Panem et circenses

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Panem et circenses [ludos] é a forma acusativa da expressão latina panis et circenses [ludi], que significa "pão e jogos circenses", mais popularmente citada como pão e circo. Produzida pela cultura antiga greco-romana que se iniciou no final da Republica Romana, mais especificamente em 264 a.C (período que surgiram os Jogos Olímpicos entre as cidades-estado gregas), e que atingiu seu apogeu durante o Império. Sua decadência se deu por volta de V d. C. com a dissolução do Império. Basicamente essa política foi uma força de manobra utilizada pelo Império, para a distração de seu povo, durante os feitos políticos. Era-se muito mais seguro ter a plebe entretida em jogos sangrentos, com uma pequena disponibilidade de trigo durante suas execuções, a deixá-las a mercê do ócio, que era comum durante esse período por um motivo de revolta perante as desigualdades e a miséria que estava inserida na cena social daquela época.

Em uma visão mais tradicional, a expressão serviu para mostrar que os romanos viviam em meio a espetáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, que eram promovidos nos anfiteatros para divertir a população; além disso, pão era distribuído gratuitamente para a população. A produção historiográfica mais recente tem relativizado esta visão tradicional[1] .

O custo desta política foi enorme, causando elevação de impostos e sufocando a economia do Império[2] .

A frase teria sua origem nas Sátiras de Juvenal, mais precisamente na décima (Sátira X, 77–81):

Essa cultura se deu por um tratado de paz feito entre Pisa, Esparta e Elis, chamado Ekeheiria. Tal tratado tinha como intuito, pelo menos durante a execução dos jogos, a predominância de uma trégua de paz entre as cidades-estado na Grécia Antiga. Era necessário o uso de tal artifício para a promoção da paz, por conta de uma grande disputa territorial. Eles viram que dessa forma não estavam só preparando seus guerreiros para a militarização como também sessando os desacordos do povo.

Após a ascensão do Império, a política de pão e circo tomou uma proporção grandiosa e muitas interpretações foram realizadas sobre qual seria o verdadeiro intuito das batalhas e de quem estava ali presente. Não era apenas utilizada para a distração de sua plebe, mas também havia um tipo de comércio, já que os primeiros postos em batalhas advinham de estrangeiros, endividados e pessoas desonrosas. Mais tarde, com o aumento da popularização dos jogos criou-se uma rede de compra e venda de pessoas a serem condenadas a morte nas batalhas e dos encarregados a organização dos espetáculos. Com a expansão do império muitos gladiadores se encontravam em situações deploráveis de vida e para fugirem da miséria vendiam a sua liberdade para os Lanistaes, em busca de comida e uma vida digna.

A violência como prática de entretenimento é comum neste período, visto que o povo se entretinha com a deglabração sanguinária em estádios projetados para a grande plebe, com capacidade de aproximadamente 50 mil pessoas em grandes arenas, como o Coliseu. Ainda hoje o Império Romano é visto por muitas pessoas com um certo preconceito por este motivo, e, inclusive, usa-se o argumento de que o povo era violento e sanguinário. Entretanto, é imprescindível que seja feita a análise da grande corruptibilidade do Império Romano, visto que este intervia até na forma de entretenimento da grande massa para garantir a manutenção da ordem aristocrática, obtendo o controle político sobre ela garantindo a diversão pública através desses eventos.

… iam pridem, ex quo suffragia nulli uendimus, effudit curas; nam qui dabat olim imperium, fasces, legiones, omnia, nunc se continet atque duas tantum res anxius optat, panem et circenses.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. FAVERSANI, Fábio. "Panem et Circenses. Breve análise de uma perspectiva de incompreensão da pobreza no Mundo Romano". VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, nº 22, lan/00, p.81-87. https://www.academia.edu/2014861/Panem_et_Circenses
  2. History of Western Europe, escrito em 1902 por James Harvey Robinson, site do Projeto Gutenberg

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Potter, D. e D. Mattingly. Life, Death, and Entertainment in the Roman Empire. Ann Arbor, 1999.
  • GARRAFFONI, Renata Sena. Panem et circenses: o século XIX e a construção de um conceito. In:_____. Gladiadores na Roma Antiga: dos combates às paixões cotidianas. São Paulo: Annablume/FAPESP, 2005, p. 59-80.
  • SOUZA, B. C. História da educação física. Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo, 1975.
  • GODOY, L. Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga. São Paulo, Editora Nova Alexandria, 1996.
  • LANCELOTTI, S. Olimpíada 100 anos – História completa dos Jogos. São Paulo, Nova Cultural, 1996. 
  • RAMOS, J. J. Os exercícios físicos na história e na arte. São Paulo, IBRASA, 1982
  • GRIFI, G. História da Educação Física e do Esporte. Porto Alegre, D. C. Luzzatto Editores, 1989
  • GARRAFFONI, op.cit.; GOLVIN, J. C. L’Amphiteatre Romain. Paris: Centre P. Paris, 1988.VILLE, G. La guerre et le Munus. In: BRISSON, J.-P. (ed.). Problèmes de la guerre à Rome. Paris, 1969.
  • http://www.scielo.br/pdf/his/v26n1/a09v26n1.pdf
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