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Quinto Cúrcio Rufo

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 Nota: Este artigo é sobre o historiador. Para o cônsul em 43, veja Quinto Cúrcio Rufo (cônsul em 43).
Quinto Cúrcio Rufo
Pseudônimo(s)Quinto Cúrcio Rufo
Nascimentoséculo I
Desconhecido
Morteséculo I
África Proconsular
CidadaniaRoma Antiga
Ocupaçãohistoriador, escritor, político
Obras destacadasHistories of Alexander the Great
Curcio Rufo.
A História de Alexandre.

Quinto Cúrcio Rufo (em latim, Quintus Curtius Rufus) foi um historiador romano, que viveu, provavelmente, na época do imperador Cláudio (41 – 54 d.C.), ou entre os reinados de Nero (54 – 68 d.C.) e Vespasiano (69 – 79 d.C.). É possível que ele seja o mesmo Quinto Cúrcio Rufo que foi cônsul sufecto em 43 d.C. e procônsul da África.

Sua única obra conhecida denomina-se Historiae Alexandri Magni Macedonis (As Histórias de Alexandre Magno da Macedônia), uma narrativa sobre a vida, a carreira e as façanhas do general macedônio Alexandre, o Grande. A obra divide-se em dez livros (ou capítulos), dos quais perderam-se os dois primeiros e nos quais constam significativas lacunas.

Hipóteses para a identidade e datação do autor

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As primeiras notícias sobre Historiae Alexandri Magni Macedonis datam de meados dos séculos IX a XI, momento no qual o manuscrito latino passa a circular entre os círculos acadêmicos e intelectuais da Idade Média, onde seria copiado e, posteriormente, traduzido para as línguas românicas. Foram feitos mais de 120 códices da obra, os quais derivam de um incompleto manuscrito datado do século IX[1]. Considerando-se que o original latino é hoje desconhecido, estudiosos dedicados à figura e obra de Cúrcio apontam a possibilidade de que a divisão da obra em dez livros seja oriunda deste período inicial de circulação.

A criação dos códices em muito contribuiu à crescente popularidade de Cúrcio. Entre 1184 e 1187, Gualtério de Châtillon (Gautier de Chatillon) compôs uma epopeia latina (intitulada Alexandreis) que transpunha o enredo das Historiae Alexandri aos modos da Eneida de Virgílio e, em 1230, Rudolf von Ems apresentou, em forma de poema, um retrato histórico de Alexandre, assumindo Cúrcio como seu hipotexto. No século XIV, as Historiae Alexandri foram referenciadas por diversos humanistas italianos, dentre os quais Benzo de Alexandria e Guilherme de Pastrengo (Guglielmo da Pastrengo), um advogado veronês que elogia Cúrcio com frequência.

Menções a Quintus Curtius Rufus na literatura latina

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Não há menções documentadas às Historiae Alexandri Magni Macedonis na Antiguidade latina anterior ao século IX, mas é possível rastrear quatro alusões ao nome Curtius – com ou sem o prenome Quintus e o cognome Rufus – na literatura romana. Os dois primeiros Curtii dos quais se têm notícia são mencionados por Cícero (Ad. Quint. frat., 3.2), que presta a "Q. Curtius" o elogio de bonus et eruditus adulescens, e por Macróbio (Sat. 2.4., aned. 22), que conta uma anedota sobre como "Curtius", um eques romano, ao ter sido servido um turdídeo pequeno demais durante o jantar, pergunta a Augusto se poderia libertá-lo. Recebida a confirmação do imperador, Curtius atira o pássaro pela janela.

As duas outras referências literárias ao nome Curtius tendem a ser concebidas pelos críticos como hipóteses mais prováveis para a identificação do autor das Historiae Alexandri. A primeira destas é feita por Tácito (Ann., 11.20-21) e por Plínio, o Jovem (Ep., 7.27), autores que brevemente narram sobre a carreira de um "Curtius Rufus" – inicialmente, um homem de origens humildes que se candidatou (durante o império de Tibério) ao cargo de pretor; posteriormente, durante o império de Cláudio (45 d.C.), tornou-se procônsul da África, onde morreu, provavelmente na época de Nero.

A narrativa começa na primavera de 333 a. C., transcorrido já um ano da campanha militar. Alexandre se encontra na Ásia Menor, onde toma a cidade de Celenas e entra em Górdio, lugar do famoso nó górdio.

Nos primeiros livros conservados dessa obra narram-se os fatos relativos às campanhas de Alexandre, o Grande contra o rei persa Dario III, enquanto que os outros contêm a viagem do rei macedônio e de suas tropas até os confins da Índia, a revolta do seu exército exigindo a volta para casa, a morte de Alexandre na Babilônia e as disputas entre seus generais pela partilha dos territórios anexados do império, logo após a morte de Alexandre.

Os 10 livros se dividem em duas pêntades: o livro 5 termina com a morte de Dario e o livro 10 narra a morte de Alexandre. Em termos retóricos, os momentos de maior tensão culminam no final de cada um dos livros. Seu texto é bastante fluente, e embora um rápido estudo revele erros em sua caracterização da geografia, cronologia e técnicas militares, sua verdadeira ênfase está na caracterização dos personagens e na condenação da tirania[2].

Segund, W. W. Tarn, Homero parece ser o modelo para alguns episódios[3]: Alexandre é comparado com Aquiles e Roxana com Briseida, por exemplo. Esta obra também é representativa do modelo da historiografia helenística que tende à biografia, apresentando um notável gosto pela retórica (através da intensificação do 'pathos' em alguns trechos) e um tom marcadamente moralizante (Alexandre é mostrado como um heroi destruído por sua própria boa fortuna).

Ver também

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Referências

  1. DOSSON, Simon Nöel (1887). Étude sur Quinte-Curce: sa vie et son œuvre. Paris: Hachette et Cie. p. ap. 1, p. 315 
  2. VIZENTIN, Marilena. (2009) Espelhos Contrapostos: Alexandre e o Modelo de Imperador Romano. Métis (UCS), v. 8, p. 157-166.
  3. TARN, W. W. (1948) Alexander the Great. Vol. II, Sources and Studies. Cambridge: Cambridge University Press.

Bibliografia

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  • Curcio Rufo, Quinto (1986). Historia de Alejandro Magno. [S.l.]: Madrid: Editorial Gredos. ISBN 978-84-249-1049-5 

Ligações externas

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