Ático (filósofo)

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Ático (140 — 185 EC) foi um filósofo e líder do platonismo em Atenas durante o final do segundo século e pode ter sido o primeiro a ocupar a cadeira da filosofia platônica criada em 176 por Marco Aurélio.[1][2]

Obras[editar | editar código-fonte]

Suas únicas obras se referem a alguns escritos anti-peripatéticos preservados através de Eusébio,[3] embora Proclo recorda um criticismo à um comentário de Ático sobre o Timeu, do qual a filosofia de Ático pode ser suposta. Há ainda vários outros fragmentos identificados como sendo de sua autoria.[2]

Por seu trabalho restante estar escrito através de Eusébio, o conhecimento atual sobre a filosofia de Ático é bastante tendenciosa, nesses textos citados, a preocupação maior é negar qualquer Aristotelismo no platonismo,[4] resultando em uma mudança em direção ao estoicismo não presente nesse mesmo volume na obra de seus antecessores.

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Ático basicamente se limita á ideia platônica de um Deus transcendente e iguala o demiurgo de Timeu a Deus. Ele também eleva esse Deus acima das Ideias, Proclo nota no raciocínio de Ático que se o demiurgo é coberto pelo domínio das Ideias, ele não pode ser perfeito, desde que os seres parciais são imperfeitos. Assim, se o Demiurgo não é coberto, então o domínio das ideias não é absoluto; Ático então conclui que o Deus Supremo deve pertencer a além desse domínio.[2]

A interpretação das obras de Platão por Ático repudia não só o aristotelismo mas também afeta certos aspectos do conceito estoicos de natureza e de certos platonistas como futuramente Numênio de Apameia de que as ações más são produto do destino e que existem juntamente com a Providência como uma co-causa independente dos eventos do mundo. Ático também só aceita parcialmente a exegese de Plutarco, assim como ele, Ático faz a causa do caos pré-cósmico uma alma primal, mas diferentemente, ele não identifica esta alma primal com uma natureza pré-cósmica.[4]

Referências

  1. "Marco Aurélio criou cadeiras das fisolofias estóica, platônica, epicurista e aristotélica, em Atenas, em 176.", What is Ancient Philosophy?. Harvard University Press; 2004. ISBN 978-0-674-01373-5. p. 147.
  2. a b c Emily J. Hunt. Christianity in the Second Century: The Case of Tatian. Routledge; 2004. ISBN 978-0-203-32912-2. p. 79 – 80.
  3. Eusébio de Cesareia, Praeparatio Evangelica, livro 15, 4-9.
  4. a b John Phillips. Order from Disorder: Proclus' Doctrine of Evil and Its Roots in Ancient Platonism. BRILL; 2007. ISBN 90-04-16018-3. p. 181.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • George E. Karamanolis, Plato and Aristotle in Agreement? Platonists on Aristotle From Antiochus to Porphyry, Oxford University Press, 2006, ISBN 0-19-926456-2.