Samarcanda

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Samarcanda (Самарқанд)
Samrqand
Registan - Samarcanda
Registan - Samarcanda
Brasão oficial de Samarcanda
Brasão
Samarcanda está localizado em: Uzbequistão
Samarcanda
Localização de Samarcanda (Uzbequistão)
Coordenadas 39° 39' 15" N 66° 57' 35" E
País Uzbequistão
Província de Samarcanda
População  
  Cidade (2008)
  Urbana 596 300
  Metro 708 000
Website: www.samarkand.info
Pix.gif Samarcanda - Cruzamento de Culturas *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Storks samarkand.jpg
Fotografia colorida de Ulugh Beg Madrasa, tirada em Samarcanda cerca de 1912.
País  Uzbequistão
Critérios C (i)(ii)(iv)
Referência 603
Coordenadas 39° 40′ N 67° 00′ E
Histórico de inscrição
Inscrição 2001  (25ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Samarcanda (em uzbeque: Samarqand; em tajique: Самарқанд; em persa: سمرقند; em russo: Самарканд), cujo nome significa "Forte de Pedra" ou "Cidade de Pedra", em sogdiano, é a segunda maior cidade do Uzbequistão e a capital da província de Samarcanda, situando-se num fértil vale irrigado.

A cidade é famosa pela sua localização estratégica no centro da Rota da Seda entre a China e a Europa, e por ser um centro de estudos islâmicos de grande importância. Fundada no primeiro milénio antes da era cristã, como paragem na Rota da Seda, foi conquistada por Alexandre, o Grande e pelos Abássidas. Foi no século XIV a capital do império de Tamerlão, que a dotou de magníficos edifícios dignos de uma capital imperial.[1] Foi ainda capital do Uzbequistão entre 1925 e 1930.[2] Hoje é o centro comercial e turístico do país e tem cerca de 550 milhares de habitantes.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Samarqand provém do persa antigo asmara: "pedra" e do sogdiano qand, kand: cidade, forte (termo centro-asiático).[3]

História[editar | editar código-fonte]

A ocupação do local onde hoje se ergue a cidade de Samarcanda data do Paleolítico Inferior e é um dos berços das civilizações desenvolvidas pelos povos da Ásia Central. O museu de Samarcanda mostra vários exemplos de sílex talhado encontrados na área da cidade, no sítio arqueológico denominado Afrasiab.

É uma das mais antigas cidades do mundo, tendo sido fundada, aproximadamente, em 700 a.C.. Foi conquistada por Alexandre, o Grande em 329 a.C., quando era conhecida sob o nome de "Marakanda".[4] Alexandre iria mais longe, até ao subcontinente indiano, mas a Sogdiana marcou o limite das suas conquistas na Ásia Central.

O célebre peregrino e viajante chinês Xuanzang passou por volta de 631 por Tachkent e Samarcanda, no decurso do seu périplo em busca de manuscritos sagrados budistas. O seu testemunho sobre a cidade é o seguinte:

Cquote1.svg A sua capital [da Sogdiana] tem mais de 20 li de perímetro (cerca de 10 km), excessivamente forte e com uma importante população. A terra tem um grande entreposto comercial, é muito fértil, abundam as flores e árvores e dá muitos e belos cavalos. Os seus habitantes são artesãos hábeis e enérgicos. Todas as terras Hou (iranianos) consideram este reino como o seu centro e fazem dele um modelo das suas instituições. O rei é um homem de espírito e coragem a quem os estados vizinhos obedecem. Tem um exército formidável no qual a maior parte dos soldados são chakir. São homens de grande valor, que vêem na morte um regresso aos seus antepassados, e contra os quais nenhum inimigo combate sem temor. Cquote2.svg

Foi conquistada pelos árabes em 712 e brilhou sob o império dos Samânidas. Samarcanda foi provavelmente a capital da Sogdiana até à invasão chinesa da região então conhecida como Transoxiana. Revoltados com o domínio chinês, uma coligação dos povos árabes, iranianos e túrquicos derrotou os chineses na batalha de Talas em 751[5] , e capturou artesãos de papel chineses. Samarcanda tornar-se-ia em consequência o primeiro centro de fabrico de papel do mundo islâmico.

O matemático, astrónomo e poeta persa Omar Khayyām (1048-1131) residiu na cidade de 1072 a 1074, antes de se instalar em Ispahan, no Irão, por convite do sultão seljúcida Malik Shah I. Em Samarcanda escreveu um tratado de álgebra.[6]

O exército de Gengis Khan sitiou e destruiu a cidade em 1220[7] [4] . Marco Polo não passou em Samarcanda, pois o seu itinerário para a China seguia mais a sul, pelo Afeganistão, mas o seu pai e tio foram até Bucara pela tradicional Rota da Seda cujo prolongamento natural atravessava Samarcanda antes chegar às montanhas do Pamir. Marco Polo escreveria o que lhe contaram:

Cquote1.svg Samarcanda é uma muito nobre e enorme cidade, onde se encontram belos jardins e todos os frutos que o homem possa desejar. As suas gentes são cristãs e sarracenas. Cquote2.svg
Marco Polo - Descobertas do Mundo, o Livro das Maravilhas (Tomo I)

Samarcanda foi depois o centro político do Império Timúrida e a capital mais opulenta da Ásia Central. A cidade era dominada pela gigantesca cúpula de sua mesquita. Os monumentos a Tamerlão eram cobertos de azulejos de ouro, lápis-lazúli e alabastro. O seu mausoléu, o Gur-e Amir, é uma jóia da arte islâmica, com um sepulcro sobre uma enorme pedra de jade. Pensa-se que nesse túmulo estejam depositados os restos mortais do guerreiro Tamerlão, morto em 1405.

Alguns pontos de interesse da cidade histórica são a Praça do Registan, a Mesquita de Bibi-Khanym, a Necrópole de Shakhi-Zinda, o Mausoléu de Gur-Emir, o Observatório de Ulugbek e o Museu de Afrasiab.

Samarcanda foi inscrita na lista do patrimônio mundial da UNESCO em 2001.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Em 1939 Samarcanda tinha 134 346 habitantes[8] e em 2008 a população urbana era de cerca de 596 300, sobretudo de tadjiques de línguas persas. Tal como Bucara, Samarcanda é um dos centros históricos do povo tadjique na Ásia Central.[9]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Samarcanda é marcadamente continental. Os verões são secos e quentes, e os invernos muito frios. Julho e agosto são os meses mais quentes do ano, com as temperaturas a atingir e exceder os 40ºC. A maior parte da baixa precipitação anual ocorre de dezembro a abril.[10]

Geminações[editar | editar código-fonte]

Samarcanda está geminada com:

Referências a Samarcanda[editar | editar código-fonte]

Samarcanda encontra-se referenciada em numerosas obras artísticas de produção recente:

  • Samarcande é o título de um romance de Amin Maalouf.
  • Uma das aventuras de Corto Maltese, o herói de Hugo Pratt, chama-se La Casa Dorata di Samarcanda.
  • Ce soir à Samarcande é uma peça de teatro de Jacques Deval (1954)
  • The Amulet of Samarkand é o título de um romance de Jonathan Stroud, parte da trilogia Bartimeus.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. William J. Duiker,Jackson J. Spielvogel. World History, Volume 1. Cengage Learning, 2006. p. 250
  2. Edward Allworth. The modern Uzbeks: from the fourteenth century to the present: a cultural history. Hoover Press, 1990. p. 295
  3. Room, Adrian (2006). Placenames of the World: Origins and Meanings of the Names for 6,600 Countries, Cities, Territories, Natural Features and Historic Sites 2nd edition ed. (London: McFarland). p. 330. ISBN 0786422483. Samarkand. City, southeastern Uzbekistan. The city derives its name from that of the former Greek city here of Marakanda, captured by Alexander the Great in 329 B.C.. Its own name derives from the Old Persian asmara, "stone", "rock", and Sogdian kand, "fort", "town". 
  4. a b Jennifer Speake. Literature of travel and exploration: an encyclopedia, Volume 3. Taylor & Francis, 2003. pp. 1479
  5. Carlos Ramirez-Faria. Concise Encyclopaedia of World History. Atlantic Publishers & Distributors, 2007. pp. 1000
  6. Edward FitzGerald. Rubáiyát of Omar Khayyám. University of Virginia Press, 1997. pp. 258
  7. Samuel Willard Crompton. Centas guerras que mudaram a historia do mundo. Ediouro Publicações, 2005. pp. 252
  8. Columbia-Lippincott Gazeteer. p. 1657
  9. D.I. Kertzer/D. Arel, Census and identity, p. 187, Cambridge University Press, 2001
  10. Samarkand.info. "Weather in Samarkand". Samarkand, Uzbekistan. Consult. 2009-06-11. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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