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Marco Polo

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Marco Polo
Retrato post mortem feito em cerca de 1600, parte do acervo da Galleria de Monsignor Badia, em Roma.
Nome completo Marco Polo
Nascimento 1254
(supostamente)
Veneza, República de Veneza
Morte 8 ou 9 de janeiro de 1324 (69 ou 70 anos)
Veneza, República de Veneza
Nacionalidade Veneziano
Progenitores Mãe: Nicole Anna Defuseh
Pai: Niccolò Polo
Cônjuge Donata Badoer
Filho(s) Fantina Polo
Bellela Polo
Moretta Polo
Ocupação Mercador, embaixador e explorador
Magnum opus As Viagens de Marco Polo

Marco Polo (pronúncia italiana: ˈmarko ˈpɔːlo; 1254 – 8 ou 9 de janeiro de 1324)[1] foi um mercador, embaixador e explorador veneziano[2][3][4][5] cujas aventuras estão registradas em As Viagens de Marco Polo, um livro que descreve para os europeus as maravilhas da China, de sua capital Pequim e de outras cidades e países da Ásia.

Ele aprendeu as negociações mercantis com seu pai e com seu tio paterno, Niccolò e Matteo Polo, que por sua vez viajaram através da Ásia e encontraram Kublai Khan. Em 1269, Niccolò e Matteo Polo retornaram a Veneza onde conheceram Marco pela primeira vez. Os três embarcaram então em uma grande jornada até a Ásia, retornando à Veneza depois de 24 anos, onde se depararam com as guerras veneziano-genovesas. Marco foi preso e acabou ditando suas histórias para um companheiro de cela. Ele ganhou a liberdade em 1299, tornando-se um rico mercador. Casou-se com Donata Badoèr e teve três filhas. Polo morreu em 1324 e foi enterrado na Igreja de San Lorenzo, Veneza.

Marco Polo não foi o primeiro europeu a chegar na China, mas foi o primeiro a descrever detalhadamente suas experiências. Seu livro inspirou Cristóvão Colombo[6] e muitos outros viajantes. Existem várias literaturas baseadas nos escritos de Marco Polo; ele também influenciou a cartografia europeia, sendo o ponto de partida de inspiração do Mapa-múndi de Fra Mauro.

Vida[editar | editar código-fonte]

Origens familiares[editar | editar código-fonte]

Corte del Milion continua sendo o nome do palácio onde morou Polo, inspirado no seu apelido "Il Milione".

Marco Polo nasceu em 1254,[nota 1][7] na República de Veneza.[8] A data e localização exatas são desconhecidas.[9][10] Alguns historiadores mencionam que ele nasceu em 15 de setembro,[11] mas tal hipótese não é apoiada pela maioria dos acadêmicos. Veneza é geralmente considerada o local de nascimento de Marco Polo,[10][12] mas outras hipóteses sugerem Constantinopla[13][10] e a ilha de Korčula.[14][10][15][16] Existe uma disputa se a família de Marco era de origem veneziana, já que fontes históricas venezianas apontam serem originários da Dalmácia.[7][10] [17][18]

O primeiro registro da família Polo é do veneziano Domenico Polo, que foi mencionado em 971 a respeito de uma proibição de comércio com os árabes.[14][19] Posteriormente, outros Polos foram mencionados a serviço do reino.[14][19] Até que ponto eles estavam relacionados com a família de Marco Polo é incerto, contudo isso pode indicar que seus ancestrais viajaram entre Veneza e a Dalmácia.[14]

Uma das primeiras indicações de onde sua família se originou e onde residiam vem de documentos e manuscritos venezianos.[20] No testamento de 1280 de um tio homônimo é dito que tal tio viveu anteriormente em Constantinopla, e no mesmo testamento, que os filhos dele, Nicollo e Marota, viveram na casa da família em Sudak (na Crimeia).[21][20] Alguns acadêmicos argumentam que isso está relacionado com uma nota de Marco que diz que seu pai e seu tio, Niccolò e Matteo Polo, em 1250, se alojaram em Constantinopla com mercadorias de Veneza.[8][20]

A origem não veneziana, e sim da Dalmácia, de sua família foi considerada pelos próprios venezianos desde o século XIV; em Chronicon Iustiniani (1385) a sua família foi mencionada como imigrantes em Veneza,[nota 2] em Cronaca di Venezia (1446) junto com o brasão da família é dito "antigamente vene de Dalmatia" (antigamente vieram da Dalmácia), e o mesmo foi registrado por Marin Sanudo em Le Vite dei Dogi (1552).[22][23] Sanudo também menciona um capitão de Korčula, Antonio di Polo.[24] Marco Barbaro em seu Genealogie Patrizie (1566) escreve sobre um documento de 1033 informando quando a família Polo chegou em Šibenik, mas o ano provavelmente foi simbolicamente escolhido pelo próprio Barbaro, já que é o mesmo ano em que as cidades da Dalmácia foram conquistadas pelo doge veneziano Pietro II Orseolo.[14][25] Arthur C. Moule cita os manuscritos venezianos do início do século XVII que dizem: "questi ueneno de dalmatia", "Polo questi uene de Dalmatia".[22][26]

Existe um debate etimológico acadêmico se o nome da família deriva do latim Paulus,[14][19] o nome de certas espécies de pássaros,[27] ou, como Albert t'Serstevens considerou, de origem oriental.[nota 3] Os acadêmicos relatam que três espécies de pássaros no dialeto do croata arcaico da República de Poljica eram chamados de pol, enquanto no dialeto do veneziano arcaico pola/pole significava o ramo das aves limícolas, ou a gralha-de-nuca-cinzenta ou ainda o genêro Pyrrhocorax, com todos eles possivelmente representados no brasão de armas da família (que semanticamente podem ser comparados com o italiano Pollo, galo).[27][28][20] Entretanto, o habitat dessas aves não se estende em Korčula, e sim na Lagoa de Veneza ou nos pantanais da Dalmácia como Šibenik.[29] O sobrenome Polo parece estar estar relacionado como outros sobrenomes difundidos na Dalmácia.[30] A falta de evidências torna a hipótese de Korčula bastante controversa, e até mesmo acadêmicos croatas consideram-a meramente uma invenção.[31]

Primeiros anos e viagem para a Ásia[editar | editar código-fonte]

Mosaico de Marco Polo encontrado no Palazzo Doria-Tursi, em Gênova, Itália.

Em 1168, o seu tio-avô, Marco Polo, realizou um empréstimo e comandou um navio em Constantinopla.[32][19] Seu avô, Andrea Polo da paróquia de San Felice, teve três filhos: Maffeo, outro Marco, e Niccolò, o pai do famoso viajante.[32] Essa genealogia, descrita por Ramusio, não é universalmente aceita e não existem evidências adicionais para comprova-la.[33][20]

Seu pai, Niccolò Polo, um mercador, ganhou fortuna negociando com o Oriente Próximo e conquistou um grande prestígio.[34][35] Niccolò e seu irmão Maffeo zarparam em uma viagem de negócios antes do nascimento de Marco.[7][35] Os dois enquanto residiam em Constantinopla em 1260, na época capital do Império Latino, previram uma reviravolta política; eles liquidaram seus ativos em joias e se mudaram.[34] De acordo com as As Viagens, eles se aventuraram no extremo leste asiático, e conheceram Kublai Khan, um líder mongol e fundador da Dinastia Yuan.[36] A decisão deles em se mudar de Constantinopla se mostrou correta. Em 1261, Miguel VIII Paleólogo, o líder do Império de Niceia, conquistou Constantinopla e imediatamente queimou o quartel general veneziano e restabeleceu o Império Romano Oriental. Capturados, os cidadãos venezianos foram cegados,[37] enquanto muitos que conseguiram escapar acabaram morrendo nos navios superlotados que fugiam para outras colônias venezianas no Mar Egeu.

Pouco se sabe sobre a infância de Marco Polo até a idade de quinze anos, exceto que provavelmente passou parte da sua infância em Veneza.[38][39][19] Enquanto isso, a mãe de Marco Polo morreu, e esse acabou sendo adotado por sua tia e seu tio.[35] Ele recebeu uma educação privilegiada, aprendendo técnicas mercantis, incluindo o conhecimento sobre as moedas estrangeiras e do funcionamento dos navios;[35] porém ele aprendeu muito pouco ou nada de latim.[34] Seu pai mais tarde se casaria com Floradise Polo.[20]

Em 1269, Niccolò e Maffeo retornaram a suas famílias em Veneza, encontrando com o jovem Marco pela primeira vez.[38] Em 1271, durante o reinado do Doge Lorenzo Tiepolo, Marco Polo (então com dezessete anos de idade), seu pai e seu tio zarparam para a Ásia em uma série de aventuras que Marco posteriormente iria descrever em seu livro.[40] Eles retornaram a Veneza em 1295, com muitas riquezas e tesouros. Eles viajaram quase 24 000 km.[35]

Cativeiro genovês e últimos anos[editar | editar código-fonte]

Igreja de San Lorenzo na sestiere de Castello (Veneza), onde Polo foi enterrado. A foto mostra a igreja atualmente, depois da reforma de 1592.

Marco Polo retornou para Veneza em 1295 com sua fortuna na forma de gemas. Naquela época, Veneza estava em guerra com a República de Gênova.[41] Marco equipou uma galé com trabucos para se juntar a guerra.[42] Ele foi provavelmente capturado pelos genoveses em uma escaramuça em 1296, perto da costa da Anatólia entre Adana e o Golfo de İskenderun,[43] e não durante a Batalha de Curzola (setembro de 1269), perto da costa da Dalmácia,[44] alegação proveniente da tradição tardia (século XVI) registrada por Giovan Battista Ramusio.[45][46]

Ele passou várias meses na prisão ditando detalhes sobre a sua viagem para um companheiro de cela, Rusticiano de Pisa,[35] o qual também acrescentou histórias de suas viagens além de anedotas coletadas de outros relatos e de notícias de sua época sobre a China. O livro rapidamente se espalhou pela Europa como manuscrito, tornando-se conhecido como As Viagens de Marco Polo, que, ao retratar as jornadas de Marco pela Ásia, fornecia aos europeus o primeiro relato detalhado sobre o Extremo Oriente, incluindo a China, a Índia e o Japão.[47]

Marco Polo foi finalmente solto do cativeiro em agosto de 1299[35] e retornou para Veneza, onde seu pai e tio tinham comprado um pallazo na região chamada contrada San Giovanni Crisostomo (Corte del Milion).[48] Em suas aventuras, a família Polo provavelmente investiu em fundos de negócios, e até mesmo em gemas que trouxeram do leste.[48] A companhia continuou suas atividades e Marco rapidamente se tornou um mercador rico. Polo e seu tio Maffeo financiaram outras expedições, mas provavelmente nunca mais deixaram a província veneziana, não retornado para a Rota da Seda e a Ásia.[49] Em torno de 1300, seu pai Niccolò morreu,[49] e no mesmo ano Marco se casou com Donata Badoèr, filha de Vitale Badoèr, um mercador.[50] Eles tiveram três filhas, Fantina (casada com Marco Bragadin), Bellela (casada com Bertuccio Querini), e Moreta.[51][52]

Em 1305 ele foi mencionado em documento veneziano entre governantes locais cobrando o pagamento de impostos.[20] A relação do famoso explorador com um certo Marco Polo, que em 1300 foi citado em rebeliões contra o governo aristocrático local, e que escapou da pena de morte, assim como também de rebeliões de 1310 lideradas por Bajamonte Tiepolo e Marco Querini, que entre os rebeldes se encontravam Jacobello e Francesco Polo, pertencentes a outro ramo da família Polo, é incerta.[20] Marco Polo é claramente citado novamente no testamento de Maffeo em 1337, esse feito entre 1309-1310, e em um documento de 1319 o qual apontava que ele tinha se tornado dono de algumas propriedades de seu falecido pai, e em 1321, quando ele comprou parte das propriedades da família da sua esposa Donata.[20]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 1323, Marco ficou confinado na cama por causa de uma doença.[53] Em 8 de janeiro de 1324, apesar dos esforços dos médicos em trata-lo, Marco estava em seu leito de morte.[54] Para registrar e certificar sua vontade, sua família requisitou a vinda de Giovanni Giustiniani, um padre de San Procolo. Sua esposa Donata, tal como suas três filhas, também foram chamadas para certificarem seu testamento.[54] A Igreja tinha direito por lei parte de suas propriedades; ele aprovou isto e ordenou que a maior parte fosse paga para o convento de San lorenzo, o lugar onde ele desejava ser enterrado.[54] Ele também libertou Pedro, um serviçal tártaro, que tinha o acompanhado pela Ásia,[55] e lhe concedeu 100 denários venezianos.[56]

Ele dividiu o resto de suas posses, incluindo várias propriedades, entre indivíduos, instituições religiosas, e cada guilda e fraternidade que tinha pertencido.[54] Ele também quitou várias dívidas incluindo 300 liras que devia para sua cunhada, e outras como para o convento de San Giovanni Grisostomo, de Chiesa di San Polo e para um clérigo chamado Frade Benvenuto.[54] Ele ordenou que 220 soldos fossem pagos para Giovanni Giustinian por seu trabalho como tabelião.[57]

O testamento não foi assinado por Marco, e sim validado pelo processo chamado "signum manus", onde o testador tinha que apenas tocar o documento para torna-lo legalmente válido.[56][58] Por causa de uma lei veneziana a qual determinava que o dia terminava ao pôr do sol, a data exata da morte de Marco Polo não pode ser definida, contudo de acordo com alguns acadêmicos, foi entre o pôr do sol de 8 e 9 de janeiro de 1324.[59] A Biblioteca Marciana, que detêm a cópia original do seu testamento, data a certificação do mesmo em 9 de janeiro de 1323, e que por sua vez aponta a data da morte em algum momento em junho de 1324.[58]

As Viagens de Marco Polo[editar | editar código-fonte]

Mapa dos trechos percorridos por Marco Polo.
Ver artigo principal: As Viagens de Marco Polo
Mais informações: João de Montecorvino

Uma primeira versão definitiva do livro de Marco Polo não existe, e os manuscritos iniciais diferem-se significativamente. As versões publicadas de seu livro ou baseiam-se em manuscritos individuais ou os misturam, acrescentando ainda notas de esclarecimento nos pontos de divergência. Presume-se que aproximadamente 159 cópias de manuscritos em vários idiomas devem existir, e as discrepâncias eram inevitáveis durante o processo de cópia e tradução antes da invenção da prensa móvel.[60]

Marco Polo relatou suas memórias oralmente para Rusticiano de Pisa, enquanto ambos eram prisioneiros da República de Gênova. Rusticiano escreveu o Il Milione nas línguas de oïl, uma língua franca dos cruzados e dos mercadores ocidentais no oriente.[61] A ideia foi provavelmente criar um guia para os mercantes, para dar dicas essenciais sobre pesos, medidas e distâncias usadas nas transações comerciais.[62]

Narrativa[editar | editar código-fonte]

Uma miniatura do Il Milione.

O livro começa com um prefácio descrevendo o pai e o tio de Marco viajando para Bolğar onde o Príncipe Berke vivia. Um ano depois, eles vão para Ukek[63] e seguem para Bucara. Lá, um enviado do Levante convida-os para conhecer Kublai Khan, que nunca tinha conhecido os europeus.[64] Em 1266, eles chegam nas instalações de Kublai Khan em Cambalique, atualmente Beijing, China. Kublai recebeu os irmãos de bom grado e perguntou-os sobre o sistema político e legal da Europa.[65] Ele também indagou sobre o Papa e a Igreja de Roma.[66] Após responderem as perguntas o governante os encarregou de levaram uma carta para o Papa, requisitando que trouxessem cristãos familiarizados com as artes liberais (gramática, retórica, lógica, geometria, aritmética, música e astronomia). Kublai Khan requisitou que os enviados trouxessem de volta óleo da lamparina de Jerusalém.[67]

A longa sede vacante após a morte do Papa Clemente IV em 1268 e a suspensão das eleições do seu sucessor atrasaram os Polos de cumprirem as requisições de Kublai. Eles seguiram as sugestões de Teobaldo Visconti, o embaixador papal do reino do Egito, e retornaram para Veneza em 1269 ou 1270 a fim de esperarem a nomeação do novo Papa, o que permitiu que Marco visse seu pai pela primeira vez, com a idade de quinze ou dezesseis anos.[68]

Uma página do Il Milione, de um manuscrito provavelmente datado entre 1298-1299.

Em 1271, Niccolò, Maffeo e Marco Polo embarcaram em uma nova viagem para cumprirem as requisições de Kublai. Eles navegaram até o Acre, na atual Israel, e foram de camelos até o porto persa de Hormuz. De lá os Polos queriam navegar até a China, mas os navios que eles possuíam não eram capazes de navegarem em mar aberto, então eles continuaram por terra através da Rota da Seda até chegarem em Shangdu, perto da atual Zhangjiakou. Durante uma parte da viagem, os Polos se juntaram a uma caravana de mercadores viajantes a qual tinham se deparado no meio do caminho. Infelizmente, o grupo foi atacado por bandidos, que se aproveitaram de uma tempestade de areia para surpreendê-los. Os Polos conseguiram lutar e escapar por uma cidade vizinha, mas muitos membros da caravana foram mortos ou escravizados.[69] Três anos e meio depois de deixarem Veneza, quando Marco tinha 21 anos de idade, os Polos foram recebidos por Kublai em seu palácio.[35] A data exata da chegada deles é incerta, mas acadêmicos estimam que foi entre 1271 e 1275.[nota 4] Logo que chegaram, os Polos apresentaram o óleo sagrado de Jerusalém e as cartas papais ao seu patrono.[34]

Marco sabia quatro idiomas, e sua família tinha acumulado um grande conhecimento e experiência a qual foi útil para Kublai. É possível que ele tenha sido nomeado um oficial governamental;[35] ele escreveu sobre muitas visitas imperiais às províncias do leste e do sul da China, além de ao extremo sul asiático e a atual Myanmar.[70] Bastante respeitados e solicitados pela corte mongol, Kublai Khan decidiu recusar a solicitação dos Polos de saírem da China. Eles começaram a ficar preocupados se retornariam para a casa são e salvos, acreditando que se o Kublai morresse, os seus inimigos poderiam se voltar contra eles por causa da relação próxima com o governante. Em 1292, Arghun Khan, o sobrinho-neto de Kublai e governante do Ilcanato da Pérsia, mandou representantes para a China em busca de uma potencial esposa, e eles pediram para que os Polos os acompanhassem, então foi lhes permitido retornarem para a Pérsia com o comité de casamento, a qual partiu da China no mesmo ano de Zaitun (região sul), numa frota de catorze juncos. O comité navegou até o porto de Singapura,[71] viajando pelo norte da Sumatra,[72] passando ao oeste no porto de Point Pedro no Reino de Jafanapatão, como também no Império Pandia.[73] Eventualmente os Polos cruzaram o Mar Arábico rumo a Ormuz. A viagem de dois anos foi bastante perigosa, sendo que das seiscentas pessoas (não incluindo a tripulação) apenas dezoito sobreviveram (contando os três Polos).[74] Os Polos deixaram a comissão de casamento depois de alcançarem Ormuz e viajaram por terra até o porto de Trebizonda, no Mar Negro.[35]

O papel de Rusticiano[editar | editar código-fonte]

O acadêmico britânico Ronald Latham pontuou que O Livro das Maravilhas foi de fato um colaboração entre Marco e o escritor profissional de romances Rusticiano de Pisa, entre 1298 e 1299.[75] Latham também argumenta que Rusticiano talvez tenha glamourizado os ditos de Marco Polo, adicionando elementos fantásticos a fim de colocar o livro entre os mais vendidos.[75] O acadêmico italiano Luigi Foscolo Benedetto tinha demonstrado anteriormente que o livro foi escrito no mesmo "estilo literário" outras vezes usados nos trabalhos de Rusticiano, e que algumas passagens no livro fora feitas exatamente com as mesmas palavras ou com ligeiras modificações em relação aos escritos do romancista italiano. Por exemplo, o primeiro trecho da introdução do Livro das Maravilhas dirigido aos "imperadores e reis, duques e marqueses" foi diretamente copiado de um romance Arturiano o qual De Pisa tinha escrito alguns anos antes, e o conteúdo do segundo encontro entre Marco Polo e Kublai Khan nas cartas da corte é praticamente o mesmo que o da chegada de Tristão a corte de Rei Artur em Camelot nesse mesmo livro Arturiano.[76] Latham acredita que muitos elementos do livro, com as lendas do Oriente Médio e menções de maravilhas exóticas provêm do trabalho de Rusticiano, a qual estava descrevendo o que os europeus medievais esperariam achar em um livro de viagens.[77]

Autenticidade e veracidade[editar | editar código-fonte]

Marco Polo usando uma vestimenta tártara, data de impressão desconhecida.

Desde a sua publicação, o livro foi recebido com ceticismo.[78] Algumas pessoas da Idade Média acharam que o livro era simplesmente um romance ou uma fábula, devido aos seus relatos que narravam sobre uma civilização chinesa sofisticada, diferindo muito quando comparado com os relatos de outros viajantes, como de Giovanni da Pian del Carpine e Guilherme de Rubruck, os quais descreveram os orientais como "bárbaros" que pertenciam a "algum outro mundo".[78] Dúvidas também apareceram séculos depois das narrativas de Marco na China, por exemplo por não ter citado a Grande Muralha da China, e em particular pelas dificuldades em encontrar os lugares a qual ele alegou estar.[79][80] Muitos questionaram se Marco visitou as regiões que ele mencionou no seu itinerário, se ele tinha se apropriado das narrativas do seu pai e do seu tio ou ainda de outros viajantes, e alguns duvidaram se Marco até mesmo alcançou a China, ou se ele alcançou, talvez nunca tenha ido para Cambalique (Beijing).[79]

Entretanto deve ser pontuado que os relatos de Marco sobre a China são mais acurados e detalhados que a de outros viajantes do período. Marco Polo até mesmo refutou as 'maravilhosas' fábulas e lendas fornecidas por narrativas de outros europeus, e apesar de alguns exageros e erros, as descrições de Marco contém menos equívocos se comparado com outras obras. Em muitos casos é devidamente esclarecido (a maior parte na primeira parte antes de atingir a China, como a menção aos milagres cristãos) sobre o que ele tinha escutado ao invés do que ele tinha visto. Seus relatos não seguem os mesmos erros encontrados em outras narrativas como as do viajante marroquino Ibn Battuta, que confundiu o Rio Amarelo com o Grande Canal da China, e pensou que a porcelana era feita de carvão.[81]

Estudos modernos mostraram que detalhes fornecidos no livro de Marco Polo, como as moedas utilizadas, são acurados e únicos. Tais descrições detalhadas não são encontradas em qualquer fonte não chinesa, e sua precisão é reforçada por evidências arqueológicas e como também de registros compilados depois da saída de Marco da China, porém os relatos em si posteriormente tiveram que ser obtidos por segunda mão.[82] Outas descrições também foram verificadas; por exemplo, quando visitou Zhenjiang em Jiangsu, China, Marco Polo notou que um grande número de igrejas cristãs tinham sido construídas ali. Sua alegação é confirmada por um texto chinês explicando como um sogdiano, chamado Mar-Sargis de Samarcanda, fundou seis igrejas cristãs nestorianas em Hangzhou durante a segunda metade do século XIII.[83] Sua história da princesa Kököchin ser mandada para a Pérsia para casar com Īl-khān também é confirmada por fontes independentes tanto na Pérsia quanto na China.[84]

Debates e controvérsias[editar | editar código-fonte]

Trecho da carta do Papa Inocêncio IV "para o governante do povo dos tártaros" encaminhado para Güyük Khan pelo enviado Giovanni de Carpine, 1245

Omissões[editar | editar código-fonte]

Céticos consideraram se Marco Polo escreveu seu livro baseado em boatos, com alguns apontando omissões sobre práticas e construções chinesas, assim como a falta de detalhes de alguns lugares no seu livro. Enquanto ele descreve o papel-moeda e a queima de carvão, Marco não menciona a Grande Muralha da China, o chá, os caracteres chineses, os pés de lótus e os hashis.[85] A sua falha em não notar a presença da Grande Muralha foi primeiramente levantada em meados do século XVII, e foi sugerido que ele nunca alcançou a China.[79] Posteriormente alguns acadêmicos, como John W. Haeger, argumentaram que Marco Polo provavelmente nunca visitou o sul da China por causa da falta de detalhes de suas descrições das cidades chinesas sulistas quando comparado com as cidades nortenhas, enquanto que Herbert Franke também levantou a possibilidade de Marco Polo nunca ter ido sequer para a China, e questionou se ele provavelmente baseou suas descrições em fontes persas por causa do uso de expressões persas em seu livro.[86][87] Essa visão é melhor aprofundada por Frances Wood, que em seu livro Did Marco Polo Go to China? argumenta que na melhor das hipóteses ele nunca foi para o leste da Pérsia (atual Irã), e que tudo que foi escrito no Livro das Maravilhas sobre a China poderia muito bem ser obtido através de livros persas.[88] Wood sustenta que é mais provável que Marco tenha apenas ido para Constantinopla (atual Istambul, Turquia) e para algumas colônias mercantes no Mar Negro, coletando rumores dos viajantes que tinham ido mais para o leste.[88]

Selo de Güyük Khan usando o clássico alfabeto mongol tradicional, encontrada na carta resposta para o Papa Inocêncio IV em 1246.

Defensores da autenticidade do livro rebateram os pontos levantados pelo céticos como o da Grande Muralha e dos pés de lótus. O historiador Stephen G. Haw argumenta que as Grandes Muralhas foram construídos para manter longe os invasores nortenhos, enquanto que a dinastia governante durante a visita de Marco Polo eram os próprios invasores do norte. Ele pontua que a Grande Muralha que estamos familiarizados hoje em dia é uma construção erguida durante a Dinastia Ming, dois séculos depois das viagens de Marco Polo, e que os governantes mongóis controlavam tanto os territórios do norte quanto no sul em relação a divisão atual da muralha, e não teriam razões para manter quaisquer fortificações levantadas pelas dinastias anteriores.[89] Outros europeus que viajaram para Cambalique, como Giovanni de' Marignolli e Odorico de Pordenone, igualmente não disseram nada sobre a muralha. O viajante muçulmano Ibn Battuta, quando inquiriu sobre a muralha quando visitou a China durante a Dinastia Yuan, não encontrou alguém que a tivesse visto ou conhecesse alguém que tivesse, sugerindo que se as ruínas da muralha construída nos períodos anteriores existiu, não era digna de nota naquela época.[89]

Ele também argumenta que a prática do pés de lótus não eram comuns na China durante a época de Marco Polo e eram quase desconhecidos entre os mongóis. Enquanto que o missionário italiano Odorico de Pordenone, que visitou a China durante a Dinastia Yuan, mencionou os pés de lótus (entretanto é incerto se ele somente estava relatando o que tinha escutado pois sua descrição é imprecisa),[90] nenhum outro visitante da Dinastia Yuan mencionaram a prática, indicando que a tradição dos pés de lótus não era disseminada ou praticada naquela época.[91] O próprio Marco Polo notou (no manuscrito de Toledo) o andar delicado de uma mulher chinesa em seus passos curtos.[89] Outros acadêmicos também perceberam que muitas outras coisas não mencionadas por Marco, tal como o chá e os hashis, não foram mencionados por outros viajantes de igual maneira.[92] Ele também aponta que apesar de suas poucas omissões, os relatos de Marco Polo são mais extensos, acurados e detalhados do que de qualquer viajante estrangeiro do período.[93]

Exageros[editar | editar código-fonte]

Carta de Arghun, Khan do Ilcanato mongol, para o Papa Nicolau IV, 1290.

Muitos acadêmicos acreditam que Marco Polo exagerou sobre sua importância na China. O historiador britânico David Morgan acredita que Polo mentiu sobre o seu status na China[88] enquanto Ronald Latham acredita que tais exageros foram realizados por seu escritor fantasma, Rusticiano de Pisa.[94] No Livro das Maravilhas, Polo alega que era um amigo próximo e conselheiro de Kublai Khan e que ele foi o governante da cidade de Yangzhou por três anos, ainda que nenhuma fonte chinesas menciona-o nem como governador de Yangzhou ou como conselheiro de Kublai Khan; de fato, nenhuma fonte chinesa chega o mencionar[95] Herbert Franke notou que todas as ocorrências da palavra Po-lo ou Bolod ("aço" nas línguas altaicas) nos textos da Dinastia Yuan são nomes de pessoas de origem mongol ou turca.[96] O sinólogo Paul Pelliot acredita que Polo pode ter servido como oficial no governo em Yangzhou, uma posição de alguma significância que poderia explicar o exagero.[88] Polo também alegou ter fornecido aos mongóis manganelas durante a Batalha de Xiangyang, uma alegação inverídica, pois tal conflito ocorreu muito antes da chegada de Polo a China. O exército mongol que cercou Xiangyang possuía tecnologia militar estrangeira, mas os relatos chineses descrevem-nos como provenientes de Bagdá e possuindo nomes árabes.[87]

Stephen Haw, entretanto, contesta a ideia que Polo exagerou sobre sua própria importância, escrevendo: "ao contrário do que tem sido comumente dito... Marco não fez nenhuma alegação exaltando falsamente sua posição no Império Yuan".[97] Ele alega que Polo nunca disse ter sido um ministro da mais alta importância, um Darughachi, líder de um Tumen (isto é, de dez mil homens), ou nem mesmo líder de mil homens, apenas que ele era um missionário do Khan e ocupou uma posição de certa honra. Ele acredita ter um número razoável de evidências corroborando a ideia que Polo foi um Kheshig, estimando ter catorze mil deles na época.[97] Haw explica como os primeiros manuscritos dos relatos de Polo fornecem informações contraditórias sobre sua função em Yangzhou, com alguns atestando que ele foi somente um simples residente, e outras atestando que ele foi um governador, e o manuscrito de Ramusio diz que Polo foi simplesmente um oficial temporário, ainda que todos os manuscritos concordem que ele trabalhou como um estimado emissário para o Khan.[98] Haw também questiona a procura do nome Marco Polo nos textos chineses, argumentando que europeus daquela época raramente usavam sobrenomes, e que uma transcrição direta dos caracteres chineses do nome "Marco" ignora a possibilidade dele ter adotado um nome chinês ou até mesmo mongol, os quais não tem nenhuma similaridade com os nomes latinos.[97]

Erros[editar | editar código-fonte]

Alguns erros nos relatos de Marco Polo foram encontrados. Por exemplo, ele descreve uma ponte posteriormente conhecida como Ponte Marco Polo possuindo vinte e quatro arcos, ao invés de onze ou treze.[99] Ele também disse que as muralhas da cidade de Cambalique tinham doze portões quando tinham apenas onze.[100] Arqueólogos também apontaram que Polo também misturou os detalhes das duas tentativas de invasão ao Japão por Kublai Khan em 1274 e 1281. Polo escreveu que os navios tinham cinco mastros, quando os arqueólogos descobriram que os navios tinham de fato apenas três mastros.[101]

Apropriações[editar | editar código-fonte]

Wood acusa Marco Polo de ter se apropriado de relatos de outras pessoas em seu livro, recontando outras história em benefício próprio, ou ainda baseando suas aventuras em livros persas ou de outras fontes perdidas. Por exemplo, o sinólogo Francis Woodman Cleaves percebeu que o relato de Polo sobre a viagem da princesa Kököchin da China até a Pérsia para se casar com Īl-khān está descrita na Enciclopédia Yung-lo Ta-tien e pelo historiador persa Rashid-al-Din Hamadani. Entretanto nenhuma dessas passagens mencionam Polo ou até mesmo qualquer europeu durante a comissão nupcial,[102] e Wood usa a falta de evidências como comprovação para demonstrar que os Polos "recontaram uma história bem conhecida". Morgan, defendendo Polo, aponta que a própria princesa nem sequer é mencionada na fonte chinesa, e que ficaria surpreso se Polo tivesse sido mencionado por Rashid-al-Din.[103] O historiador Igor de Rachewiltz argumenta que os relatos de Marco Polo na verdade conseguem reconciliar as fontes chinesas e persas, pois a informação que dois dos três enviados (mencionados nas fontes chinesas e cujos nomes estão de acordo com os escritos de Polo) morreram durante a viagem, explica como apenas o terceiro sobreviveu, Coja/Khoja, que por sua vez é mencionado por Rashìd al-Dìn. Polo também complementa a história fornecendo informações não encontradas em ambas as fontes. Rachewiltz igualmente sustenta que a única fonte persa a qual menciona a princesa não foi compilada até 1310-1311, portanto Marco Polo não podia ter se apropriado das informações de qualquer livro persa. De acordo com Rachewiltz, os relatos acurados de Polo sobre a princesa, juntamente com outras fontes independentes mas incompletas, são a prova da veracidade da história de Polo e da sua presença na China.[92]

Avaliações[editar | editar código-fonte]

Selo do governante mongol Ghazan em uma carta de 1302 para o Papa Bonifácio VIII.

Morgan escreve que já que muito do conteúdo do Livro das Maravilhas sobre a China é "consideravelmente correto", a alegação de que Polo não foi a China "cria mais problemas do que resolve" e que portanto sugere fortemente que Polo realmente foi a China, até mesmo se ele exagerou sobre sua importância no império chinês-mongol.[104] Ele não aceita vários criticismos dos relatos de Polo que se iniciaram no século XVII, e destaca a precisão de Polo em grande parte da história, por exemplo sobre o seu conhecimento em relação ao Grande Canal da China.[105] "Se Marco foi um mentiroso", Haw escreve, "então devemos considerar de maneira implausível que ele foi bastante meticuloso".[106]

Em 2012, o departamento de sinologia da Universidade de Tübingen e o historiador Hans Ulrich Vogel lançaram uma análise detalhada das discrições de Polo sobre as moedas, das receitas e produções do sal, e argumentam que as evidências corroboram sua presença na China porque ele incluiu detalhes que não poderiam ser obtidos de outra forma.[107][108] Vogel concluiu que nenhuma outra fonte ocidental, árabe ou persa dão informações tão precisas e únicas sobre as moedas chinesas. Por exemplo, o peso e tamanho dos papéis, o uso de selos, as várias denominações dos papéis moedas e das variações das diversas moedas usadas em diferentes regiões da China, tal como o uso de búzios em Yunnan, comprovada por evidências arqueológicas e por fontes chinesas compiladas muito depois de Polo ter deixado a China.[109] Seus relatos sobre as receitas e produções do sal também são precisas, e estão de acordo com documentos da era Yuan.[110] O historiador econômico Mark Elvin, no seu prefácio na monografia de 2013 de Vogel, conclui que ele "demonstra com provas detalhadas atrás de provas detalhadas as últimas evidências esmagadoras da autenticidade dos relatos de Polo. Muitos problemas foram causados pela transmissão oral do texto original e da proliferação de manuscritos escritos a mão que se divergiam significativamente. Por exemplo, Polo exerceu "autoridade política" (seignora) em Yangzhou ou meramente foi um "residente" (sejourna)? Elvin conclui que "aqueles que duvidaram, embora enganados, não estavam sendo levianos ou tolos", mas "o caso como um todo está agora encerrado": o livro [As Viagens] é "essencialmente autêntico e, quando usado com cuidado, pode ser usado como um testemunho confiável, embora nem sempre definitivo."[111]

Legado[editar | editar código-fonte]

Explorações posteriores[editar | editar código-fonte]

Notas escritas a mão por Cristóvão Colombo na versão latina do livro de Polo.
O Mapa-múndi de Fra Mauro, publicado em 1450 pelo monge veneziano Fra Mauro.

Outros exploradores europeus menos conhecidos viajaram para a China, como Giovanni da Pian del Carpine, mas a jornada de Polo foi a primeira a ser comumente conhecida. Cristóvão Colombo ficou inspirado pelas discrições de Polo sobre o Extremo Oriente e quis visitar essas terras; uma cópia do livro estava entre os seus pertences, com anotações a mão.[6] Bento de Góis, inspirado pelos escritos de Marco Polo de um reino cristão ao leste, viajou 6 000 km em três anos através da Ásia Central. Ele nunca achou o reino, mas terminou encontrando a Grande Muralha da China em 1605, provando que Catai era o que Matteo Ricci (1552–1610) tinha chamado de "China".[112]

Cartografia[editar | editar código-fonte]

As viagens de Marco Polo tiveram alguma influência no desenvolvimento da cartografia europeia, culminando nas viagens exploratórias europeias um século depois.[113] O Mapa-múndi de Fra Mauro foi parcialmente inspirado pelos ditos de Marco Polo sobre Catai.

Embora Marco Polo nunca tenha produzido um mapa ilustrando sua jornada, sua família desenhou alguns mapas do Extremo Oriente baseados nos imprecisos manuscritos de seus relatos. Essa coleção de mapas foram assinadas pelas três filhas de Polo: Fantina, Bellela e Moreta.[114] Eles não apenas contêm os registros de suas aventuras, como incluem também rotas para o Japão, a Península de Kamchatka na Sibéria, o Estreito de Bering e até mesmo a costa do Alaska, séculos antes da redescoberta da América pelo europeus.

Arte, entretenimento e mídia[editar | editar código-fonte]

Jogos[editar | editar código-fonte]
Literatura[editar | editar código-fonte]

O livro As Viagens de Marco Polo é tema em várias obras literárias de ficção, incluindo:

Televisão[editar | editar código-fonte]
  • A minissérie de televisão Marco Polo, dirigida por Giuliano Montaldo. Ganhou dois Emmys e foi indicada em mais seis.[119][120]
  • O filme Marco Polo (2007), que conta como Marco Polo foi deixado sozinho na China enquanto seu pai e seu tio retornam para Veneza, para se reencontrarem com ele anos depois.[121]
  • A websérie Marco Polo, que narra os primeiros anos do explorador veneziano na corte de Kublai Khan e que estreou na Netflix em 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Muitas fontes citam essa data; Britannica 2002, p. 571, afirma "nascido em torno de 1254." Alguns historiadores mencionam que ele nasceu em 15 de setembro de 1254, mas a data não é confirmada por fontes primárias e portanto não é endorsada pela maioria dos acadêmicos.
  2. Em Chronicon Iustiniani eles são mencionados entre os imigrantes, e não se sabe de onde vieram, mas no original é dito que eles vem Di Dalmazia, assim como por outras fontes venezianas.
  3. Albert t'Serstevens argumenta que ele assinava o próprio nome como Marc Pol, e não como muitos acadêmicos transcreveram posteriormente - Marco Polo, e portanto não é de origem latina veneziana, e sim de regiões mais ao leste, isto é, de origem eslava. Anteriormente Henry Yule também propôs uma origem mais ao leste. Arthur Christopher Moule pesquisou a origem do sobrenome Polo-Pollo, e o mais perto que conseguiu chegar foi a palavra veneziana "pola", que existiu por certo tempo e significava uma família de pássaros tal como no croata antigo "pol". Entretanto, de acordo com A. Pavešković, o singular "pol" tem o plural "pole", portanto esse sobrenome deveria ser escrito como Pola e não Pol ou Polo, o que não é o caso. A raiz de pol é encontrada na história croata; a tribo nobre croata Polečić tinha em seus domínios uma vila chamada Pol-Buk em Lika. A palavra holandesa para Poljica era algumas vezes nomeada em documentos como Politia. Muitos sobrenomes da Dalmácia podem ser considerados, tal como Polić, Pole, Polina, Poline, Depolo e assim por diante.
  4. O monge tibetano e confidente de Kublai Khan, Drogön Chögyal Phagpa, menciona em seus diários que um amigo estrangeiro de Kublai Khan chegou para visita-lo em 1271, possivelmente sendo um dos Polos ou ainda o próprio Marco Polo, embora nenhum nome é fornecido. Se esse não é o caso, uma data mais provável para a chegada deles é 1275 (ou 1274, de acordo com o pesquisador acadêmico japonês Matsuo Otagi). Britannica 2002, p. 571

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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