias outras obras públicas, que empregaram milhares de cidadãos.[76] César também aumentou a regulação de compra de grãos subsidiada pelo Estado e reduziu o número de beneficiários, que entraram em um registro especial.[77] De 47 a.C. a 44 a.C., ele fez planos para distribuir terras para aproximadamente 15 000 dos seus veteranos.[78]

Uma das mudanças mais importantes do seu governo, contudo, foi sua reforma no calendário romano. O calendário era regulado pelas fases da lua, o que era confuso. César adaptou o calendário da maneira como os egípcios faziam, sendo regulado pelo sol. A extensão do ano passou a ser de 365,25 dias, com a adição de um dia extra em fevereiro a cada quatro anos.[79] Para sincronizar o calendário novo com as estações do ano, ele criou três meses extras, implementado isso em 46 a.C.. Assim, o calendário juliano começou oficialmente em 1 de janeiro de 45 a.C..[75] O calendário sofreria poucas mudanças ao decorrer do tempo, se tornando o padrão no mundo ocidental.[79]

Pouco antes de seu assassinato, ele passou uma série de novas reformas.[75] Ele estabeleceu uma força policial permanente, apontou funcionários públicos para supervisionar a implementação da reforma agrária, e ordenou a reconstrução das cidades de Cartago e Corintio. Ele também estendeu o direito dos povos latinos por todo o mundo romano, e então aboliu o sistema de taxação e o reverteu para o sistema antigo onde eram as cidades que coletavam os impostos para si próprias, evitando a necessidade de intermediários (reduzindo a corrupção). Seu assassinato impediu a implementação de mais reformas, incluindo a construção de um grande templo de Marte, um pomposo novo teatro e uma biblioteca maior que a de Alexandria.[75]

Ele também queria converter a cidade de Óstia em um grande porto e criar um canal cortando Istmo de Corinto. Militarmente, ele pretendia conquistar a Dácia e também a Pártia, para vingar a derrota romana em Carrhae. Assim ele iniciou uma mobilização de tropas no leste. O Senado o nomeou Censor em caráter vitalicio e ainda o nomearam "Pai da Nação", e o mês quintil foi renomeado julho em sua honra.[75]

Ele recebeu outras honras e nomeações oficiais em caráter vitalicio. Essa acumulação de cargos foi mais tarde usada como um dos pretextos para o seu assassinato. Seus opositores afirmavam que César estava acumulando poderes de um rei. De fato, coisas comuns na era dos reis em Roma voltaram como moedas sendo feitas com seu rosto e grandes e ostentosas estátuas. Ele mandou colocar no Senado uma grande cadeira banhada em ouro, enquanto usava um pomposo vestido e iniciou uma forma não oficial de culto a sua pessoa.[75]

Reformas políticas[editar | editar código-fonte]

Uma estátua de César no museu de Louvre.

A reforma política que César implementou em Roma é complicada. César tinha poderes ditatoriais e de tribuno, mas ele alternava nas funções de Cônsul e Procônsul.[73] Seus poderes no Estado vinham destes magistérios.[73] Ele foi apontado ditador oficialmente pela primeira vez em 49 a.C., possivelmente para presidir as eleições, mas renunciou a este cargo onze dias depois. Em 48 a.C., ele foi reapontado ditador, só que desta vez por tempo indeterminado e em 46 a.C., foi acertado um mandato de 10 anos.[80]

Em 48 a.C., ganhou poderes de tribuno em caráter vitalício,[81] o que o tornou uma pessoa sacrossanta e lhe deu poder de veto sobre o Senado.[81] César sofreu com a oposição do Colégio de Tribunos, mas após algumas prisões ninguém se opôs mais.[81]

Quando César retornou em definitivo para Roma em 47 a.C., as cadeiras do Senado estavam muito vazias, então ele usou seus poderes de Censor para apontar novos senadores. Ele continuou a expandir o senado que chegou a ter 900 membros.[82] Todos os novos membros eram na verdade partidários de César, o que roubava o prestígio da aristocracia senatorial e tornou o Senado subserviente a ele.[83] Para minimizar a chance de algum outro general pudesse desafia-lo,[80] César instituiu limites de tempo de mandatos para os governadores das províncias e territórios.[80]

Em 46 a.C., César deu a si mesmo o título de "Prefeito da Moral", um cargo que existia apenas no nome, já que seus poderes eram os mesmos dos censores.[81] Assim ele poderia exercer seus poderes censoriais sem ter que se submeter as mesmas leis que os outros censores e ele usou esta autoridade para encher o senado com simpatizantes seus. Ele também abriu um precedente, que seria seguido por seus sucessores imperiais, de ter o senado lhe dando vários títulos, honras e cargos. Ele tinha, por exemplo, o título de "Pai da Nação" e "imperator" (comandante-em-chefe das forças armadas).[80]

Moedas foram forjadas com a sua imagem e ele tinha o direito de ser o primeiro a falar nas sessões do Senado, um privilégio reservado a autoridade maior.[80] César também aumentou o número de magistérios eleitos por ano, aumentando o setor público com magistrados experientes e criando mais cargos para dar aos seus apoiadores.[82]

César também deu os primeiros passos para tornar a Itália em uma província e também tomou medidas para tornar as províncias em uma unidade mais coesa. Isso resolvia alguns dos problemas que haviam causado as chamadas Guerras Sociais de décadas antes, onde indivíduos fora de Roma e longe de Itália não eram considerados "romanos", portanto não tinham os direitos que ter essa cidadania dava. Assim, unificar o império e prezar pela sua unidade, ao invés de dividi-lo em grupos com participações desiguais na vida pública, foi um sucesso, mas só seria completado de fato no reinado do seu sucessor, Augusto.

Em fevereiro de 44 a.C., um mês antes do seu assassinato, César foi apontado, em definitivo, como ditador vitalício. Concentrando vasta autoridade, ele deu poderes aos seus tenentes e apoiadores, principalmente devido ao fato dele se afastar regularmente da Itália a negócios.[80] Em outubro de 45 a.C., César renunciou o posto de único Cônsul e trabalhou para que os dois eleitos que o sucederiam seriam seus partidários.[82]

Perto do fim da sua vida, César se preparou para uma guerra contra o Império Parta. Devido a isso ele tinha que se ausentar de Roma com frequência. Para garantir que os eleitos nos cargos, especialmente os de Cônsul, fossem simpáticos a ele, César determinou que ele mesmo apontaria diretamente todos os magistrados para o ano de 43 a.C.. No ano seguinte, ele estendeu isso para eleições consulares e de tribunos.[82] Assim, os magistrados não mais davam a ideia de que eram representantes do povo, mas sim do ditador.[82]

O crescente acumulo de poder por parte de César, em detrimento da aristocracia, irritou muitos senadores conservadores. Eles temiam que Júlio César estivesse tentando reerguer a monarquia, com ele mesmo na figura de rei. Um grupo de senadores (os Liberatores) começou então a conspirar contra César e planejar seu assassinato, afirmando que ele havia se tornado um tirano e que somente sua morte restauraria a velha República Romana.[84]

Assassinato[editar | editar código-fonte]

Nos idos de março (15 de março no Calendário romano) de 44 a.C., César foi comparecer a uma sessão do Senado. Marco Antônio, tendo ouvido falar sobre o complô de um libertador assustado chamado Servilius Casca, e temendo o pior, foi avisar César. Os conspiradores, contudo, anteciparam isso, e enviaram Trebônio para intercepta-lo enquanto ele se aproximava do Teatro de Pompeu, onde a sessão aconteceria, para para-lo. Ao ver a agitação no senado (no momento do assassinato), Antônio fugiu.[85]

De acordo com Plutarco, quando César chegou, o senador Tílio Cimber lhe apresentou uma petição para revogar o exílio imposto ao seu irmão.[86] Os outros conspiradores se aproximaram sob o pretexto de oferecer apoio e cercaram César. Segundo Plutarco e Suetônio, César dispensou o pedido mas Cimber o agarrou pelo ombro e puxou ele pela túnica. César então berrou para Cimber: "Por que, isso é violência!" ("Ista quidem vis est!").[87] Ao mesmo tempo, Casca pegou sua adaga e partiu para o pescoço de César. Este, contudo, se virou rapidamente e pegou Casca pelo braço. De acordo com Plutarco, César teria dito, em latim, "Casca, seu vilão, o que você está fazendo?"[88] Casca, assustado, gritou em grego "Ajuda, irmão!" ("ἀδελφέ, βοήθει", "adelphe, boethei"). Poucos momentos depois, todos do grupo, incluindo Bruto, atacaram o ditador. César tentou se afastar mas, cego pelo sangue que escorria da cabeça, tropeçou e caiu. Mesmo no chão, no pórtico, ele continuou a ser esfaqueado. De acordo com Eutrópio, cerca de 60 homens participaram do assassinato. César teria sido esfaqueado 23 vezes.[89]

Um grupo de senadores cercam Júlio César, em uma pintura feita por Karl von Piloty.

O historiador Suetônio afirmou que um médico que examinou o corpo teria dito que apenas um ferimento, o infligido no peito, teria sido letal.[90] Não se sabe quais foram as últimas palavras de César e isso ainda é assunto de debate entre historiadores e acadêmicos até os dias atuais. Suetônio disse que pessoas da época afirmaram que as últimas palavras de César, proferidas em grego, foram "Até você, criança?" ("καὶ σύ, τέκνον").[91] Contudo, até Suetônio tem dúvidas e ele crê que César disse nada.[92]

Plutarco também afirma que César não pronunciou algo antes de morrer, mas puxou sua toga sobre a cabeça quando ele viu Bruto entre os conspiradores.[93] A versão mais famosa sobre o que Júlio César teria dito antes da morte é a célebre frase em latim "Et tu, Brute?" ("E você, Bruto?", comumente referida como "Até tu, Bruto?");[94] [95] esta fala na verdade vem da peça Julius Caesar, pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. Esta frase não tem qualquer base histórica e o uso do latim por Shakespeare aqui vai de encontro a maioria das versões, que afirmam que César teria pronunciado palavras em grego. Mas de fato, a frase Et tu, Brute? já era popular antes mesmo da peça.[96]

De acordo com Plutarco, após o assassinato, Bruto deu um passo adiante como se ele fosse falar algo para os colegas senadores. Eles, contudo, fugiram as pressas do prédio.[97] Brutos e seus companheiros próximos foram então pelas ruas gritando pela cidade: "Povo de Roma, nós somos novamente livres!" Contudo, com a história do que havia ocorrido se espalhando rapidamente, a maioria da população resolveu se trancar dentro de casa. O corpo de César permaneceu no chão do senado por mais três horas antes que fosse removido.

O cadáver de César foi posteriormente cremado. No local onde a pira funerária ocorreu, foi erguido o Templo de César alguns anos mais tarde (a leste da praça principal do Fórum romano). Apenas o altar do templo está preservado até os dias atuais.[98] [99] Uma estátua de cera foi mais tarde erguida no Fórum, exibindo as 23 feridas. Ao contrário do que os conspiradores acreditavam, a morte de César não ressuscitou a República Romana, com a nação se tornando um Império menos de duas décadas depois. Muitos dos conspiradores morreriam nos eventos posteriores, incluindo Bruto e Cássio. Assim, o legado político de César perduraria.[100]

Eventos após sua morte[editar | editar código-fonte]

A série de eventos que aconteceu após a morte de César pegou os seus assassinos de surpresa. A morte do ditador não reergueu a República. Pelo contrário, ela acabaria sedimentando o caminho para a transição para o Império.[101] As classes média e baixa da sociedade romana, com o qual César era tremendamente popular, ficaram enfurecida pelo fato de que um pequeno grupo de aristocratas mataram o seu amado líder. Marco Antônio, que na verdade vinha se afastando de César, capitalizou na dor da plebe e ameaçou solta-las encima dos Optimates, talvez com o intuito de tentar tomar o poder total em Roma para si. Porém, para seu espanto, César havia nomeado um sucessor em testamento, seu sobrinho-neto Otaviano, dando a ele o posto de chefe da família (herdeiro do nome de César) e além disso lhe dava acesso a sua gigantesca fortuna.[102]

Marco Antônio, o segundo em comando de César por muito tempo. Após sua morte, Antônio foi um dos que tentaram se aproveitar do legado político de César e tentou usa-lo, sem sucesso, para conseguir o poder máximo em Roma.

Durante o funeral de César, as coisas literalmente esquentaram. Na enorme pira funerária feita para ele, o povo compareceu em massa, jogando madeira no fogo, móveis e até roupas para alimentar as chamas. O fogo acabou ficando muito alto, danificando o fórum e causando danos. A multidão então atacou as casas de Bruto e Cássio, que são obrigados a fugir para a Macedônia. Os aristocratas acusaram Antônio de jogar o povo contra eles, levando a uma nova ruptura na liderança política romana, o que precipitaria em uma nova guerra civil. Contudo, os rumos deste conflito não terminaria bem para nenhum desses dois, com a figura do sobrinho-neto e herdeiro vindo a proeminência. Otaviano, que tinha apenas 18 anos quando César morreu, mostrou-se um político habilidoso, e enquanto Antônio se preparava para enfrentar Décimo Bruto na primeira fase da guerra civil, ele igualmente se preparava para sua ascensão na vida pública.[103]

Bruto e Cássio, líderes da facção aristocrática anti-César, estavam reunindo um exército na Grécia para recuperar o poder em Roma. Para combate-los, Antônio precisa de sua própria tropa, além de dinheiro e de legitimidade, algo que ele pretendia conquistar no legado de César. Com inimigos em comum, Antônio e Otaviano, junto com o comandante Lépido, se aliam, confrontam os assassinos de César e seus simpatizantes no senado e se saem vitoriosos. Em 27 de novembro de 43 a.C., é formalizada a lex Titia[104] que cria o Segundo Triunvirato ("Governo de Três").[105] Então eles oficialmente deificaram César como Divus Iulius, em 42 a.C., o que fez de César Otaviano o Divi filius ("Filho de um deus").[106]

Já que a clemência de César para perdoar ex inimigos acabou custando sua vida, o Segundo Triunvirato traz de volta a proscrição, abandonada no governo de Sula.[107] Isso levou a uma série de assassinatos políticos para assim poderem pagar por suas legiões e vencer a guerra contra Bruto e Cássio.[108] Em seguida, Otaviano, Antônio e Lépido se tornam os governantes de Roma, sem qualquer rival.[109]

Caio Otaviano César, sobrinho-neto de Júlio César e posteriormente seu filho adotivo. Dezessete anos depois da morte do seu pai adotivo ele se tornaria o primeiro monarca do Império Romano, com o título de Augustus.

Contudo, o Segundo Triunvirato não ficaria em paz muito tempo. Marco Antônio formou uma aliança com a ex amante de César, a rainha Cleópatra, pretendendo usar as fortunas do Egito para dominar Roma. Uma terceira guerra civil eclode entre Otaviano e Marco Antônio (apoiado por Cleópatra). Durante este conflito, Otaviano se apoiou no fato de César te-lo apontado como seu sucessor e adotado como filho e usou isso como uma fonte de legitimidade. Otaviano então conquistou o Egito, forçando Antônio e sua rainha a cometerem suicídio. Ele então retornou para Roma e, em 27 a.C., se tornou César Augusto, o primeiro Imperador romano, dando a si mesmo status de divindade.[110]

Antes de sua morte, Júlio César havia planejado lançar uma invasão militar contra a Pártia, o Cáucaso e a Cítia. Ele também pretendia marchar novamente contra a Germânia e na Europa oriental. Seus sucessores tentaram lançar campanhas contra a Pártia e a Alemanha, mas não foram bem sucedidos e não insistiram nessas conquistas.[111]

Deificação[editar | editar código-fonte]

Júlio César se tornou o primeiro político romano importante a ser deificado. Ele foi posteriormente agraciado com o título de Divus Iulius ou Divus Julius ("Divino Júlio" ou "Deificado Júlio") por decreto do Senado Romano em 1 de janeiro de 42 a.C.. Uma aparição de um cometa durante os jogos em sua honra foi usado para confirmar sua divindade. Apesar do seu templo ter sido dedicado a ele apenas após sua morte, ele pode ter recebido status de divino durante sua vida[112] e logo depois de seu assassinado, Marco Antônio foi apontado como o seu flâmine (sacerdote). Tanto Otaviano quando Antônio promoveram o culto a Divus Iulius. Após a morte de Antônio, Otaviano, como filho adotivo de César, assumiu o título de Divi Filius ("filho de um deus").[113]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Saúde e aparência física[editar | editar código-fonte]

De acordo com o que disse Plutarco,[114] é acreditado que César sofria de epilepsia. Historiadores modernos se dividem neste assunto, com alguns afirmando que ele sofria de malária.[115] Muitos especialistas em medicina acreditam que ao invés de epilepsia ele provavelmente teria apenas enxaquecas muito fortes.[116] Outros acadêmicos afirmavam que os surtos de epilepsia eram causados por uma infecção parasitária no cérebro por uma cestoda.[117] [118]

César teve quatro episódios documentados de ataques epiléticos. Ele pode ter tido uma 'crise de ausência' na sua juventude. Os primeiros casos de epilepsia foram relatados pelo historiador Suetônio, que nasceu depois da morte de César. Alguns historiadores afirmam que César poderia ter na verdade hipoglicemia, que também pode causar ataques epiléticos.[119] [120] [121]

Em 2003, o psiquiatra Harbour F. Hodder publicou o que ele denominou como a teoria do "Complexo de César", argumentando que o general romano sofria de epilepsia do lobo temporal e os sintomas debilitantes da condição era um dos fatores de César ignorar sua segurança pessoal nos dias que antecederam seu assassinato.[122]

Uma fala de uma peça de William Shakespeare teria dito que César era surdo de um ouvido.[123] Nenhuma fonte antiga relata isso. Shakespeare pode ter se baseado na passagem metafórica de Plutarco que não se refere a surdez, tendo mais a ver com um hábito de Alexandre da Macedônia. Ao cobrir sua orelha, Alexandre indicava que ele havia desviado sua atenção da acusação para poder ouvir a defesa.[124]

O historiador romano Suetônio descreve César como "alto em estatura com uma pele clara, membros bem torneados, um rosto cheio e olhos negros penetrantes."[125]

Nome e família[editar | editar código-fonte]

Usando o alfabeto latino do período, que não tinha as letras J e U, o nome de César teria sido escrito como GAIVS IVLIVS CAESAR; a forma CAIVS também é atestada, usando a antiga forma de representação romana G por C. A abreviação padrão é C. IVLIVS CÆSAR, refletindo a abreviação antiga (a forma da letra Æ é uma ligadura das letras A e E, e é normalmente usada em epigrafias em latim para salvar espaço).

No latim clássico, se pronuncia ˈɡaːjus ˈjuːljus ˈkajsar. Nos dias da República Romana, muitas escrituras históricas eram feitas em grego, uma língua que os romanos educados dominavam. Jovens romanos ricos aprendiam grego com escravos nativos da Grécia e as vezes eles mesmos iam para cidades como Atenas para aprofundar os estudos. Na língua grega antiga, na época de César, seu nome era escrito como Καίσαρ, refletindo sua pronúncia contemporânea. Assim, é pronunciado de forma similar ao termo alemão Kaiser.

Em latim vulgar, a consoante oclusiva /k/ antes da vogal anterior começar, devido a palatalização, para ser pronunciada como uma consoante africada, portanto as renderizações [ˈtʃeːsar] em italiano e [ˈtseːsar] na pronúncia regional do latim em alemão, assim como o título de Czar. Com a evolução das línguas românicas, a africada [ts] se torna fricativa [s] (portanto, [ˈseːsar]) em muitas pronuncias regionais, incluindo na francesa, de onde a pronúncia em inglês é derivada. O /k/ original é preservado na mitologia nórdica, onde ele é manifestado como o rei legendário Kjárr.[126] Em português o nome é pronunciado Sé-zár.

O cognome César se tornou um título; foi promulgado pela Bíblia, que contém a famosa passagem "A César o que é de César...". O título em alemão é chamado Kaiser e nas línguas eslavas é Tsar. A última pessoa a ter o título de Czar oficialmente foi Simeão II da Bulgária, cujo o reinado terminou em 1946.[127]

Pais
Irmãs
Esposas
  • Primeiro casamento: Cornélia Cinila, de 83 a.C. até sua morte em 69 ou 68 a.C.
  • Segundo casamento: Pompeia, de 67 a.C. até o divórcio em 61 a.C.
  • Terceiro casamento: Calpúrnia Pisão, de 59 a.C. até a morte de César
Filhos
Imagem de Cleópatra e o seu filho com César, Cesarião, no templo de Dendera.
Netos
  • Filho (sem nome) de Júlia e Pompeu, morto dias após seu nascimento (único neto de César)
Amantes
Parantes notórios

Rumores de práticas homossexuais[editar | editar código-fonte]

A sociedade romana via o papel de passivo na relação sexual, independente de gênero, como um sinal de submissão e inferioridade. De fato, o historiador Suetônio disse que, supostamente, após o seu triunfo na Gália, seus soldados cantavam: "César conquistou os gauleses, mas Nicomedes conquistou César".[130] De acordo com Cícero, Bíbulo, Caio Memmius e outros inimigos de César afirmavam que ele mantinha relações sexuais com Nicomedes IV da Bitínia no começo da sua carreira. Essas histórias se repetiam, referindo a César como a 'rainha de Bitínia', com o fim de humilha-lo. César sempre negou essas acusações e, de acordo com Dião Cássio, uma vez o negou sob juramento.[131] Esse tipo de campanha de difamação era comum entre políticos romanos na era republicana e quase sempre os difamados negavam as acusações. Uma tática de oposição a estas ações era acusar os rivais políticos de viverem um estilo de vida helênico baseado na cultura grega e oriental, onde a homossexualidade e um estilo de vida exagerado eram mais aceitos do que na tradição romana.[131]

Cátulo escreveu dois poemas que diziam que César e seu engenheiro Mamurra eram amantes,[132] mas depois se desculpou por insinuar isso.[133]

Marco Antônio afirmou que Otaviano ganhou o favor de César ao torna-lo seu filho adotivo através de favores sexuais. Suetônio descreveu as acusações de Antônio como pura difamação política. Otaviano eventualmente derrotou Antônio no campo militar e em 27 a.C. se tornou o primeiro imperador romano.[134]

Trabalhos literários[editar | editar código-fonte]

Uma edição de 1783 de As Guerras Gálicas.

Durante a sua vida, César foi considerado um dos melhores oradores e autores de prosa em latim — até mesmo Cícero falava bem sobre a retórica e estilo dele.[135] Apenas os comentários de César sobre as guerras foi conservado. Algumas frases de outros trabalhos são citados por outros atores. Entre um dos seus trabalhos que se perderam com o tempo, sua oração de funeral, para a sua tia paterna, Júlia, e seu Anticato, um documento escrito para difamar Catão em resposta aos elogios de Cícero a ele. Os "Poemas de Júlio César" também são usados fontes por trabalhos de historiadores antigos.[136]

Memórias[editar | editar código-fonte]

Outros trabalhos históricos atribuídos a César, mas a autoria não é certa:

Essas narrativas foram escritas e publicadas anualmente durante ou depois de tais campanhas acontecerem, como uma espécie de "despaches do fronte". Elas foram importantes em moldar a imagem pública de César e aumentar sua reputação enquanto ele estava afastado de Roma por longos períodos. Elas foram apresentadas ao povo em leituras públicas.[137] Como um modelo de latim direto e claro, As Guerras Gálicas foi tradicionalmente estudada por primeira e segunda gerações de estudantes de latim.[138]

Legado[editar | editar código-fonte]

Histografia[editar | editar código-fonte]

Os textos escritos de César, uma autobiografia dos eventos mais importantes de sua vida, são completamente fontes primárias para a reconstrução da sua biografia. Contudo, César escreveu sua história pensando em sua carreira política, então os historiadores tiveram muito trabalho para filtrar os exageros e parcialidades contidas nela.[139] O imperador Augusto começou o culto à personalidade a César, descrevendo ele próprio como seu herdeiro. Histografia moderna são influenciadas pelas tradições de Augusto, como por exemplo a ascensão de César sendo considerada o ponto determinante para o nascimento do Império Romano. Ainda assim, os historiadores também tem que filtrar muitos dos contos de Augusto.[140]

Muitos governantes ao longo da história se tornaram interessados na histografia de César. Napoleão escreveu um trabalho acadêmico chamado Histoire de Jules César, mas ele não terminou. Carlos VIII de França ordenou um monge preparar uma tradução para ele do Guerras Gálicas em 1480. Carlos I ordenou um estudo topográfico na França, para dar contexto ao livro escrito por César sobre a conquista do país. O sultão otomano Solimão, o Magnífico catalogou as edições sobreviventes dos Commentariis, e então os traduziu para o turco. Henrique IV e Luís XIII, reis franceses, traduziram os primeiros commentariis. Luís XIV de França os retraduziu mais tarde.[141]

Política[editar | editar código-fonte]

Júlio César é visto como o principal exemplo do Cesarismo, uma forma política de governo com um líder carismático e forte que governa baseado em um culto à personalidade, cuja a racionalidade é governar pela força, estabelecendo uma violenta ordem social, sendo envolvido em um regime de proeminência militar no governo.[142] Outra pessoas na história, como o imperador francês Napoleão Bonaparte e o ditador italiano Benito Mussolini, foram definidos como 'cesaristas'. Bonaparte não se focou apenas na carreira militar de César, mas também na sua relação com as massas, que se tornou um precedente do populismo.[143] A palavra "cesarismo" é usada também em um sentido pejorativo contra líderes autocráticos.

Imagem cultural[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Nome completo: Caius Iulius Caii filius Caii nepos Cæsar Imperator ("Caio Júlio César, filho de Caio, neto de Caio, imperator"). Nome oficial depois da apoteose em 42 a.C., Gaius Iulius Caesar Divus, em português, "César Caio Júlio, divino". Nascido como Gaius Iulius Gaii Filius Gaii Nepos Caesar, em português, "César Caio Júlio, filho de Caio, neto de Caio".
  2. Existe alguma controvérsia a respeito da data do nascimento de César. O dia é por vezes mencionado como 12 de julho, quando seu feriado era comemorado (após a deificação), porém isto se deu porque seu aniversário real coincidia com os Ludi Apollinares. Alguns estudiosos, com base nas datas em que ele ocupou certos cargos, propuseram os anos de 101 ou 102 a.C. como seu ano de nascimento, porém o consenso acadêmico favorece 100 a.C.. Ver Goldsworthy, 30
  3. Após a morte de César os anos bissextos não foram inseridos de acordo com o seu intento, e existe alguma incerteza acerca de exatamente quando os anos bissextos foram observados entre 45 a.C. e 4 d.C; as datas deste artigo situadas entre este período de tempo são as mesmas que são observadas em Roma, e existe uma dúvida de aproximadamente um dia a respeito de onde as datas se situariam no calendário juliano proléptico. Ver Blackburn, B e Holford-Strevens, L. (1999, corr. 2003). The Oxford Companion to the Year. Oxford University Press. p. 671. ISBN 978-0-19-214231-3

Referências

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  3. Historia Augusta: Aelius 2.
  4. Goldsworthy, 32
  5. Suetonius, Julius 1; Plutarco, Caesar 1, Marius 6; Pliny the Elder, Natural History 7.54; Inscriptiones Italiae, 13.3.51–52
  6. Plutarco, Marius 6
  7. a b Plutarch, Caesar 1; Suetônio , Julius 1
  8. Suetônio, Julius 1; Pliny the Elder, Natural History 7.54
  9. Velleius Paterculus, Roman History 2.22; Florus, Epitome of Roman History 2.9
  10. Julius Caesar. Visitado em 22 de agosto de 2015.
  11. Suetonius, Julius 1; Plutarco, Caesar 1; Velleius Paterculus, Roman History 2.41
  12. Canfora, p. 3
  13. Suetonius, Julius 2–3; Plutarco, Caesar 2–3; Dião Cássio, Roman History 43.20
  14. Suetonius, Julius 46
  15. Segundo a cronologia de Suetônio (Julius 4). Plutarco (Caesar 1.8–2) diz que isso aconteceu antes na sua vida. Velleius Paterculus (Roman History 2:41.3–42) diz apenas que o sequestro aconteceu quando ele era jovem.
  16. Plutarco, Caesar 1–2
  17. Plutarco, Caesar
  18. Thorne, James. Julius Caesar: Conqueror and Dictator. [S.l.]: The Rosen Publishing Group, 2003. p. 15.
  19. Freeman, 39
  20. Goldsworthy, 77-78
  21. Freeman, 51
  22. Freeman, 52
  23. Goldsworthy, 100
  24. Goldsworthy, 101
  25. Suetonius, Julius 5–8; Plutarco, Caesar 5; Velleius Paterculus, Roman History 2.43
  26. Velleius Paterculus, Roman History 2.43; Plutarco, Caesar 7; Suetônio, Julius 13
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  29. Hammond, Mason. City-state and World State in Greek and Roman Political Theory Until Augustus. [S.l.]: Biblo & Tannen, 1966. p. 114. ISBN 9780819601766 Página visitada em 22 de agosto de 2015.
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  42. Fuller, J. F. C. Julius Caesar: Man, Soldier, and Tyrant. Londres, England: Eyre & Spottiswoode, 1965.
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Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Autoria própria[editar | editar código-fonte]

Trabalhos de historiadores antigos[editar | editar código-fonte]

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