Porfírio

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Porfírio retratado no Liber de herbis (s. XIV), de Monfredo de Monte Imperiali
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Porfírio (Tiro, ca. 233Roma, ca. 3091 ) foi um filósofo neoplatônico e um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados do mestre na obra As Enéadas, composta por seis livros. Escreveu ainda uma biografia de Plotino (A Vida de Plotino) e comentários à obras de Platão e Aristóteles. Seu livro Introductio in Praedicamenta foi traduzida para o latim por Boécio e transformou-se num texto padrão nas escolas e universidades medievais, possibilitando desenvolvimentos na filosofia, teologia e lógica durante a Idade Média.

Vida[editar | editar código-fonte]

Não se sabe exatamente onde Porfírio nasceu. Tradicionalmente, considera-se sua cidade natal como sendo Tiro (no atual Líbano), embora alguns acreditem ser Banataea (na atual Síria). Nascido como Malchus ("rei"), teve seu nome helenizado por seu professor de gramática e retórica em Atenas, Cassius Longinus (o novo nome significa "púrpura imperial", uma alusão a "rei").

Em 262, foi a Roma, atraído pela reputação de Plotino, e durante seis anos devotou-se ao estudo do neoplatonismo.

Conta Eunápio que Porfírio, após haver estudado com Plotino, tomou horror ao próprio corpo e velejou para a Sicília, seguindo a rota de Odisseu, e ficou em um promontório da ilha, sem se alimentar e evitando o caminho do homem; Plotino, que ou o estava seguindo ou recebeu informações sobre o jovem discípulo, foi até ele e o convenceu com suas palavras, de modo que Porfírio voltou a reforçar seu corpo para sustentar sua alma.2

De volta à capital italiana, passou a lecionar e a organizar os trabalhos de Plotino (na época, já falecido), de modo a torná-los compreensíveis ao público.

Seu maior pupilo foi Jâmblico, com o qual diferiu acerca da teurgia. Em seus anos finais, Porfírio casou-se com Marcella, uma viúva de sete filhos e estudante entusiasta de filosofia. Nada mais é sabido de sua vida e a data de sua morte é incerta.

Contribuição[editar | editar código-fonte]

Em sua obra Introductio in Praedicamenta (também conhecida como Isagoge, nome da tradução latina feita por Boécio), um comentário da obra Categorias, de Aristóteles, Porfírio descreve como as qualidades atribuídas às coisas podem ser classificadas, quebrando o conceito filosófico da substância como um genus/espécie do relacionamento. Com isso, Porfírio pôde incorporar a lógica aristotélica ao neoplatonismo, especialmente a doutrina das categorias do ser interpretada nos termos das entidades. Nesse mesmo livro, encontra-se a famosa "Árvore de Porfírio" (Arbol porphyriana), que ilustra sua classificação lógica da substância. Para Porfírio, os conceitos se subordinam, partindo dos mais gerais até chegar aos menos extensos. A Arbol porphyriana deu início ao nominalismo, que animou a filosofia medieval por dez séculos e é uma espécie de antecessora das modernas classificações taxonômicas. Grosso modo, ela pode ser assim esquematizada:

  • Substância - Pode ser corporal ou incorporal
    • Corpo - Pode ser animado ou inanimado
      • Vivente - Pode ser sensível ou insensível
        • Animal - Pode ser racional ou irracional

Juntamente com Pitágoras, ele também foi defensor do vegetarianismo. Estes dois filósofos, ao lado de Apolônio de Tiana, são os vegetarianos mais famosos da Antigüidade Clássica. Sobre esse tema, escreveu De abstinentia ab esum animalum (Da Abstinência do Alimento Animal) e De non necandis ad epulandum animantibus (aproximadamente, Da Inadequação da Matança de Seres Vivos para Alimentação), sendo o primeiro livro citado até hoje como referência obrigatória para a literatura vegetariana.

Porfírio escreveu ainda sobre astrologia, religião e teoria musical. Além da biografia de Plotino, foi o autor de uma biografia de Pitágoras (Vita Pythagorae), que não deve ser confundida com o livro homônimo de Jâmblico.

Contra os Cristãos[editar | editar código-fonte]

Assim como muitos filósofos do Império Romano, Porfírio foi violento opositor do Cristianismo e defensor do Paganismo. Porfírio reconheceu Jesus Cristo apenas como um notável filósofo, mas chegou a escrever uma obra de nome Contra os Cristãos, dividida em 15 livros, dos quais só restam fragmentos.

No décimo segundo livro de Contra os Cristãos, Porfírio critiou o Livro de Daniel, afirmando que este havia sido escrito por um judeu da Judeia durante o reinado de Antíoco Epífanes, sendo as partes que contam o passado anterior a Antíoco história (e não profecia) e mas o que se segue depois sendo ficção.3 Diversos tratados foram escritos contra esta obra, destacando-se os de Eusébio de Cesareia, Sidônio Apolinário, Metódio de Olímpo 3 e Macarius Magnes, mas nenhum deles sobreviveu integralmente.

Porfírio seguiu as obras históricas de Suctonius Callinicus, Diodoro, Jerônimo, Políbio, Posidônio, Claudius Theon e Andronicus Alipius.3 Segundo Porfírio, as duas últimas bestas, identificadas por Jerônimo de Estridão como a Macedônia e Roma, são identificadas por Porfírio como o império macedônico, sendo o leopardo Alexandre e a besta diferente de todas como os quatro sucessores de Alexandre.3 Em seguida, Porfírio lista os dez reis sucessores de Alexandre, mas compondo a lista a partir de reis de vários reinos, como Macedônia, Egito e Síria.3 A boca que fala profanidades é Antíoco Epifanes, e não o Anticristo, o pequeno chifre é igualmente Antíoco Epifanes, e os três chifres que surgiram dos dez chifres teriam sido Ptolemeu VI Filometor, Ptolemeu Evérgeta e Artaxias I.3 Os dois primeiros morreram antes de Antíoco, mas Artaxias lutou contra Antíoco, mantendo, porém o seu reino.3 Porfírio também errou ao dizer que Dario, que foi derrotado por Alexandre, era o quarto rei, pois era o décimo-quarto rei após Ciro, o Grande.3

Porfírio interpretou a profecia da ressurreição dos mortos como sendo o reaparecimento de Matatias e Judas Macabeu: eles haviam se escondido, com vários outros judeus, em cavernas e em buracos nas rochas, e emergiram depois da vitória dos judeus, sendo isto identificado metaforicamente como a ressurreição dos mortos.3

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Eisagōgḗ (Isagoge: Introdução)
  • Peri Plōtínou bíou kai tēs táxeōs tōn biblíōn autoú (Vita Plotini: A Vida de Plotino)
  • Pythagórou bíos (Vita Pythagorae: A Vida de Pitágoras)
  • Peri apochḗs empsýchōn (De abstinentia ab esum animalum: Da Abstinência do Alimento Animal)
  • Peri tou en Odysseía tōn Nymphōn ántrou (De antro nympharum: Da Caverna das Ninfas)
  • Pros Markéllan (Ad Marcellam: Letra a Marcella)
  • In Platonis Timaeum commentaria (Comentários do Timeu, de Platão)
  • Περι Αγαλματων (Das estátuas)
  • Adversus christianas (fragmentos) (Contra os Cristãos)
  • Philósophos historía (Historia philosophiae) (fragmentos)
  • Introductio in praedicamenta (Introdução às Categorias)
  • Eis tas Aristotélous katēgorías kata peúsin kai apókrisin' (In Aristotelis categorias expositio per interrogationem et responsionem: Exposição das Categorias, de Aristóteles, por pergunta e resposta)
  • De philosophia ex oraculis (Da Filosofia dos Oráculos)
  • Epistula ad Anebonem (Carta a Anebo)
  • De non necandis ad epulandum animantibus
  • Introductio in tetrabiblum Ptolemaei
  • In Platonis Parmenidem commentaria (fragmentos)
  • Aphormaí pros ta noētá (Sententiae ad intelligibilia ducentes: Sentenças que nos conduzem aos Inteligíveis)
  • Chronica (fragmentos)
  • Eis ta harmoniká Ptolemaíou hypómnēma (Comentários sobre as harmônicas de Cláudio Ptolomeu)
  • Homēriká zētḗmata (Questiones Homericae: As Questões homéricas)

Traduções para o português[editar | editar código-fonte]

Isagoge: introdução às Categorias de Aristóteles. Lisboa: Guimarães Editores, 1994 (ISBN 972-665-385-1). Tradução, prefácio e notas de Pinharanda Gomes.

___________. São Paulo: Attar Editorial, 2002 (ISBN 85-85115-15-7). Tradução, introdução e comentários de Bento Silva Santos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Károly Simonyi. A Cultural History of Physics. CRC Press; 2012. ISBN 978-1-56881-329-5. p. 612.
  2. Eunápio, Vidas de filósofos e sofistas, Porfírio [em linha]
  3. a b c d e f g h i Porfírio, Contra os Cristãos, Livro XII, citado por Jerônimo de Estridão [em linha]
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