Typha

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Como ler uma caixa taxonómicaTypha
taboas
Typha latifolia.

Typha latifolia.
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiosperms
Clado: Monocots
Clado: Commelinids
Ordem: Poales
Família: Typhaceae
Género: Typha
L.
Sinónimos[1]
Typha na margem de uma pequena zona húmida (Marshall County, Indiana).
Typha latifolia (, gama?) no Japão.
Taboa, rebentos juvenis e raízes
Valor nutricional por 100 g (3,53 oz)
Energia 106 kJ (30 kcal)
Carboidratos
Carboidratos totais 5.14 g
 • Açúcares 0.22 g
 • Fibra dietética 4.5 g
Gorduras
Gorduras totais 0.00 g
Proteínas
Proteínas totais 1.18 g
Água 92.65 g
Vitaminas
Vitamina A equiv. 1 µg (0%)
- Betacaroteno 6 µg (0%)
Tiamina (vit. B1) 0.023 mg (2%)
Riboflavina (vit. B2) 0.025 mg (2%)
Niacina (vit. B3) 0.440 mg (3%)
Ácido pantotênico (B5) 0.234 mg (5%)
Vitamina B6 0.123 mg (9%)
Ácido fólico (vit. B9) 3 µg (1%)
Colina 23.7 mg (5%)
Vitamina C 0.7 mg (1%)
Vitamina K 22.8 µg (22%)
Minerais
Cálcio 54 mg (5%)
Ferro 0.91 mg (7%)
Magnésio 63 mg (18%)
Manganês 0.760 mg (36%)
Fósforo 45 mg (6%)
Potássio 309 mg (7%)
Sódio 109 mg (7%)
Zinco 0.24 mg (3%)
Percentuais são relativos ao nível de ingestão diária recomendada para adultos.
Fonte: USDA Nutrient Database

Typha é um género de plantas monocotiledóneas, rizomatosas, que agrupa cerca de 30 espécies da família Typhaceae. O género tem uma distribuição natural centrada no Hemisfério Norte, mas é considerado cosmopolita, sendo encontrado numa grande variedade de habitats de zonas húmidas em regiões temperadas, subtropicais e tropicais. Dada o seu cosmopolitismo, as espécies deste género apresentam uma grande diversidade de nomes comuns,[2] embora sejam mais conhecidas por taboas. Os rizomas são comestíveis, existindo grãos de amido dessa origem preservados em mós que sugerem o seu uso para fins alimentares na Europa há mais de 30000 anos.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

As espécies do género Typha apresentam folhas alternas, maioritariamente basais, numa haste simples e sem nós que suporta os espigões de floração.

As plantas são monóicas, com flores unissexuais que se desenvolvem em densos rácemos (os espigões). As numerosas flores masculinas formam uma espiga estreita localizada na parte superior da haste vertical. Cada flor masculina, estaminada, é reduzida a um par de estames e pêlos, e murcha uma vez que o pólen tenha sido libertado.

Um grande número de pequenas flores femininas formam uma densa inflorescência em forma de salsicha localizada na haste floral imediatamente abaixo do espigão contendo as flores masculinas. Nas espécies de maior porte, a inflorescência feminina pode ter até 30 cm de comprimento e 1-4 cm de espessura.

As sementes são diminutas, com 0,2 mm de comprimento, surgindo ligadas a finos tricomas. Quando maduras, as espigas desintegram-se facilmente libertando uma penugem felpuda com a qual as sementes são dispersas pelo vento.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Os membros do género Typha estão frequentemente entre as primeiras espécies de hidrófitas a colonizar áreas de lodos recentemente expostos, agindo nesses habitats como verdadeiras espécies pioneiras graças às suas pequenas sementes dispersas por anemocoria (transportadas pelo vento). Sementes enterradas podem sobreviver no solo por longos períodos de tempo.[4] As sementes germinam melhor quando expostas à luz solar e a flutuações de temperatura, características típicas dos propágulos de muitas plantas das zonas húmidas que se regeneram sobre fundos lodosos expostos ao ar.[5] As plantas também se dispersam pelos rizomas, formando grandes touças compostas por espécimes interligados.

As Typha são consideradas competidores dominantes em muitas zonas húmidas já que frequentemente excluem outras plantas devido à densa cobertura que formam.[6] Nas baías dos Grandes Lagos, por exemplo, es espécies deste géneros estão entre as hidrófitas mais abundantes.

Diferentes espécies de Typha estão adaptadas a diferentes profundidades da água,[7] sendo que a presença de um aerênquima bem desenvolvido torna as plantas tolerantes à submersão. Mesmo caules mortos são capazes de transmitir o oxigénio do ar até às raízes submersas.

Apesar de na maior parte das regiões temperadas e subtropicais, as Typha serem plantas nativas das respectivas zonas húmidas, muitas das espécies podem ser agressivas na sua competição com outras espécies nativas desses habitats, em alguns casos exibindo mesmo características alelopáticas.[8]

Em muitas regiões da América do Norte, dos Grandes Lagos às Everglades, diversas espécies de Typha são consideradas problemáticas em termos de conservação da natureza, sendo nalguns casos designadas como espécies invasoras.[6] Os caniços e juncos nativos são desalojados e os prados húmidos reduzem a sua extensão, provavelmente como reflexo das alterações hidrológicas causadas nas zonas húmidas pelo presença de Typha e ao aumento dos níveis de nutrientes presentes na água. A presença de uma espécie introduzida ou de híbridos de uma dessas espécies com espécies nativas podem contribuir para o problema.[9] O controlo é difícil. A estratégia mais bem-sucedida parece ser o corte (por roça) ou a queima para remover os talos aerenquimatosos, seguida por inundação prolongada das zonas que contenham as raízes.[10]

Para prevenir a invasão, pode ser importante preservar as flutuações do nível da água, incluindo os períodos de seca, e a manutenção de condições de infertilidade.[6]

As espécies de Typha são muito utilizados como alimento por mamíferos dos pantanais e outras zonas húmidas, em particular pelos ratos-almiscarados, que também podem usá-los para construir plataformas de alimentação e tocas. As aves usam o revestimento felpudo das sementes como material para construir o forro do ninho.

Espécies e híbridos naturais[editar | editar código-fonte]

As seguintes espécies e híbridos naturais estão validamente descritas:[11]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Kew World Checklist of Selected Plant Families
  2. Clegg, J. (1986). Observer's Book of Pond Life. Frederick Warne, London. 460 p.
  3. Revedin, A.; et al. (2010). «Thirty thousand-year-old evidence of plant food processing». Proc Natl Acad Sci U S A. 107 (44): 18815–18819. Bibcode:2010PNAS..10718815R. PMC 2973873Acessível livremente. PMID 20956317. doi:10.1073/pnas.1006993107 
  4. van der Valk, A. G. and Davis, C. B. (1976). The seed banks of prairie glacial marshes. Canadian Journal of Botany 54, 1832–8.
  5. Shipley, B., et al. (1989). Regeneration and establishment strategies of emergent macrophytes. Journal of Ecology 77, 1093–1110.
  6. a b c Keddy, P. A. (2010). Wetland Ecology: Principles and Conservation. [S.l.]: Cambridge University Press. 497 páginas. ISBN 978-0-521-51940-3 
  7. Grace, J. B. and Wetzel, R. G. (1981). Habitat partitioning and competitive displacement in cattails (Typha): experimental field studies. The American Naturalist 118, 463–74.
  8. Oudhia, P. (1999). Allelopathic effects of Typha angustata on germination and seedling vigour of winter maize and rice. Agric. Sci. Digest 19(4): 285-286
  9. Boers, A. M., et al. (2007). Typha × glauca dominance and extended hydroperiod constrain restoration of wetland diversity. Ecological Engineering 29, 232–44.
  10. Kaminski, R. M., et al. (1985). Control of cattail and bulrush by cutting and flooding. In: Coastal Wetlands, eds. H. H. Prince and F. M. D’Itri, pp. 253–62. Chelsea, MI: Lewis Publishers.
  11. «Kew World Checklist of Selected Plant Families, genus Typha». Consultado em 18 de setembro de 2014 
  12. Selbo, S. M.; Snow, A. A. (2004). «The potential for hybridization between Typha angustifolia and Typha latifolia in a constructed wetland» (PDF). Aquatic Botany. 78 (4): 361–369. doi:10.1016/j.aquabot.2004.01.003 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Typha