Partenon

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Partenon
Παρθενών (Grego)
O Partenon
Tipo Templo
Estilo dominante Clássico
Arquiteto Iktinos, Kallikrates
Início da construção 447 a.C.
Fim da construção 432 a.C.
Proprietário atual Governo grego
Dimensões
Diâmetro 69,5 m × 30,9 m
Local Atenas,  Grécia

O Partenon ou Partenão (em grego antigo: Παρθενών, transl. Parthenōn; em grego moderno Παρθενώνας, transl. Parthenónas) foi um templo da deusa grega Atena, construído no século V a.C. na acrópole de Atenas. É o mais conhecido dos edifícios remanescentes da Grécia Antiga e foi ornado com o melhor da arquitetura grega. Suas esculturas decorativas são consideradas um dos pontos altos da arte grega[1] .

O Partenon é um símbolo duradouro da Grécia e da democracia, e é visto como um dos maiores monumentos culturais da história da humanidade. O nome Partenon parece derivar da monumental estátua de Atena Partenos abrigada no salão leste da construção. Foi esculpida em marfim e ouro por Fídias e seu epíteto parthenos (em grego παρθένος, "virgem") refere-se ao estado virginal e solteiro da deusa.

O Partenon foi construído para substituir um antigo templo destruído por uma invasão dos persas em 480 a.C.. Como muitos templos gregos, servia como tesouraria, onde se guardavam as reservas de moeda e metais preciosos da cidade e também da Liga de Delos, que se tornaria mais tarde o império ateniense. No século VI foi convertido numa igreja cristã dedicada à Virgem Maria e depois da conquista turca foi transformada numa mesquita[2] .

Em 1687, um depósito de munição instalado pelos turcos explodiu após ser atingido por uma bala de canhão veneziana, causando sérios danos ao edifício e a suas esculturas. No século XIX, o diplomata britânico Thomas Bruce, 7.° Conde de Elgin, removeu muitas das esculturas sobreviventes para a Inglaterra, hoje conhecidas como Mármores de Elgin e expostas no Museu Britânico, em Londres. Uma disputa polêmica pede o retorno dessas peças à Grécia.

O Partenon e outros edifícios da acrópole formam hoje um dos mais visitados sítios arqueológicos da Grécia e o Ministério da Cultura grego leva adiante um programa de restauração e reconstrução.

História[editar | editar código-fonte]

Concepção artística de 1891 do Partenon em seu auge.

O edifício foi construído por iniciativa de Péricles, líder político ateniense do século V a.C., e a sua construção foi supervisionada por Fídias, encarregado também das esculturas decorativas. Os arquitetos foram Ictinos e Calícrates e a construção começou em 447 a.C. e estava substancialmente pronta em 438 a.C., mas a decoração continuou até 433 a.C.[1] . Algumas das prestações de conta sobreviveram até nós e mostram que a maior despesa foi transportar a pedra do Monte Pentélico, a cerca de 16 quilômetros de Atenas. Os fundos, cerca de 2.000 talentos, uma fortuna colossal para a época, eram também da liga de Delos, cujos tesouros foram transferidos do pan-helênico Santuário de Delos para a acrópole em 454 a.C. [3] .

Réplica do Partenon em Nashville, Tennessee, Estados Unidos.

Embora o próximo Templo de Hefesto seja o mais completo sobrevivente da ordem dórica, o Partenon é visto como o mais refinado. Citando "J.J.Norwich", "...usufruía a reputação de ser o mais perfeito templo dórico jamais construído. Mesmo na antiguidade, seu refinamento arquitetônico era legendário, especialmente a sutil correspondência entre a curvatura da 'estilobata', o estreitamento da nave e os entalhes das colunas.". Estilóbata é a plataforma onde a coluna se apoia, sendo curvada para cima por razões ópticas. O efeito dessa correspondência é fazer o templo parecer mais simétrico do que realmente é[4] .

Maquete do Partenon.

Medidas pelo topo dos degraus, as medidas da base do Partenon são 69.5 x 30.9 metros. A "cela" tem 29,8 x 19,2 metros, com duas fileiras de colunas internamente, para suportar o telhado. No exterior, as colunas dóricas tem 1,8 x 10,4 metros. As colunas do canto são ligeiramente maiores no diâmetro. Se prolongamos a direção das colunas, veremos que elas se encontrariam num ponto congruente a cerca de mil e seiscentos metros de altura da base, não sendo aprumadas como parecem. Especula-se que as dimensões do edifício expressem a razão dourada, proposta por Pitágoras no século anterior. Esta cercado por uma colunata (peristilo) em octoestilo dórico, com oito colunas frontais em vez de seis como era costume na época, e dezessete de cada lado perfazendo um total de 46 colunas, se diminuirmos as comuns entre as fachadas e as laterais[5] .

Sobrevivente por séculos[editar | editar código-fonte]

O Partenon sobreviveu como local dedicado a Atena por cerca de mil anos. Certamente estava intacto no século IV, quando já era tão velho quanto a igreja de Notre Dame é hoje, e mais velho que a Basílica de São Pedro em Roma. Mas naquele tempo, Atenas estava reduzida a uma cidade provinciana do Império Romano, ainda que com um glorioso passado. Em alguma época do século V, a grande imagem de Atena (chamada Athena Parthenos) foi levada para Constantinopla, onde mais tarde foi destruída, provavelmente durante o saque da cidade promovido pela Quarta Cruzada em 1204[6] .

Gravura do Partenon de 1839.

Bem antes, o Partenon tinha sido convertido em igreja cristã, nos tempos do Império Bizantino, dedicado ao culto da Virgem Maria (Parthena Maria) ou da Mãe de Deus (Theotokos). Na conversão do templo em igreja, foram retiradas as colunas internas e algumas paredes da cella. Foi também criada uma abside no lado leste, o que levou à remoção de algumas esculturas. Esses deuses depostos eram ou reinterpretados de acordo com um tema cristão ou destruídos[7] .

Em 1456, Atenas foi tomada pelo Império Otomano e o Partenon foi novamente convertido, desta vez em mesquita. Contrariamente à mitologia subsequente, os otomanos eram geralmente respeitosos com monumentos antigos nos seus territórios, e não destruíram as antiguidades de Atenas. Não realizaram nenhum projeto de proteção e ainda usaram o templo, durante a guerra, como fortificação. Um minarete foi adicionado e sua base e escadas ainda estão lá, e o edifício não foi danificado. Visitantes europeus do século XVII e alguns desenhos da acrópole comprovam que o edifício estava preservado[8] .

Destruição e saque[editar | editar código-fonte]

O Partenon sofreu seu maior dano em 1687, quando os venezianos, liderados por Francesco Morosini, atacaram Atenas e os otomanos usaram a edificação como paiol de pólvora. No dia 26 de setembro, um canhão veneziano, disparando da colina de Filopapus, acertou no paiol e o edifício foi parcialmente destruído. A estrutura interna foi demolida, o telhado caiu e algumas colunas, particularmente do lado sul, foram decapitadas. As esculturas sofreram pesados danos. Muitos pedaços do piso se soltaram, e mais tarde tornaram-se souvenirs[9] .

Fotografia do Partenon em abril de 1941.

Depois disso o edifício foi abandonado e uma pequena mesquita foi construída. Nos anos finais do século XVIII muitos europeus visitavam Atenas e uma ampla iconografia das pitorescas ruínas foi acumulada, ajudando a fomentar a simpatia pela causa da independência da Grécia na França e na Inglaterra. Em 1801, o embaixador britânico em Constantinopla, Lord Elgin, obteve uma permissão do sultão para fazer desenhos e moldes das antiguidades da Acrópole, demolir construções recentes se necessário para ver as antiguidades, e para remover esculturas de lá. Ele tomou isso como autorização para coletar todas as esculturas que achasse. Empregou trabalhadores locais para retirá-las das paredes do edifício, recolheu algumas do chão e comprou algumas peças pequenas da população. Hoje estas esculturas estão no Museu Britânico, conhecidas como os Mármores de Elgin. Outras esculturas estão no Louvre em Paris ou em Copenhaga. Muitas das que restaram em Atenas estão no Museu da Acrópole, construído sob o solo alguns metros a sudoeste do edifício. Uns poucos ainda resistem no Partenon[10] The epithet parthénos (em grego: παρθένος), whose origin is also unclear,[11] [12] .

O governo grego faz campanha pela devolução das esculturas, mas o Museu Britânico nem sequer considera essa possibilidade, embora sucessivos governantes britânicos tenham tentado mudar a legislação que impede a devolução, sem sucesso até ao momento[13] . Quando a Grécia conseguiu sua independência em 1832, a seção visível do minarete otomano e todas as construções medievais foram removidas da Acrópole.

Reconstrução moderna[editar | editar código-fonte]

O Partenon atualmente, na acrópole de Atenas

Em 1975, o governo grego começou uma série de esforços para restaurar o Partenon e outras estruturas da acrópole. O projeto mais tarde atraiu recursos e apoio técnico da Comunidade Europeia.

Uma comissão de arqueólogos documentou exaustivamente todo artefato restante no local e arquitetos com modelos tridimensionais assistidos por computador localizam sua posição original. Em alguns casos a reconstrução foi considerada incorreta. Esculturas importantes e frágeis são transferidas para o museu. Uma grua, projetada para se esconder quando fora de uso, foi instalada para mover blocos de mármore. Reconstruções incorretas foram desfeitas e um cuidadoso processo de restauração começou[14] . O Partenon não será devolvido a um estado pré explosão de 1687, mas os danos serão mitigados o máximo possível, e mármore novo do mesmo local original esta sendo usado para preencher vazios e fazer reparos necessários na estrutura. Ultimamente, as maiores peças já foram repostas na estrutura, suportadas, se necessário por materiais modernos[15] .

Restauração do Partenon

Desde os anos 1960, os grandes inimigos do Partenon tem sido ambientais. Atenas cresceu muito depois da Segunda Guerra Mundial e tem problemas com trafego de veículos e poluição do ar. Corrosão do mármore pela chuva ácida causada pela poluição já causaram danos irreparáveis a algumas esculturas remanescentes e ao próprio templo. Nos últimos anos, o governo grego e o da cidade de Atenas fizeram algum progresso, mas o futuro ainda é incerto. Hoje atrai milhões de turistas todo ano, que caminham pelo pátio no lado oeste através do propileu restaurado, pelo caminho Pantenaico acima até o Partenon, que esta cercado por uma cerca baixa, para prevenir danos.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 447-432 a.C. - Construção do Partenon no governo de Péricles e decoração com esculturas de Fídias
  • 267 - Bárbaros hérulos invadem Atenas e incendeiam a edificação
  • 343-361 - Recuperação do templo, provavelmente sob ordens do imperador romano Juliano, Apóstata
  • Século V - A grande estátua de Atena é levada para Constantinopla e, mais tarde, destruída
  • Século VI - Conversão em igreja Ortodoxa Grega. Monges retiram colunas internas, destroem esculturas consideradas pagãs e criam uma capela na fachada leste
  • 1204 - Os cruzados invadem Atenas e rebatizam o Partenon como "Notre-Dame de Atenas", tornando-o um templo católico
  • 1456 - Atenas é tomada pelo Império Otomano e o templo transforma-se em mesquita islâmica. Um minarete é colocado em sua base
  • 1687 - Os venezianos atacam Atenas. O Partenon é usado pelos turcos como depósito de pólvora e, em 26 de setembro, é atingido por uma bala de canhão que demole sua estrutura interna
  • 1801 - O embaixador britânico em Constantinopla, Lord Elgin, obtém permissão para fazer estudos na Acrópole e leva esculturas do templo para a Inglaterra
  • 1832 - Independência da Grécia - desde então os gregos trabalham na conservação do templo
  • 1835 - Início das escavações arqueológicas e do trabalho de recuperação das ruínas do Partenon
  • 2004 - Finalizados os trabalhos de restauro dos pronaos (salão leste: onde ficava a principal estátua, de Atena, em ouro e marfim, feita por Fídias) e opisthonaos (salão oeste: espaço reservado à guarda do tesouro da Liga de Delos), além da limpeza e conservação do friso da fachada oeste

Decoração escultural[editar | editar código-fonte]

A estátua de Fídias[editar | editar código-fonte]

Partenon ao entardecer pelo lado sul

O Partenon, um templo dórico com elementos arquitetônicos jônicos, abrigou a colossal estátua de Atena Pártenos do escultor Fídias, consagrada entre 439 e 438 a.C. As descrições falam de uma estatua criselefantina (ouro e marfim) de doze metros de altura composta por uma carcaça de madeira revestida por placas de ouro e marfim, material um tanto frágil. Infelizmente não sobreviveu até nossa época[16] .

O templo foi dedicado à deusa da cidade, embora as obras continuassem até o começo da Guerra do Peloponeso.

As métopes dóricas na colunata exterior e o friso jônico na parede exterior superior da cella foram completados em 438 a.C. As noventa e duas métopes foram executadas em baixo-relevo, prática até então usada somente em metais preciosos (templos usavam manter estátuas votivas dos deuses) e seu desenho é atribuído ao escultor Cálamis. As do lado leste descrevem a Gigantomaquia (a luta entre os deuses do Olimpo contra os Gigantes ou Titãs) e as do lado oeste a Amazonomaquia (a mítica batalha dos atenienses contra as amazonas). As métopes do lado sul mostram a Centauromaquia Tessaliana (a batalha entre os lápios, ajudados por Teseu contra os centauros, meio homens, meio cavalos) - com exceção de uma parte perdida. No lado norte, a decoração está muito danificada, mas parecem se referir ao saque de Troia[17] .

Os frisos e frontões[editar | editar código-fonte]

Estilisticamente, as métopes apresentam traços do estilo Severo na anatomia da cabeça das figuras, na limitação do movimento corporal e na presença de veias acentuadas nas figuras dos centauros. Várias permanecem no Partenon, mas com exceção das do lado norte, estão muito danificadas. Algumas estão no museu da Acrópole, grande parte no museu Britânico e outras no Louvre. O mais característico na arquitetura e decoração do templo é a existência de um friso jônico ao longo das paredes exteriores da cella[18] .

Esculpida em baixo-relevo, descreve uma idealizada versão de uma procissão pantenaica do "Portão Dipilônico" em Carameico até a Acrópole. Nesta procissão, realizada cada quatro anos, atenienses e convidados participavam oferecendo sacrifícios e novas roupas (peplos, feitas por jovens nobres atenienses chamadas ergastinas) em honra da deusa Atena. O friso foi feito no próprio local e está datado de 438 a.C..

Friso das Ergastinas, no Louvre, em Paris, França.

Pausânias, o viajante do século II, que visitou a Acrópole e viu o Partenon, descreveu os frontões, o do lado leste representa o nascimento de Atena saída da cabeça de Zeus, enquanto o do oeste apresenta a disputa entre ela e Posídon pela cidade de Atenas. Esses trabalhos datam de 438-432 a.C. A riqueza da decoração do templo é única para um clássico templo grego, mas está de acordo com a sua utilização como tesouraria, no opisthodomus (salão oeste na parte de trás da cella) espaço reservado à guarda do tesouro da Liga de Delos.


Referências

  1. a b Ioanna Venieri. Acropolis of Athens. Hellenic Ministry of Culture. Página visitada em 2007-05-04.
  2. Norman Lockyer. The Dawn of Astronomy. [S.l.]: Cassell, 1894. (1894)
  3. John Julius Norwich, Great Architecture of the World, 2001, p.63
  4. John Julius Norwich, Great Architecture of the World, 2001, p.63
  5. The Dimensions of the Parthenon (em inglês). THE ATHENIAN ACROPOLIS. Página visitada em 13/01/2012.
  6. Gisela Richter, Sculpture and Sculptors of the Greeks, p 220 with ancient references, noted by Gorham P. Stevens, "Concerning the Parthenos" Hesperia 30.1 (January 1961, pp. 1-7) p. 2.
  7. Anthony Kaldellis Associate Professor (Department of Greek and Latin, The Ohio State University), A Heretical (Orthodox) History of the Parthenon, p.3
  8. http://www.saudiaramcoworld.com/issue/200806/i.marble.maiden.htm
  9. Theodor E. Mommsen, The Venetians in Athens and the Destruction of the Parthenon in 1687, American Journal of Archaeology, Vol. 45, No. 4 (October – December 1941), pp. 544–556
  10. "Parthenon". Encyclopaedia Britannica. 
  11. Parthenon, Online Etymology Dictionary
  12. Greek Premier Says New Acropolis Museum to Boost Bid for Parthenon Sculptures, International Herald Tribune
  13. The Parthenon Sculptures: The Position of the British Museum Truistees and Common Misconceptions. The British Museum. Página visitada em 2009-04-18.
  14. "The Surface Conservation Project" (pdf file). Once they had been conserved the West Frieze blocks were moved to the museum, and copies cast in artificial stone were reinstalled in their places.
  15. Hadingham, Evan (2008). Unlocking the Mysteries of the Parthenon. Smithsonian Magazine. Página visitada em 2008-02-22.
  16. Tarbell, F.B. ''A History of Ancient Greek Art''. (online book). Ellopos.net. Página visitada em 2009-04-18.
  17. Barringer, Judith M. Art, myth, and ritual in classical Greece. [S.l.]: Cambridge, 2008. p. 78. ISBN 0521646472
  18. Connelly, Parthenon and Parthenoi, 53–80.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]