Artemisia Gentileschi

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Artemisia Gentileschi
Autorretrato
Nome completo Artemisia Gentileschi
Nascimento 8 de julho de 1593
Roma, Itália
Morte 1656 (63 anos)
Nápoles, Itália
Nacionalidade Itália Italiana
Área Pintura
Movimento(s) Barroco

Artemisia Gentileschi (Roma, 8 de julho de 1593 – Nápoles, 1656) foi uma pintora italiana.[1]

Filha mais velha do pintor toscano Orazio Gentileschi, foi uma das únicas mulheres a serem mencionadas no ramo da pintura artística do barroco, sendo a primeira a possuir uma posição privilegiada. Dedicou-se a temas trágicos em que suas personagens (femininas) representam papéis de heroínas. Evitou as naturezas mortas e as flores, comuns para as artistas da época.

Conforme a versão de Susan Vreeland, em seu romance sobre Artemisia Gentileschi, a jovem pintora foi violentada aos 17 anos por Agostino Tassi, um assistente do ateliê do pai. No julgamento dele torturam-na para julgar a vericidade de sua versão. Não podendo ficar em Roma, foi-lhe arranjado um casamento de conveniência. Separou-se depois de dez anos e partiu rumo à Florença, onde descobriu uma vida empolgante no mundo das artes na Itália do século XVII e, com o crescente sucesso de suas obras, tornou-se a primeira mulher a entrar para a Academia de Arte de Florença.

Nos tempos modernos ganhou nova fama como heroína feminista.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Artemísia foi introduzida à pintura na oficina de seu pai, Orazio, mostrando mais talento que seus irmãos, que trabalhavam ao seu lado. Ela aprendeu a desenhar, a misturar cores e como pintar. Como o estilo do trabalho de seu pai era inspirado em Caravaggio, as obras de Artemísia acabaram sendo influenciadas também por esse artista. Entretanto, sua abordagem era diferente da de seu pai: enquanto suas pinturas são altamente naturalistas, as de seu pai são mais idealizadas.

Orazio deu grande incentivo à filha, já que, durante o século XVII, as mulheres não eram consideradas suficientemente inteligentes para trabalhar. Ao mesmo tempo, Artemísia teve de resistir às atitudes tradicionais e às submissões psicológicas e, ao fazer isso, ganhou grande respeito e reconhecimento por seu trabalho.

Susana e os Anciões de Artemísia Gentileschi

O primeiro trabalho da jovem Artemísia, aos dezessete anos de idade, foi Susanna e i Vecchioni ('Susana e os Anciões', 1610). Suspeitou-se que, na produção dessa obra, ela tivesse sido ajudada por seu pai. A pintura mostra como Artemísia assimilou o realismo de Caravaggio sem ser indiferente à linguagem da escola de Bolonha, que teve Annibale Carracci entre seus principais artistas. É uma das poucas pinturas sobre o tema de Susana, mostrando a abordagem sexual como um evento traumático.

Em 1611, seu pai trabalhou com Agostino Tassi, para decorar o cofre do Casino della Rose, dentro do Palazzo Pallavicini Rospigliosi, em Roma. Com isso Orazio contratou o pintor para ser tutor de sua filha. Durante a tutela, Tassi estuprou Artemísia, e outro homem, Cosimo Quorlis, também estava envolvido. Depois de sofrer o estupro, Artemísia continuou tendo relações sexuais com Tassi, na expectativa de que fossem se casar e assim pudesse restaurar sua dignidade e seu futuro. Tassi negou a promessa de casamento, e nove meses depois do estupro, quando Orazio descobriu que Artemísia e Tassi não iriam se casar, processou Tassi.

Durante o julgamento, que durou sete meses, foi descoberto que Tassi tinha planejado assassinar sua esposa. Havia ordenado esse assassinato junto a sua cunhada, com quem teve um caso de adultério, e planejava roubar algumas das pinturas de Orazio. Durante o julgamento, Artemísia foi submetida a um exame ginecológico e torturada para verificar o seu testemunho. No final do julgamento, Tassi foi condenado à prisão por um ano, embora ele nunca tenha cumprido o tempo total da pena. O julgamento influenciou a visão feminista de Artemísia Gentileschi.

Orazio arranjou para sua filha o casamento com Pierantonio Stiattesi, um artista modesto de Florença. Pouco tempo depois de se casarem, o casal mudou-se para Florença, onde Artemísia recebeu uma comissão para uma pintura na Casa Buonarroti. Ela tornou-se uma pintora de sucesso da corte, aproveitando o patrocínio da família Médici e de Charles I. Foi proposto que durante este período Artemísia também pintasse a "Madonna col Bambino" ('A virgem e o menino'), que atualmente se encontra na Galeria Spada de Roma.

Judith decapitando Holofernes

Artemísia pintou muitos retratos de mulheres fortes e que sofreram por influência de mitos - vítimas, suicidas e guerreiras - e fez disso sua especialidade para pintar a história de "Judith decapitando Holofernes" (1614-1620), sendo esse seu trabalho mais conhecido, que mostra a decapitação de Holofernes, em uma cena de luta e derramamento de sangue.

Em Florença, Artemísia conquistou muito sucesso, sendo a primeira mulher a ser aceita na Academia de Belas Artes de Florença. Ela manteve boa relação com os artistas mais respeitados de sua época, como Cristofano Allori, e foi capaz de conquistar favores e proteção de pessoas influentes. Ela também teve um bom relacionamento com Galileu Galilei, com quem manteve correspondência por longo tempo.

Ainda em Florença, Artemísia e Pierantonio tiveram duas filhas. Ambas se tornaram pintoras, orientadas por sua mãe, embora nada se conheça sobre seus trabalhos.

Apesar de seu sucesso, problemas financeiros fizeram com que Artemísia voltasse a Roma em 1621, sem o marido.

Em 1630 Artemísia muda-se para Nápoles - cidade rica em oficinas e amantes das artes -, em busca de novas e mais lucrativas oportunidades de trabalho. Muitos outros artistas, incluindo Caravaggio, também viveram em Nápoles em algum momento de suas vidas. Lá Artemísia começou a trabalhar em pinturas numa catedral dedicada a São Januário, no anfiteatro de Pozzuoli. Durante seu primeiro ano na cidade, ela pintou "O nascimento de São João Batista" e "Corisca e o Sátiro", mostrando através destas pinturas sua capacidade de se adaptar às novidades do período e lidar com diferentes temas.

À medida que a artista envelhecia, suas obras foram se tornando ainda mais graciosas, revelando uma mudança no seu gosto e sensibilidade.

Pensava-se que Artemísia tivesse morrido entre 1652 e 1653, mas evidências recentes apontam que em 1654 ela ainda estava aceitando encomendas, embora dependesse cada vez mais do auxílio de seu assistente, Onofrio Palumbo. Especula-se que ela tenha morrido em 1656, em consequência de uma praga em Nápoles.

Referências

  1. Publifolha. Grandes pinturas. [S.l.]: Dorling Kidersley, 1911. 255 p. p.96-97

Galeria[editar | editar código-fonte]

Em muitas pinturas de Artemisia é possível observar a influência de Caravaggio, a qual foi herdada de seu pai.

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