Imotepe

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Imotepe
Chanceler do Faraó do Egito
Sumo-Sacerdote de Rá
Estátua de Imotepe, atualmente exposta no Museu do Louvre, Paris
Sepultado em Sacará (provavelmente)
Ocupação arquiteto, engenheiro civil, engenheiro, astrônomo, médico
Mãe Quereduanque
Titularia
Nome Imotepe
(Jj m ḥtp)
M18G17R4
X1 Q3

Imotepe
(Jj m ḥtp)
M18G17R4

Imotepe
(Jj m ḥtp)
M17M17G17R4
Título

Imotepe[nota 1] ( /ɪmˈhəʊtɛp/;[1] em egípcio: ii-m-ḥtp[2] *jā-im-ḥatāp, lit. 'Aquele que vem em paz'; em grego clássico: Ιμυθες; romaniz.: Imuthes; fl. século XXVII a.C., c. 2 655 ) foi um polímata egípcio,[3] que serviu a Joser, faraó da III dinastia, na função de vizir ou chanceler do faraó e sumo-sacerdote do deus-sol Rá, em Heliópolis. É considerado o primeiro arquiteto,[4] engenheiro[5] e médico da história antiga,[6] embora dois outros médicos, Hesi-Rá e Merite-Ptá, tenham sido contemporâneos seus.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Imotepe foi um dos poucos mortais a serem ilustrados como parte de uma estátua de um faraó. Foi um de um grupo restritíssimo de plebeus a quem foi concedido o status divino após a morte; o centro de seu culto era Mênfis. A partir do Primeiro Período Intermediário, Imotepe também passou a ser reverenciado como poeta e filósofo. Suas palavras eram mencionadas em poemas: "Eu ouvi as palavras de Imotepe e Hordedefe, de cujos discursos os homens tanto falam.".[7]

Estátua dedicada por um certo Ouaibrê. Museu do Louvre, Paris

A localização da sepultura de Imotepe, construída por ele próprio, foi escondida com absoluta cautela, e permanece desconhecida até os dias de hoje, apesar dos esforços para encontrá-la.[8] O consenso acadêmico é de que ele estaria escondido em algum lugar de Sacara. A existência histórica de Imotepe é confirmada através de duas inscrições contemporâneas feitas na base, ou pedestal, de uma das estátuas de Joser (Cairo JE 49889), bem como um grafito na muralha que circunda a pirâmide interminada de Tireis.[9][10] A segunda inscrição sugere que Imotepe teria vivido por alguns anos depois da morte de Joser, e ajudou na construção da pirâmide do rei Tireis, abandonada devido ao breve reinado deste soberano.[11]

Sacará[editar | editar código-fonte]

Imotepe foi um dos principais funcionários do faraó Joser. Concordando com lendas muito posteriores, os egiptólogos atribuem a ele o projeto e a construção da pirâmide de Joser, uma pirâmide em degraus em Sacará construída durante a III dinastia.[12] Ele também pode ter sido responsável pelo primeiro uso conhecido de colunas de pedra para apoiar um edifício.[13] Apesar dessas declarações posteriores, os próprios egípcios faraônicos nunca creditaram Imotepe como o designer da pirâmide escalonada, nem como a invenção da arquitetura de pedra.[14]

Medicina[editar | editar código-fonte]

A figura de Imotepe, como médico, pertence mais ao domínio da lenda do que ao da história. Tornou-se indissociável do papiro de Edwin Smith, ainda que o único exemplar conhecido do documento tenha sido escrito aproximadamente mil anos após a sua morte. Supõe-se que se trata de uma cópia de textos mais antigos, redigida, pelo menos, por três escribas diferentes. Por outro lado, o facto de se tratar de um trabalho objetivo e não imbuído de magia, tende a dissociá-lo da figura de Imotepe, um sumo-sacerdote do deus Rá, naturalmente afeto a cultos mágicos.[15] O egiptólogo James Peter Allen afirma que "Os gregos o equipararam a seu próprio deus da medicina, Esculápio.[16][17][18][1]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Imhotep

Imotepe é o antagonista da série de filmes A Múmia de 1932, na releitura de 1999 e em sua sequência O Retorno da Múmia, nos quais obtém a reencarnação por meio de antigos rituais egípcios e, assim, desencadeia uma série de desventuras para os heróis da história.[19]

É importante, porém, lembrar que a figura maligna e vingativa apresentada no filme, em relação à pessoa de Imotepe não é de modo algum real e não tem respaldo histórico.[19]

Notas e referências

Notas

  1. por vezes grafado Imutefe, Im-hotep, Imhotep ou Iiemotepe

Referências

  1. a b «Imhotep». www.collinsdictionary.com (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2021 
  2. Ranke, Hermann (1935). Die Ägyptischen Personennamen [Egyptian Personal Names] (PDF) (em alemão). Bd. 1: Verzeichnis der Namen. Glückstadt: J. J. Augustin. p. 9 
  3. The Egyptian Building Mania Arquivado em 14 de junho de 2011, no Wayback Machine., Acta Divrna, Vol. III, edição IV, janeiro de 2004.
  4. Imhotep. Encyclopædia Britannica
  5. «What is Civil Engineering: Imhotep». Consultado em 19 de novembro de 2010. Arquivado do original em 12 de janeiro de 2008 
  6. William Osler, The Evolution of Modern Medicine, Kessinger Publishing 2004, p.12
  7. I have heard the words of Imhotep and Hordedef with whose discourses men speak so much. Barry J. Kemp, Ancient Egypt Routledge 2005, p.159
  8. The Harper's Lay, c. 2000 a.C.
  9. Malek, Jaromir. 'The Old Kingdom', in The Oxford History of Ancient Egypt. Ian Shaw (ed.), Oxford University Press 2002. p.92
  10. J. Kahl "Old Kingdom: Third Dynasty", in The Oxford Encyclopedia of Ancient Egypt. Donald Redford (ed.), Vol.2, p. 592
  11. Shaw, op. cit., pp.92-93
  12. Kemp, Barry J. (2005). Ancient Egypt. [S.l.]: Routledge. p. 159 
  13. Baker, Rosalie F. (2001). Ancient Egyptians: People of the Pyramids. Oxford; Nova Iorque: Oxford University Press. p. 23. ISBN 978-0195122213 
  14. Romer, John (2013). A History of Ancient Egypt from the First Farmers to the Great Pyramid. [S.l.]: Penguin Books. pp. 294–295 
  15. NAMORA, Fernando. Deuses e demónios da Medicina. [S.l.: s.n.] 
  16. «Imhotep». World History Encyclopedia (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2021 
  17. «Imhotep – The First Physician». Past Medical History (em inglês). 28 de maio de 2016. Consultado em 4 de novembro de 2021 
  18. Allen, James P. (2005). The Art of Medicine in Ancient Egypt (em inglês). Nova Iorque: Museu Metropolitano de Arte. ISBN 9780300107289 
  19. a b Jesse Bryant Wilder (2007). Art history for dummies. [S.l.]: John Wiley & Sons. 62 páginas. ISBN 9780470099100