Amoritas

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Fuzileiros navais norte-americanos em frente da reconstrução das ruínas da Babilônia (2003)

A Mesopotâmia, após a destruição da civilização dos sumérios-acadianos, ficou dividida em vários Estados por mais de dois séculos. Os amoritas,[carece de fontes?] amorritas ou amorreus,[1] (também chamados de antigos babilônios), povos semitas vindos do deserto sírio-árabe, haviam se estabelecido na cidade da Babilônia, que, com o tempo, converteu-se em importante centro comercial, devido a sua localização privilegiada.

História[editar | editar código-fonte]

A antiga Babilônia está situada a aproximadamente 75 quilômetros da moderna Bagdá. Um império foi estabelecido em 1 894 a.C. por Amoreu Sumuabum (criador da I dinastia amorrita) e expandido por seus sucessores. As disputas entre a Babilônia e as demais cidades-estados mesopotâmicas, além de outras invasões, resultaram numa luta ininterrupta até o início do século XVIII a.C., quando Hamurabi, sexto rei da dinastia, realizou a completa unificação, fundando o Primeiro Império Babilônico. Com o tempo, entretanto, acabou perdendo seu reinado.

O novo rei deu início a uma bem-sucedida política expansionista. O Reino da Babilônia estendeu suas fronteiras do Golfo Pérsico para além das fronteiras da moderna Turquia, e dos montes Zagros, no leste, ao rio Cabur, na Síria. A partir dessas conquistas, a preocupação de Hamurabi não foi mais a expansão territorial e sim a preservação das terras conquistadas, que tanto eram atacadas por povos vizinhos como também se revoltavam contra o domínio da Babilônia.

A formação do império Babilônico assinalou o fim político da civilização suméria, mas não cultural. Com exceção do idioma, eles adotaram o sistema educacional, a escrita, a arte, a literatura e boa parte da religião dos vencidos.

Foi durante o governo de Hamurábi que ocorreu o maior desenvolvimento da agricultura de regadio, realizada mediante o emprego e construção de grandes canais de irrigação controlados pelo Estado. A construção desses canais exigia multidões de trabalhadores e grande quantidade de materiais, que deveriam ficar sob controle e fiscalização de um governo centralizado. Isso contribuiu para o surgimento de uma monarquia cada vez mais poderosa e autoritária, de caráter teocrático, isto é, com o poder político ligado ao religioso.

Já nessa fase, a economia e a sociedade começaram a sofrer mudanças em relação ao milênio anterior. A organização econômica baseada nos templos e palácios sempre foi fundamental. Os palácios e templos possuíam vastas extensões de terra, praticavam o comércio e dispunham de oficinas artesanais bem aparelhadas. Os templos entregavam suas terras à exploração de arrendatários, recebendo por isso uma parte da produção. Também os artesãos trabalhavam ligados aos templos, pois não existem provas de corporações de artesãos independentes. Não havia mercado e todo o comércio era feito nas dependências dos templos e palácios. Os sacerdotes e os funcionários estatais submetiam as comunidades locais ao pagamento de tributos, à prestação de trabalhos forçados para a construção de obras públicas, canais de irrigação e ao serviço militar obrigatório.

No período de Hamurábi, houve um certo desenvolvimento da propriedade privada e do comércio. Propriedades agrícolas foram doadas a funcionários públicos, sacerdotes e até mesmo a determinados arrendatários. Entretanto, todas essas atividades privadas sempre permaneceram sob controle estatal. Os mercadores, por exemplo, formavam uma corporação subordinada ao Estado, e o comerciante era uma mistura de funcionário publico e mercador privado: comprava a mando do rei e colaborava na cobrança de taxas.

Parte superior da estela do Código de Hamurábi.

Rapidamente, a capital babilônica transformou-se num dos principais centros urbanos da Antiguidade, sediando um grandioso império e convertendo-se no eixo cultural do Crescente Fértil. A principal realização cultural desse período foi o Código de Hamurábi, baseado no direito sumério e nas tradições semitas, que tinha por finalidade consolidar o poder do Estado e adequá-lo ao desenvolvimento de uma economia mercantil. Hamurábi estabeleceu uma sólida intervenção do Estado na economia pois havia regras de trabalho, normas comerciais e até valores para a compra e venda de animais e aluguéis de terras, entre outras. A vida social, econômica e política ficou complemente regulada pela legislação de Hamurábi.

Hamurábi também empreendeu uma ampla reforma religiosa, procurando estabelecer a unificação, criando uma religião de Estado ao transformar o deus Marduque (Marduk), da Babilônia, no principal deus da Mesopotâmia, mesmo mantendo as antigas divindades. A Marduque foi levantado um templo junto ao qual foi erguido o zigurate de Babel, citado no livro de Gênesis (Bíblia) como uma torre para se chegar ao céu.

Fim do império[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Hamurábi, o Império entrou em decadência devido às diversas conspirações contra seus sucessores, revoltas das cidades dominadas e dos camponeses empobrecidos pelos altos impostos cobrados, sobrecarga de trabalhos obrigatórios, refúgio dos últimos sumérios, e emancipação de Assíria.

Os cassitas, povo asiânico do Zagros, a leste do rio Tigre, com uma classe dirigente formada por indo-europeus e uma organização tribal, vão penetrando pacificamente na planície como trabalhadores e mercenários. Aproveitando da franqueza causada pelas revoltas internas já mencionadas, os hititas, chefiados por Mursil I (c. 1 530 a.C.) devastaram a Babilônia. Após a retirada dos invasores, a Babilônia passou a ser governada por reis da região do sul. Os cassitas, enfim, invadiram a Baixa Mesopotâmia e ai permaneceram, aproximadamente, por 400 anos, até serem suplantados pelos assírios, introduzindo o uso do cavalo e do carro de guerra.

Árvore genealógica baseada em Gênesis[editar | editar código-fonte]

Noé
Sem
Cam
Jafé
Cuxe
Mizraim
Pute
Canaã
Sidom
Hete
jebuseus
amoritas
girgaseus
heveus
arqueus
sineus
arvadeus
zemareus
hamateus

Referências

  1. Leonel Oliveira, ed. (1997). «Amorreus». Nova Enciclopédia Larousse. 2. Lisboa: Círculo de Leitores. 401 páginas. ISBN 972-42-1476-1 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barker, Burdick, Stek, Wessel, Youngblood (Eds.). (1995). The New International Version Study Bible. (10th Ann ed). Grand Rapids, MI: Zondervan.
  • Bright, John. (2000). A History of Israel. (4th ed.). Louisville, KY: Westminster John Knox Press.
  • DeVaux, Roland. (1997). Ancient Israel. (John McHugh, Trans.) Grand Rapids, MI: Eerdmans.
  • Freedman, David Noel (Ed.). (2000). Eerdmans Dictionary of the Bible. (pp. 597) Grand Rapids, MI: Eerdmans.
  • Wood, Millard, Packer, Wiseman, Marshall (Eds.). (1996). New Bible Dictionary (3rd ed.) (pp. 477). Downers Grove, IL: Intervarsity Press.