2ª reunião de cúpula do G20

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2ª Cúpula do G20
G-20 Summit on Financial Markets and the World Economy
Foto oficial dos líderes do G20, em Londres 2009.
Anfitrião  Reino Unido
Sede Londres
Data 2 de abril de 2009
Participantes G20
Cronologia
Washington 2008
Pittsburgh 2009

A 2ª Reunião de cúpula do G-20 sobre Mercados Financeiros e Economia Mundial, ou simplesmente 2ª reunião de cúpula do G20, foi a segunda cimeira realizada entre chefes de Estado e de governo do Grupo dos 20.[1] A reunião de cúpula ocorreu em 2 de abril de 2009, em Londres, Reino Unido.[2] Não somente líderes das vinte maiores economias participaram da cimeira, mas também líderes de organismos internacionais convidados, portanto, o evento ficou conhecido também como Cimeira de Londres.[3]

As táticas de segurança adotadas pelo Governo britânico foram alvo de várias controvérsias, especialmente após a morte de Ian Tomlinson.[4][5][6] Uma onda de manifestações populares tomou conta das ruas centrais de Londres dias antes do evento.[7][8][9]

Em 2013, foi revelado que o GCHQ, o serviço de inteligência britânico, havia interceptado conversas telefônicas e monitorado computadores e outros dispositivos eletrônicos das delegações estrangeiras durante toda a cimeira. As atividades foram coordenadas pelo governo britânico como uma das inúmeras medidas de segurança adotadas para a reunião de cúpula.[10]

Temas[editar | editar código-fonte]

Como anfitrião da cimeira, o Departamento do Tesouro do Reino Unido produziu uma extensa agenda de temas propostas para serem debatidos na reunião. Os objetivos principais seriam: "iniciar o processo de reforma, gerenciar a globalização e buscar boas alternativas em meios-termos".[11]

A Declaração conjunta dos Chefes de Estado e de governo presentes na cimeira, estabelece como metas:[11]

  • Restaurar a confiança, o crescimento e os empregos;
  • Reparar o sistema financeiro a fim de restaurar o crédito;
  • Fortalecer a regulação financeira a fim de reconstruir a confiança;
  • Capitalizar e reformar nossas instituições financeiras internacionais para superar esta crise e prevenir outras no futuro;
  • Promover o comércio e investimento globais e rejeitar o protecionismo para garantir prosperidade; e
  • Promover uma retomada do crescimento que seja inclusiva, verde e sustentável.

Participantes[editar | editar código-fonte]

Os primeiros participantes do G20 chegaram no dia 1 de abril. Antes da cimeira, o presidente francês Nicolas Sarkozy declarou que se não houvesse um acordo mútuo a delegação de seu país deixaria a reunião, repetindo o gesto de Charles de Gaulle em 1965.[12] Em coletiva de imprensa, Barack Obama e Gordon Brown afirmaram que uma ameaça de abandono das discussões era uma forma exagerada e antecipada de prever o resultado do evento.[13] Sarkozy concedeu uma entrevista coletiva com Angela Merkel, na qual ambos destacaram um esforço maior dos países em regular seus mercados financeiras e reiteraram suas posições de aplicar pacotes de estímulos em seus países.[14]

Na noite de 1 de abril, os líderes do G20 participaram de uma recepção no Palácio de Buckingham, oferecida por Isabel II.[15][16][17] Durante a fotografia oficial, a monarca chamou a atenção do Primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi no momento em que ele chamava Barack Obama em voz alta.[18][19][20] O fato foi repetidamente reportado pela imprensa italiana, e usado por oponentes de Berlusconi na tentativa de afetar sua imagem pública.[21] Após a recepção, os líderes dirigiram-se para 10 Downing Street - a residência oficial do Primeiro-ministro britânico - onde participaram de um jantar preparado pelo chefe Jamie Oliver.[22]

A 2ª reunião de cúpula do G20 teve início na manhã de 2 de abril.

Líderes participantes da 2ª reunião de cúpula do G20

Os participantes da 2ª reunião de cúpula do G20 incluem os chefes de governo das vinte maiores economias, que compreendem 19 países e a União Europeia (representada por duas organizações, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia), assim como outras nações convidadas e organizações que participaram como observadores.

Convidados[editar | editar código-fonte]

Segurança[editar | editar código-fonte]

A operação de segurança, denominada Operação Glencoe, foi chefiada pelo Comandante Bob Broadhurst e custou cerca de 7 milhões de euros. Seis forças policiais cooperaram na operação: a Polícia Metropolitana, a Polícia da Cidade de Londres, a British Transport Police e as forças policiais locais de Sussex, Essex e Bedfordshire. Também receberam apoio de algumas unidades do Ministério da Defesa. O evento gerou a maior operação policial da história do país.[23]

Em junho de 2013, o jornal britânico The Guardian revelou que a agência de inteligência GCHQ havia espionado as delegações estrangeiras presentes na reunião de cúpula, através de conversas telefônicas, e-mails e monitoramento de computadores pessoais.[10]

Protestos[editar | editar código-fonte]

Protestos contra o G20 em frente à sede do Banco da Inglaterra, em abril de 2009.

A cimeira tornou-se motivo principal de uma série de manifestações públicas nas ruas de Londres. Os maiores grupos de manifestantes protestavam contra a política econômica de alguns países presentes na cimeira, além do sistema financeira mundial e os gastos militares empreendidos em décadas de guerra ao terrorismo. Alguns outros grupos também protestavam acerca das mudanças climáticas. Apesar da maioria dos protestos serem pacíficos, alguns focos de violência e vandalismo foram reprimidos pelas forças policiais.

Em um dos protestos, um vendedor de jornais chamado Ian Tomlinson morreu em meio à confusão com policiais nas proximidades do Banco da Inglaterra. Inicialmente, as autoridades da Cidade de Londres negaram que a morte tinha qualquer envolvimento com a polícia. Porém, vídeos, fotografias e relatos de testemunhas oculares circularam pela imprensa. Diante das novas evidências, a Comissão Independente de Polícia confirmou que Tomlinson havia sido abruptamente puxado por policiais minutos antes de sofrer a parada cardíaca.[24] Outras alegações levaram as autoridades a iniciarem um processo de autópsia, que revelou a causa da morte como aterosclerose coronária.[25]

Resultados[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «UK to host G20 financial summit». Number 10. 26 de novembro de 2008 
  2. Croft, Adrian (6 de fevereiro de 2009). «London's ExCel Centre chosen as venue for G20 summit». Reuters 
  3. Flitton, Daniel (1 de abril de 2009). «Australia may struggle to find a seat at a future economic table». The Age 
  4. «G20 protests: Ian Tomlinson unlawfully killed by PC, inquest rules». The Telegraph. 3 de maio de 2011 
  5. AFP (17 de abril de 2009). «Homem que morreu durante o G20 teve hemorragia abdominal». [[Veja (revista)|Veja Oline]] 
  6. «Morte no G20 pode ter sido causada por hemorragia abdominal». BOL Notícias. 17 de abril de 2009 
  7. Lyall, Sarah (31 de maio de 2009). «Critics Assail British Police for Harsh Tactics During the G-20 Summit Meeting». The New York Times 
  8. «G20 protesters converge on London's financial heart». Reuters. 1 de abril de 2009 
  9. «35,000 protesters turn out for G20 march in London ... but police arrest just one». The Daily Mail. 29 de março de 2009 
  10. a b MacAskill, Ewen; Davies, Nick (16 de junho de 2013). «GCHQ intercepted foreign politicians' communications at G20 summit». The Guardian 
  11. a b «Declaração dos Líderes do G20 em Londres». Universidade de Toronto: G20 Information Centre. 2 de abril de 2009. Consultado em 12 de maio de 2016 
  12. Watt, Nicholas (1 de abril de 2009). «G20: Sarkozy's empty-chair threat shows EU fails to realise times have changed». The Guardian 
  13. Bohan, Caren (1 de abril de 2009). «Obama plays down G20 splits, seeks consensus». Reuters 
  14. «France and Germany united at G20». BBC News. 1 de abril de 2009 
  15. «Lula participa de encontro com Rainha Elizabeth II e líderes do G20». G1. 1 de abril de 2009 
  16. «Queen Elizabeth II receives G20 leaders at Buckingham Palace». People's Daily Online. 2 de abril de 2009 
  17. Zu, Zhang. «Queen Elizabeth II receives G20 leaders at Buckingham Palace». CRI English|data2 de abril de 2009 
  18. «Queen Elizabeth's anger at Berlusconi a YouTube hit». CNN. 3 de abril de 2009 
  19. «Rainha Elizabeth II para Berlusconi: 'Por que gritar tanto assim?'». O Estado de S. Paulo. 2 de abril de 2009 
  20. «Berlusconi assusta Elizabeth II ao gritar nome de Obama». Terra. 2 de abril de 2009 
  21. Hooper, John (6 de abril de 2009). «Berlusconi hints at reprisals over critical press coverage during summits». The Guardian 
  22. Singh, Anita (1 de abril de 2009). «G20 Summit: Jamie Oliver's Downing Street menu». The Telegraph 
  23. «G20 summit: security operation launched». The Daily Telegraph. 28 de março de 2009 
  24. Dodd, Vikram (8 de abril de 2009). «Ian Tomlinson death: IPCC takes over inquiry from G20 protests police force». The Guardian 
  25. «Ian Tomlinson second postmortem: coroner and family statements». The Guardian. 17 de abril de 2009