Tenor

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Extensão vocal
Feminino Masculino
Soprano alcance
Soprano
Tenor alcance
Tenor
Mezzo Soprano alcance
Meio-soprano
Barítono alcance
Barítono
Contralto alcance
Contralto
Baixo alcance
Baixo

O Tenor é o tipo de voz masculina (ou naipe) mais aguda produzida, sem recorrer à técnica de falsete, dentro do registro modal. Sua tessitura (no canto em coral) varia entre do C2 para o A4. Em trabalho solo, o alcance chega até o C4,ou mais. O extremo grave é o G1, e o extremo agudo, depende do tenor, com alguns que conseguem emitir até mesmo um D4.[1] [2] O termo tenor também é aplicado a instrumentos, como o saxofone tenor, para indicar seu alcance em relação a outros instrumentos do mesmo grupo. Um tenor que pode cantar na mesma facha que uma contralto ou meio-soprano, utilizando falsete, é chamado de contratenor.

Características[editar | editar código-fonte]

De acordo com a classificação tradicional, corresponde à faixa de sons mais aguda que pode ser emitida, no canto lírico, por um indivíduo do sexo masculino. Tem completa distinção, pela sua tessitura bem compensada no registro agudo, nos limites de C2 para C4. Provém do latim tenere, que significa sustentar. Na música medieval, era a esta voz a que era atribuída, por via de regra, à linha principal do canto. Por esta razão, o intérprete deveria ser capaz de "sustentar" as notas enquanto as outras vozes, mais graves, realizavam floreios vocais. Nos repertórios operísticos clássico e romântico, costumam desempenhar os papéis masculinos principais, enquanto os coadjuvantes mais importantes estão a cargo das vozes mais graves (barítono ou baixo). Em muitos casos, o enredo gira em torno de uma disputa entre "herói" e "vilão", com o primeiro quase invariavelmente atribuído aos tenores.

Tipos de tenores[editar | editar código-fonte]

Na ópera, costuma-se distinguir entre diferentes tipos de tenores, conforme a altura e as habilidades técnicas exigidas por um determinado papel:

É um tipo raro de voz alta, predominante no francês barroco e ópera clássica até a última parte do século XVIII. Sua natureza tem sido o assunto de muito debate, e o fato de que, historicamente, os escritores ingleses traduziram o termo como "contratenor", não é particularmente útil, uma vez que o significado deste último termo também tem sido objeto de considerável controvérsia musical; ambos os termos são, em última análise derivados do contratenor latino. Atualmente são geralmente aceitos os cantores que têm a voz a qual os cientistas terminaram de "modal", usando voz mista e voz de cabeça para suas notas mais altas. Sua tessitura usada mais comum é do C2 para o D4, considerando que os franceses do século XVIII cantavam com um tom abaixo do que o de hoje. [3]

Também conhecido como o "Tenore di Grazia", é essencialmente o equivalente masculino de uma coloratura lírica. É leve, ágil e capaz de executar passagens difíceis de fioritura. O típico possui uma gama que vai desde cerca de D ou E♭3 para E♭4, com alguns sendo capazes de cantar até F4 ou superior ainda em voz plena. Em alguns casos, seu registro de peito pode se estender para abaixo de C2, podendo atingir até mesmo um A1. Vozes deste tipo são utilizadas com freqüência nas óperas de Rossini, Donizetti , Bellini e na música barroca.[4]

  • Tenor lírico-ligeiro

É um pouco mais encorpado que o ligeiro puro, e também tem facilidade pra agudos e volaturas,[5] com a regular tessitura de C2 para B4.

Uma voz graciosa e quente, com um timbre brilhante e cheio, que é forte, mas não pesado e pode ser ouvido através de uma orquestra. Tem um alcance de cerca B1 ou C2 para o C ou D4. Existem muitos tons vocais para o grupo de tenor lírico, e o repertório deve ser escolhido de acordo com o peso, cor e capacidade vocais.

  • Tenor spinto

Brilhosa e alta como um lírico, mas com maior peso vocal, permitindo que a voz seja "empurrada" para ápices dramáticos com menos tensão do que as vozes líricas. Tem também um timbre mais escuro do que um tenor lírico, sem ter uma cor vocal tão escura como alguns (não todos) tenores dramáticos. O equivalente alemão dessa facha é o Jugendlicher Heldentenor, que abrange muitos papéis dramáticos, bem como alguns papéis de Wagner, como Lohengrin e Stolzing. Os Jugendlicher Heldentenores tendem a ser jovens heldentenores ou verdadeiros spintos, dando-lhes um escuro tom de tenor dramático. Muitas vezes líricos e spintos interpretam papéis do outro, ou vice-versa. São usados a profundidade e o metal na voz de alguns tenores líricos velhos para o papel de um spinto, ou essas são empurradas para atingirem notas mais claras de tenores líricos. São, parcialmente compensados no registro grave, podendo iniciar sua tessitura num B♭1 e ir até o C4.

"Tenore di forza" ou "robusto"; uma voz com clarim emotivo, tocante e muito poderosa, com som heroico, tem um alcance aproximado do B1 até o B♭3, com alguns capazes de emitir até um C4. Muitos de sucesso têm historicamente evitado o cobiçado desempenho na 5ª oitava. Sua gama mais baixa tende a se estender para a tessitura de barítono ou, atingindo até mesmo um G2. Alguns têm uma cor tonal rica e escura, (como Enrico Caruso), enquanto outros (como Francesco Tamagno ) possuem um timbre de aço brilhante. [4]

Uma voz rica, escura, forte e dramática. Como o próprio nome indica, o heldentenor (em PT: tenor heroico) é uma facha vocal apresentada na ópera alemã, no período do romantismo. É o equivalente alemão do tenor dramático, porém com uma qualidade mais forte no registro grave, comparada ao barítono; o típico protagonista de Wagner. A pedra angular do repertório do heldentenor é, sem dúvida, o Siegfried de Wagner, um papel extremamente difícil, exigindo uma ampla faixa vocal e grande potência, além de uma enorme resistência e capacidade de atuar. Muitas vezes, o heldentenor é um barítono que fez a transição para esta facha ou tenores que foram confundidos com barítonos. Portanto, essa voz pode ou não ter facilidade até os limites de um tenor. O repertório, no entanto, raramente exige notas altas.[4]

Nas óperas de Mozart, o elemento mais importante é a abordagem instrumental do som vocal que implica: emissões perfeita e esbelta de som, entonação, legato, dicção e fraseado, a capacidade de lidar com as exigências dinâmicas da pontuação, a beleza do timbre, linha segura de cantar através de um apoio perfeito e controle absoluto da respiração, inteligência musical, a disciplina do corpo, elegância, nobreza, agilidade e, principalmente, a capacidade dramática de se expressar dentro das estreitas fronteiras impostas pelo estilo de escrita de Mozart. É uma tradição alemã que remonta ao final da década de 1920, quando esses tenores começaram a fazer uso da técnica de Caruso (um tenor que raramente cantava Mozart) para alcançar e melhorar a dinâmica necessária e expressividade dramática.[4]

Tenores da Música Popular[editar | editar código-fonte]

Obs: O termo tenor foi desenvolvido em relação as vozes clássicas e operísticas, em que a classificação se baseia não apenas na escala vocal da cantor, mas também sobre a tessitura e timbre da voz. Para cantores clássicos e de ópera, seu tipo de voz determina os papéis que irão cantar e é o principal método de categorização. Na música não-clássica, os cantores são principalmente definidos por seu gênero e não o seu alcance vocal. Quando a termos soprano, mezzo-soprano, contralto, tenor, barítono e baixo são usados ​​como descritores de vozes não-clássicas, eles são aplicados mais livremente do que seriam para aqueles de cantores clássicos e geralmente referem-se apenas ao alcance vocal percebida do cantor.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. McKinney, James. The Diagnosis and Correction of Vocal Faults. [S.l.]: Genovex Music Group, 1994. ISBN 978-1-56593-940-0
  2. Boldrey, Richard. Guide to Operatic Roles and Arias. [S.l.]: Caldwell Publishing Company, 1994. ISBN 978-1-877761-64-5
  3. Haute Contre no dicionário francês.
  4. a b c d Vozes nas óperas.
  5. classificação vocal dos tenores.
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