Astíages

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Astíages da Média
Rei da Média
Reinado 585 - 550 a.C
Consorte Arienis da Lídia
Antecessor(a) Ciaxares
Sucessor(a) Ciro, o Grande
Dinastia Meda
Nascimento 610 a.C
  Ecbátana
Morte 540 a.C
Ocupação Soberano
Filho(s) Mandane, Amitis
Pai Ciaxares
Mãe Arienis
Religião Religião iraniana antiga

Astíages (escrito por Heródoto como Ἀστυάγης Astyages; por Ctésias como Astyigas; por Diodoro Sículo como Aspadas; em acádio: Ištumegu) foi o último rei do Império Medo, o filho de Ciaxares; foi destronado em 550 a.C. por Ciro II. Seu nome deriva da Língua persa antiga Rishti Vaiga.[1] No Cilindro de Nabonido, seu nome está escrito como Istuvegu (Ishtuvegu).[2]

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

A maior parte da informação sobre Astíages (existe escrita em acádio Ištum egu) é proporcionada pelo historiador grego Heródoto de Halicarnasso, que viveu no século V a.C., 100 anos depois do reinado de Astíages.[carece de fontes?]

Outra fonte é Ctésias de Cnido, que viveu no tempo de Ciro, filho de Dario II Noto e Parisátide, e do irmão de Ciro, Artaxerxes II.[3]

Família[editar | editar código-fonte]

Ele era filho de Ciaxares,[4] filho de Fraortes, filho de Deioces.[5]

Em 614 a.C.,[6] antes da queda de Assur, uma aliança militar entre os medos e os babilônios foi feita com outro matrimónio real, tendo o príncipe da coroa babilónica Nabucodonosor II se casado com Amitis (Amuhean), uma filha de Astíages.[7][8] De acordo com Heródoto, quem derrotou a Assíria foi Ciaxares, o pai de Astíages.[9]

Em 585 a.C,[6] Astíages se casou com Arienis, filha de Alíates, rei da Lídia, como parte do acordo de paz após uma guerra, que havia durado seis anos, entre Ciaxares e Alíates; esta guerra terminou por causa de um eclipse solar que ocorreu durante uma batalha, e que havia sido previsto por Tales de Mileto.[10][Nota 1] Deste modo, Astíages se tornou cunhado do futuro rei Creso.[5] De acordo com James Ussher, desta união nasceu, em 584 a.C, Dario, o Medo, mencionado no Livro de Daniel, e identificado por Ussher com Ciaxares, filho de Astíages.[6]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Astíages sucedeu seu pai em 585 a.C, logo após a Batalha do Hális, que encerrou um conflito de cinco anos entre medos e lídios.[6]Seu pai, Ciaxares, havia reinado por quarenta anos,[11] incluindo-se nestes os vinte e oito anos em que os citas dominaram a Ásia.[12]

Astíages herdou um grande império, governando em aliança com seus dois cunhados, Creso da Lídia e Nabucodonosor II, da Babilônia.

Ele tinha uma filha, Mandane. Segundo Heródoto, Astíages teve um sonho em que sua filha estava de pé, e de repente uma videira começou a crescer de suas costas, lançado gavinhas que envolviam toda a Ásia. Ele chamou os magos e sacerdotes para interpretarem o sonho, e eles interpretam dizendo que a videira era seu neto, filho de Mandane, e que ele tomaria o seu lugar no trono e dominaria toda Ásia.[11] Em 577 a.C,[6] quando Mandane chegou em idade de se casar, Astíages, não querendo casá-la com nenhum medo, a entregou a Cambises I,[11] filho de Ciro I,[13] um persa, que tinha bons ancestrais e era tranquilo, e que tinha uma posição inferior aos medos. Sendo assim, ele não acreditava que ele poderia ser uma ameaça ao seu reino.[11] No primeiro ano de casamento, Astíages teve outro sonho alertando-o dos perigos de filho de Mandane, e mandou trazer sua filha à Ecbátana, com intensão de assassinar o seu filho logo que nascesse.[14] Foi ordenado que Hárpago matasse o jovem Ciro nas montanhas, mas ele, temendo manchar seu nome com este infanticídio e não querendo derramar sangue real, ele abandona a criança em um bosque, onde é salva e criada por um pastor de ovelhas, chamado Mitrídates, cuja esposa acabara de dar à luz um filho natimorto. A criança não foi morta, e, em seu lugar, foi apresentado o bebê natimorto com vestes de príncipe.[15] Quando o menino tinha dez anos,[16] foi levado a Astíages, que reconheceu traços familiares nele, e, sob ameaça de tortura, seu pai adotivo revelou a verdade.[17]

Harpago, a quem havia sido dada a missão de matar o menino, não sofreu de imediato nenhum castigo,[18] porém mais tarde Astíages assassinou o filho de treze anos de Harpago e o serviu em banquete ao pai, mostrando no final que ele tinha comido o próprio filho.[19] Seu neto, o futuro rei Ciro, foi levado ao julgamento pelos Magos, que interpretaram uma brincadeira das crianças que o haviam eleito rei como o cumprimento da profecia, e que ele não poderia ser rei por duas vezes.[20] Ciro foi enviado de volta para seus pais.[21]

De acordo com o patriarca bizantino Fócio, Ctésias de Cnido não considerava que Ciro fosse parente de Astíages.[3] Segundo Ctésias, Astíages teve outra filha, chamada Amitis, que se casou com Espitamas, a quem Astíages nomeou herdeiro.

De acordo com Ussher, Astíages, chamado, na Bíblia, de Assuero, morreu em 560 a.C. e foi sucedido por seu filho Ciaxares, tio materno de Ciro, o Grande, chamado, na Bíblia, de Dario, o Medo.[6]

Queda[editar | editar código-fonte]

Harpago conspirou com os medos, e fez amizade com Ciro, pretendendo que Ciro derrubasse Astíages.[22] Ciro sublevou os persas,[23] e o exército que Astíages enviou contra Ciro, comandado por Harpago, desertou, em parte, para o lado de Ciro.[24] Astíages empalou os magos que o haviam convencido a deixar Ciro viver, e tentou resistir, mas foi capturado.[25]

De acordo com Ctésias de Cnido, em texto preservado em epítome pelo patriarca bizantino Fócio, Astíages fugiu para Ecbátana, e se escondeu no vãos do palácio real, protegido por sua filha [Nota 2] Amitis e seu genro Espitamas. Ciro, ao tomar o trono, ordenou que Amitis, Espistamenes e seus dois filhos, Espitaces e Megabernes, fossem torturados para confessar onde estava Astíages, mas este, para preservar seus netos, se entregou, e foi levado em cadeias por Oebares para Ciro.[26]

Harpago, vendo Astíages prisioneiro, veio insultá-lo, perguntando o que ele achava de ter se tornado um escravo, e se gabou de ter sido quem havia orquestrado a tomada de poder por Ciro, mas Astíages replicou, dizendo que Harpago era ao mesmo tempo o mais injusto e o mais desastrado de todos os homens; desastrado porque, tendo o poder para se tornar rei, havia entregue o poder a outro, e injusto porque por causa de uma refeição ele havia reduzido os medos à escravidão.[27]

Astíages havia reinado por trinta e cinco anos, e o tempo total de duração do reino do Medos foi de cento e vinte e oito anos, incluindo o período em que os citas dominaram a Ásia.[28]

Reinado de Ciro[editar | editar código-fonte]

Astíages foi bem tratado por Ciro, e viveu com Ciro até sua morte.[28] De acordo com Ctésias, Ciro libertou Astíages e o honrou como seu pai, também honrou Amitis como sua mãe, mas depois se casou com ela, mas executou Espistamenes, porque este havia declarado falsamente que não sabia onde estava Astíages.[26]

Ciro guerreou contra a Báctria sem obter uma vitória decisiva até que eles souberam que Ciro havia sido adotado por Astíages como filho e por Amitis como mãe e esposa, quando eles se submeteram voluntariamente a Amitis e Ciro.[29]

Em seguida, Ciro lutou contra os Sacae, e capturou seu rei, Amorges, mas eles contra-atacaram e capturaram Parmises, irmão de Amitis, e seus três filhos, que foram trocados por Amorges.[30]

Durante o período de cativeiro de Astíages, Creso, rei da Lídia, decidiu entrar em guerra contra Ciro, para vingar seu cunhado.[5] Ciro marchou contra Creso com a ajuda de Amorges.[31] De acordo com Ussher, Creso foi derrotado por Ciro em 548 a.C., depois da morte de Astíages.[6]

Morte[editar | editar código-fonte]

De acordo com Ctésias, Ciro enviou o eunuco Petisacas, que tinha grande influência sobre ele, para trazer Astíages, pois ele e Amitis estavam com saudades; Ébaras, porém, aconselhou Petisacas a deixar Astíages em um local isolado, para que ele morresse de fome e sede. O crime foi revelado em um sonho; Petisacas foi punido, tendo seus olhos e pele arrancados e sendo crucificado, mas Oebaras, temendo um castigo semelhante, se suicidou ao fazer jejum por dez dias. O corpo de Astíages havia sido preservado, sendo guardado por alguns leões.[32]

Notas e referências

Notas

  1. Como eclipses solares são eventos raros, a data desta batalha pode ser determinada com relativa precisão, as duas datas sendo o dia 28 de maio de 585 a.C. ou o dia 30 de setembro de 610 a.C.
  2. Amitis, possivelmente, era neta de Astíages.

Referências

  1. «ASTYAGES – Encyclopaedia Iranica». www.iranicaonline.org 
  2. Meyer 1911.
  3. a b Fócio, Biblioteca de Fócio, sobre Ctésias de Cnido, Pérsica [em linha]
  4. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 46 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. a b c Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 73 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  6. a b c d e f g Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome ussher
  7. Alexandre, o Polímata, citado por Eusébio de Cesareia, 9. Do mesmo Alexandre, o Polímata, sobre os feitos de Senaqueribe e Nabucodonosor [em linha][em linha]
  8. Abideno, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, 11. Abideno sobre Senaqueribe [em linha][em linha]
  9. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 103 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  10. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 74 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  11. a b c d Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 107 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  12. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 106 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  13. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 111 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  14. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 108 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  15. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 112 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  16. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 114 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  17. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 117 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  18. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 118 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  19. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 119 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  20. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 120 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  21. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 122 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  22. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 123 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  23. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 126 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  24. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 127 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  25. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 128 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  26. a b Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 1 [em linha]
  27. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 129 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  28. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 130 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  29. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 2
  30. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 3
  31. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 4
  32. Ctésias de Cnido, Pérsica, texto em epítome por Fócio, Biblioteca de Fócio, 6
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