Arco do Triunfo (França)

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Arco do Triunfo
Arc de Triomphe, Paris 21 October 2010.jpg
Apresentação
Tipo
Estilo
Arquiteto
Material
calcário luteciano (en) e calcárioVisualizar e editar dados no Wikidata
Período de construção
Abertura
Inauguração
Patrocinador
Dimensões (A × L)
49,54 × 22,21 m
Proprietário
município de paris (en)
Administrador
Centro dos monumentos nacionais (en)
Estatuto patrimonial
Visitantes por ano
2 743 823 ()
Localização
Endereço
Coordenadas
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O Arco do Triunfo (francês: Arc de Triomphe) é um monumento localizado na cidade de Paris, construído em comemoração às vitórias militares do Napoleão Bonaparte, o qual ordenou a sua construção em 1806. Inaugurado em 1836, a monumental obra detém, gravados, os nomes de 128 batalhas e 558 generais. Em sua base, situa-se o túmulo do soldado desconhecido (1920). O arco localiza-se na praça Charles de Gaulle, no encontro da avenida Champs-Élysées. Nas extremidades da avenida encontram-se a Praça da Concórdia e, na outra, La Défense.

Projetado pelo arquiteto francês Jean Chalgrin, o monumento tem 50 metros de altura por 45 metros de largura e 22 metros de profundidade. O Arco de Tito serviu de inspiração para a sua concepção. A escala do Arco do Triunfo é tão massiva que, três semanas após o desfile da vitória de 1919 em Paris (que marcou o fim da Primeira Guerra Mundial) o aviador Charles Godefroy conseguiu fazer passar o seu biplano pelo centro.[1]

O Arco do Triunfo faz parte do Eixo Histórico (Axe historique) – uma série de monumentos e grandes vias públicas num percurso que vai desde o pátio do Louvre até ao Grande Arco de la Défense. Este foi o arco do triunfo mais alto do mundo até à construção do Monumento a la Revolución no México em 1938 (de 67 metros).

História[editar | editar código-fonte]

Projeto de Jean Chalgrin, ca. 1806

Iniciado em 1806, após a vitória napoleônica em Austerlitz, o Arc de Triomphe representa, em verdade, o enaltecimento das glórias e conquistas do Primeiro Império Francês, sob a liderança de Napoleão Bonaparte – seja este oficial das forças armadas, esteja ele dotado da eminente insígnia imperial. Só os alicerces demoraram dois anos a construir e, em 1810, quando Napoleão entrou em Paris pelo oeste com a sua noiva, a arquiduquesa Maria Luísa de Áustria, ele tinha uma maquete em madeira do Arco. O arquiteto Jean Chalgrin morreu em 1811 e as obras foram retomadas por Jean-Nicholas Huyot. Durante a Restauração francesa, a construção foi interrompida e não seria terminada até ao reinado de Luís Filipe I de França, entre 1833 e 1836 pelos arquitetos Goust, e depois Huyot sob a direção de Héricart de Thury. A 15 de dezembro de 1840, os restos mortais de Napoleão, trazidos da ilha de Santa Helena, passaram sob o Arco no seu caminho para a última sepultura do Imperador no Hôtel des Invalides.[2] Antes de ser enterrado no Panteão, o corpo do escritor Victor Hugo esteve em câmara ardente sob o Arco na noite de 22 de maio de 1885.

Arco do Triunfo em 1920

A espada da figura que representa a República partiu-se, segundo relatos, no dia em que teve início a Batalha de Verdun em 1916. Os danos foram escondidos de imediato por uma lona para ocultar o acidente e evitar interpretações agourentas.[3]

Após a sua construção, o Arc de Triomphe tornou-se o ponto de partida dos desfiles militares do exército francês após campanhas militares vitoriosas e para o Dia da Bastilha a 14 de julho. Alguns dos desfiles vitoriosos que ocorreram neste local incluem do exército alemão em 1871, do exército francês em 1919, do exército alemão em 1940 e dos exércitos aliados em 1944 e em 1945. Após a transladação do soldado desconhecido para o Arco após a Primeira Guerra Mundial, os desfiles militares evitam passar pelo seu centro. Este gesto pretende mostrar respeito para com a campa e o seu simbolismo. Tanto Adolf Hitler em 1940 como Charles de Gaulle em 1944 cumpriram esse gesto.

Desfile no Arco do Triunfo após a libertação de Paris em 1944

No início da década de 1960, o monumento estava bastante negro devido à fuligem e à exposição ao trânsito e entre 1966 e 1967 foi branqueado.

Após o prolongamento da Avenida dos Campos Elísios, foi construído um novo Arco em 1982, o Grande Arco de la Défense, completando assim a linha de monumentos que forma o Eixo Histórico. O Grande Arco é o terceiro arco do género naquela zona sendo os outros o Arc du Triomphe du Carrousel e o Arc de Triomphe de l'Étoile.

Em 1995 o Grupo Islâmico Armado fez explodir uma bomba perto do Arco do Triunfo que feriu 17 pessoas.

Embrulho em 2021[editar | editar código-fonte]

Em 2021, o arco foi revestido por 25 mil metros quadrados de tecido reciclável de polipropileno, fixado com três mil metros de corda vermelha, também reciclável, seguindo um projeto de Christo e Jeanne-Claude. As obras começaram em julho de 2021 e “L’Arc de Triomphe, Wrapped” ficou exposto durante 16 dias. O Arco do Triunfo embrulhado seguiu o desenho que os dois artistas imaginaram no início da década de 60. A obra ficou concluída a 18 de setembro, e no dia 3 de outubro começaram os trabalhos para remover o embrulho. O custo da iniciativa, de 14 milhões de euros, será pago com a venda de obras originais de Christo e Jeanne-Claude.[4]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Arcos menores do Arco do Triunfo
Túmulo do soldado desconhecido

Diversos elementos arquitetônicos são dignos de detida e fiel observação. Trinta medalhões, localizados sob a bela cornija, fazem, cada qual, referência a importantes batalhas travadas pelo exército francês, dentre as quais Aboukir, Ulm, Austerlitz, Jena, Friedland e Moscou. O friso, por sua vez, retrata a partida (fachada leste) e o retorno (fachada oeste) das tropas imperiais, visto que estas conflitaram em diversas regiões do continente europeu.

Na fachada leste, os baixo-relevos aludem à batalha de Aboukir e à morte do general Marceau. À direita, situa-se a “Partida dos Voluntários de 1792” (ou “A Marselhesa”) de François Rude, aptos a defender a recém-instaurada e revolucionária República. A liberdade, aqui, é representada pela guerreira e valente mulher, a comandar e a incitar o povo francês. À esquerda, situa-se o “Triunfo de Napoleão de 1810”. Este belo alto-relevo, de Jean-Pierre Cortot, representa a paz e a conquista napoleônica, alcançados pela celebração do Tratado de Viena. Na alegoria, o imperador francês é coroado pela Vitória e reverenciado pela extinta Monarquia.

Na fachada oeste, os alto-relevos impressionam pela intensa carga emotiva. Verifica-se a submissão do povo ao Estado e a crença, pelos populares, na vitória das forças armadas.

No interior dos arcos menores, encimados por interessantes alegorias à marinha, à infantaria e a outras guarnições, constam gravados inúmeros nomes de importantes oficiais franceses, assim como diversas localidades nas quais se travaram decisivas batalhas no âmbito do expansionismo francês – Toulouse, Lille, Luxemburgo, Düsseldorf, Maastricht, Nápoles, Madrid, Porto, foz do rio Douro e Cairo, por exemplo.

No solo, situa-se o memorável Túmulo do soldado desconhecido (“Ici repose un soldat français mort pour la Patrie, 1914-1918”). As cinzas do incógnito combatente francês, morto durante os sangrentos conflitos da Primeira Guerra Mundial, ali repousam desde 1920.

Vista a partir do topo do Arco do Triunfo

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wallace, Melville (1978). La vie d'un pilote de chasse en 1914–1918. [S.l.: s.n.] 
  2. «Site do Museu dos Inválidos» 
  3. «História do Arco do Triunfo». Consultado em 1 de abril de 2015 
  4. «L'Arc de Triomphe, Wrapped: Christo's dream being realised» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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