Java

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Java
Jawa
Java Topography.png
Mapa topográfico de Java
7° 29' S 110° E
Java Locator.svg
Localização de Java no Sudeste Asiático
Geografia física
País Indonésia
Localização Sudeste Asiático
Oceano Índico
Arquipélago Grandes Ilhas da Sonda
Ponto culminante 3 676 m (Monte Semeru)
Fuso horário UTC+7
Área 124 413  km²
Largura 150 km
Comprimento 1060 km
Geografia humana
População 141 300 000 (2015)[1]
Densidade 1 135,7  hab./km²
Línguas principais: javanêssundanêsmadurês
Maior cidade Jacarta
Administração
Províncias e regiões especiais Banten • Região Especial de Jacarta • Java OcidentalJava CentralJava OrientalRegião Especial de Yogyakarta

Java (em indonésio, javanês e sundanês: Jawa) é a segunda maior e a principal ilha da Indonésia, onde se situa a capital do país, Jacarta.[2] Tem 124 413 km² de área e em 2015 tinha 141 300 000 habitantes (densidade: 1 135,7 hab./km²),[1] que constituem 56,7% da população da Indonésia.

É a ilha mais populosa do mundo e uma das regiões mais densamente povoadas do planeta. No passado foi o centro de poderosos impérios hindus e budistas, sultanatos muçulmanos, a principal possessão das Índias Orientais Holandesas e o principal local onde se desenrolou a luta pela independência da Indonésia nas décadas de 1930 e 1940. Java tem um papel preponderante a vida política, cultural e económica da Indonésia.

A maior parte da ilha é de origem vulcânica. É a 13.ª maior ilha do mundo em área e a 5.ª maior da Indonésia. Uma cadeia de montanhas vulcânicas forma uma espinha na direção leste-oeste ao longo de praticamente toda a ilha. As três principais línguas de Java são o javanês, o sundanês e o madurês. A primeira é a mais falada, sendo a língua materna de 60 milhões de indonésios, a maior parte deles residentes em Java. Grande parte dos habitantes é bilingue, usando o indonésio como primeira ou segunda língua. Embora a esmagadora maioria da população seja muçulmana, Java tem uma mistura variada de crenças religiosas, etnias e culturas.[3] Em termos administrativos, Java está dividida em quatro províncias (Banten, Java Ocidental, Java Central e Java Oriental) e duas regiões especiais (Jacarta e Yogyakarta).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do nome Java não é clara. Uma possibilidade é que a ilha deva o nome à planta jáwa-wut (painço; Setaria italica), que supostamente seria comum na ilha. Antes da "indianização", a ilha teve vários nomes diferentes.[2] Outra origem possível é a palavra jaú e as suas variantes, que significam "para além" ou "distante". Em sânscrito, yava significa cevada, uma planta pela qual Java era famosa.[4] Segundo outros autores, Java deriva do termo iawa do proto-austronésio, que significa "casa".[3]

A ilha é mencionada com o nome Yawadvipa no antigo épico hindu RamáianaSugriva, o comandante do exército de Rama, enviou os seus homens a Yawadvipa para procurarem Sita.[5] O nome em sânscrito da ilha é yāvaka dvīpa (dvīpa significa ilha). Java é mencionada no antigo texto tâmil Manimekalai do poeta Chithalai Chathanar, onde se relata que em Java havia um reino cuja capital se chamava Nagapuram.[6][7][8] A grande ilha de Iabadiu ou Jabadiu é mencionada na Geografia de Ptolomeu, escrita em meados do século II d.C.. Segundo o geógrafo greco-romano, Iabadiu, que significava "ilha da cevada", era rica em ouro e tinha uma cidade de prata chamada Argyra na sua extremidade ocidental. O nome parece ser derivado do nome hindu Java-dvipa[9] (Yawadvipa).

Geografia[editar | editar código-fonte]

Java é uma ilha de forma alongada com cerca de 1 060 km de comprimento na direção leste-oeste e 90 a 150 km de largura na direção norte-sul. Tem 124 413 km² e situa-se entre as ilhas de Sumatra (a noroeste) e Bali (a leste). A ilha de Bornéu fica a norte e a ilha Christmas a sul. A costa norte é banhada pelo mar de Java, a costa ocidental pelo estreito de Sonda, a costa sul pelo oceano Índico e a costa oriental pelos estreitos de Bali e de Madura. Faz parte do arquipélago das Grandes Ilhas da Sonda.

Praticamente toda a ilha é de origem vulcânica. O seu eixo central é percorrido por uma cadeia de montanhas com 38 picos principais, os quais foram ou ainda são vulcões ativos. A montanha mais alta é o monte Semeru (3 676 m de altitude) e o vulcão mais ativo é o Merapi (2 930 m). Outras montanhas e planaltos contribuem para dividir o interior numa série de regiões relativamente isoladas que são das mais férteis do mundo para o cultivo de arroz.[10] Outra produção agrícola importante é o café. A primeira plantação de café da Indonésia foi criada em 1699 em Java. Atualmente, o café é cultivado sobretudo no planalto de Ijen, na parte oriental da ilha.

O principal e mais longo rio é o Bengawan Solo], com 600 km de comprimento.[11] Nasce na parte central da ilha, no vulcão Lawu, corre para norte e leste e desagua no mar de Java perto da cidade de Surabaya. Outros rios importantes são o Brantas, Citarum, Cimanuk e o Serayu.

Meio ambiente[editar | editar código-fonte]

O bioma predominante em Java é a floresta tropical pluvial, com ecossistemas que vão desde os mangais costeiros na costa norte às florestas húmidas de alta altitude das encostas vulcânicas do interior, passando pelas costas escarpadas da costa sul e pelas florestas tropicais das zonas baixas. As condições ambientais e clima mudam gradualmente de oeste para leste, desde as florestas húmidas e densas da parte ocidental até às savanas relativamente secas da parte oriental, conforme o clima e precipitação nessas regiões.

Originalmente, a ilha tinha uma grande biodiversidade, com numerosas espécies endémicas vegetais e animais, como o rinoceronte-de-java,[12] o bantengue, o javali verrugoso javanês, águia-gavião-javanesa (Nisaetus bartelsi), o pavão-verde, o gibão-prateado, o lutung-de-java, o cervo-rato-javanês (Tragulus javanicus), o cervo-de-timor (Rusa timorensis) e o leopardo-de-java. Com 450 espécies de aves, 37 delas endémicas, Java é um local de sonho para os observadores de aves.[13] Há cerca de 130 espécies de peixes de água doce.[14]

Desde tempos remotos que os habitantes locais têm limpado as florestas, alterado os ecossistemas e moldado a paisagem, nomeadamente criando socalcos para plantação de arroz e terraços para suportar a população crescente. Os socalcos de arroz existem há mais de um milénio e foram a base económica de antigos reinos agrícolas. A população crescente coloca uma grande pressão na vida selvagem de Java, com a diminuição das florestas, que estão confinadas a encostas altas e penínsulas isoladas. Algumas das espécies endémicas estão me risco de extinção crítico e algumas já se extinguiram, como o tigre-de-java e o elefante-de-java (Elephas maximus sondaicus).

Atualmente há vários parques nacionais para proteger o que resta da frágil vida selavagem, como o de Ujung Kulon, Monte Halimun Salak, Gunung Gede Pangrango, Baluran, Meru Betiri e Alas Purwo.

Clima[editar | editar código-fonte]

A temperatura média oscila entre 22 e 29 °C e a humidade relativa média é 75%. As planícies costeiras setentrionais são geralmente mais quentes, com temperaturas médias durante o dia de 34 °C na estação seca. As costas meridionais são geralmente mais frescas do que o norte e o interior montanhoso ainda mais fresco.[15]

Durante a estação das chuvas, que vai de novembro a abril, a chuva cai principalmente à tarde. No resto do ano, a chuva é intermitente. Os meses mais chuvosos são janeiro e fevereiro. Java Ocidental é mais húmida que Java Oriental e a precipitação é maior nas regiões montanhosas. Nos planaltos de Parahyangan, em Java Ocidental a precipitação média anual é superior a 4 000 mm, enquanto que na costa norte de Java Oriental é 900 mm.[15]

Divisões administrativas[editar | editar código-fonte]

Java e as ilhas pequenas mais próximas estão divididas em quatro províncias e duas regiões especiais.

Província Capital Área (km²) N.º de habitantes
(2014)
Densidade pop.
(hab./km²)
Banten Serang 9 662,92 11 834 087 1 224,7
Java Ocidental Bandung 35 377,76 46 029 668 1 301,1
Java Central Semarang 32 800,69 33 753 023 1 029
Java Oriental [♦] Surabaia 47 799,75 38 529 481 806,1
Jacarta (reg. esp.) - 661,5 9 607 787 14 524,2
Yogyakarta (reg. esp.) Yogyakarta 3 133,15 3 594 290 1 147,2
[♦] ^ A província de Java Oriental inclui a ilha de Madura (5 168 km²; 3 630 000 habitantes em 2012; densidade: 702,4 hab./km²).

Além das divisões administrativas é comum dividir a ilha em quatro zonas culturais:

  • Java Ocidental, que inclui Banten, Java Ocidental e Jacarta.
  • Java Central, que inclui também a região especial de Yogyakarta
  • Java Ocidental, à exceção da ilha de Madura
  • Ilha de Madura

História[editar | editar código-fonte]

Foi nas margens do rio Solo que foram encontrados os primeiros restos fossilizados do chamado Homem de Java, um hominídeo da espécie Homo erectus, datados de há cerca de 1,7 milhões de anos.[16][17][18]

A fertilidade excecional da ilha e a chuva abundante proporcionou o desenvolvimento do cultivo de arroz, uma tividade que requeria um nível sofisticado de cooperação entre aldeias. A partir das alianças de aldeias, desenvolveram-se pequenos reinos. As cadeias de montanhas vulcânicas e as terras altas associadas ao longo de toda a ilha manteve os diversos povos separados e relativamente isolados.[19] Antes do advento dos estados islâmicos e do colonialismo europeu, os rios constituíam o principal meio de comunicação, apesar da maior parte dos rios javaneseses serem relativamente curtos. Só os rios Brantas e Solo permitiam comunicações a longa distância e foi nos seus vales que floresceram os centros dos principais reinos. Supõe-se que pelo menos desde meados do século XVII a ilha foi dotada de um sistema de estradas, pontes permanentes e pontos de portagem. As estradas erm por vezes destruídas, tanto pelas potências locais como pelas chuvas, que tornavam o uso das estradas muito dependentes de manutenção constante, o que por sua vez fazia com que as comunicações entre as populações da ilha fossem difíceis.[10]

Período dos reinos hindus e budistas[editar | editar código-fonte]

Os reinos de Taruma e de Sunda de Java Ocidental surgiram no século IV e VII d.C., respetivamente, e o de Kalingga enviou embaixadas à China a partir de 640.[20] Contudo, o principal reino foi o de Medang (ou Mataram), fundado em Java Central no início do século VIII d.C.. A religião de Medang tinha como divindade central o deus hindu Xiva e o reino construiu alguns dos templos hindus mais antigos de Java no planalto de Dieng. No século VIII, a dinastia Sailendra surgiu na planície de Kedu e tornou-se a patrocinadora do budismo Maaiana. É à dinastia Sailendra que se devem alguns monumentos religiosos imponentes, como os templos do século IX de Borobudur e Prambanan, em Java Central.

Cerca do século X, o centro do poder deslocou-se do centro da ilha para a parte oriental. Os reinos javaneses orientais de Kediri, Singasari e Majapait dependiam sobretudo da cultura de arroz, mas mantiveram comércio com o arquipélago indonésio, China e Índia. Majapait foi fundado por Raden Wijaya (r. 1294–1309)[21] e no final do reinado de Hayam Wuruk (r. 1350–1389) reclamava-se soberano de todo o arquipélago indonésio, apesar de provavelmente o controlo efetivo se limitar a Java, Bali e Madura. O primeiro-ministro de Hayam Wuruk, Gajah Mada, liderou muitas das conquistas territoriais do rei.[22] Enquanto que os reinos javaneses anteriores baseavam o seu poder na agricultura, Majapait tomou o controlo dos portos e rotas de navegação, tornando-se o primeiro império comercial de Java. Após a morte de Hayam Wuruk e da chegada do islão, Majapait entrou em declínio.[23]

Difusão do islão e florescimento dos sultanatos islâmicos[editar | editar código-fonte]

O islão tornou-se a religião dominante em Java no fim do século XVI. Durante esse período, os reinos islâmicos de Demak, Cirebon e Banten surgiram e desenvolveram-se a partir do século XV. No final do século XVI, o Sultanato de Mataram tornou-se a potência dominante nas regiões centrais e orientais de Java. Os reinos de Surabaia e de Cirebon acabaram por ser subjugados por Mataram e quando os holandeses conquistaram a ilha só foram confrontados por dois estados: Mataram e Banten.

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Os contactos de Java com as potências coloniais europeias iniciaram-se em 1522, com o Tratado de Sunda Kalapa, assinado entre o comandante português de Malaca e o o rei de Sunda. No entanto, as tentativas dos portugueses para se estabelecerem em Java fracassaram e a presença portuguesa na Indonésia foi confinada às ilhas orientais. O primeiro contacto dos holandeses com Java ocorreu em 1596, com uma expedição de quatro navios comandada por Cornelis de Houtman.[24]

No final do século XVIII, os holandeses tinham estendido a sua influência aos sultanatos do interior através da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Os conflitos internos impediram os javaneses de formarem alianças eficazes contra os holandeses e as únicas entidades políticas que se resistiram algum tempo foram os principados de Surakarta (ou Solo) e de Yogyakarta, anteriormente parte de Mataram. Os holandeses apoiaram alguns restos da aristocracia javanesa atribuindo cargos de regentes ou de oficiais distritais na administração colonial.

O principal papel económico de Java durante a primeira parte do período colonial foi o de produtor de arroz. Em ilhas onde se produziam especiarias, como as de Banda, era regularmente importado arroz de Java, para suprir a insuficiência da produção local para satisfazer a subsistência.[25]

Durante as Guerras Napoleónicas na Europa, os Países Baixos ficaram sob o controlo da França, o mesmo acontecendo com a sua colónia das Índias Orientais. Durante o curto mandato de Daendels como governador-geral ao serviço dos franceses, foi iniciada a construção da Grande Estrada Postal em 1808. A estrada, que ia de Anyer, em Java Ocidental, a Panarukan, em Java Oriental, serviu como rota de abstecimento militar e foi usada para defender Java da invasão britânica.[26] Em 1811, Java foi invadida pelos britânicos, tornando-se uma possessão do Império Britânico. Stamford Raffles foi governador durante esse período, que terminou quando a ilha foi devolvida aos holandeses em 1815, nos termos do Tratado de Paris.[27]

Em 1815, Java tinha possivelmente cinco milhões de habitantes. Na segunda metade do século XVIII, a população começou a aumentar nas áreas ao longo da costa norte central e no século seguinte aumentou rapidamente por toda a ilha. Para tal contribuiu a administração colonial, que acabou com as guerras civis, o aumento da área de cultivo de arroz e a introdução de algumas plantas comestíveis, como a mandioca e o milho, que eram acessíveis a populações para quem o arroz era muito caro.[28] Outros autores atribuem o crescimento demográfico aos impostos coloniais e ao crescimento do emprego devido ao cultuurstelsel,[nt 1] que levou as famílias a terem mais filhos na esperança de aumentarem a capacidade para pagarem os impostos e comprarem bens.[30] Outro fator foi a diminuição da idade de casamento das mulheres durante o século XIX, que aumentou o número de anos em que as mulheres podiam ter filhos.[31] A epidemia de cólera de 1820 provocou cerca de 100 000 vítimas mortais.[32]

O uso de camiões e a construção de vias férreas em regiões onde até ali o transporte dependia de búfalos e carroças, a implementação de sistemas telegráficos e de sistemas de distribuição melhor coordenados contribuíram para a eliminação da fome em Java e, consequentemente, para o aumento da população. Entre o fim da década de 1840 e a ocupação japonesa cem anos depois não houve crises alimentares significativas em Java. Contudo, segundo alguns autores, o cultuurstelsel está ligado a crises alimentares e epidemias na década de 1840, primeiro em Cirebon e depois em Java Central, devido às culturas agrícolas para exportação, como de indigo e cana-de-açúcar não permitirem a produção suficiente de arroz.[31]

Independência[editar | editar código-fonte]

O nacionalismo indonésio surgiu em Java no início do século XX e a luta pela independência a seguir à Segunda Guerra Mundial centrou-se em Java. A Indonésia tornou-se independente em 1949 e desde então a ilha tem dominado a vida social, política e económica do país, o que é uma fonte de insatisfação para os residentes de outras ilhas.[carece de fontes?]

Cronologia da história de Java[editar | editar código-fonte]

  • 3000 a.C.: migrações do litoral da China do Sul para a Formosa de população austronésia
  • 2000 a.C.: migrações dos austronésios da Formosa para as Filipinas, e para Celebes, Timor e outras ilhas do arquipélago indonésio
  • Século III a.C. ao século III d.C.: o Ramayana menciona Yavadvipa, "ilha do milho-miúdo"
  • Século I: rede de cidades-estado portuárias que comerciam com Índia e China
  • 413: o monge budista chinês Faxian pernoita em "Ye-po-ti" (Yavadvipa)
  • Século V: reino de Tarumanagara no oeste de Java
  • 732: inscrição de Canggal no centro de Java declara que o rei Sanjaya de Mataram erigiu um monumento para honrar Xiva
O templo de Kalasan perto de Yogyakarta
  • 778: inscrição de Kalasan, sempre no centro da ilha, menciona um rei Sailendra que observa os ritos de Buda
  • Séculos VIII a X: construção de templos no centro de Java, como Borobudur budista e Prambanan em honra de Xiva
  • 907 : a autoridade do rei Balitung (reina de 899 a 910) estende-se ao centro e leste de Java
  • 928 : o rei Mpu Sindok transfere definitivamente o seu palácio para Java Oriental
  • 1041 : inscrição de Java Oriental menciona o rei Airlangga, filho do príncipe Udayana, de Bali
  • 1053 : a inscrição do templo de Sdok Kok Thom no Camboja diz que o rei khmer Jayavarman II (reinou de 802 a 869) estabeleceu a sua capital em 802 depois de se ter libertado da suserania de "Java"
  • Século XI: o centro do poder passa para o reino de Kediri, e depois para Singasari
  • 1292 : desembarque de um corpo expedicionário sino-mongol em Java Oriental, fundação do reino de Majapahit, que controla um território que se estende até ao centro de Java
  • Séculos XIV e XV: Majapahit comercia com o Camboja, Champa, China, Índia, Sião, Vietname ("Yawana"). O almirante chinês Zheng He faz muitas vezes escala nos portos de Java
  • 1333-1579: reino hindu sundanês de Pajajaran até Java Oeste controla os portos de Banten e Kalapa (a futura Jacarta)
  • 1478: Majapahit passa para o controlo dos príncipes de Kediri
  • Fim do século XV: um chinês muçulmano, Cek Ko-po, funda Demak na costa norte de Java. Este reino muçulmano empreende a conquista do Pasisir
O Selamatan é uma festividade tradicional javanesa, influenciada pelo Islã.
  • 1527: Fatahillah, um príncipe de Cirebon, conquista o porto de Kalapa e funda aí Jayakarta
  • 1583: Senopati, rei de Mataram, empreende a conquista do centro de Java e do Pasisir[33]
  • 1597: Cornelis de Houtman faz escala em Banten
  • 1619: a VOC (Vereenigde Oostindische Compagnie ou "Companhia Neerlandesa das Índias Orientais" conquista Jayakarta e funda Batávia)
  • O neto de Senopati toma o título de Sultan Agung ("grande sultão", reinou de 1613 a 1646) e ataca o resto de Java. Agung cerca Batávia, mas não obtém êxito.
  • Século XVII: guerras de successão no reino de Mataram.
  • 1755: tratado de Giyanti. Mataram é dividida em dois reinos : Surakarta e Yogyakarta.
  • 1770: os príncipes de Blambangan convertem-se ao Islão
  • 1799: a VOC vai à falência; os seus activos são tomados pelo governo dos Países Baixos.
  • 1825: o príncipe Diponegoro de Yogyakarta levanta armas contra os neerlandeses; esta "guerra de Java" termina em 1830 (15 000 mortos no exército neerlandês, mais de 200 000 na população javanesa, num total à época de entre 4 e 5 milhões de habitantes).
  • século XIX: os neerlandeses exploram a ilha do ponto de vista económico; o governador van den Bosch põe em prática um sistema de culturas (cultuurstelsel) forçadas
  • 1870: uma lei agrária de 1870 abre Java à iniciativa privada

Demografia[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, Java tem sido dominada por classe de elite, enquanto que as classes inferiores se ocupam da agricultura e das pescas. A elite javanesa evoluiu ao longo da história, acompanhando as sucessivas vagas de imigração e ocupação. Há evidências que no passado na elite dominante de Java houve imigrantes do Sul da Ásia e, durante a era islâmica, imigrantes árabes e persas. Mais recentemente, imigrantes chineses também passaram a fazer parte da elite económica de Java. Apesar dos habitantes de origem chinesa geralmente se tenham mantido à margem da política, há algumas exceções notáveis, como o governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama.

População de Java (1971 – 2015) [¶] [34][1]
1971 1980 1990 2000 2010 2015
76 086 320 91 269 528 107 581 306 121 352 608 136 610 590 145 013 583
  Aumento 20% Aumento 17,9% Aumento 12,8% Aumento 12,6% Aumento 6,2%
[¶] ^ Os números incluem a ilha de Madura, que em 2015 tinha 3 724 545 habitantes.

Não obstante Java ter vindo a modernizar-se e a urbanizar-se cada vez mais, apenas 75% da ilha tem eletricidade. As aldeias e os seus campos de arroz continuam a ser uma visão frequente por toda a ilha. Ao contrário do resto da ilha, o crescimento demográfico em Java Central é baixo, apesar da percentagem de jovens ser mais alta do que no resto do país.[35] Este crescimento populacional mais baixo pode ser parcialmente atribuído ao facto de muitas pessoas abandonarem as áreas rurais de Java Central para procurarem melhores oportunidades e rendimentos mais altos nas grandes cidades.[36] A população da ilha continua a aumentar rapidamente, apesar de muitos javaneses abandonarem a ilha. Isso deve-se em parte ao facto de Java ser o principal polo económico, académico e cultural da Indonésia, o que atrai milhões de não javaneses às suas cidades. O aumento demográfico é mais intenso nas regiões em volta de Jacarta e Bandung, onde também se regista maior diversidade demográfica.

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Java», especificamente desta versão.
  1. O cultuurstelsel ("sistema de cultivo" em neerlandês) foi uma política da administração colonial holandesa que obrigava a que uma parte das colheitas agrícolas fosse destinado à exportação.[29]

Referências

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  4. Raffles 1965, p. 3
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  8. Kanakasabhai, V. (1904), The Tamils Eighteen Hundred Years Ago (em inglês). , Asian Educational Services, p. 11, ISBN 9788120601505, consultado em 18 de fevereiro de 2017 
  9. Thomson, J. Oliver (2013), History of Ancient Geography (em inglês). , Cambridge University Press, p. 313, ISBN 9781107689923, consultado em 18 de fevereiro de 2017 
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Bibliografia complementar[editar | editar código-fonte]

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